O Projeto Socialista e a Classe Trabalhadora

“As pessoas na Esquerda estão unidas em seu objetivo de uma sociedade em que cada indivíduo encontre meios aproximadamente iguais para o pleno desenvolvimento de suas capacidades diversas. O que distingue os socialistas é o reconhecimento de que a forma específica como a sociedade está organizada para reproduzir a si mesma também reproduz grandes desigualdades sociais nos padrões de vida, emprego, condições de trabalho, saúde, educação, habitação, acesso à cultura, meios de desenvolvimento e frutos do trabalho social, etc.

por David Zachariah, em ‘Arguments for Socialism’ [‘Argumentos Pelo Socialismo’] [Paul Cockshott e David Zachariah, 2012], 2011

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O punho erguido, um dos mais reconhecidos símbolos da luta socialista | Memorial de Bubanj em homenagem aos mortos na resistência contra o fascismo na antiga Iugoslávia | Foto: Mikica Andrejic

[Nota de Tradução: Para o blog, este é um ótimo complemento para ‘Por Que Socialismo?‘, de Albert Einstein, com a introdução, de maneira muito clara, de alguns pontos não abordados naquele texto.]


Por Que Socialismo?

As pessoas na Esquerda estão unidas em seu objetivo de uma sociedade em que cada indivíduo encontre meios aproximadamente iguais para o pleno desenvolvimento de suas capacidades diversas. Este objetivo igualitário está bloqueado por grandes e persistentes desigualdades sociais nos padrões de vida, emprego, condições de trabalho, saúde, educação, habitação, acesso à cultura, meios de desenvolvimento e frutos do trabalho social, etc.

O que distingue os socialistas do resto é o seu reconhecimento de que a forma específica como a sociedade está organizada para reproduzir a si mesma também reproduz estas desigualdades sociais. Ela o faz através de dois grandes tipos de mecanismos: (i) exclusão e (ii) exploração. No primeiro mecanismo um grupo de pessoas é sistematicamente barrado dos meios de desenvolvimento, por exemplo, através da separação racial institucional ou do desemprego em massa. No segundo mecanismo, o produto ou os meios de subsistência de um grupo de pessoas é sistematicamente extraído e apropriado por outro.

Karl Marx considerava a extração e apropriação do excedente social produzido pela população trabalhadora como sendo o “segredo mais íntimo” de cada civilização:

A forma econômica específica, em que o trabalho-excedente não pago é bombeado para longe dos produtores diretos, determina a relação de governantes e governados, pois brota diretamente da própria produção e, por sua vez, reage sobre ela como um elemento determinante. (…) É sempre a relação direta dos proprietários das condições de produção com os produtores diretos – uma relação sempre correspondendo naturalmente a um estágio definido no desenvolvimento dos métodos de trabalho e, portanto, de sua produtividade social – que revela o segredo mais íntimo, a base oculta de toda a estrutura social e, com ela, a forma política da relação de soberania e dependência, em suma, a correspondente forma específica do Estado “. [1]

Ao controlar os ativos produtivos da sociedade, uma classe econômica – proprietários de escravos, senhores de terras, administradores estatais, capitalistas – pode extrair e apropriar o excedente das classes produtoras, isto é, bens e serviços além do consumo dos explorados. Estas relações de exploração são mantidas e codificadas em diferentes formas de propriedade estabelecidas e defendidas pelo Estado.

Numa sociedade dominada pelo modo de produção capitalista, os direitos à propriedade de bens produtivos são universais e iguais. Mas a propriedade desses bens é altamente concentrada e desigual, deixando os trabalhadores assalariados com poucas opções além de vender sua capacidade de trabalho para uma classe de capitalistas. Estes se apropriam do que seus trabalhadores empregados produzem, vendem-no com lucro e obtém o excedente social produzido pela classe trabalhadora coletivamente.

No processo, a riqueza, e portanto o poder de comandar o trabalho, é acumulada numa sociedade capitalista. A propriedade desigual e concentrada dos bens produtivos persiste através da dinâmica da concorrência de mercado entre empresas, que destrói firmas de baixa produtividade e beneficia as intensivas-em-capital, e do reinvestimento do produto excedente, que concentra ainda mais os bens de capital e aumenta a competitividade. Além disso, o desemprego persiste para uma parte substancial da classe trabalhadora como um resultado da natureza não-planejada e anárquica da produção e das trocas sob o capitalismo. Através destes mecanismos de exclusão e exploração, as desigualdades sociais são reproduzidas numa sociedade de indivíduos juridicamente iguais. [2]

Conseqüentemente, estabelecer uma sociedade que não reproduza mais as desigualdades sociais exige a destruição dos mecanismos de exclusão e exploração e a transformação da organização da produção social. Para os socialistas, como o grande físico Albert Einstein, isso significa o estabelecimento de formas coletivas de propriedade dos bens produtivos e da apropriação do excedente:

“Estou convencido de que só há um modo de eliminar estes males [do capitalismo], o estabelecimento de uma economia socialista, acompanhada de um sistema educacional orientado por objetivos sociais. Numa economia assim, os meios de produção seriam de propriedade da sociedade e seriam utilizados de uma forma planejada. Uma economia planejada que ajuste a produção às necessidades da comunidade distribuiria o trabalho a ser feito entre os que são hábeis para trabalhar e garantiria o sustento a todo homem, mulher e criança. A educação do indivíduo, além de promover suas próprias habilidades natas, faria com que se desenvolvesse nele um senso de responsabilidade por seus semelhantes em vez da glorificação do poder e do sucesso na sociedade atual.” [3]

Assim, o socialismo implica uma apropriação planejada do produto excedente, este é seu “segredo mais íntimo”. Einstein apontou, no entanto, que este traço não poderia ser a única característica de uma sociedade socialista,

“É necessário lembrar que uma economia planejada ainda não é socialismo. [4] Uma economia planejada pode vir acompanhada pela completa escravização do indivíduo. A conquista do socialismo requer a solução de alguns problemas sócio-políticos extremamente difíceis: como seria possível, tendo em vista a abrangente centralização do poder político e econômico, impedir que a burocracia se torne todo-poderosa e onipotente? Como os direitos do indivíduo podem ser protegidos para garantir um contrapeso democrático ao poder da burocracia? … Ter clareza sobre estes objetivos e problemas do socialismo é muito importante nesta época de transição.“ [5]

Para evitar o restabelecimento de uma classe dominante numa economia socialista, a apropriação coletiva do produto excedente deve estar sob controle popular. [6] Os mecanismos para esta realização ainda precisam ser desenvolvidos. Em resumo, então, o projeto socialista consiste em mudar as relações de propriedade e estabelecer formas de organização econômica e instituições políticas necessárias para tal processo de apropriação coletiva. [7] Mas quem pode levar esse projeto adiante?

A Capacidade Estrutural da Classe Operária [8]

As capacidades organizacionais das forças políticas para minar a dominação da classe dominante, afetar a política do Estado e avançar os objetivos do socialismo dependem das posições econômicas da classe de sua base de massas. O processo de reprodução social coloca as pessoas em diferentes posições econômicas com diferentes restrições e capacidades estruturais para desenvolver e sustentar organizações com sucesso.

Historicamente, a base de massa de movimentos socialistas nunca foi exclusivamente o proletariado, mas tem, em graus diferentes, também incluído os camponeses e setores da classe média profissional, tais como professores, advogados e médicos. Movimentos e organizações de massa têm desenvolvido um caráter socialista, na medida em que têm se enraizado na luta da classe operária. O movimento comunista chinês foi um caso nesse sentido. Sua base de massa era predominantemente rural e dominada pelo campesinato, mas a sua forma de organização e visão estratégica foram inicialmente formadas na luta da classe operária. Inversamente, o polonês ‘Solidarnosc’ [‘Solidariedade’] começou como um movimento operário militante com reivindicações de direitos e “autogestão dos trabalhadores”, mas sua liderança e visão estratégica logo foi dominada pela Igreja Católica e pelos “reformadores de mercado” neoliberais, e se tornou um veículo para a restauração capitalista.

O conflito de classes está sempre embutido nas relações de produção como um conflito sobre as condições de trabalho. Os trabalhadores, individual ou coletivamente, derivam seu poder de barganha face-à-face com seus empregadores na medida em que são indispensáveis ao processo de produção. [9] Pode-se distinguir dois grandes tipos de poder de barganha:

(i) No ambiente do Mercado, o que resulta diretamente de mercados de trabalho apertados. Trabalhadores com habilidades ou credenciais em relativa escassez.

(ii) No ambiente de trabalho, que resulta diretamente do potencial disruptivo de parar certas unidades de produção. Trabalhadores em uma posição estratégica ou setor-chave da economia capitalista. [10]

A combinação específica desses poderes de barganha é o que dá aos trabalhadores uma capacidade estrutural de avançar quando o conflito latente sobre as condições de trabalho se rompe numa luta de classes coletiva com os empregadores e a classe capitalista. Seu sucesso depende de sua capacidade coletiva de aumentar e sustentar os custos potenciais de interromper a produção em relação ao custo das concessões para os capitalistas. A partir do momento em que a luta vai além daquela com patrões imediatos e, ao invés, contesta a estrutura das relações de propriedade existentes, ela envolve o Estado e a luta de classes se torna uma luta política.

Para resumir, os marxistas têm sustentado que uma classe operária organizada deve constituir um componente central das forças políticas socialistas. Não por causa das heróicas lutas históricas travadas pelos movimentos da classe trabalhadora em nível mundial, mas

“[da sua] natureza historicamente constituída como a produtora coletiva explorada dentro do modo de produção capitalista. Como classe explorada, ela é apanhada em um choque sistemático com o capital, que não pode em geral e permanentemente satisfazer suas necessidades. [11] Como a principal classe produtora, tem o poder de deter – e dentro de limites, reorientar – o aparato econômico do capitalismo, em busca de seus objetivos. E como produtora coletiva, tem a capacidade objetiva de fundar um novo modo de produção não-explorador. Essa combinação de interesse, poder e capacidade criadora distingue a classe trabalhadora de qualquer outra força social ou política na sociedade capitalista e a qualifica como a agência indispensável do socialismo “. [12]

Interesses e Ideologias de Classe

Embora a classe trabalhadora seja um agente indispensável para o projeto socialista, isso não faz com que os indivíduos da classe prefiram o socialismo; isso requer uma transformação ideológica. A ideologia é o “meio” através do qual os seres humanos percebem e vivem suas vidas como agentes conscientes. Ela os informa sobre o que é desejável/indesejável; o que existe/não existe; o que é possível/impossível e assim por diante. [13] Ideologias se chocam e competem sobre o que indivíduos podem abordar; elas são reproduzidas em e através de práticas que reafirmam ou sancionam, de acordo com suas respectivas crenças postuladas.

As práticas diárias nos mercados de mercadorias e de trabalho tratam seres humanos como sujeitos jurídicos abstratos e isolados (comprador/vendedor, empregado/empregador), enquanto o sistema parlamentar liberal os trata como cidadãos universais abstratos (eleitores iguais e deputados representando sua “vontade” abstrata). Estas práticas reafirmam a ideologia capitalista liberal, ao atomizar indivíduos: os processos econômicos aparecem como uma força externa, incontrolável, enquanto a política é representada como uma questão de preferências pessoais e de debate público. Inversamente, os indivíduos que tentam ir contra a ordem social são confrontados com práticas que sancionam de acordo com a ideologia capitalista liberal: desemprego, sanções legais ou excomunhão pública. Através destas práticas de reafirmação e sanção, a ordem social capitalista é reproduzida ideologicamente. Para aqueles que se beneficiam do sistema, a sociedade aparece como livre e justa, e atribuindo suas riquezas ao sucesso pessoal; enquanto que para aqueles que estão na outra extremidade, aparece como desigual e atribuindo sua falta de riqueza ao fracasso pessoal. Para os primeiros, o capitalismo é desejável; paras os outros, nenhuma alternativa parece possível.

Portanto, não se pode esperar que um trabalhador assalariado se torne um socialista comprometido meramente em virtude de sua posição econômica. Além disso, embora diferentes práticas específicas de classe reproduzam ideologias específicas de classe, a composição ideológica dos indivíduos não é esgotada por elas. Em outras palavras, certas práticas podem evoluir em bairros operários que se dirigem aos seus habitantes como uma classe social distinta. Mas outras práticas, como ler o jornal nacional, freqüentar a escola pública ou a igreja, se dirigem a outros sujeitos ideológicos que não a classe – como “membros da nação”, religiosos, etc. As forças relativas destas ideologias são determinadas pela pertinência das práticas pelas quais elas são reafirmadas e sancionada.

Uma vez que os trabalhadores pertencem a uma classe explorada, práticas específicas de classe os reafirmam periodicamente no conflito sistemático com o capital. Devido à natureza de exploração da relação capital-trabalho, esses conflitos não podem, de modo geral e permanente, satisfazer as necessidades dos trabalhadores. É a partir desse fato que surge um interesse objetivo em estabelecer um modo de produção sem exploração. Agentes têm um interesse em algum estado-de-coisas se este lhes permite alcançar seus desejos. Mas outra coisa é estar ciente desse interesse; isso implica uma transformação ideológica que mostre a um agente como realizar seu interesse. [14]

Em outras palavras, é em e através de organizações socialistas que se envolvem na luta da classe trabalhadora que essa transformação pode ocorrer. Através de suas vitórias, a capacidade estrutural coletiva dos trabalhadores é reafirmada. Uma condição necessária para isso é que as organizações envolvem uma ampla parcela da classe trabalhadora com um forte poder coletivo de barganha. Através da solidariedade o interesse objetivo no projeto socialista é reafirmado. Uma condição necessária para a viabilidade do projeto é o surgimento de intelectuais – especialistas em práticas discursivas – dentro do movimento, que possam desenvolver, condensar e disseminar idéias e opções programáticas. A ausência da primeira condição leva a derrotas desmoralizadoras, sanções que minam a ideologia socialista. Na falta da última condição, a luta da classe trabalhadora torna-se defensiva ou seccional, sem objetivos políticos de longo prazo, apenas o eterno conflito sobre as condições de trabalho no capitalismo é percebido no horizonte.

Processos de transição

O projeto socialista avança quando o poder da classe dominante se enfraquece e quando formas de apropriação coletiva se expandem. Ambos minam as relações de exploração na produção. Isso ocorre por exemplo através da conquista de direitos dos trabalhadores no local de trabalho e na sociedade, o estabelecimento de cooperativas, um setor público de bem-estar com princípios universais de distribuição, bibliotecas digitais produzidas por parceiros, orçamentos participativos, etc. Nesses avanços, as sementes de uma sociedade socialista crescem, mas enfrentam obstáculos imediatos nas relações de propriedade existentes defendidas pela constituição do aparelho estatal. A questão da transferência do poder estatal é, portanto, inevitável para os socialistas.

Karl Kautsky [15] defendia que a classe trabalhadora precisava ganhar poder na sociedade antes dos socialistas entrarem em um governo parlamentar para implementar um programa de transição. Uma vez que eles pretendem mudar as relações de propriedade e estabelecer um processo de apropriação coletiva, o governo socialista está fadado ao conflito contra o poder da classe dominante. No início, pode haver oposição política pela comunidade empresarial organizada. Quando o conflito se intensifica, o poder sistêmico do capital para retirar investimentos coloca a economia em estagnação e a base tributária do Estado é enfraquecida. A pressão pode aumentar à medida que as sanções dos mercados internacionais e o possível colapso da produção se sigam. Sob certas condições, o governo socialista pode até mesmo enfrentar forças militares contra-revolucionárias. Seu destino está, em outras palavras, condicionado às capacidades organizacionais do movimento socialista – fora do centro do aparato estatal – para se defender da reação da classe dominante e sustentar os setores produtivos da economia.

Por outro lado, quando o caminho estratégico de Kautsky para o poder está bloqueado pelo próprio estado – por exemplo, em formas autoritárias de governo – o processo de transformação socialista se torna condicionado à emergência de uma revolução política. Seguindo a famosa fórmula de Weber, o Estado é definido pelo exercício de um monopólio do uso legítimo da força sobre um determinado território. Uma revolução sempre envolve uma ruptura desse monopólio e o surgimento do “poder dual” que o contesta. Como Perry Anderson aponta, a fórmula de Weber segue três possíveis maneiras pelas quais ela pode surgir: [16]

  • Legitimidade. O monopólio do poder do Estado é quebrado por disjunções, como uma derrota militar ou colapso fiscal, que minam a ideologia de seu governo, especialmente dentro das forças armadas e da burocracia. Sua legitimidade é destruída quando uma poderosa oposição faz uma contra-reivindicação de legitimidade.
  • Força. Um aparato coercitivo do Estado é subjugado por um rápido golpe de nocaute das forças insurgentes. Isso só é possível quando o Estado tenha sido severamente enfraquecido pela guerra ou desarticulação econômica. Estas condições são extremamente instáveis e o resultado depende da capacidade das forças insurgentes de construir rapidamente novas estruturas estatais.
  • Território. O monopólio estatal do poder é corroído pela ruptura de um território suficiente para erigir um contra-estado que possa se defender, bem como desenvolver capacidades políticas, econômicas e militares sob aquela opressão, e finalmente derrotar o Estado.

As Revoluções Francesa, Russa e Chinesa envolveram diferentes elementos desses processos. Seus resultados foram determinados pela composição social das forças políticas que contestavam o poder do Estado e suas capacidades organizacionais para se adaptar rapidamente sob condições revolucionárias.

Quais caminhos estratégicos são viáveis para o avanço do projeto socialista no século 21 é uma questão aberta que será respondida à medida que entremos em um novo período de turbulência na economia capitalista global. [17] Milhões estão se juntando às fileiras do proletariado industrial nos países em industrialização, enquanto um vasto proletariado de serviços está sendo formado nos países avançados. É certo que a base de massas das forças políticas socialistas englobará uma parte maior da população do que a classe operária. Mas, como argumentamos aqui, a classe operária constitui um componente indispensável nessa força.

Tradução: Everton Lourenço


Notas

[1] Karl Marx, O Capital vol. III, Parte VI, Ch. 47, 1894. Ênfase adicionada.

[2] Para mais detalhes sobre as características básicas do Capitalismo, ver Uma Definição de Capitalismo, de E. K. Hunt e Mark Lautzenheiser; e Por Que Socialismo?, de Albert Einstein. [N.M.]

[3]  Albert Einstein, “Why Socialism?” [Por Que Socialismo?], Monthly Review, Maio de 1949.

[4] De maneira semelhante, ao contrário do que tem sido amplamente afirmado pela Direita “Liberal”, não é o fato de uma fatia maior das atividades ser coordenada diretamente pelo Estado o que define o Socialismo – ver Mas o País Já Não É Meio Socialista?, de Chris Maisano. [N.M.]

[5] Ibid.

[6] Ver O Marxismo É Uma Ideologia Assassina, Que Só Pode Gerar Miséria?, de Terry Eagleton. [N.M.]

[7] Ver por exemplo o debate em Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia. [N.M.]

[8] Talvez a opção da tradução de ‘workers’ para ‘operários’ nesta sessão (e no próprio título do texto) ao invés de ‘trabalhadores’ possa dar ao texto um ar que muitos podem achar antiquado, mas achei necessário por causa do contexto, que falava do papel deles na produção e separava ‘workers’ dos camponeses e de profissões de classe média. Talvez outra tradução como ‘trabalhadores urbanos’ pudesse soar melhor, não sei. De qualquer maneira, acharia muito estranho citar “trabalhadores” sem que essa palavra já incluísse os trabalhadores do campo, por exemplo. Alguma sugestão? [N.M.]

[9] Ver Por Que Socialistas Falam Tanto em Trabalhadores, de Vivek Chibber. [N.M.]

[10] Cf. Beverly Silver, ‘Forces of Labor: workers’ movement and globalization since 1870’ [‘Forças do Trabalho: Movimento Trabalhista e Globalização Desde 1870’], Cambridge University Press, 2003.

[11] Essa questão está na base dos limites da Social-Democracia como projeto político alternativo ao Socialismo. Ver O Ponto de Ruptura da Social-Democracia, de Peter Frase. [N.M.]

[12] Francis Mulhern, “Towards 2000, or News from You-Know-Where” [‘Rumo a 2000, ou Notícias de Você-Sabe-Onde’], NLR I/148,1984.

[13] Cf. Göran Therborn, ‘The Power of Ideology and the Ideology of Power’ [‘O Poder da Ideologia e a Ideologia do Poder’], Verso 1980.

[14] Cf. Alex Callinicos, ‘Making History’ [‘Fazendo História’], Haymarket Books, 2005.

[15] Um proeminente Social-Democrata alemão do início do Século XX.

[16] Perry Anderson,”Two Revolutions” [‘Duas Revoluções’], NLR II/61, 2010.

[17] Ver Como Vai Acabar o Capitalismo?, de Wolfgang Streeck. [N.M.]


Leituras Relacionadas

  • Sobre aspectos básicos para se compreender o capitalismo:
    • Uma Definição de Capitalismo“Podemos definir ‘capitalismo’ como um modo particular de produção, caracterizado por quatro conjuntos de arranjos institucionais e comportamentais: produção de mercadorias, orientada para o mercado; propriedade privada dos meios de produção; um grande segmento da população que não pode existir, a não ser que venda sua força de trabalho no mercado; e comportamento individualista, aquisitivo, maximizador, da maioria dos indivíduos dentro do sistema econômico.”
    • Por Que Socialismo?Albert Einstein explica, de maneira clara e objetiva, os problemas fundamentais que enxerga na sociedade capitalista e porque uma sociedade socialista poderia ser o caminho para superá-los.
    • Capitalismo: Uma Introdução“Nas suas bases, o capitalismo é um sistema econômico baseado em três coisas: trabalho assalariado (trabalhar por um salário), propriedade privada dos meios de produção (coisas como fábricas, maquinário e escritórios) e produção para venda e lucro. O processo é bastante simples – dinheiro é investido para gerar mais dinheiro”
    • O País Já Não é Meio Socialista? – Não, Socialismo não é só sobre mais governo – é sobre propriedade e controle democráticos.
    • Pelo Menos o Capitalismo é Livre e Democrático, Né? – Pode parecer que é assim, mas Liberdade e Democracia genuínas não são compatíveis com o Capitalismo.
    • Os Ricos Não Merecem Ficar Com a Maior Parte do Seu Dinheiro?“A riqueza é criada socialmente – a redistribuição apenas permite que mais pessoas aproveitem os frutos do seu trabalho.”
    • A Reprodução da Vida Cotidiana [Fredy Perlman] – “A atividade prática diária dos homens da comunidade tribal reproduz ou perpetua a tribo; a atividade cotidiana dos escravos reproduz a escravidão; a prática cotidiana dos trabalhadores assalariados reproduz o trabalho assalariado e o capital.”
  • Sobre problemas, contradições e limites do sistema capitalista:
    • Sobre a ideologia dominante e as condições atuais:
      • Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas“Crise financeira, desastre ambiental e mesmo a ascensão de Donald Trump – o Neoliberalismo,  a ideologia dominante no ‘Ocidente’ desde os anos 80, desempenhou seu papel em todos eles. Como surgiu e foi adotado pelas elites a ponto de tornar-se invisível e difuso? Por que a Esquerda fracassou até agora em enfrentá-lo?”
      • Como Vai Acabar o Capitalismo?“O epílogo de um sistema em desmantêlo crônico: A legitimidade da ‘democracia’ capitalista se baseava na premissa de que os Estados eram capazes de intervir nos mercados e corrigir seus resultados, em favor dos cidadãos; hoje, as dúvidas sobre a compatibilidade entre uma economia capitalista e um sistema democrático voltaram com força total.”
      • O Ano em Que o Capitalismo Real Mostrou a Que Veio – “Tudo que nós um dia deveríamos temer sobre o socialismo — desde repressão estatal e vigilância em massa até padrões de vida em queda — aconteceu diante de nossos olhos
    • Sobre a desigualdade social e sobre a pobreza:
      • Bill Gates e os 4 Bilhões na Pobreza – “A pobreza global está caindo ou crescendo? Sabe-se que a desigualdade global vem aumentando rapidamente nas últimas décadas, mas muitos defensores do capitalismo se apressam para nos afirmar que, apesar disso, nunca estivemos melhor. Será mesmo?
      • Uma Criança que Morre de Fome Hoje é Assassinada“Relator da ONU para o direito à alimentação entre 2000 e 2008, Jean Ziegler procura explicar por que ainda existe fome se a produção agrícola mundial é suficiente para alimentar toda a população e faz contundentes críticas à especulação nas bolsas de commodities e às multinacionais”
      • Uma Economia Para os 99%‘, da Oxfam;
      • Pikettyismos‘, de Ladislau Dowbor,
      • Contando Com os BilionáriosFilantropo-capitalistas como George Soros querem que acreditemos que eles podem remediar a miséria econômica que eles mesmos criam.
    • Sobre os efeitos psicológicos dos valores do sistema:
      • Estranho, com Orgulho – “Você se sente perdido? Talvez isso seja por que você se recusa a sucumbir à competição, inveja e medo que o neoliberalismo desperta.
      • Não Prestar Pra Nada [Mark Fisher] – “Para aqueles que foram ensinados desde o nascimento a se verem como inferiores, a aquisição de qualificações ou renda raramente será suficiente para apagar — em suas próprias mentes ou na mente dos outros — o sentido primordial de inutilidade que os marca tão cedo na vida”
      • 15 Maneiras Com Que o Capitalismo Impede ou Limita Você de Ser Feliz“Você deseja muito ser feliz? Então talvez seja melhor começar a pensar seriamente sobre o atual sistema hegemônico, o principal causador de infelicidade geral.”
      • Os Transtornos Mentais Provocados Pelas Mudanças Neoliberais – “Neoliberalismo, assexualidade e desejo de morte. Filósofo italiano aponta: obsessão pelo sucesso individual e troca dos contatos corpóreos pelos digitais podem realizar distopia da humanidade insensível, para a qual já alertava Pasolini”
    • Sobre a falta de tempo livre e de condições para o auto-desenvolvimento e lazer:
      • A Gente Trabalha Demais, Mas Não Precisa Ser Assim – “Entre os séculos XIX e XX os trabalhadores conquistaram o dia de trabalho de 10 horas e então o de 8 horas, mas depois da Grande Depressão a tendência parou. Do que precisaríamos para recuperar nosso tempo livre?”
      • Rumo a Uma Sociedade Pós-TrabalhoA ‘Política do Tempo’ oferece uma resposta à atual crise do trabalho, nos convidando a falar sobre as condições para a liberdade e o tipo de sociedade em que queremos viver. É uma oportunidade para finalmente cumprir a promessa original do desenvolvimento produtivo do capitalismo: nos permitir desfrutar coletivamente de mais tempo livre, para explorar essas aptidões e aspectos de nós mesmos que muitas vezes ficam marginalizados em um mundo centrado no trabalho. “Precisamos tomar de volta o futuro das mãos do capitalismo e construir, nós mesmos, o mundo do século XXI que queremos.”
      • Renda Básica e o Futuro do Trabalho“Não existe algo como a ‘dignidade do trabalho’. Não é o direito ao emprego, mas a uma existência material garantida que dá dignidade à vida humana.”
      • Políticas Para Se ‘Arranjar Uma Vida’ – “O trabalho em uma sociedade capitalista é um fenômeno conflituoso e contraditório. Uma política para a classe trabalhadora tem de ser contra o trabalho, apelando para o prazer e o desejo, ao invés de sacrifício e auto-negação.
      • Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância“Um mundo em que a tecnologia tenha superado ou reduzido a um mínimo (e de forma sustentável) a necessidade de trabalho humano; em que esse potencial seja compartilhado com todos, eliminando a exploração e a alienação das relações de trabalho assalariado; onde as hierarquias derivadas do Capital tenham sido suplantadas por um modelo mais igualitário, agora capaz não só de sanar as necessidades de todos, mas de permitir o livre desenvolvimento de cada um, parece para muitos como um sonho de utopia inalcançável e ingênuo, onde não existiriam quaisquer conflitos ou hierarquias. Será mesmo?”
      • Os Robôs Vão Tomar Seu Emprego?“Com a automação causando ou não uma devastação nos empregos, o futuro do trabalho sob o capitalismo parece cada vez mais sombrio. Precisamos agora olhar para horizontes pós-trabalho.”
      • Por Que o Capitalismo Cria Postos de Trabalho Sem Sentido? [David Graeber] – “É como se alguém lá fora estivesse criando empregos sem sentido apenas com o objetivo de nos manter a todos trabalhando.”
      • Em Nome do Amor – “‘Faça o que você ama’ é o mantra do trabalhador atual. Por que deveríamos reivindicar nossos interesses de classe se, de acordo com as elites do FOQVA (Faça O Que Você Ama) como Steve Jobs, não existe algo como trabalho?
    • Sobre a produção voltada ao lucro e seu impacto ambiental:
      • Obsolescência Planejada: Armadilha Silenciosa na Sociedade de ConsumoO crescimento pelo crescimento é irracional. Precisamos descolonizar nossos pensamentos construídos com base nessa irracionalidade para abrirmos a mente e sairmos do torpor que nos impede de agir
      • A Fantasia do Livre-Mercado“Designar o mercado como ‘natural’ e o Estado como ‘antinatural’ é uma ficção conveniente para aqueles casados com o status quo. O “capitalismo consciente”, embora atraente em alguns aspectos, não é uma solução para a degradação ambiental e social que acompanha o sistema de produção voltado ao lucro. A sociedade precisa decidir em que tipo de mundo deseja viver, e essas decisões devem ser tomadas por meio de estruturas e processos democráticos.”
      • O Mito do Antropoceno – Culpar toda a Humanidade pela mudança climática deixa o Capitalismo sair ileso.
      • Vivo Sob o Sol“Não há caminho rumo a um futuro sustentável sem lidar com as velhas pedras no caminho do ambientalismo: consumo e empregos. E a maneira de fazer isso é através de uma Renda Básica Universal. “
      • Rumo a um Socialismo Ciborgue “A Esquerda precisa de mais vozes e de críticas mais afiadas que coloquem nossa análise do poder e de justiça no centro das discussões ambientais, onde elas devem estar.”
      • Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? – “Sob o Socialismo, nós tomaríamos decisões sobre o uso de recursos democraticamente, levando em consideração necessidades e valores humanos, ao invés da maximização dos lucros.
      • Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia“Muito se tem falado sobre os impactos da Crise Climática e de novas tecnologias de Automação de postos de trabalho para o nosso futuro em comum. Como as relações de propriedade e produção capitalistas e a Política, especificamente a Luta de Classes, se encaixam neste quadro? Será que a possibilidade de automação quase generalizada seria o bastante para garantir que ela ocorrerá? Qual seria o impacto dela sobre as condições de vida das pessoas? Com base nesses elementos, que tipo de cenários podemos esperar à partir do fim do Capitalismo?”
    • Sobre a incapacidade do sistema de gerar inovações para tratar de seus problemas:
      • Bill Gates, Socialista?“Bill Gates está certo: o setor privado está sufocando a inovação em energias limpas. Mas esse não é o único lugar em que o Capitalismo está nos limitando.
      • Inovação Vermelha – “Longe de sufocar a inovação, uma sociedade Socialista colocaria o progresso tecnológico a serviço das pessoas comuns.”
      • Lingirie Egípcia e o Futuro Robô – O pânico sobre automação erra o alvo – o verdadeiro problema é que os próprios trabalhadores são tratados feito máquinas.”
      • A Sociedade do Smartphone“Assim como o automóvel definiu o Século XX, o Smartphone está reformulando como nós vivemos e trabalhamos hoje em dia.”
    • O Ponto de Ruptura da Social-Democracia – “Precisamos de uma Política que reconheça que o acordo de classes da Social-Democracia é insustentável.
    • Socialismo, Transformando “Miséria Histérica” em “Tristeza Qualquer”“A Esquerda quer dar às pessoas a chance de fazer algo mais com suas vidas, lhes dando tempo e espaço longe do mercado.”
    • 6 Medos Sobre o Comunismo Que Se Tornaram Reais no Capitalismo – “Os maiores pesadelos que tanto temiam do “comunismo” acabaram se tornando reais, mas ironicamente no próprio capitalismo.”
    • O Capitalismo Deu Certo e o Socialismo é Um Fracasso? – “Desde a queda da URSS o Capitalismo segue triunfante e impondo sua hegemonia, mas será que isso o torna algo bom e o socialismo algo que deve ser esquecido? A História nos ajuda a responder.”
  • Sobre a etapa atual do capitalismo, o neoliberalismo, e as ideologias do liberalismo econômico que hoje compõe papel central na administração política do sistema:
    • Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas“Crise financeira, desastre ambiental e mesmo a ascensão de Donald Trump – o Neoliberalismo,  a ideologia dominante no ‘Ocidente’ desde os anos 80, desempenhou seu papel em todos eles. Como surgiu e foi adotado pelas elites a ponto de tornar-se invisível e difuso? Por que a Esquerda fracassou até agora em enfrentá-lo?”
    • A Fantasia do Livre-Mercado“Designar o mercado como ‘natural’ e o Estado como ‘antinatural’ é uma ficção conveniente para aqueles casados com o status quo. O “capitalismo consciente”, embora atraente em alguns aspectos, não é uma solução para a degradação ambiental e social que acompanha o sistema de produção voltado ao lucro. A sociedade precisa decidir em que tipo de mundo deseja viver, e essas decisões devem ser tomadas por meio de estruturas e processos democráticos.”
    • Uma Filosofia para o Proprietariado – O “Libertarianismo” não oferece solução alguma para a política plutocrática de hoje em dia – não passa de uma rejeição reacionária à luta política.
    • Existe mesmo algo como um “livre-mercado”? – Todo mercado tem algumas regras e limites que restringem a liberdade de escolha. O mercado só parece livre porque estamos tão condicionados a aceitar as suas restrições subjacentes que deixamos de percebê-las.”
    • O Mercado é Mesmo Bom?“Há um elemento comum, nas manifestações recentes da direita: o discurso de que o Estado deve recuar e o mercado deve regular uma porção maior das interações humanas. Se a lógica do mercado opera, dizem eles, no final das contas todos ganham. Será que é mesmo assim?”
    • As Perspectivas da Liberdade“A idéia de liberdade degenera assim em mera defesa do livre empreendimento, que significa a plenitude da liberdade para aqueles que não precisam de melhoria em sua renda, seu tempo livre e sua segurança, e um mero verniz de liberdade para o povo, que pode tentar em vão usar seus direitos democráticos para proteger-se do poder dos que detêm a propriedade.”
    • O Livre-Mercado Faz Países Pobres Ficarem Ricos? –  “Os supostos lares do livre comércio e do livre mercado ficaram ricos por meio da combinação do protecionismo, subsídios e outras políticas que hoje eles aconselham os países em desenvolvimento a não adotar. As políticas de livre mercado tornaram poucos países ricos até agora e poucos ficarão ricos por causa dela no futuro.”
    • Sua Majestade, a Teoria Econômica “Aqui temos a crise econômica e financeira mais espetacular em décadas e o grupo que passa a maior parte de suas horas ativas analisando a economia basicamente não a enxergou.”
    • Nem Sempre Foi Assim [Frederico Mazzucchelli] – “O caótico período que vai do início do século 20, passando pelas duas Guerras Mundiais e a crise de 29, certamente foram tempos muito piores do que o que vivemos hoje, tempos de crise, desemprego e violência em massa. Entretanto, daqueles tempos emergiu também, após a Segunda Guerra Mundial, a necessidade de regular o sistema econômico de modo a atenuar as mazelas gestadas pelo mercado autorregulado. As respostas keynesianas à incerteza e à catástrofe promoveram um longo período de crescimento com ganhos salariais e redução das desigualdades, algo também sem paralelo na história do capitalismo.”
    • Nossa Obsoleta Mentalidade de Mercado [Karl Polanyi] – “O capitalismo liberal foi com efeito a resposta inicial do homem ao desafio da Revolução Industrial. De modo a gerarmos o escopo necessário para o uso de máquinas poderosas e elaboradas, transformamos a economia humana em um sistema auto-regulado de mercados, e direcionamos nosso pensamentos e valores para os moldes dessa única inovação. Hoje, começamos a duvidar da verdade de alguns desses pensamentos e da validade de alguns desses valores.”
  • Sobre o Socialismo, e sobre como com a tecnologia já acumulada pela humanidade, e com relações de produção mais igualitárias, poderíamos criar uma alternativa muito mais interessante, justa, racional, humana e sustentável:
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