Realismo Capitalista e a Exclusão do Futuro

O fracasso do futuro assombra o capitalismo: depois de 1989, a vitória do capitalismo não consistiu na sua reivindicação confiante do futuro, mas em negar que o futuro seja possível. Tudo o que podemos esperar, temos sido levados a acreditar, é mais do mesmo – mas em telas de resolução mais alta com conexões mais rápidas. A assombralogia, penso, expressa insatisfação com esta exclusão do futuro. […]  Parte da batalha agora será para garantir que o neoliberalismo seja percebido como morto. Acho que isso já está acontecendo. Há uma mudança nas atmosferas culturais, pequena no momento, mas vai crescer.”

Mark Fisher, entrevistado por Rowan Wilson em 2010, Verso Books

No-Future-Banksy

“Sem Futuro”, grafite do artista Banksy

RW: Seu primeiro livro, ‘Capitalist Realism: Is There No Alternative?[1], foi publicado pela editora Zer0 em novembro [2010]. Por que você acha que o capitalismo, mesmo na esteira da crise financeira, tem tamanho controle sobre nossa consciência?

MF: Não tenho certeza de que ele tenha tanto controle sobre nossa consciência, quanto do nosso inconsciente. Ele molda os limites do que podemos imaginar. Ele faz isso porque tem desfrutado de 20 anos de dominação incontestada [2], submetendo nossos sistemas nervosos com seus pensamentos intoxicantes e paralisantes. Colocando da forma mais simples, realismo capitalista é a idéia generalizada de que o capitalismo é o único sistema econômico político “realista”. [3] A resposta à crise financeira só reforçou esta crença – era impensável (em todos os níveis) que pudesse se permitir que os bancos quebrassem. O problema é imaginar uma alternativa que qualquer um acredite que poderia ser realmente alcançada. O que não quer dizer que uma alternativa não possa jamais acontecer; de fato, após a crise financeira, estamos no momento na situação bizarra em que tudo – até mesmo a continuação do status quo – parece impossível. Mas isso já é uma melhora em relação a como as coisas pareciam há apenas dois anos. A crise financeira forçou o realismo capitalista a mudar sua forma. A velha história neoliberal não era mais viável. Mas o Capital ainda não costurou uma nova narrativa, ou chegou a qualquer solução econômica para os problemas que levaram à quebra, em primeiro lugar. É como se o capitalismo tivesse sofrido sua própria versão de terapia de choque.

RW: Como seu argumento difere daquele proposto por Fredric Jameson em seu trabalho sobre a cultura do pós-modernismo?

MF: Bem, como digo no livro, em muitos aspectos o que chamo de “realismo capitalista” pode ser contido sob a rubrica da teorização de Jameson sobre o pós-modernismo. No entanto, a própria persistência e ubiquidade dos processos que Jameson identifica – a destruição de um sentido de História, a superação da novidade pelo pastiche – significam que eles mudaram de espécie. O pós-modernismo não é mais uma tendência na cultura; tem subsumido praticamente toda a cultura. O realismo capitalista, pode-se dizer, é o que acontece quando o pós-modernismo é naturalizado. Afinal de contas, temos agora uma geração de jovens adultos que não conheceram nada senão o capitalismo global e que estão acostumados à cultura como pastiche e recapitulação.

RW: No livro você passa da descrição dos problemas da sociedade capitalista para como ela está nos deixando mentalmente doentes. Quais você acha que são os efeitos duradouros centrais do neoliberalismo em nossa psique e, com seu colapso, como você vê esses desdobramentos?

MF: O neoliberalismo instala uma ansiedade perpétua – não há segurança; sua posição e status estão sob constante revisão. Não é de admirar que, como mostra Oliver James em ‘The Selfish Capitalist’ [‘O Capitalista Egoísta’], a depressão é tão predominante nos países neoliberalizados. Doença mental generalizada é um dos custos ocultos do capitalismo neoliberal; o estresse foi privatizado. Se você está deprimido por causa do excesso de trabalho, isso é entre você e sua química cerebral! [4]

Eu realmente acredito que a crise financeira matou o neoliberalismo como um projeto político – mas ele não precisa estar vivo para continuar a dominar nossas mentes, nosso trabalho e nossa cultura. Mesmo que o neoliberalismo agora não tenha qualquer impulso para a frente, ele ainda controla as coisas por inércia. Então, infelizmente, não vejo os efeitos psíquicos deletérios do neoliberalismo diminuindo em qualquer momento no futuro imediato.

RW: Você identifica a loucura da burocracia gerencial, a incessante e inútil “cultura de auditoria”, nos serviços públicos contemporâneos, especificamente na educação. Você discute como essa cultura de auditoria é agora, junto com a cadeia de relações públicas do capitalismo, um novo ‘Grande Outro’, um substituto para Deus. É a matriz ideológica que todos nós cinicamente ignoramos (não apenas em particular – esse cinismo é agora a linguagem pública aceita, veja a seção G2 do Guardian para exemplos diários), mas continua sendo a autoridade vinculante. Por que não somos simplesmente capazes de ignorá-la?

MF: Relações Públicas não se limitam mais a atividades promocionais específicas – como digo no livro, sob o capitalismo, tudo o que é sólido derrete em relações públicas. No chamado trabalho “imaterial”, o efeito da auditoria não é melhorar o desempenho real, mas gerar uma representação de melhor desempenho. É um efeito familiar que qualquer pessoa sujeita às metas do Novo Trabalhismo reconhecerá muito bem. [5]

O neoliberalismo se reproduz através do cinismo, através de pessoas que fazem coisas em que “não acreditam realmente”. É uma questão de poder. As pessoas seguem a cultura da auditoria e o que eu chamo de “ontologia de negócios” não necessariamente porque concordam com isso, mas porque essa é a ordem dominante, “é assim que as coisas são agora e não podemos fazer nada a respeito”. Esse tipo de sentimento é o que eu quero dizer com “realismo capitalista”. E não é apenas quietismo; é verdade que quase ninguém que trabalhe em serviços públicos será demitido se obtiver uma revisão de desempenho ruim (eles apenas estarão sujeitos a treinamentos de reciclagem sem fim); mas eles podem muito bem ser demitidos se começarem a questionar o próprio sistema de revisão de desempenho ou se recusarem a cooperar com ele.

RW: Vamos agora passar da crítica para as propostas positivas. Em uma entrevista com Matthew Fuller para a Mute [6] você sugere tentativamente que a esquerda precisa criar um novo ‘Grande Outro’, um que seja mais representativo da “vontade geral” de Rousseau. Como distinguir isso do ‘Grande Outro’ capitalista e como isso seria impedido de se tornar reificado, um novo sistema de dominação mística?

MF: A reificação não é um problema por si só; na verdade, é algo que devemos almejar. Evan Calder Williams, cujo livro ‘Combined and Unven Apocalypse’ [‘Apocalipse Combinado e Desigual’] está sendo lançado pela Zer0, fala de uma “reificação anticapitalista”, e eu acho que é isso que precisamos desenvolver. É o capitalismo que se apresenta como anti-reificação; é o capitalismo que se apresenta como tendo dissolvido todas as ilusões e exposto a realidade subjacente das coisas. Parte do que estou argumentando em Capitalist Realism é que este é um truque ideológico; são precisamente as desmistificações ostensivas do capitalismo neoliberal (sua redução de tudo à categoria supostamente auto-evidente do indivíduo livre) que permitem que todos os tipos de entidades estranhas e quase-teológicas governem nossas vidas. Mas eu não acho que o objetivo deveria ser substituir a anti-reificação falsa do capitalismo por uma anti-reificação “real”. A reificação não pode ser totalmente eliminada. Tomo essa como uma das lições importantes que a psicanálise lacaniana tem para ensinar. Simplesmente ser um sujeito falante já envolve uma reificação mínima; o ‘Grande Outro’ faz fronteira com a própria linguagem. Mas isso está muito longe de ser um problema para a Esquerda. É a Esquerda que precisa insistir na realidade de algo que excede os indivíduos, quer você o chame de “vontade geral“, “interesse público” ou outra coisa. Quando a Sra. Thatcher negou a existência da sociedade, ela ecoava a afirmação de Max Stirner de que todas essas abstrações são “espectros”. Mas não podemos jamais nos livrar dessas entidades incorpóreas – o neoliberalismo certamente não o fez. Como argumento em Capitalist Realism, o neoliberalismo não matou o “Grande Outro” – quem mais seria o consumidor de Relações Públicas (nas quais nenhum indivíduo empírico real acredita) se não o “Grande Outro”? O ponto agora – e eu afirmaria isso com força, não tentativamente – é inventar um “Grande Outro” esquerdista. Isso não significa reviver o autoritarismo; não há nenhuma relação necessária entre o “Grande Outro” e um líder forte. Pelo contrário, de fato, o autoritarismo acontece quando há uma confusão entre o “Grande Outro” (como uma virtualidade) e um indivíduo empírico. O que precisamos são instituições e agentes que ficarão no lugar – mas que não poderão ser equiparados – a um “Grande Outro” esquerdista.

RW: Você fala sobre a re-formatação da memória que é um sintoma do realismo capitalista, onde a história pode ser alterada quase instantaneamente (como em um romance de Philip K. Dick) enquanto permanecemos ansiosos diante da suposta inovação incessante do capitalismo. Você também foi um daqueles que começaram a usar o conceito “assombralogia[7], a idéia de que haveria um meme cultural que reconheceria o colapso de um momento e que buscaria em seus escombros pelos futuros perdidos enterrados em seu interior (provavelmente é justo dizer que ‘Militant Modernism’ [‘O Modernismo Militante’] de Owen Hatherley, o primeiro livro da Zer0, está operando dentro deste terreno). Da mesma forma, estamos em uma paisagem política soterrada de “escombros ideológicos” (como você cita Alex Williams [8]). Minha suspeita é que para você o “momento” que desmoronou é a política de 68, que talvez fosse culpada de reformatar a história e a memória à sua própria maneira, antes que muitas de suas idéias fossem tomadas por um capitalismo pós-fordista. Assim, quais são os detritos em que você está fuçando? E de quais dos restos descartados das políticas de Esquerda você tiraria o pó? E é possível dar um novo impulso a ideias antigas?

MF: Eu diria que, em muitos aspectos, a política de ’68 não desmoronou o suficiente. ’68 é um espectro que ainda paira sobre a teoria. No entanto, as forças contra as quais ‘68 protestava não existem mais; não há um Partido [leninista] ou um Estado stalinista que nós precisemos explodir com uma Revolução Cultural. O que não quer dizer que deveríamos querer voltar ao autoritarismo stalinista, ou que seria possível fazê-lo; a oscilação entre estas duas opções é o sinal de um fracasso de imaginação política. É preciso seguir por todo o caminho através do pós-fordismo, continuar olhando em frente, especialmente em momentos em que parece não haver nada à nossa frente. Parte da importância do conceito de assombralogia é a idéia de futuros perdidos, de coisas que nunca aconteceram, mas que poderiam ter acontecido. Em um nível, o capitalismo tardio realmente é todo sobre reinvenção incessante, nada é sólido, tudo é mutável; mas em outro nível, é sobre recapitulação, homogeneidade, mercadorias minimamente diferentes. Algumas das melhores passagens de Jameson são sobre essa estranha antinomia. Deleuze e Guattari, também, enfatizam a maneira pela qual o capitalismo é uma mistura bizarra do ultramoderno e do arcaico. O fracasso do futuro assombra o capitalismo: depois de 1989, a vitória do capitalismo não consistiu na sua reivindicação confiante do futuro, mas em negar que o futuro seja possível. Tudo o que podemos esperar, temos sido levados a acreditar, é mais do mesmo – mas em telas de resolução mais alta com conexões mais rápidas. A assombralogia, penso, expressa insatisfação com esta exclusão do futuro.

Portanto, não se trata agora de dar um novo impulso à ideias antigas, é uma questão de lutar pelo significado das palavras “novo” e “moderno”. O neoliberalismo fez parecer auto-evidente que “modernização” significa gerencialismo, aumento da exploração dos trabalhadores, terceirização, etc. Mas é claro que isso não é auto-evidente: os neoliberais travaram uma longa campanha em muitas frentes para impor essa definição. E agora o neoliberalismo em si é uma relíquia desacreditada – embora, como discuti acima, uma relíquia que ainda domina nossas vidas, mas agora apenas por inércia. Parte da batalha agora será para garantir que o neoliberalismo seja percebido como morto. Acho que isso já está acontecendo. Há uma mudança nas atmosferas culturais, pequena no momento, mas vai crescer. [9] O que Jim McGuigan chama de “capitalismo legal[10], a cultura arrogante de negócios e de consumo ilustre que dominou a última década, já parece como se pertencesse a um mundo morto e passado. Depois da crise financeira, todos aqueles programas de televisão sobre a venda de imóveis e similares tornaram-se antiquados da noite para o dia. Essas coisas não são triviais; elas fornecem o ruído de fundo que o realismo capitalista precisava para naturalizar a si mesmo. A crise financeira enfraqueceu a elite corporativa – não tanto materialmente quanto ideologicamente. E, da mesma forma, deu confiança aos que se opõem à ordem dominante. Tenho certeza de que as ocupações universitárias são os sinais de uma militância crescente. [11] Precisamos aproveitar esse novo estado de espírito. Não há nada antiquado sobre a idéia de organização racional de recursos, ou que o espaço público é importante. (A incapacidade de organizar racionalmente os recursos naturais é agora evidente para todos; [12] e as conseqüências de deixar o conceito de espaço público declinar são igualmente óbvias para qualquer um vivendo na Grã-Bretanha, com seus crimes violento e embriaguez, ambos sintomas de uma espécie de desespero que é tão não-reconhecido sob o realismo capitalista quanto é onipresente). De forma semelhante, o que é intrinsecamente “moderno” sobre colocar os trabalhadores sob estresse intolerável? O funcionário dos correios com o pseudônimo Roy Mayall aponta isso muito bem em seu blog LRB [13] :

“Costumavam nos dizer que havia três elementos para o comércio postal: o negócio, os clientes e os funcionários, e que todos eram igualmente importantes. Hoje em dia, estão nos dizendo claramente que apenas o negócio importa. Então agora os “modernizadores” estão se movimentando. Eles são jovens, abrem caminho empurrando, na-sua-cara e pensam que sabem todas as respostas. Segundo eles, o futuro é a aplicação de novas tecnologias dentro da disciplina do mercado. Mas o mercado não nos diz o que fazer: pessoas nos dizem o que fazer. O “mercado” é essencialmente um estratagema pelo qual os interesses das pessoas de um grupo são impostas ao resto de nós. O comércio postal está na linha de frente de uma batalha entre as necessidades das pessoas e as exigências das corporações por lucros cada vez maiores. Isso é o que eles entendem por “modernização”, e não é “nostalgia” nos lembrar que as coisas costumavam ser diferentes. “

Mas a luta só será vencida quando pudermos dizer com confiança, não só que as coisas costumavam ser diferentes no passado, mas que elas podem ser diferentes no futuro também. Espero que, em não muito tempo, a era neoliberal seja vista pelo que era: um atavismo bárbaro anti-Iluminismo, uma interrupção temporária de um processo de modernização igualitária.


Notas

[1] ‘Realismo Capitalista: Não Existe Alternativa?’ – disponível na LibCom. [N.M.]

[2] ver “Neoliberalismo, a Ideologia na Raiz de Nossos Problemas“, de George Monbiot. [N.M.]

[3] ver também “Não Há Alternativa?“, de István Mészáros. [N.M.]

[4] ver também “Estranho, com Orgulho, de George Monbiot; Não Prestar Pra Nada [, do próprio Mark Fisher; e Por Que Socialismo?, Albert Einstein. [N.M.]

[5] na época da entrevista a Inglaterra era governada pelo “Novo Trabalhismo” de Gordon Brown, continuando a negação da tradição do partido iniciada no governo Tony Blair, através de um abraço às ideologias e políticas neoliberais. [N.M.]

[6] ver “Questioning Capitalist Realism“. [N.M.]

[7] no original, ‘hauntology’. [N.M.]

[8] http://splinteringboneashes.blogspot.com.br/

[9] lembrando que esta entrevista é anterior aos Indignados na Espanha, o movimento Ocuppy, às ‘primaveras árabes’, etc. [N.M.]

[10] no original, “cool capitalism”. [N.M.]

[11] e de fato, o foram. [N.M.]

[12] no blog há vários artigos discutindo diferentes aspectos sobre as contradições da produção de mercadorias voltada ao lucro e ao crescimento infinito, seu impacto ambiental, irracionalidade e o caminho para um desastre que pode, inclusive, destruir as condições de vida para a própria espécie humana, assim como textos discutindo  as possibilidades de algum tipo de planejamento racional e democrático dos usos de recursos na produção – ver Obsolescência Planejada: Armadilha Silenciosa na Sociedade de Consumo [Valquíria Padilha e Renata Cristina A. Bonifácio]; O Mito do Antropoceno [Andreas Malm]; A Fantasia do Livre-Mercado [Nicole M. Aschoff]; Vivo Sob o Sol [Alyssa Battistoni]; Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? [Alyssa Battistoni]; Rumo a um Socialismo Ciborgue [Alyssa Battistoni]; Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia [Peter Frase]; Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda [Paul Cockshott e Alin Cottrell]; Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia [Seth Ackerman, John Quiggin, Tyler Zimmer, Jeff Moniker, Matthijs Krul, HumanaEsfera] [N.M.]

[13] ver ‘Not Nostalgia’.


Leituras Relacionadas

Este artigo faz parte da série de leituras ‘Sobre Capitalismo‘. Os textos da série buscam apresentar:

  1. Os aspectos principais que definem o Capitalismo e suas tendências;
  2. Os problemas, contradições, antagonismos e limites do sistema social/político/econômico/ideológico/moral em que vivemos, que nos impedem de termos vidas plenas e satisfatórias, e que podem inclusive levar ao fim da vida humana como conhecemos.
  3. Como muitas das tendências problemáticas do sistema são tão centrais que dificilmente poderemos ter uma solução sustentável apenas “domando” o capitalismo, esperando a benevolência de bilionários ou a visão inovadora de empreendedores geniais – muitos desses problemas só poderão ser realmente resolvidos com a superação do próprio sistema por uma alternativa mais democrática, mais racional, mais equilibrada, mais justa, mais sustentável e mais humana.

  • Democratizar Isso [Michal Rozworski] – “Os planos do Partido Trabalhista inglês para buscar modelos democráticos de propriedade são o aspecto mais radical do programa de Corbyn, e um dos mais radicais que temos visto na política dominante em muito tempo.”
  • Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas“Crise financeira, desastre ambiental e mesmo a ascensão de Donald Trump – o Neoliberalismo,  a ideologia dominante no ‘Ocidente’ desde os anos 80, desempenhou seu papel em todos eles. Como surgiu e foi adotado pelas elites a ponto de tornar-se invisível e difuso? Por que a Esquerda fracassou até agora em enfrentá-lo?”
  • Uma Filosofia para o Proprietariado – O “Libertarianismo” [1] não oferece solução alguma para a política plutocrática de hoje em dia – não passa de uma rejeição reacionária à luta política.
  • O Mercado é Mesmo Bom?“Há um elemento comum, nas manifestações recentes da direita: o discurso de que o Estado deve recuar e o mercado deve regular uma porção maior das interações humanas. Se a lógica do mercado opera, dizem eles, no final das contas todos ganham. Será que é mesmo assim?”
  • As Perspectivas da Liberdade“A idéia de liberdade degenera assim em mera defesa do livre empreendimento, que significa a plenitude da liberdade para aqueles que não precisam de melhoria em sua renda, seu tempo livre e sua segurança, e um mero verniz de liberdade para o povo, que pode tentar em vão usar seus direitos democráticos para proteger-se do poder dos que detêm a propriedade.”
  • Sua Majestade, a Teoria Econômica “Aqui temos a crise econômica e financeira mais espetacular em décadas e o grupo que passa a maior parte de suas horas ativas analisando a economia basicamente não a enxergou.”
  • Existe Mesmo Algo Como Um “Livre-Mercado”? – Todo mercado tem algumas regras e limites que restringem a liberdade de escolha. O mercado só parece livre porque estamos tão condicionados a aceitar as suas restrições subjacentes que deixamos de percebê-las.”
  • O Livre-Mercado Faz Países Pobres Ficarem Ricos? –  “Os supostos lares do livre comércio e do livre mercado ficaram ricos por meio da combinação do protecionismo, subsídios e outras políticas que hoje eles aconselham os países em desenvolvimento a não adotar. As políticas de livre mercado tornaram poucos países ricos até agora e poucos ficarão ricos por causa dela no futuro.”
  • O Ano em Que o Capitalismo Real Mostrou a Que Veio – “Tudo que nós um dia deveríamos temer sobre o socialismo — desde repressão estatal e vigilância em massa até padrões de vida em queda — aconteceu diante de nossos olhos
  • Como Vai Acabar o Capitalismo?“O epílogo de um sistema em desmantêlo crônico: A legitimidade da ‘democracia’ capitalista se baseava na premissa de que os Estados eram capazes de intervir nos mercados e corrigir seus resultados, em favor dos cidadãos; hoje, as dúvidas sobre a compatibilidade entre uma economia capitalista e um sistema democrático voltaram com força total.”
  • Não Há Alternativa? [István Mészáros] – “Para muita gente, a presente situação parece fundamentalmente inalterável. Esta impressão parece ser reforçada por um dos slogans políticos mais frequentemente repetidos pelos que tomam as decisões por nós: ‘não há outra alternativa.’ Contudo, a dedicação de nossos líderes políticos ao avanço dos imperativos do sistema do capital não elimina suas deficiências estruturais e seus antagonismos potencialmente explosivos. Descobrir uma saída do labirinto das contradições do sistema do capital global por meio de uma transição sustentável para uma ordem social muito diferente é, portanto, mais imperativo hoje do que jamais o foi, diante da instabilidade cada vez mais ameaçadora.”
  • O Ponto de Ruptura da Social-Democracia‘ [Peter Frase] – ‘Precisamos de uma Política que reconheça que o acordo de classes da Social-Democracia é insustentável.
  • Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia [Seth Ackerman, John Quiggin, Tyler Zimmer, Jeff Moniker, Matthijs Krul, HumanaEsfera] – “O socialismo promete a emancipação humana, com o alargamento da democracia e da racionalidade para a produção e distribuição de bens e serviços e o uso da tecnologia acumulada pela humanidade para a redução a um mínimo do trabalho necessário por cada pessoa, liberando seu tempo para o seu livre desenvolvimento. Como organizar uma economia socialista para realizar essas promessas?”
  • Quatro Futuros – Uma coisa de que podemos ter certeza é que o Capitalismo vai acabar; a questão, então, é o que virá depois.
  • Sobre o Socialismo, e sobre como com a tecnologia já acumulada pela humanidade, e com relações de produção mais igualitárias, poderíamos criar uma alternativa muito mais interessante, justa, racional, humana e sustentável:
  • Sobre a falta de tempo livre e de condições para o auto-desenvolvimento e lazer sob o Capitalismo:
    • A Gente Trabalha Demais, Mas Não Precisa Ser Assim – “Entre os séculos XIX e XX os trabalhadores conquistaram o dia de trabalho de 10 horas e então o de 8 horas, mas depois da Grande Depressão a tendência parou. Do que precisaríamos para recuperar nosso tempo livre?”
    • Rumo a Uma Sociedade Pós-TrabalhoA ‘Política do Tempo’ oferece uma resposta à atual crise do trabalho, nos convidando a falar sobre as condições para a liberdade e o tipo de sociedade em que queremos viver. É uma oportunidade para finalmente cumprir a promessa original do desenvolvimento produtivo do capitalismo: nos permitir desfrutar coletivamente de mais tempo livre, para explorar essas aptidões e aspectos de nós mesmos que muitas vezes ficam marginalizados em um mundo centrado no trabalho. “Precisamos tomar de volta o futuro das mãos do capitalismo e construir, nós mesmos, o mundo do século XXI que queremos.”
    • Renda Básica e o Futuro do Trabalho“Não existe algo como a ‘dignidade do trabalho’. Não é o direito ao emprego, mas a uma existência material garantida que dá dignidade à vida humana.”
    • Políticas Para Se ‘Arranjar Uma Vida’ – “O trabalho em uma sociedade capitalista é um fenômeno conflituoso e contraditório. Uma política para a classe trabalhadora tem de ser contra o trabalho, apelando para o prazer e o desejo, ao invés de sacrifício e auto-negação.
    • Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância“Um mundo em que a tecnologia tenha superado ou reduzido a um mínimo (e de forma sustentável) a necessidade de trabalho humano; em que esse potencial seja compartilhado com todos, eliminando a exploração e a alienação das relações de trabalho assalariado; onde as hierarquias derivadas do Capital tenham sido suplantadas por um modelo mais igualitário, agora capaz não só de sanar as necessidades de todos, mas de permitir o livre desenvolvimento de cada um, parece para muitos como um sonho de utopia inalcançável e ingênuo, onde não existiriam quaisquer conflitos ou hierarquias. Será mesmo?”
    • Os Robôs Vão Tomar Seu Emprego?“Com a automação causando ou não uma devastação nos empregos, o futuro do trabalho sob o capitalismo parece cada vez mais sombrio. Precisamos agora olhar para horizontes pós-trabalho.”
    • Por Que o Capitalismo Cria Postos de Trabalho Sem Sentido? [David Graeber] – “É como se alguém lá fora estivesse criando empregos sem sentido apenas com o objetivo de nos manter a todos trabalhando.”
    • Em Nome do Amor – “‘Faça o que você ama’ é o mantra do trabalhador atual. Por que deveríamos reivindicar nossos interesses de classe se, de acordo com as elites do FOQVA (Faça O Que Você Ama) como Steve Jobs, não existe algo como trabalho?
  • Sobre as contradições da produção de mercadorias voltada ao lucro e ao crescimento infinito, seu impacto ambiental, irracionalidade e o caminho para um desastre que pode, inclusive, destruir as condições de vida para a própria espécie humana:

    • Obsolescência Planejada: Armadilha Silenciosa na Sociedade de Consumo [Valquíria Padilha e Renata Cristina A. Bonifácio] – O crescimento pelo crescimento é irracional. Precisamos descolonizar nossos pensamentos construídos com base nessa irracionalidade para abrirmos a mente e sairmos do torpor que nos impede de agir
    • O Mito do Antropoceno [Andreas Malm] – Culpar toda a Humanidade pela mudança climática deixa o Capitalismo sair ileso.
    • A Fantasia do Livre-Mercado [Nicole M. Aschoff] – “Designar o mercado como ‘natural’ e o Estado como ‘antinatural’ é uma ficção conveniente para aqueles casados com o status quo. O “capitalismo consciente”, embora atraente em alguns aspectos, não é uma solução para a degradação ambiental e social que acompanha o sistema de produção voltado ao lucro. A sociedade precisa decidir em que tipo de mundo deseja viver, e essas decisões devem ser tomadas por meio de estruturas e processos democráticos.”
    • Vivo Sob o Sol [Alyssa Battistoni] – “Não há caminho rumo a um futuro sustentável sem lidar com as velhas pedras no caminho do ambientalismo: consumo e empregos. E a maneira de fazer isso é através de uma Renda Básica Universal. “
    • Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? [Alyssa Battistoni] – “Sob o Socialismo, nós tomaríamos decisões sobre o uso de recursos democraticamente, levando em consideração necessidades e valores humanos, ao invés da maximização dos lucros.
    • Rumo a um Socialismo Ciborgue [Alyssa Battistoni] – “A Esquerda precisa de mais vozes e de críticas mais afiadas que coloquem nossa análise do poder e de justiça no centro das discussões ambientais, onde elas devem estar.”
    • Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia [Peter Frase] – “Muito se tem falado sobre os impactos da Crise Climática e de novas tecnologias de Automação de postos de trabalho para o nosso futuro em comum. Como as relações de propriedade e produção capitalistas e a Política, especificamente a Luta de Classes, se encaixam neste quadro? Será que a possibilidade de automação quase generalizada seria o bastante para garantir que ela ocorrerá? Qual seria o impacto dela sobre as condições de vida das pessoas? Com base nesses elementos, que tipo de cenários podemos esperar à partir do fim do Capitalismo?”

 

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