Pelo Menos o Capitalismo é Livre e Democrático, né?

Pode parecer que é assim, mas Liberdade e Democracia genuínas não são compatíveis com o Capitalismo.

ABCs do Socialismo – Parte 2

por Erik Olin Wright, na Revista Jacobin, abril de 2016

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Ilustração: Phil Wrigglesworth | Jacobin

Nos Estados Unidos, muitos tomam como certo que Liberdade e Democracia estão inseparavalmente conectadas com Capitalismo. Milton Friedman, em seu livro “Capitalismo e Liberdade”, chegou a defender que o Capitalismo era uma condição necessária para ambos.

É certamente verdade que a aparição [1] e a propagação do Capitalismo trouxe consigo uma tremenda expansão das liberdades individuais e, eventualmente, de lutas populares por formas mais democráticas de organização política. Sendo assim, a afirmação de que o Capitalismo obstrui fundamentalmente tanto a Liberdade quanto a Democracia vai soar estranha para muitos.

Dizer que o Capitalismo restringe o florescimento desses valores não é argumentar que o Capitalismo tem corrido contra a Liberdade e a Democracia em todas as circustâncias. Em vez disso, significa que através do funcionamento de seus processos mais básicos, o Capitalismo gera uma deficiência severa de Liberdade e Democracia que ele nunca pode remediar. O Capitalismo promoveu o aparecimento de certas formas limitadas de Liberdade e Democracia, mas impôs um teto baixo impedindo novas realizações para elas.

No centro destes valores está a auto-determinação: a crença de que as pessoas deveriam ser capazes de decidir as condições de suas próprias vidas o máximo possível. Quando uma ação de uma pessoa afeta apenas aquela pessoa, então ele ou ela deve ser capaz de se envolver nessa atividade sem pedir permissão de ninguém mais. Este é o contexto da Liberdade. Mas quando uma ação afeta as vidas de outros, então estas outras pessoas devem ter voz nessa atividade também. Este é o contexto da Democracia. Em ambos, a preocupação suprema é que as pessoas mantenham tanto controle quanto for possível sobre as formas que suas vidas vão tomar.

Na prática, virtualmente cada escolha que uma pessoa faz vai ter algum efeito em outras. É impossível todo mundo contribuir com cada decisão que diz respeito a eles, e qualquer sistema social que insistisse numa participação democrática tão abrangente iria impor um fardo insuportável sobre as pessoas. O que nós precisamos, portanto, é de um conjunto de regras para distinguir entre as questões da Liberdade e aquelas da Democracia. Em nossa sociedade, tal distinção é normalmente feita com referência aos limites entre as esferas privada e pública.

Não há nada natural ou espontâneo sobre essa linha entre o privado e o público; ela é forjada e mantida por processos sociais. As tarefas ocasionadas por esses processos são complexas e muitas vezes contraditórias. O Estado reforça vigorosamente alguns limites entre o público e o privado, e deixa outros para serem acolhidos ou dissolvidos como normas sociais. Muitas vezes o limite entre público e privado permanece vago. Em uma sociedade completamente democrática, o limite em si seria objeto de deliberação democrática.

O Capitalismo contrói a fronteira entre as esferas pública e privada de um jeito que restringe a realização da verdadeira liberdade individual e reduz o escopo de uma democracia significativa. Há cinco caminhos em que isso fica claro de imediato.

1. “Trabalhe ou Morra de fome” não é Liberdade

O Capitalismo se baseia na acumulação privada de riqueza e na busca de renda através do mercado. As desigualdades econômicas que resultam dessas atividades “privadas” são instrínsecas ao Capitalismo e criam desigualdades no que o filósofo Philippe van Parijs chama de “Liberdade Real.”

Independente do que mais a gente queira dizer com “Liberdade”, ela precisa incluir a capacidade de dizer “não”. Uma pessoa rica pode decidir livremente por não trabalhar em troca de um salário; uma pessoa pobre sem meios de subsistência independentes não pode fazer o mesmo tão facilmente.

Mas o valor da Liberdade vai além disso. É também a capacidade de agir positivamente nos planos de vida de alguém – escolher não só a resposta, mas a pergunta também.

Os filhos de pais ricos podem entrar em estágios não-remunerados, apenas para progredir com suas carreiras [2]; os filhos de pais pobres não podem.

O Capitalismo priva muita gente de Liberdade real nesse sentido. A miséria em meio a abundância existe por causa de uma equação direta entre recursos materiais e os recursos necessários para auto-determinação.

2. Os Capitalistas Decidem

A maneira em que a fronteira entre as esferas pública e privada é desenhada no Capitalismo exclui decisões cruciais, que afetam quantidades enorme de pessoas, do controle democrático. Talvez o direito mais fundamental que acompanha a propriedade privada de Capital seja o direito a decidir investir e desinvestir estritamente baseado em seu auto-interesse.

A decisão de uma corporação de mover sua produção de um local para outro é um assunto privado, apesar de ter um impacto radical nas vidas de todo mundo em ambos os lugares. Mesmo se alguém defender que essa concentração de poder em mãos privadas é necessária para a alocação eficiente de recursos, a exclusão desse tipo de decisão de controles democráticos dizima, sem nenhuma dúvida, a capacidade de auto-determinação de todos, exceto de proprietários de Capital.

3. Das Oito às Cinco é Tirania

As empresas capitalistas tem a permissão para serem organizadas como ditaduras no ambiente de trabalho. Um componente essencial do poder de um proprietário de um negócio é o direito de dizer aos empregados o que fazer. Essa é a base do contrato de trabalho: quem procura o emprego concorda em seguir as ordens do empregador em troca de um salário. É claro, um empregador também é livre para garantir aos trabalhadores uma autonomia considerável, e em algumas situações esta é a forma de organizar o trabalho que maximiza os lucros. Mas tal autonomia é dada ou negada ao bel prazer do dono. Nenhum conceito robusto de auto-determinação permitiria que a autonomia dependesse das preferências de elites.

Um defensor do Capitalismo poderia responder que um trabalhador que não gosta do comando do chefe pode sempre se demitir. Mas como por definição falta aos trabalhadores meios independentes de subsistência, se eles se demitirem terão de procurar por um novo emprego e, na medida que os empregos disponíveis estão em firmas capitalistas, eles ainda serão objeto das ordens de um chefe.

4. Os Governos Tem de Estar à Serviço dos Interesses de Capitalistas Privados

O controle privado sobre as principais decisões de investimento cria uma pressão constante sobre as autoridades públicas para ordenar leis favoráveis aos interesses dos capitalistas. A ameaça do desinvestimento e da mobilidade do Capital está sempre no pano de fundo de discussões de políticas públicas, e assim os políticos, não importa a orientação ideológica, são forçados a se preocupar em sustentar um “bom clima para os negócios.” [3]

Valores democráticos são vazios enquanto uma classe de cidadãos tem prioridade sobre todos os demais.

5. As Elites controlam o Sistema Político

Finalmente, as pessoas ricas tem um maior acesso do que os outros ao poder político. Esse é o caso em todas as democracias capitalistas, mesmo que a desigualdade de poder político baseada na riqueza seja muito maior em alguns países do que em outros.

Os mecanismos específicos para esse acesso mais fácil são muito variados: contribuições para campanhas políticas; financiamento de esforços de lobby; contatos sociais na elite de varios tipos; subornos e outras formas de corrupção.

Nos Estados Unidos não são apenas indivíduos ricos, mas também corporações capitalistas, que não encontram nenhuma restrição significativa em sua capacidade de usar recursos privados para propósitos políticos. Este acesso diferencial ao poder político esvazia o princípio mais básico de Democracia.


Estas consequências são endêmicas ao Capitalismo como um sistema econômico. Isso não significa que elas não possam às vezes serem mitigadas em sociedades capitalistas. Em diferentes tempos e lugares, muitas políticas foram construídas para compensar pela deformação da Liberdade e da Democracia sob o Capitalismo.

Restrições públicas podem ser impostas sobre o investimento privado de forma a enfraquecer o rígido limite entre público e privado; um forte setor público e formas ativas de investimento estatal podem diminuir a ameaça da mobilidade de Capital; restrições no uso de riqueza privada em eleições e o financiamento público de campanhas políticas podem reduzir o acesso privilegiado dos ricos ao poder político; leis trabalhistas podem fortalecer o poder político coletivo dos trabalhadores tanto na arena política quanto no espaço de trabalho; e uma ampla variedade de políticas de Bem-Estar Social podem aumentar a Liberdade verdadeira daqueles sem acesso a riqueza privada.

Quando as condições políticas são as certas, os aspectos anti-democráticos e de embaraço à Liberdade do Capitalismo  podem ser aliviados, mas não podem ser eliminados. Domar o Capitalismo desta forma tem sido o objetivo central das políticas defendidas por socialistas dentro de economias capitalistas mundo à fora.

Mas se a Liberdade e a Democracia devem ser realizadas por completo, o Capitalismo não deve ser meramente domado. Ele precisa ser superado.

Tradução: Everton Lourenço

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Ilustração: Phil Wrigglesworth | Jacobin

Pode parecer que é assim, mas Liberdade e Democracia genuínas não são compatíveis com o Capitalismo.


Leituras Relacionadas:

  • O país já não é meio Socialista? – “Não, Socialismo não é só sobre mais governo – é sobre propriedade e controle democráticos.“.
  • A gente trabalha demais, mas não precisa ser assim – “Entre os séculos XIX e XX os trabalhadores conquistaram o dia de trabalho de 10 horas e então o de 8 horas, mas depois da Grande Depressão a tendência parou. Do que precisaríamos para recuperar nosso tempo livre?“.
  • Políticas para se ‘Arranjar uma Vida’ – “O trabalho em uma sociedade capitalista é um fenômeno conflituoso e contraditório. Uma política para a classe trabalhadora tem de ser contra o trabalho, apelando para o prazer e o desejo, ao invés de sacrifício e auto-negação.“.

Notas:

[1] https://www.amazon.com/Origin-Capitalism-Longer-View/dp/1859843921

[2] https://www.jacobinmag.com/2014/01/in-the-name-of-love/

[3] https://www.jacobinmag.com/2013/11/an-incomplete-legacy/


Leituras Relacionadas

Este artigo faz parte da série de leituras ‘Sobre Capitalismo‘. Os textos da série buscam apresentar:

  1. Os aspectos principais que definem o Capitalismo e suas tendências;
  2. Os problemas, contradições, antagonismos e limites do sistema social/político/econômico/ideológico/moral em que vivemos, que nos impedem de termos vidas plenas e satisfatórias, e que podem inclusive levar ao fim da vida humana como conhecemos.
  3. Como muitas das tendências problemáticas do sistema são tão centrais que dificilmente poderemos ter uma solução sustentável apenas “domando” o capitalismo, esperando a benevolência de bilionários ou a visão inovadora de empreendedores geniais – muitos desses problemas só poderão ser realmente resolvidos com a superação do próprio sistema por uma alternativa mais democrática, mais racional, mais equilibrada, mais justa, mais sustentável e mais humana.
  • As Perspectivas da Liberdade [David Harvey] – “A idéia de liberdade degenera assim em mera defesa do livre empreendimento, que significa a plenitude da liberdade para aqueles que não precisam de melhoria em sua renda, seu tempo livre e sua segurança, e um mero verniz de liberdade para o povo, que pode tentar em vão usar seus direitos democráticos para proteger-se do poder dos que detêm a propriedade.”
  • O Mercado é Mesmo Bom? [Luis Felipe Miguel] – Há um elemento comum, nas manifestações recentes da direita: o discurso de que o Estado deve recuar e o mercado deve regular uma porção maior das interações humanas. Se a lógica do mercado opera, dizem eles, no final das contas todos ganham. Será que é mesmo assim?
  • O Ano em Que o Capitalismo Real Mostrou a Que Veio [Jerome Roos] – “Tudo que nós um dia deveríamos temer sobre o socialismo — desde repressão estatal e vigilância em massa até padrões de vida em queda — aconteceu diante de nossos olhos
  • Não Há Alternativa? [István Mészáros] – “Para muita gente, a presente situação parece fundamentalmente inalterável. Esta impressão parece ser reforçada por um dos slogans políticos mais frequentemente repetidos pelos que tomam as decisões por nós: ‘não há outra alternativa.’ Contudo, a dedicação de nossos líderes políticos ao avanço dos imperativos do sistema do capital não elimina suas deficiências estruturais e seus antagonismos potencialmente explosivos. Descobrir uma saída do labirinto das contradições do sistema do capital global por meio de uma transição sustentável para uma ordem social muito diferente é, portanto, mais imperativo hoje do que jamais o foi, diante da instabilidade cada vez mais ameaçadora.”
  • Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas [George Monbiot] – “Crise financeira, desastre ambiental e mesmo a ascensão de Donald Trump – o Neoliberalismo,  a ideologia dominante no ‘Ocidente’ desde os anos 80, desempenhou seu papel em todos eles. Como surgiu e foi adotado pelas elites a ponto de tornar-se invisível e difuso? Por que a Esquerda fracassou até agora em enfrentá-lo?”
  • Desabamento Contínuo: Neoliberalismo Como Estágio da Crise Capitalista, Rendição Social-Democrata, Revolta Popular Recente e as Aberturas à Esquerda [Robert Brenner] – Na fase atual do neoliberalismo, o capitalismo não é mais capaz de garantir crescimento e desenvolvimento semelhantes aos estágios anteriores. Nem mesmo se mostra capaz de garantir condições de vida aos trabalhadores e, assim, assegurar seu apoio ao sistema – passando a depender cada vez mais do medo imposto sobre os mesmos sobre a perda de seus empregos, sobre o futuro, e sobre repressão – e despertando revolta de massa à Esquerda e à Direita. O que se segue é uma tentativa inicial e muito parcial de apresentar como entendemos o panorama político de hoje; uma série de suas características notáveis; as aberturas que se apresentam aos movimentos e à Esquerda; e os problemas que a Esquerda enfrenta.
  • Como Vai Acabar o Capitalismo? [Wolfgang Streeck] – “O epílogo de um sistema em desmantêlo crônico: A legitimidade da ‘democracia’ capitalista se baseava na premissa de que os Estados eram capazes de intervir nos mercados e corrigir seus resultados, em favor dos cidadãos; hoje, as dúvidas sobre a compatibilidade entre uma economia capitalista e um sistema democrático voltaram com força total.”
  • Como Matar Um Zumbi: Elaborando Estratégias Para o Fim do Neoliberalismo [Mark Fisher] – “Uma ideologia que prometia nos libertar da burocracia estatal socialista tem, ao invés, imposto uma burocracia própria sua. Isso só parece um paradoxo se tomarmos o neoliberalismo em suas próprias palavras.
  • Realismo Capitalista e a Exclusão do Futuro [Mark Fisher] – “O fracasso do futuro assombra o capitalismo: depois de 1989, a vitória do capitalismo não consistiu na sua reivindicação confiante do futuro, mas em negar que o futuro é possível. Tudo o que podemos esperar, temos sido levados a acreditar, é mais do mesmo – mas em telas de resolução mais alta com conexões mais rápidas. A assombralogia, penso, expressa insatisfação com esta exclusão do futuro. […]  Parte da batalha agora será para garantir que o neoliberalismo seja percebido como morto. Acho que isso já está acontecendo. Há uma mudança nas atmosferas culturais, pequena no momento, mas vai crescer.”
  • Neoliberalismo, Ordem Contestada [Perry Anderson] – “O sistema sofre pressão inédita – pela Esquerda e pela Direita – mas resiste, apoiando-se no medo. Por que o populismo retrógrado ainda é mais forte? Como mudar o jogo?”
  • Dossiê Corbyn [Bhaskar Sunkara, Sarah Leonard, Victor Marques, David Graeber, James Butler, Juliet Jacques, Sam Kriss] – “A campanha do Partido Trabalhista, em pouco tempo, foi capaz de transformar radicalmente a paisagem política do Reino Unido. A importância histórica desse evento não deve ser minimizada: ao que me consta, é a primeira vez que um partido de massas, esclerosado e envelhecido, é trazido de volta à vida por meio da mobilização multitudinária de base, tornando-se novamente um instrumento útil ao movimento social de contestação e reativando a imaginação utópica pós-capitalista.”
  • Existe Mesmo Algo Como um Livre-Mercado? [Ha-Joon Chang] – Todo mercado tem algumas regras e limites que restringem a liberdade de escolha. O mercado só parece livre porque estamos tão condicionados a aceitar as suas restrições subjacentes que deixamos de percebê-las.
  • O Livre-Mercado Faz Países Pobres Ficarem Ricos? [Ha-Joon Chang] –  “Os supostos lares do livre comércio e do livre mercado ficaram ricos por meio da combinação do protecionismo, subsídios e outras políticas que hoje eles aconselham os países em desenvolvimento a não adotar. As políticas de livre mercado tornaram poucos países ricos até agora e poucos ficarão ricos por causa dela no futuro.”
  • A África Está Destinada ao Subdesenvolvimento? [Ha-Joon Chang] – Quantas razões ou justificativas já ouvimos para o subdesenvolvimento da África (e de outras regiões da periferia do capitalismo, incluindo o nosso Brasil, claro)? Clima, características culturais (corrupção, preguiça, falta de cultura de poupança, falta de empreendedorismo, etc), limites geográficos, excesso de recursos naturais, falta de homogeneidade da população.. Todo mundo parece ter as suas explicações favoritas. Quanto de verdade há nelas? Será que os países que hoje são ricos não tiveram também a sua cota de problemas estruturais? Será que a África (e as muitas outras regiões subdesenvolvidas e dependentes) está condenada a permanecer nessas condições?
  • Uma Filosofia Para o Proprietariado [Rob Hunter] – O “Libertarianismo” não oferece solução alguma para a política plutocrática de hoje em dia – não passa de uma rejeição reacionária à luta política.
  • A Fantasia do Livre-Mercado [Nicole M. Aschoff] – “Designar o mercado como ‘natural’ e o Estado como ‘antinatural’ é uma ficção conveniente para aqueles casados com o status quo. O “capitalismo consciente”, embora atraente em alguns aspectos, não é uma solução para a degradação ambiental e social que acompanha o sistema de produção voltado ao lucro. A sociedade precisa decidir em que tipo de mundo deseja viver, e essas decisões devem ser tomadas por meio de estruturas e processos democráticos.”
  • Estranho, com Orgulho [George Monbiot] – “Você se sente perdido? Talvez isso seja por que você se recusa a sucumbir à competição, inveja e medo que o neoliberalismo desperta.
  • Um Mundo Insano: Capitalismo e a Epidemia de Doenças Mentais[Rod Tweedy e Mark Fisher] – “E se não for a gente quem está doente, mas um sistema em desacordo com quem somos como seres sociais?”
  • Por Que o Capitalismo Cria Postos de Trabalho Sem Sentido? [David Graeber] – “É como se alguém lá fora estivesse criando empregos sem sentido apenas com o objetivo de nos manter a todos trabalhando.”
  • O Lamentável Declínio das Utopias Espaciais [Brianna Rennix] – “Narrativas ficcionais são um fator enorme moldando nossas expectativas do que é possível. Infelizmente, utopias estão atualmente fora de moda, como a tediosa proliferação de ficção distópica e filmes de desastre parece indicar. Por que só “libertarianos” fantasiam sobre o espaço hoje em dia?”
  • A Gente Trabalha Demais, Mas Não Precisa Ser Assim [Peter Frase] – “Entre os séculos XIX e XX os trabalhadores conquistaram o dia de trabalho de 10 horas e então o de 8 horas, mas depois da Grande Depressão a tendência parou. Do que precisaríamos para recuperar nosso tempo livre?”
  • Rumo a Uma Sociedade Pós-Trabalho [David Frayne] – A ‘Política do Tempo’ oferece uma resposta à atual crise do trabalho, nos convidando a falar sobre as condições para a liberdade e o tipo de sociedade em que queremos viver. É uma oportunidade para finalmente cumprir a promessa original do desenvolvimento produtivo do capitalismo: nos permitir desfrutar coletivamente de mais tempo livre, para explorar essas aptidões e aspectos de nós mesmos que muitas vezes ficam marginalizados em um mundo centrado no trabalho. “Precisamos tomar de volta o futuro das mãos do capitalismo e construir, nós mesmos, o mundo do século XXI que queremos.”
  • Quatro Futuros: Vida Após o Capitalismo (livro de 2016) [Peter Frase] – “Crise climática”, “mudanças ambientais”, “robôs inteligentes”, “robôs tomando empregos”: os impactos da Crise Climática e de novas tecnologias de Automação de postos de trabalho para o nosso futuro comum vêm sendo cada vez mais discutidos. Se os avanços tecnológicos da “Quarta Revolução Industrial” (em especial em campos como Inteligência Artificial, Robótica avançada, fabricação aditiva, etc) forem o suficiente para automatizarmos a maior parte das atividades que hoje são empregos, reduzindo a um mínimo a necessidade de trabalho humano, a produção de mercadorias através de trabalho assalariado estará superada – e, portanto, estaremos falando do fim do Capitalismo; a questão então é o que virá depois. Será que a possibilidade de toda essa automação é o bastante para garantir que ela vai ocorrer? Qual seria o impacto disso sobre as vidas das pessoas? Como as questões ambientais/climáticas entram nesse quadro? E as relações de propriedade e produção capitalistas e a Política, especificamente a Luta de Classes? Que tipo de cenários podemos esperar à partir do fim do Capitalismo?
  • Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância[Peter Frase] –“Um mundo em que a tecnologia tenha superado ou reduzido a um mínimo (e de forma sustentável) a necessidade de trabalho humano; em que esse potencial seja compartilhado com todos, eliminando a exploração e a alienação das relações de trabalho assalariado; onde as hierarquias derivadas do Capital tenham sido suplantadas por um modelo mais igualitário, agora capaz não só de sanar as necessidades de todos, mas de permitir o livre desenvolvimento de cada um, parece para muitos como um sonho de utopia inalcançável e ingênuo, onde não existiriam quaisquer conflitos ou hierarquias. Será mesmo?”
  • Elon Musk Não é O Futuro [Paris Marx] – “Os dirigentes das grandes empresas de tecnologia estão nessa apenas por eles mesmos, não pelo bem público.
  • Bill Gates Não Vai Nos Salvar [E Nem Elon Musk] – [Ben Tarnoff] Quando se trata de tecnologia verde, apenas o Estado pode fazer o que o Vale do Silício não pode.
  • Planejando o Bom Antropoceno – [Leigh Phillips e Michal Rozworski] O mercado está nos levando cegamente a uma calamidade climática – o planejamento democrático é uma saída.
  • Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia – [Seth Ackerman, John Quiggin, Tyler Zimmer, Jeff Moniker, Matthijs Krul, HumanaEsfera] [Recomendo aqui também por como os textos trabalham com as vantagens e os problemas de se contar com o “Mercado” como mecanismo para alocação de recursos]“O socialismo promete a emancipação humana, com o alargamento da democracia e da racionalidade para a produção e distribuição de bens e serviços e o uso da tecnologia acumulada pela humanidade para a redução a um mínimo do trabalho necessário por cada pessoa, liberando seu tempo para o seu livre desenvolvimento. Como organizar uma economia socialista para realizar essas promessas?” 
  • Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições Na Queda – Texto 4 – Observações Sobre a Possibilidade de Coordenação e Planejamento Computadorizado de Toda Uma Economia Industrial – [Paul Cockshott e Allin Cottrel] Nos trechos recortados, os autores resgatam artigos de pesquisadores sobre o tema e a Teoria da Complexidade Computacional da Ciência da Computação para mostrar que o debate sobre a busca pelo equilíbrio mecânico neoclássico da economia é falso e um problema insolúvel, não apenas para o socialismo, como gostariam os economistas da Escola Austríaca, mas também e principalmente para qualquer modelo baseado em mercados. Utilizando em seu lugar o conceito de equilíbrio estatístico, os autores demonstram por que uma economia de mercado pode chegar a um equilíbrio relativo na alocação de recursos produtivos, mas apresentam como alternativa socialista um modelo e um algoritmo para calcular um tal equilíbrio muito mais rapidamente, como uma tarefa computacional facilmente escalável para a tecnologia atual, mesmo para economias continentais. Apesar dos argumentos desta parte envolverem conceitos avançados de Matemática e de Computação, não é difícil acompanhá-los mesmo sem o conhecimento desses conceitos – mas é claro que esse conhecimento possibilita uma melhor compreensão dos argumentos apresentados.
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