Não Há Alternativa?

“Para muita gente, a presente situação parece fundamentalmente inalterável. Esta impressão parece ser reforçada por um dos slogans políticos mais frequentemente repetidos pelos que tomam as decisões por nós: ‘não há outra alternativa.’ Contudo, a dedicação de nossos líderes políticos ao avanço dos imperativos do sistema do capital não elimina suas deficiências estruturais e seus antagonismos potencialmente explosivos. Descobrir uma saída do labirinto das contradições do sistema do capital global por meio de uma transição sustentável para uma ordem social muito diferente é, portanto, mais imperativo hoje do que jamais o foi, diante da instabilidade cada vez mais ameaçadora.”

por István Mészáros

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Exemplares do “não há alternativa” no Brasil: Henrique Meirelles, Michel Temer e seus apoiadores na mídia bombardearam os brasileiros com esse discurso para impor as “reformas” desejadas pelo Mercado Financeiro no país – congelamento do orçamento, desmonte da previdência, dos direitos trabalhistas, dos serviços públicos, etc.

[Nota do Minhocário: Este artigo faz parte de uma série de leituras avaliando as estratégias, os caminhos e descaminhos das Esquerdas durante o século XX, buscando contribuir para as reflexões e os debates necessários para construirmos nossas alternativas ao sistema atual. Como ficará claro abaixo, Mészáros apresenta uma crítica radical às experiências governamentais da Esquerda no século XX, tanto em sua vertente social-democrata (engolida pelo Neoliberalismo nas últimas décadas), quanto na soviética (regimes que ele, inclusive, não chama de socialistas, mas de “pós-revolucionários” ou “pós-capitalistas”, o que difere de autores como Paul Cockshott, cujas críticas foram apresentadas anteriormente no blog). Independente de concordarmos ou não com cada posição de cada autor, acredito que a reflexão crítica com essas diferentes visões é essencial.]


“A tarefa histórica da sociedade burguesa é o estabelecimento do mercado mundial, pelo menos em suas linhas básicas, e um modo de produção que repouse sobre esta base. Como o mundo é redondo, parece que isso já foi realizado, com a colonização da Califórnia e da Austrália e a anexação da China e do Japão. Para nós, a difícil questão é esta: a revolução no continente é iminente, e terá um caráter imediatamente socialista; não será necessariamente esmagada neste cantinho do mundo, já que num terreno bem mais vasto a sociedade burguesa ainda está em ascensão.” [Karl Marx, em carta para Engels em 1858]

O “cantinho do mundo” de que Marx falou em 1858 já não é mais um cantinho: os sérios problemas da crescente saturação do sistema do capital lançaram suas sombras por toda parte. A histórica ascendência do capital está hoje consumada naquele “terreno bem mais vasto” cuja desconcertante existência Marx teve de reconhecer em sua carta de 8 de outubro de 1858 para Engels. Vivemos hoje em um mundo firmemente mantido sob as rédeas do capital [1], numa era de promessas não cumpridas e esperanças amargamente frustradas, que até o momento só se sustentam por uma teimosa esperança.

Para muita gente, a presente situação parece fundamentalmente inalterável, conforme a caracterização de Hegel de que o pensamento e a ação são corretos e adequados – ou, para ele, “racionais” – apenas se submetidos às exigências do “capital permanente universal ”. Além do mais, esta impressão de fatal inalterabilidade parece ser reforçada por um dos slogans políticos mais frequentemente repetidos pelos que tomam as decisões por nós como justificativa de suas ações: não há outra alternativa. [2] Essa opinião continua sendo enunciada sem qualquer preocupação pela desesperança que resultaria do fato de esta proposição ser verdadeira. É bem mais fácil resignar-se à irreversibilidade do dilema afirmada no determinismo cego deste slogan político de nosso tempo – sem sequer tentar uma avaliação, muito menos um questionamento, de suas seríssimas implicações – do que imaginar a forma de enfrentá-lo.

Entretanto, curiosamente, os políticos que jamais se cansam de repetir que não há alternativa para a situação hoje existente não hesitam em descrever, ao mesmo tempo, sua própria ocupação como “a arte do possível”. Recusam-se a notar a gritante contradição entre a autojustificativa tradicional da política como a socialmente benéfica “arte do possível” e a resignação defendida sem crítica à regra do capital para a qual, em sua visão – proclamada como a única racionalmente sustentável “no mundo real” –, não pode haver alternativa. Afinal, como entender a política como “a busca do possível socialmente confiável”, se a viabilidade de qualquer alternativa aos imperativos da ordem vigente está a priori excluída por ser impossível?

Evidentemente, o fato de tantos responsáveis pelas decisões – no Oriente e no Ocidente – adotarem a ideia de que não há alternativa alguma para as determinações prevalecentes não pode ser considerado simples aberração pessoal, passível de correção, de parte daqueles que a defendem. Ao contrário, essa ideia funesta emana do presente estágio do desenvolvimento do próprio sistema do capital global, com todas as suas interdependências paralisantes e margens de ação objetivamente cada vez mais estreitas. Na fase ascendente do desenvolvimento da sociedade de mercado toda uma série de alternativas significativas foi contemplada (e implementada com sucesso) no interesse da acumulação e da expansão rentáveis do capital pelos países capitalistas dominantes (como regra, também construtores de impérios).

As coisas mudaram bastante neste aspecto. A era do capital monopolista globalmente saturado não pode tolerar, no que diz respeito aos fundamentos e não aos acessórios decorativos, a prática do pluralismo político parlamentar, que outrora já serviu como a autojustificativa de estratégias reformistas social-democratas.

Portanto, não é de surpreender que a recente morte dos partidos de esquerda não esteja confinada à ignominiosa desintegração dos antigos partidos comunistas (stalinistas) tanto no Oriente como no Ocidente. A este respeito, é bem mais significativo (e, paradoxalmente, também mais estimulante) que a centenária promessa social-democrata de instituir o socialismo “aos pouquinhos” tenha demonstrado conclusivamente [3] seu caráter ilusório com o abandono – agora, desavergonhadamente explícito – das primeiras aspirações sociais e políticas do movimento. É significativo e estimulante, apesar de tudo, porque a precária condição da política democrática de hoje – óbvia demais no medonho consenso relativo à ideia de que “não há alternativa” e suas consequências práticas diretas, como exemplificado, entre outras, pelas medidas legislativas autoritárias sentidas pelos sindicatos – só pode ser resolvida por um movimento extraparlamentar radical de massa. Movimento que não pode surgir sem que a classe trabalhadora seja sacudida da antiga ilusão firmemente institucionalizada de estabelecer o “socialismo aos pouquinhos”, dentro dos limites do capitalismo autorreformador. [4]


O slogan interessado de que “não há alternativa” é muitas vezes associado à frase igualmente tendenciosa de autojustificação que proclama que “no mundo real ” não pode haver alternativa ao curso da ação (ou inação) defendido. Supõe-se que esta proposição seja uma verdade óbvia, isentando automaticamente do ônus da prova todos os que continuam a afirmá-la.

No entanto, quando se pergunta de que espécie de “mundo real” estão falando, torna-se claro que é de um mundo totalmente fictício. Os defeitos estruturais e os antagonismos explosivos do mundo em que vivemos são negados, ou cegamente desconsiderados, com grandes justificações explicativas pelos que esperam que acreditemos que “no mundo real” não há alternativa alguma para a dócil aceitação das condições necessárias ao funcionamento sem problemas do sistema global do capital.

Em nome da razão, do bom senso e da “política real” somos convidados a nos resignar com o atual estado das coisas, não importa quão destrutivos sejam seus antagonismos [5], pois dentro dos parâmetros da ordem estabelecida – eternizada como a estrutura racional do essencialmente inalterável “mundo real”, com a “natureza humana” e sua correspondente instrumentalidade reprodutiva ideal: o “mecanismo de mercado” etc. – não é possível enxergar-se solução alguma para as contradições onipresentes.

Assim, espera-se que finjamos para nós mesmos que as classes e contradições de classe já não existem ou não mais importam. Da mesma forma, pressupõe-se que o único rumo viável da ação no assim postulado “mundo real” seria ignorar ou “oferecer explicações que neguem” as evidências da instabilidade estrutural proporcionada por nossos próprios olhos, varrendo pressurosamente para baixo de um tapete imaginário os problemas crônicos e os sintomas da crise (ambos de gravidade cada vez maior) que diariamente a ordem social vigente coloca diante de nós.

Da maneira como andam as coisas hoje, os ideólogos da ordem estabelecida já não acreditam mais sequer na velha noção popularizada de mudá-las “aos pouquinhos”. Com o fim da fase ascendente do capitalismo, nenhuma mudança real pode ser considerada legítima – nem por uma grande intervenção estrutural, nem “aos pouquinhos”.

Se é verdade, como dizem eles, que “não há alternativa” para as determinações do sistema do capital no “mundo real”, então a própria ideia de intervenções causais – não importa se grandes ou pequenas – deve ser condenada como absurda. A única mudança admissível em tal visão de mundo pertence ao tipo que se preocupa com certos efeitos negativos estritamente limitados, mas sem qualquer efeito sobre sua base causal – o sistema dado de controle metabólico.

Contudo, se há uma interpretação que realmente merece ser chamada de absurdo total no reino da reforma social, esta não é a defesa de uma grande mudança estrutural, mas precisamente aquele tipo de exagerado otimismo cheio de explicações que separam os efeitos de suas causas. É por isto que a “guerra à pobreza”, tantas vezes anunciada com zelo reformista, especialmente no século XX, é sempre uma guerra perdida, dada a estrutura causal do sistema do capital – os imperativos estruturais de exploração que produzem a pobreza.

A tentativa de separar os efeitos de suas causas anda de mãos dadas com a igualmente falaciosa prática de atribuir o status de regra a uma exceção. É assim que se pode fazer de conta que não têm a menor importância a miséria e o subdesenvolvimento crônico que necessariamente surgem da dominação e da exploração neocolonial da esmagadora maioria da humanidade por um punhado de países capitalista desenvolvidos – poucos mais do que os componentes do G7. Como diz a lenda oportunista, graças à “modernização” (jamais realizada) do resto do mundo, a população de todos os países um dia gozará os grandes benefícios do “sistema da livre empresa”. [6]

O fato de que a exploração predatória dos recursos humanos e materiais de nosso planeta em benefício de uns poucos países capitalistas seja uma condição não generalizável é maldosamente desconsiderado. Em vez disso, reafirma-se implicitamente a viabilidade universal da emulação do desenvolvimento dos países “capitalistas avançados”, sem levar em conta que nem as vantagens do passado imperialista, nem os imensos lucros obtidos da manutenção continuada do “Terceiro Mundo” na situação de dependência estrutural podem ser “universalmente difundidos” de modo a produzir os felizes resultados que se esperam da “modernização” e do “livre-mercado”. Sem mencionar o fato de que mesmo que a história do imperialismo pudesse ser reescrita num sentido diametralmente oposto à maneira como realmente se desdobrou, junto com a fictícia inversão das relações de poder de dominação e dependência existentes em favor dos países subdesenvolvidos, a adoção generalizada da utilização predatória dos limitados recursos de nosso planeta – já enormemente prejudicial, embora hoje praticada apenas por uma minúscula minoria privilegiada – faria todo o sistema desmoronar instantaneamente. A esse respeito, basta pensar na tremenda discrepância entre o tamanho da população dos Estados Unidos – menos de 5% da população mundial – e seu consumo de 25% do total de recursos energéticos disponíveis. Não é preciso grande imaginação para se ter uma ideia do que aconteceria se os outros 95% adotassem o mesmo padrão de consumo e tentassem retirar dezenove vezes 25% dos restantes 75%. [7]

Esconder o vazio das prometidas soluções corretivas é a conveniente função ideológica da transformação em regra universal das condições rigorosamente excepcionais dos poucos privilegiados. [8] Somente num mundo inteiramente fictício, em que os efeitos podem ser separados de suas causas, ou mesmo postos em oposição diametral a elas, é que essa interpretação pode ser considerada viável e correta. Por esta razão, tais falácias – a primeira, que estipula a possibilidade de manipulação de efeitos em si e por si, isolados das causas, e a segunda, a universalização de exceções impossíveis de serem generalizadas – estão tão estreitamente atadas na ideologia “pragmática” dominante. Ideologia que encontra justificação definitiva em sua descrição da ordem do “mundo real” para a qual “não pode haver nenhuma alternativa”.

Margaret Thatcher ganhou o apelido de TINA – a sigla de There Is No Alternative (“não há alternativa”) – por negar com monótona regularidade a possibilidade de alternativas. Seguindo em seus calcanhares, Mikhail Gorbachev continuou a repetir a mesma opinião em incontáveis ocasiões. Ironicamente, a sra. Thatcher teve de descobrir que tinha de haver alguma alternativa para ela, quando o Partido Tory lhe tomou o poder. Àquela altura, ela suspirou: It’s a funny old world! – que em português dá mais ou menos: “Este mundo é engraçado!” –, mas recusou-se a nos informar se, em sua opinião, o “mundo engraçado” ainda mantinha o status de “mundo real” que a tudo absolve.

O secretário do Partido e presidente Gorbachev também não se deu muito melhor que a sra. Thatcher, pois perdeu não apenas o cargo, mas todo o sistema estatal que havia governado e tentado transformar em sociedade capitalista de mercado, em nome do “não há alternativa”. [9] Todavia, seu caso era bem mais complicado que o da ministra britânica. É perfeitamente compreensível que alguém como Margaret Thatcher adotasse de coração e “internalizasse” como correto e adequado – ou seja, não apenas de facto, mas também de jure – a margem de ação cada vez mais estreita permitida pelos imperativos da ordem capitalista. Gente como a baronesa Thatcher dança ao som do dinheiro. [10]

No entanto, tudo foi muito diferente na outra vertente do divisor social. Ao adotar a ideia de que “não há alternativa” como justificativa para suas políticas, os que se dizem socialistas deixam de ter qualquer coisa a ver com o socialismo, pois o projeto socialista foi desde o início definido como alternativa à ordem social estabelecida. Portanto, não é surpresa que durante os anos de seu governo, na esteira de sua conversão à filosofia de que “não há alternativa”, Mikhail Gorbachev tivesse abandonado até mesmo as mais vagas referências ao socialismo. Ele terminou – em seu discurso de renúncia – desejando para o futuro, num vácuo social completo, “democracia e prosperidade”. Dado o desastroso legado que deixou, seus votos auspiciosos devem ter soado especialmente ocos para seus compatriotas famintos. [11]

Em todo caso, a dedicação de nossos líderes políticos ao avanço dos imperativos do sistema do capital não elimina suas deficiências estruturais e seus antagonismos potencialmente explosivos. Ao contrário da laboriosamente cultivada mitologia da ordem vigente, as perigosas contradições são intrínsecas e não exteriores a ela. É por isso que o mundo é hoje – depois da capitulação do antigo “inimigo externo” e da curta celebração triunfalista do “fim da guerra fria” – um lugar muito mais instável do que já foi. [12]

À luz dos fatos recentes, que trouxeram consigo não apenas o fragoroso desmoronamento do sistema soviético stalinista irreformável (e seus territórios anteriormente dependentes da Europa Oriental), mas também o enfraquecimento das instituições otimistas erigidas no Ocidente capitalista com a queda da União Soviética, somente um idiota pode acreditar que agora podemos marchar tranquilamente na direção do milênio liberal-capitalista. [13] Na verdade, a ordem existente demonstra-se insustentável, não apenas devido às crescentes “disfunções” socioeconômicas resultantes da imposição diária de suas desumanidades sobre milhões de “infelizes”, mas também em razão do esvaziamento espetacular das mais caras ilusões relativas ao irreversível poder estabilizador socioeconômico da vitória do mundo capitalista avançado sobre o inimigo de ontem.

A consciência desta insustentabilidade ajuda a manter a esperança de uma mudança estrutural básica, apesar de todos os empecilhos e desilusões amargas do passado recente. Encher buracos cavando buracos cada vez maiores – o que tem sido a maneira predileta de solucionar os problemas na presente fase do desenvolvimento – é algo que não pode continuar indefinidamente. Descobrir uma saída do labirinto das contradições do sistema do capital global por meio de uma transição sustentável para uma ordem social muito diferente é, portanto, mais imperativo hoje do que jamais o foi, diante da instabilidade cada vez mais ameaçadora. [14]


Inevitavelmente, o desafio histórico de instituir-se uma alternativa viável à ordem dada também exige uma grande reavaliação do quadro estratégico do socialismo e das condições de sua realização, diante dos fatos e decepções do século XX. Necessitamos urgentemente de uma teoria socialista da transição, não simplesmente como antídoto para as absurdas teorizações do “fim da história” e o concomitante enterro prematuro do socialismo. Em seus próprios termos positivos, uma teoria da transição é necessária para que se reexamine o quadro conceitual da teoria socialista, elaborada originalmente em relação ao “cantinho do mundo” europeu.

Ao contrário das potencialidades objetivas do desenvolvimento capitalista confinado ao limitado cenário europeu, os sérios problemas que surgem da consolidação global de um sistema imensamente poderoso – que se desenvolveu com sucesso ao longo da ascendência histórica do capital durante os últimos cento e cinquenta anos, assumindo uma forma “híbrida”, em oposição à sua variedade “clássica”, com relação ao funcionamento da lei do valor – têm implicações de longo alcance para a necessária reformulação das estratégias originais de emancipação socialista. As desconcertantes transformações e reversões que testemunhamos em nosso século só podem se tornar inteligíveis se reavaliadas dentro deste quadro mais geral do sistema do capital global, no momento em que ele veio a dominar o mundo em sua realidade histórica dinâmica e contraditória. O mesmo se pode dizer com relação à possibilidade de implementar uma mudança estrutural fundamental numa direção verdadeiramente socialista: ela deve se tornar viável e convincente em termos da dinâmica histórica exatamente do mesmo sistema do capital global “realmente existente” a que o modo socialista de controle tenciona proporcionar a necessária alternativa, por meio da autogestão dos produtores associados.

Além da falsa estabilidade da “Aldeia de Potemkin” global, erigida a partir das imagens sonhadas da “Nova Ordem Mundial”, não é muito difícil apontar sintomas de crise que fazem prever a queda da ordem política e socioeconômica estabelecida. No entanto, a profunda crise estrutural do sistema do capital está muito longe de, em si e por si, ser suficiente para inspirar confiança num bom resultado. [15] As peças devem ser recolhidas e reunidas de forma positiva no devido tempo. E, nesse caso, nem mesmo as mais graves crises ou as mais sérias falhas serão, por si sós, de muita ajuda.

Sempre é incomparavelmente mais fácil dizer “não” do que esboçar uma alternativa concreta para o objeto negado. Uma negação parcial do existente só pode ser considerada plausível e legítima se baseada numa visão estratégica coerente de todo o complexo social. A alternativa proposta – explícita ou implicitamente – por qualquer negação séria das condições dadas deve ser sustentável em seu próprio quadro de um conjunto social, caso se espere que tenha êxito contra o poder “incorporador” do mundo estabelecido, potencialmente sempre “híbrido”, em que as forças de uma crítica desejam penetrar.

A proposta do projeto socialista, como foi originalmente concebido, era precisamente contrapor esta alternativa estratégica global à existente, e não remediar, de forma integrável, alguns de seus defeitos mais gritantes. Esta última opção só poderia facilitar – como realmente o fizeram certas variedades do reformismo – a continuação do funcionamento do modo de controle metabólico do capital dentro do novo sistema “híbrido”, apesar de sua crise.

Com o passar do tempo, os adversários políticos socialistas da sociedade da mercadoria fragmentaram-se irremediavelmente pelas recompensas que a ordem vigente podia oferecer; o sistema do capital como tal adaptou-se muito bem a toda crítica parcial vinda de partidos social-democratas, ao mesmo tempo em que enfraquecia a proposta socialista original como alternativa estratégica. A ideologia vigente – compreensivelmente, de seu próprio ponto de vista – declarou que o “holismo” era o inimigo ideológico, confiante em que mesmo a mais feroz crítica parcial torna-se bastante impotente se o seu referencial totalizador de inteligibilidade (e potencial legitimidade) foi categoricamente declarado fora de questão com a ajuda do palavrão pseudo-filosófico exorcizante que é o “holismo” (ou seus inúmeros equivalentes).

Assim, a aprovação positiva do quadro geral e da estrutura de comando do capital tornou-se a premissa absoluta de todo discurso político legitimado nos países capitalistas e foi muito bem aceita como referencial comum pelos interlocutores social-democratas e trabalhistas. Ao mesmo tempo, e apesar de seu radicalismo verbal, o sistema stalinista refletia em detalhes, à sua própria maneira, a estrutura de comando do capital, liquidando, junto com incontáveis militantes que tentavam permanecer fiéis à busca originalmente pretendida de emancipação, até a memória dos legítimos objetivos socialistas.

Portanto, é compreensível que essas duas principais perversões práticas do movimento internacional da classe trabalhadora, emanando de circunstâncias sócio-históricas muito diferentes, tenham abalado fatalmente toda crença na viabilidade da alternativa socialista com que por muito tempo se haviam falsamente identificado. Na realidade, longe de  serem negações socialistas coerentes e abrangentes da ordem estabelecida, ambas representavam a linha de menor resistência sob suas específicas condições históricas, acomodando-se, como modos de controle social, às exigências interiores do sistema do capital incorrigivelmente hierárquico.

Assim, por um lado, a falha da estratégia social-democrata (dada sua aceitação espontânea das restrições impostas pelos parâmetros do “capitalismo autorreformador”) teve no final de assumir a forma do abandono total das metas socialistas outrora sustentadas. [16] Por outro lado, todos os esforços de “reestruturação” do sistema stalinista, desde a “desestalinização” de Kruschev até a “perestróika” de Gorbachev (produzida quando o governo da sociedade, por meio de estados de emergência artificiais e seus campos de trabalho correspondentes, tornou-se econômica e politicamente insustentável), tiveram de naufragar, porque os supostos reformadores sempre detiveram o controle da estrutura hierárquica de comando da ordem social pós-revolucionária, com sua extração política autoritária do trabalho excedente (que, ao contrário, deveria ter sido objeto de ataque permanente). Eles não poderiam pretender que a estrutura estabelecida fosse reestruturada a menos que preservassem sua característica global de estrutura hierárquica, já que eles mesmos ocupavam, como se por direito de nascença, os mais altos escalões. E, por meio de seu empreendimento, em si contraditório, de “reestruturarsem mudar a própria estrutura como encarnação da divisão hierárquica do trabalho social (exatamente como a social-democracia desejava reformar o capitalismo sem alterar sua essência capitalista), eles condenaram o sistema soviético a tropeçar de uma crise a outra. [17]

A “crise do marxismo”, sobre a qual nas últimas décadas muito se escreveu, na verdade denotava a crise e a quase completa desintegração dos movimentos políticos que outrora professavam sua lealdade à concepção marxiana de socialismo. O clamoroso fracasso histórico dos dois movimentos principais – a social–democracia e a tradição bolchevique metamorfoseada em stalinismo – permitiu uma avalanche de todos os gêneros de propaganda triunfalista para celebrar a morte da ideia socialista como tal. Os efeitos negativos desta propaganda não podem ser enfrentados simplesmente com a identificação dos interesses materiais que escoram as celebrações anti-socialistas, pois o que aconteceu não aconteceu sem causas históricas de peso. Hoje o mundo do capital é de fato muito diferente do que era no momento em que o moderno movimento socialista iniciou sua viagem na primeira metade do século XIX. Sem um exame rigoroso das décadas intermediárias do desenvolvimento – orientado para o referencial teórico estratégico da alternativa socialista tanto quanto para suas exigências organizacionais radicalmente alteradas – o projeto socialista não pode renovar-se. Este é o problema que todos os socialistas devem enfrentar no futuro previsível.

Tradução: Paulo Cezar Castanheira

Em ‘Para Além do Capital’, Editora Boitempo


Notas

[1] ver os textos em ‘Sobre Capitalismo’. [N.M.]

[2] ver ‘Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas’, de George Monbiot. [N.M.]

[3] Para Meszáros, escrevendo durante o alge do período Neoliberal, com os antigos partidos Socialistas/Social-Democratas por toda a Europa se rendendo ao “neoliberalismo com um rosto humano” e à assimilação pelo sistema capitalista, essa sujeição parece definitiva. No entanto, nos últimos anos, pós 2008, a ordem Neoliberal deixou de soar como irresistível e os antigos partidos de Esquerda e Centro-Esquerda que continuaram seguindo com o neoliberalismo tem perdido cada vez mais espaço, mas há sinais de que esses partidos podem recuperar força eleitoral quando enfrentam abertamente o Neoliberalismo e propõe uma luta mais clara pelos interesses das maiorias, contra as elites – e aqui o caso da campanha de Jeremy Corbyn no resgate do Partido Trabalhista inglês é um caso interessantíssimo: ver ‘Democratizar Isso‘, de Michal Rozworski. Mas podemos pensar também em vários outros exemplos recentes de mobilização eleitoral anti-neoliberal pela Esquerda, com uma resposta considerável: Bernie Sanders nos EUA, Jean-Luc Melénchon na França, o Podemos na Espanha, o Syriza na Grécia (depois sujeito aos memorandos e à mão de ferro do núcleo da União Europeia), o governo social-democrata em Portugal, etc. Entretanto, talvez no longo prazo Meszáros tenha razão e, sob o sistema capitalista, a tendência social-democrata sempre seja mesmo a assimilação e sujeição, conforme novos quadros forem sendo formados em meio à burocracia partidária, longe das massas e das relações diretas de mobilização popular. [N.M.]

[4] ver O Ponto de Ruptura da Social-Democracia, de Peter Frase. [N.M.]

[5] novamente, ver os textos em ‘Sobre Capitalismo’. [N.M.]

[6] vale lembrar que nos anos 50 a promessa de um dos maiores economistas estadunidenses da época [pegar o nome no ‘Crise Estrutural do Capital’] era de que em menos de 100 anos o sistema capitalista no modelo estadunidense, com todos os benefícios do American Way of Life dos anos 50 estariam plenamente estabelecidos em todo o mundo. Já se passaram quase 70 anos e não só essa promessa se revela completamente vazia como, justamente quando a alternativa socialista do século XX entrou em crise e se desintegrou, uma nova ordem mundial praticamente monopolizada pelos EUA prometeu um mundo novo, mas avançou com o desmonte dos sistemas de bem-estar social estabelecidos durante o pós-Guerra praticamente por todos os países ricos. Hoje a promessa dos anos 50 não é mantida nem mesmo para os trabalhadores estadunidenses, que viram seus salários serem congelados no final dos anos 70, condição na qual permanecem até hoje. [N.M.]

[7] ver Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia, de Peter Frase. [N.M.]

[8] e não é exatamente isso que os “índices de liberdade econômica” e os infinitos textos de sites ‘liberais’ fazem para justificar as condições de riqueza dos países centrais do Capitalismo, ao invés de uma análise honesta sobre a história do desenvolvimento de cada um e das medidas econômicas e ideologias dominantes em cada momento desse desenvolvimento? – ver ‘O Livre-Mercado Faz Países Pobres Ficarem Ricos?’, de Ha-Joon Chang. [N.M.]

[9] para entender como o pensamento “neoliberal” impulsionou o colapso econômico da antiga União, ver o ‘Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda’, de Paul Cockshott e Allin Cottrell. [N.M.]

[10] no Brasil, de maneira semelhante, não há nada de surpreendente no discurso recorrente de que “não há alternativas” à série de “reformas” exigidas pelos banqueiros e grandes empresários que operam no mercado financeiro e seus defensores no ambiente político, vinculados principalmente aos principais partidos que compuseram o governo de Temer: PSDB, DEM, PSD, juntamente do próprio PMDB, cuja adesão parece ser mais de oportunidade. Como no caso de Thatcher, “não há nada de surpreendente no discurso”, essa gente “dança ao som do dinheiro”. Muito mais triste e lamentável foi a rendição de Dilma ao mesmo discurso logo depois de sua eleição em 2014, quando, buscando uma trégua com a mídia, o “mercado” e os partidos de Direita, abrigou como seu Ministro da Fazenda um diretor do Bradesco, e como sua política econômica um plano de austeridade meio envergonhado que jogaria o país de vez em crise econômica. Daí ao golpe que a removeu e que impôs o abraço definitivo à austeridade (inclusive transformado em parte da Constituição, num movimento inédito em nível mundial, com uma PEC que congelará o orçamento, teoricamente por 20 anos) foi um mero salto. [N.M.]

[11] novamente, ver o ‘Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda’, de Paul Cockshott e Allin Cottrell. [N.M.]

[12] e que parece, no automático, caminhar para uma instabilidade cada vez maior – ver o Como Vai Acabar o Capitalismo?, de Wolfgang Streeck,  e Neoliberalismo, Ordem Contestada, de Perry Anderson. [N.M.]

[13] e nem mesmo instituições tão centrais para o Capitalismo como os maiores bancos de investimento acreditam nisso – ver por exemplo o relatório do Deutsche Bank prevendo uma era de instabilidade, protecionismo e potencial revolucionário. [N.M.]

[14] por isso, o número de pessoas que defendem a atualidade da frase da Rosa Luxemburgo, diante da Primeira Guerra Mundial: “A sociedade burguesa se encontra em uma encruzilhada, ou entra em transição para o Socialismo ou regride para a barbárie.” – ver Como Vai Acabar o Capitalismo?, de Wolfgang Streeck; Neoliberalismo, Ordem Contestada, de Perry Anderson;  O Ano em Que o Capitalismo Real Mostrou a Que Veio, de Jerome Roos; e Quatro Futuros, de Peter Frase. [N.M.]

[15] novamente, ver Como Vai Acabar o Capitalismo?, de Wolfgang Streeck; [N.M.]

[16] Ver a nota 3. [N.M.]

[17] ver ‘Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda’, de Paul Cockshott e Allin Cottrell; O Marxismo é Uma Ideologia Assassina, Que Só Pode Gerar Miséria?, de Terry Eagleton e Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia de Seth Ackerman, John Quiggin, Tyler Zimmer, Jeff Moniker, Matthijs Krul, HumanaEsfera; O Socialismo Não Termina Sempre em Ditadura?, de Joseph M. Schwartz; O Comunismo Não Passa de Um Sonho de Utopia? Só Funcionaria Com Pessoas Perfeitas?, de Terry Eagleton. [N.M.]


Leituras Relacionadas

Este artigo faz parte da série de leituras ‘Sobre Capitalismo‘. Os textos da série buscam apresentar:

  1. Os aspectos principais que definem o Capitalismo e suas tendências;
  2. Os problemas, contradições, antagonismos e limites do sistema social/político/econômico/ideológico/moral em que vivemos, que nos impedem de termos vidas plenas e satisfatórias, e que podem inclusive levar ao fim da vida humana como conhecemos.
  3. Como muitas das tendências problemáticas do sistema são tão centrais que dificilmente poderemos ter uma solução sustentável apenas “domando” o capitalismo, esperando a benevolência de bilionários ou a visão inovadora de empreendedores geniais – muitos desses problemas só poderão ser realmente resolvidos com a superação do próprio sistema por uma alternativa mais democrática, mais racional, mais equilibrada, mais justa, mais sustentável e mais humana.

 

  • O Ponto de Ruptura da Social-Democracia‘ [Peter Frase] – ‘Precisamos de uma Política que reconheça que o acordo de classes da Social-Democracia é insustentável.
  • Democratizar Isso [Michal Rozworski] – “Os planos do Partido Trabalhista inglês para buscar modelos democráticos de propriedade são o aspecto mais radical do programa de Corbyn, e um dos mais radicais que temos visto na política dominante em muito tempo.”
  • Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas“Crise financeira, desastre ambiental e mesmo a ascensão de Donald Trump – o Neoliberalismo,  a ideologia dominante no ‘Ocidente’ desde os anos 80, desempenhou seu papel em todos eles. Como surgiu e foi adotado pelas elites a ponto de tornar-se invisível e difuso? Por que a Esquerda fracassou até agora em enfrentá-lo?”
  • Como Vai Acabar o Capitalismo?“O epílogo de um sistema em desmantêlo crônico: A legitimidade da ‘democracia’ capitalista se baseava na premissa de que os Estados eram capazes de intervir nos mercados e corrigir seus resultados, em favor dos cidadãos; hoje, as dúvidas sobre a compatibilidade entre uma economia capitalista e um sistema democrático voltaram com força total.”
  • O Ano em Que o Capitalismo Real Mostrou a Que Veio – “Tudo que nós um dia deveríamos temer sobre o socialismo — desde repressão estatal e vigilância em massa até padrões de vida em queda — aconteceu diante de nossos olhos
  • Quatro Futuros – Uma coisa de que podemos ter certeza é que o Capitalismo vai acabar; a questão, então, é o que virá depois.
  • Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia“Muito se tem falado sobre os impactos da Crise Climática e de novas tecnologias de Automação de postos de trabalho para o nosso futuro em comum. Como as relações de propriedade e produção capitalistas e a Política, especificamente a Luta de Classes, se encaixam neste quadro? Será que a possibilidade de automação quase generalizada seria o bastante para garantir que ela ocorrerá? Qual seria o impacto dela sobre as condições de vida das pessoas? Com base nesses elementos, que tipo de cenários podemos esperar à partir do fim do Capitalismo?”
  • Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância“Um mundo em que a tecnologia tenha superado ou reduzido a um mínimo (e de forma sustentável) a necessidade de trabalho humano; em que esse potencial seja compartilhado com todos, eliminando a exploração e a alienação das relações de trabalho assalariado; onde as hierarquias derivadas do Capital tenham sido suplantadas por um modelo mais igualitário, agora capaz não só de sanar as necessidades de todos, mas de permitir o livre desenvolvimento de cada um, parece para muitos como um sonho de utopia inalcançável e ingênuo, onde não existiriam quaisquer conflitos ou hierarquias. Será mesmo?
  • Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda – [Paul Cockshott e Allin Cottrell] Desde os anos 90 temos sido bombardeados por relatos sobre como a queda da União Soviética seria uma prova definitiva da impossibilidade de qualquer forma de Economia Planejada racionalmente, de qualquer forma de Economia Socialista, de qualquer forma de Socialismo – e de que não existiria alternativa para organizar a produção e o consumo das sociedades humanas a não ser o Capitalismo de Livre-Mercado. Será mesmo?
  • Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia [Seth Ackerman, John Quiggin, Tyler Zimmer, Jeff Moniker, Matthijs Krul, HumanaEsfera] – “O socialismo promete a emancipação humana, com o alargamento da democracia e da racionalidade para a produção e distribuição de bens e serviços e o uso da tecnologia acumulada pela humanidade para a redução a um mínimo do trabalho necessário por cada pessoa, liberando seu tempo para o seu livre desenvolvimento. Como organizar uma economia socialista para realizar essas promessas?”
  • Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? – “Sob o Socialismo, nós tomaríamos decisões sobre o uso de recursos democraticamente, levando em consideração necessidades e valores humanos, ao invés da maximização dos lucros.
  • O Marxismo Está Ultrapassado? Ele Só Tinha Algo a Dizer Sobre a Inglaterra do Século XIX, e Olhe Lá?
  • O Marxismo é Uma Ideologia Assassina, Que Só Pode Gerar Miséria? – “O Marxismo é uma ideologia sanguinária e assassina, que só pode gerar miséria compartilhada? Socialismo significa falta de liberdade e uma economia falida?”
  • O Comunismo Não Passa de Um Sonho de Utopia? Só Funcionaria Com Pessoas Perfeitas?“O Comunismo é apenas um sonho de ingenuidade, utopia e perfeição? Ele ignora a maldade e o egoísmo que estariam na essência da natureza humana? Um tal sistema precisaria que todos pensassem e agissem de uma única maneira, só poderia funcionar com pessoas perfeitas e harmoniosas como peças de relógio, nunca com os seres humanos diversos e falhos que realmente existem?”
  • Sobre o Socialismo, e sobre como com a tecnologia já acumulada pela humanidade, e com relações de produção mais igualitárias, poderíamos criar uma alternativa muito mais interessante, justa, racional, humana e sustentável:
  • Sobre a falta de tempo livre e de condições para o auto-desenvolvimento e lazer sob o Capitalismo:
    • A Gente Trabalha Demais, Mas Não Precisa Ser Assim – “Entre os séculos XIX e XX os trabalhadores conquistaram o dia de trabalho de 10 horas e então o de 8 horas, mas depois da Grande Depressão a tendência parou. Do que precisaríamos para recuperar nosso tempo livre?”
    • Rumo a Uma Sociedade Pós-TrabalhoA ‘Política do Tempo’ oferece uma resposta à atual crise do trabalho, nos convidando a falar sobre as condições para a liberdade e o tipo de sociedade em que queremos viver. É uma oportunidade para finalmente cumprir a promessa original do desenvolvimento produtivo do capitalismo: nos permitir desfrutar coletivamente de mais tempo livre, para explorar essas aptidões e aspectos de nós mesmos que muitas vezes ficam marginalizados em um mundo centrado no trabalho. “Precisamos tomar de volta o futuro das mãos do capitalismo e construir, nós mesmos, o mundo do século XXI que queremos.”
    • Renda Básica e o Futuro do Trabalho“Não existe algo como a ‘dignidade do trabalho’. Não é o direito ao emprego, mas a uma existência material garantida que dá dignidade à vida humana.”
    • Políticas Para Se ‘Arranjar Uma Vida’ – “O trabalho em uma sociedade capitalista é um fenômeno conflituoso e contraditório. Uma política para a classe trabalhadora tem de ser contra o trabalho, apelando para o prazer e o desejo, ao invés de sacrifício e auto-negação.
    • Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância“Um mundo em que a tecnologia tenha superado ou reduzido a um mínimo (e de forma sustentável) a necessidade de trabalho humano; em que esse potencial seja compartilhado com todos, eliminando a exploração e a alienação das relações de trabalho assalariado; onde as hierarquias derivadas do Capital tenham sido suplantadas por um modelo mais igualitário, agora capaz não só de sanar as necessidades de todos, mas de permitir o livre desenvolvimento de cada um, parece para muitos como um sonho de utopia inalcançável e ingênuo, onde não existiriam quaisquer conflitos ou hierarquias. Será mesmo?”
    • Os Robôs Vão Tomar Seu Emprego?“Com a automação causando ou não uma devastação nos empregos, o futuro do trabalho sob o capitalismo parece cada vez mais sombrio. Precisamos agora olhar para horizontes pós-trabalho.”
    • Lingirie Egípcia e o Futuro Robô [Peter Frase] – O pânico sobre automação erra o alvo – o verdadeiro problema é que os próprios trabalhadores são tratados feito máquinas.”
    • Precisamos Dominá-la [Peter Frase] – “Nosso desafio é ver na tecnologia tanto os atuais instrumentos de controle dos empregadores quanto as precondições para uma sociedade pós-escassez.
    • Robôs e Inteligência Artificial: Utopia ou Distopia? – “Diz muito sobre o momento atual que enquanto encaramos um futuro que pode se assemelhar ou com uma distopia hiper-capitalista ou com um paraíso socialista, a segunda opção não seja nem mencionada.”
    • Automação e o ‘Fim do Trabalho’ na Mídia Internacional Dominante
    • Robôs, Crescimento e Desigualdade Mesmo uma instituição como o FMI vem notando as tendências que a automação de empregos devem gerar nas próximas décadas, incluindo um crescimento vertiginoso da desigualdade social, e a necessidade de compartilhar a abundância prometida por essas inovações.
    • Por Que o Capitalismo Cria Postos de Trabalho Sem Sentido? [David Graeber] – “É como se alguém lá fora estivesse criando empregos sem sentido apenas com o objetivo de nos manter a todos trabalhando.”
    • Em Nome do Amor – “‘Faça o que você ama’ é o mantra do trabalhador atual. Por que deveríamos reivindicar nossos interesses de classe se, de acordo com as elites do FOQVA (Faça O Que Você Ama) como Steve Jobs, não existe algo como trabalho?

 

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