Socialismo Como Futuro Automatizado e Igualitário em Resposta à Crise Ambiental

[Se os avanços tecnológicos da Quarta Revolução Industrial (em campos como Inteligência Artificial, Robótica avançada, fabricação aditiva, etc) forem o suficiente para automatizarmos a maior parte dos empregos, reduzindo a um mínimo a necessidade de trabalho humano, a produção de mercadorias através de trabalho assalariado estará superada – e, portanto, também o capitalismo. Se isso for alcançado em uma sociedade mais igualitária, democrática, sustentável e racional, ainda assim é possível que teremos de nos organizar para lidar com o estrago deixado no planeta pelo sistema capitalista, planejando, executando e administrando  projetos gigantescos de reconstrução, geo-engenharia e racionamento de recursos limitados. Em outras palavras, provavelmente ainda precisaremos de algum tipo de Estado.]

por Peter Frase, em “Quatro Futuros: Vida Após o Capitalismo” [“Four Futures: Life After Capitalism]

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[Nota do Minhocário: O texto abaixo é um capítulo do livro Quatro Futuros: Vida Após o Capitalismo’’ ( ‘Four Futures: Life After Capitalism’), de Peter Frase, lançado em 2016. O livro é uma expansão das ideias contidas no artigo original, de 2011, ‘Quatro Futuros’ (para ir direto para a sessão do artigo original correspondente às ideias aqui expandidas: ‘Quatro Futuros: Socialismo, Igualdade e Escassez’). As ideias são basicamente as mesmas, mas o livro avança e se aprofunda em várias questões que o texto original apenas tocava ou nem mesmo isso. Vale a pena ler ambos. A introdução do livro pode ser lida em ‘Tecnologia e Ecologia como Apocalipse e Utopia’; o capítulo sobre um futuro de Igualdade e Abundância emComunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância‘; o capítulo sobre uma distopia de Abundância restrita por causa da Desigualdade em ‘Rentismo: Um Futuro Automatizado de Abundância Bloqueada Pela Desigualdade‘; o capítulo sobre uma distopia de Escassez e Desigualdade marcada pela crueldade dos ricos contra os pobres tornados “desnecessários” em ‘Exterminismo: ‘Solução Final’ Num Futuro Automatizado de Desigualdade e Escassez‘. A conclusão do livro pode ser lida em: ‘Vida Após o Capitalismo (Quatro Futuros: Conclusão)’’.]


A Trilogia da Califórnia, de Kim Stanley Robinson, é um trio de romances em que cada um imagina um possível futuro para o estado em que o autor vive nos EUA. [1] O primeiro romance, ‘The Wild Shore’ [“A Costa Selvagem”], retrata a vida agrícola e simples dos sobreviventes de uma guerra nuclear, um conto que poderia caber no próximo capítulo, sobre o Exterminismo. [2] O segundo, ‘The Gold Coast’ [“A Costa Dourada”], é uma distopia no estilo de J. G. Ballardian de rodovias, condomínios e shoppings [3] – talvez algo como uma distopia Rentista. [4]

Mas o terceiro, ‘Pacific Edge‘ [“Borda do Pacífico”], tem um quê de utopia ecológica pós-capitalista – e o próprio Robinson diz que é aquele em que mais gostaria de viver. Ele descreve a história de pessoas vivendo na região de Los Angeles e tentando reconstruir sua selva de cimento em algo mais verde e mais limpo. Robinson chama isso de “uma tentativa de pensar sobre como seria se reconfigurássemos a paisagem, a infraestrutura, os sistemas sociais”. [5] Nesse sentido, ele captura o espírito do terceiro tipo ideal de sociedade: o Socialismo, uma sociedade igualitária que precisa trabalhar em conjunto para reconstruir sua relação com a natureza. [6]

Em Pacific Edge, nosso mundo de capitalismo multinacional deu lugar a algo mais socialista e ecologicamente sensível, mas sem se tornar numa completa rejeição primitivista da tecnologia moderna. As próprias pessoas se governam em pequena escala e trabalham juntas para construir uma economia sustentável. No entanto, nossa sociedade deixou muitos danos para serem reparados. As tensões na narrativa giram em torno da necessidade de, como Robinson colocou em uma entrevista, “restaurar aquela paisagem para algo decentemente habitável”. [7] Isso não significa recuperar de alguma maneira a natureza como era antes da intervenção humana, mas sim organizar uma nova relação entre as pessoas e seu ambiente; um grande elemento da trama trata do dilema sobre se uma área selvagem deveria ser deixada totalmente intocada ou se deveria ser adaptada ao uso humano. Em geral, o conflito é sobre como reconhecer e controlar os resíduos e desperdício resultantes da civilização humana, ao invés de imaginar que poderíamos algum dia nos separar da natureza.

No começo do livro, dois personagens estão cavando uma rua antiga para que o asfalto possa ser enviado para reciclagem. Encontrando um sinal de trânsito aparentemente supérfluo, eles têm este diálogo:

‘O ar se aquecia conforme a manhã passava. Eles encontraram uma terceira caixa de semáforo, e Doris franziu o cenho. “As pessoas eram tão desperdiçadoras”.

Hank disse: “Toda cultura é tão desperdiçadora quanto pode se dar ao luxo de ser”.

“Não. São apenas valores nojentos. “

“Mas e os escoceses?”, perguntou Kevin. “Dizem que eles eram realmente parcimoniosos”.

“Mas eles eram pobres”, disse Hank. “Eles não podiam se dar ao luxo de não serem parcimoniosos. Isso prova meu ponto.”

Doris atirou sujeira em um container. “A parcimônia é um valor, independente das circunstâncias”.

“Dá pra ver porque eles podiam largar essas coisas por aqui”, disse Kevin, tocando nas caixas de trânsito. “É uma merda picar essas ruas, e ainda tem todos esses carros”.

Doris sacudiu seus curtos cabelos pretos. “Você está está entendendo tudo ao contrário, Kev, assim como o Hank. São os valores que você tem que dirigem suas ações, e não o contrário. Se eles tivessem se importado o suficiente, teriam limpado toda essa merda daqui e a usariam, assim como nós “.

“Eu acho”.’ [8]

Minha descrição de uma sociedade comunista no Capítulo 1 mostra um mundo como o de Pacific Edge, mas sem as restrições da escassez e da devastação ecológica. A maneira como retratei aquele mundo concorda implicitamente com Hank: eles eram tão desperdiçadores quanto podiam se dar ao luxo de ser, e a base tecnológica daquela sociedade significava que ela não precisaria se preocupar muito com conservação. Este capítulo trata do que acontece quando você precisa descobrir como viver dentro de seus meios, ao mesmo tempo em que proporciona à todos a melhor vida possível.

Capitalismo e Escassez

A Economia Política do capitalismo tem se preocupado com o problema da escassez desde sua criação, mas nunca de forma constante ou consistente. Em particular, sempre tem havido um receio compreensível de que a dinâmica de crescimento infinito e acelerado do capitalismo entrará em colapso diante do esgotamento dos insumos para esse crescimento, sejam eles insumos de energia como o carvão e o petróleo ou matérias-primas, como madeira e ferro. Mas, embora recursos escassos tenham influenciado o desenvolvimento capitalista em vários pontos ao longo de sua história, isso ocorreu de maneiras que repetidamente pegaram de surpresa os teóricos do sistema.

Escrevendo na virada do século XVIII para o XIX, Thomas Malthus se preocupava com que os limites da produtividade agrícola, combinados com a propensão inevitável dos pobres para se reproduzir, significariam que seria impossível alcançar crescimento populacional em conjunto com prosperidade econômica crescente. Até hoje, aqueles que afirmam que o capitalismo está, em última instância, limitado pela capacidade de carga da Terra são popularmente referidos como “Malthusianos“, mesmo se as formas específicas de escassez que eles apontam forem muito diferentes daquelas em que Malthus estava interessado.

A visão de Malthus acabou por não levar em conta os fatores que têm permitido que a Terra mantenha uma população muito maior com padrões de vida mais elevados do que seria possível 200 anos atrás, começando pelo aumento da produtividade agrícola. No entanto, o tema geral de limites materiais para o crescimento é recorrente em tratados sobre o Capitalismo, tanto na linha dominante como na crítica de Esquerda.

Stanley Jevons, um dos progenitores da economia dominante moderna [conhecida como “neoclássica” – 9], se preocupava com uma questão que ainda é central para economias industriais e pós-industriais: a escassez de energia. Em seu livro de 1865 “The Coal Question” [“A Questão do Carvão”], Jevons analisou o crescimento econômico britânico e sua dependência da drenagem das reservas de carvão. [10] Ele projetou que dentro de menos de um século o crescimento econômico travaria, à medida que a produção de carvão atingisse o pico e declinasse. Além disso, ele via os esforços de conservação de energia como inevitavelmente condenados. Defendendo aquilo que viria a ser conhecido como “paradoxo de Jevons“, ele argumentava que o aumento da eficiência energética simplesmente levaria a mais consumo porque a energia mais barata seria mais usada.

O que Jevons não poderia saber era que, embora sua avaliação sobre as reservas de carvão estivesse correta em termos gerais, as economias capitalistas avançadas mudariam em breve sua base de energia para o petróleo. Os leitores de hoje, no entanto, podem estar familiarizados com a contraparte moderna das especulações de Jevons, a teoria do “pico do petróleo“. Originada por M. King Hubbert, um geólogo da metade do século XX, essa teoria usa um raciocínio semelhante ao de Jevons. Observando o pico e o declínio que se aproximam em reservas facilmente acessíveis, os teóricos do pico do petróleo afirmam que o mundo está caminhando para um período de inevitável estagnação econômica resultante do esgotamento das reservas de petróleo. A teoria ganhou credibilidade quando a previsão de Hubbert de que os Estados Unidos atingiriam o pico do petróleo na década de 1970 em grande medida se tornou realidade. [11]

Como com Jevons sobre o carvão, o pico do petróleo depende da idéia de que seria impossível fazer a transição da economia do petróleo rumo a uma combinação de outras fontes de energia menos limitadas, como solar, eólica, hidrelétrica, de gás natural e nuclear. Mas agora temos um imperativo adicional e mais urgente: mesmo se as reservas de petróleo fossem ilimitadas, sabemos que a queima de hidrocarbonetos introduziu mudanças irreversíveis no clima da Terra, com conseqüências medonhas para a civilização humana. Algumas das mudanças são irreversíveis e devemos simplesmente nos adaptar. Mas, não obstante, é urgente reduzir massivamente as emissões de carbono, a fim de evitar cenários mais apocalípticos.

Como Christian Parenti tem argumentado em seus muitos trabalhos sobre a crise climática, uma transformação de grande escala em uma escala de tempo muito curta será necessária se quisermos preservar um mundo decente e habitável para toda a humanidade. O Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas projeta que, para evitar laços de retroalimentação catastróficos em nível global e pontos de inflexão, [12] os países ricos precisam reduzir suas emissões de carbono em até 90% até 2050. A gravidade do desafio e o curto período de tempo para agir significam que, como diz Parenti: “são esta sociedade e estas instituições que precisam reduzir as emissões”. [13] Esse desafio ainda está longe de ser a derrubada do capitalismo e, no entanto, ainda implica no desafio monumental de derrubar os poderosos interesses que lucram com os destrutivos combustíveis fósseis. [14]

Para Além da Distopia

A verdadeira questão não é se a civilização humana pode sobreviver a crises ecológicas, mas se todos nós podemos sobreviver juntos, de maneira razoavelmente igualitária. Embora a extinção da humanidade como resultado de mudanças climáticas seja possível, é altamente improvável. Apenas um pouco mais plausível é o colapso da sociedade e um retorno a algum tipo de nova Era das Trevas pré-moderna. Manter uma sociedade complexa e tecnologicamente avançada exige, sem dúvida, um grande número de pessoas. Mas não exige necessariamente todos os 7 bilhões de nós, e a premissa deste livro [15] é que o número de pessoas necessárias está em declínio devido aos desenvolvimentos técnicos descritos na introdução.

Por esta razão, não devemos dar valor ao “debate” farsesco sobre a existência ou não de mudanças climáticas, que persiste na mídia e na política – principalmente nos Estados Unidos. Debater a realidade das mudanças climáticas causadas pelo homem não é mais relevante ou produtivo. Aqueles que negam a ciência climática não rejeitam genuinamente essa ciência, mas são indiferentes ao seu impacto. Eles são, em outras palavras, pessoas suficientemente ricas e poderosas para acreditar que podem escapar até mesmo dos piores cenários possíveis, enquanto impõem seus custos sobre o resto da população, desde que nossa estrutura social atual seja mantida. Portanto, eles serão mais apropriadamente considerados no próximo capítulo, sobre o Exterminismo. [ver nota 2]

Como as mudanças climáticas e a destruição ecológica são inescapáveis, a única questão relevante é a forma como organizaremos uma resposta. A premissa deste capítulo é que os problemas de escassez de recursos e as limitações ecológicas não podem ser dispersados facilmente. (No capítulo sobre o Comunismo, em contraste, podíamos argumentar que as limitações de recursos e ecológicas poderiam, em última instância, ser transcendidas através de tecnologias melhores.) O Economista Político da Universidade de Utah, Minqi Li, por exemplo, tem escrito sobre as massivas transformações de infraestrutura que serão necessárias para mover o mundo rumo a uma base de energia renovável. “A construção de usinas, estações de força e outras instalações elétricas”, escreve, “requer não apenas recursos financeiros, mas também trabalhadores, técnicos e engenheiros com habilidades e conhecimentos especiais, bem como equipamentos e materiais que precisam ser produzidos por fábricas especializadas.” [15] Isso implica algum tipo de projeto centralizado e orientado pelo Estado [16] que possa mobilizar recursos e mão-de-obra de uma maneira que está além das capacidades do livre-mercado [17] ou do princípio comunista do “grátis-para-todos” do Capítulo 1.

Apesar disso, é importante não ficarmos presos a fábulas de apocalipse, uma resignação niilista e uma crença de que nada pode ser feito. Sempre houve uma veia apocalíptica na Esquerda. Isso é um tanto compreensível, dado o estado atual de nossa política: em termos técnicos, nós somos capazes de identificar ações que oferecem uma esperança de evitar o desastre, mas estas parecem tão gigantescas e os obstáculos políticos tão grandes que se tornam praticamente impossíveis . Nós poderíamos realizar um New Deal verde [18] que substituiria nosso sistema de energia baseado em carbono por energia eólica, solar e outras fontes renováveis. Nós poderíamos construir trens de alta velocidade e outros meios de transporte de massa para substituir o automóvel de combustão fóssil como o centro do nosso sistema de transporte. Nós poderíamos talvez até mesmo remediar alguns dos piores impactos das emissões de carbono que estão atualmente em curso, através de tecnologias de captura e sequestro de dióxido de carbono.

Mas quem vai financiar, e como o projeto de lei passará pelo Congresso? As perspectivas no curto prazo parecem sombrias. Assim, pode ser perversamente reconfortante pensar que alcançar um mundo melhor não seria apenas difícil, mas na verdade impossível.

Qualquer pessoa cuja rede social inclua liberais de mentalidade ecológica sem dúvidas tem visto a propagação de vários relatos de catástrofe climática, acompanhados da idéia implícita ou explícita de que todos estamos condenados. Muitas das descobertas vindo da ciência climática são genuinamente aterradoras – o rápido encolhimento da camada de gelo da Antártica Ocidental, por exemplo, que está ocorrendo muito mais rapidamente do que qualquer um esperava, mesmo alguns anos atrás. Mas mesmo esses eventos que definem eras, e que estão ocorrendo quase que instantaneamente em termos geológicos, se desdobrarão ao longo de décadas ou séculos. Isso é uma eternidade em termos de sociedade humana. Assim, embora seja difícil imaginar a sociedade humana lidando com mudanças ambientais dessa magnitude, não é mais estranho do que imaginar os regimes de 1914 contemplando os distúrbios do século passado. Duas guerras mundiais! Genocídio industrializado! Armas nucleares! Isso tudo provavelmente teria reduzido um socialista de uma geração anterior às lágrimas; uma Rosa Luxemburgo poderia concluir que a humanidade já sucumbiu à barbárie, transformando qualquer esperança de Socialismo em pouco mais do que um sonho. [19]

E ainda assim, nós atravessamos tudo isso, para o bem ou para o mal. O perigo maior – como veremos no próximo capítulo [ver nota 2] – não é de que simplesmente despenquemos do penhasco climático juntos; mas sim que a civilização humana se ajuste à catástrofe climática, mas de uma maneira que apenas crie uma existência confortável para uma pequena classe dominante, encasulada em suas bolhas de riqueza espalhadas por um vasto mundo de privação.

O fatalismo é o complemento perfeito para a positividade igualmente fútil que permeia o discurso burguês. Isso pode vir na forma de chavões de pensamento positivo de auto-ajuda, como dissecado por Barbara Ehrenreich em seu livro Bright-Sided. [20] Ela observa que o poder do pensamento positivo é, muito frequentemente, promovido como um paliativo, uma forma de se resignar a uma realidade negativa ao invés de questioná-la e resistir a ela. “Pense e Enriqueça” era o título de um dos primeiros clássicos do gênero de autoajuda, e sua mensagem básica tem sido propagada por vários vendilhões em uma linhagem que se estende por todo o caminho até o best-seller promovido por Oprah Winfrey, “O Segredo“. [21] Infelizmente, o pensamento positivo não acarreta utopia mais do que o pensamento negativo acarreta apocalipse.

Outra versão desta crença é o utopismo de araque dos plutocratas do Vale do Silício. Do Facebook ao Uber, esses barões ladrões [22] da nova geração brilham com auto-satisfação enquanto insistem que o mercado solucionaria todos os nossos problemas e traria prosperidade a todos, se ao menos saíssemos do caminho e parássemos de insistir sobre nossos mesquinhos padrões de trabalho e regulações de mercado.

A charada toda é uma evasiva em relação à política, seja sob o disfarce da Direita utópica ou da Esquerda Niilista. A classe dominante nos diz que o futuro é inevitavelmente brilhante; os amargos mais à Esquerda garantem à si mesmos que o futuro é inevitavelmente sombrio. O resultado: a Esquerda recebe parcas satisfações emocionais por estar certa enquanto nossos oponentes recebem sua recompensa de uma forma mais tangível.

Amando Nossos Monstros

Suponhamos que somos capazes de enfrentar o desafio imediato à curto prazo e evitar mudanças climáticas catastróficas. E suponhamos, além disso, que podemos transformar nossa sociedade estratificada em classes em algo mais igualitário, onde todos poderiam aproveitar os frutos da tecnologia e onde o trabalho na produção seria relativamente mínimo – se não totalmente desnecessário. Nós continuaremos lidando com as consequências ecológicas do capitalismo, muitas das quais estão agora seladas e inevitáveis. E teremos que reconstruir tudo, desde nossas cidades até nossas redes de transporte e nossas redes elétricas, de acordo com uma nova maneira de nos relacionarmos com o ecossistema. À fim de considerar que tipo de sistema social poderia assumir essa tarefa, vale a pena parar para caracterizar a relação entre seres humanos e a natureza em qualquer futuro mundo pós-capitalista.

Considerações sobre Ecologia muitas vezes tendem a uma dualidade entre os seres humanos – e suas tecnologias – e a natureza. Falar em “conservação” ou em redução de nossas “pegadas de carbono” implica que a natureza existe em algum estado pristino e que a tarefa dos humanos é se retirar da natureza para salvá-la. Esse modo de pensar é, em última instância, uma negação dos seres humanos como seres naturais, biológicos, inseparavelmente uma parte da natureza – tanto quanto, à sua maneira, aquelas formas de trans-humanismo que desejam transferir a consciência para computadores, a fim de se verem livres do mundo orgânico por completo.

A visão de que a natureza existe em algum equilíbrio estável e atemporal na ausência de interferências humanas trai uma profunda má compreensão sobre o mundo físico, que é caracterizado por desequilíbrios, rupturas e mudanças constantes. A história natural estava repleta de superpopulações, mortes em massa, extinções e mudanças climáticas muito antes dos humanos entrarem em cena. Se você vê a ecologia como o projeto de preservar uma natureza imutável, inevitavelmente acabará como um niilista apocalíptico: não há como preservar a natureza como-ela-é ou restaurá-la a algum estado pristino, pelo menos não se quisermos também preservar as sociedades humanas.

Ao fim e ao cabo, a natureza não se preocupa conosco; ela não tem interesses nem desejos; ela simplesmente existe. Um terreno pós-apocalíptico povoado por baratas e ratos é tanto um sistema ecológico quanto um mundo abundante e verdejante, povoado por cada criatura da arca de Noé. Quem, exceto nós humanos, vai dizer que um é melhor que o outro? Qualquer tentativa de manter o clima, ou ecossistemas ou espécies é, em última instância, realizada porque atende às necessidades e desejos dos seres humanos, quer seja para nos sustentar diretamente ou para preservar características do mundo natural que aumentam a qualidade de nossas vidas. A razão para evitar um futuro em que vivamos em cúpulas fechadas cercadas por uma devastação sem vida é que essa seria uma maneira horrível de se viver. Mesmo que alguns ambientalistas possam apenas querer salvar as baleias, isso também se resume à prioridade que eles colocam em poder viver em um mundo com baleias. Quanto às formas mais extremas de “ecologia profunda”, que consideram a humanidade como uma praga sobre a natureza, que merece ser erradicada; estas apenas reduzem a ecologia centrada no ser humano a um absurdo na tentativa de escapar dela, conforme projetam seu próprio niilismo em um mundo indiferente.

A Trilogia de Marte de Kim Stanley Robinson pode ser lida como uma crítica e explicação da diferença entre ecologia centrada no ser humano e adoração da natureza. Os livros seguem os primeiros colonos em Marte, durante uma luta que dura centenas de anos para terraformar [23] o planeta para habitação humana. No primeiro livro (Red Mars [“Marte Vermelho”]), o planeta ainda foi pouco tocado, enquanto que no livro final (Blue Mars [“Marte Azul”]) ele está coberto de vegetação, rios e mares. [24] Aqueles que apoiam este processo – a destruição do ambiente marciano original – são conhecidos como “verdes”, enquanto aqueles que endossam manter o planeta na sua forma original – e, portanto, incapaz de habitação humana – são “vermelhos”. Aqui, a tarefa humana de moldar o mundo natural em torno de nossas necessidades está separada do impulso de preservar ambientes naturais particulares como um fim em si mesmo.

De volta aqui na Terra, o ecologista Eugene Stoermer e outros têm proposto que vivemos em uma era que deveria ser chamada de “Antropoceno“, o período de tempo geológico em que os humanos passaram a ter um grande impacto nos ecossistemas terrestres. Alguns ecologistas esquerdistas desconfiam desse termo, o vendo como uma forma de culpar os humanos em geral pelos danos ecológicos e não os capitalistas, especificamente. [25] Mas não precisa ser assim; O Antropoceno pode simplesmente ser um reconhecimento de que a ecologia deve sempre girar em torno de preocupações humanas. A questão, em outras palavras, não é sobre como reduziremos nosso impacto sobre a natureza, mas como poderemos gerenciar e cuidar melhor da natureza.

O sociólogo francês Bruno Latour fez a mesma observação através de sua leitura do conto seminal de ficção científica de Mary Shelley, Frankenstein. Esta história não é, ele observa, a advertência contra a tecnologia e a arrogância da humanidade que muitas vezes fazem parecer ser. [26] O verdadeiro pecado de Frankenstein (que é o nome do cientista e não do monstro) não estava em fazer a sua criatura, mas em abandoná-la no ermo ao invés de amá-la e cuidar dela. Essa, para Latour, é uma parábola sobre nossa relação com a tecnologia e a ecologia. Quando as tecnologias que criamos acabam por ter consequências imprevistas e terríveis – aquecimento global, poluição, extinções -, recuamos horrorizados com elas. No entanto não podemos – nem devemos – abandonar a natureza agora. Não temos escolha senão nos envolvermos cada vez mais na mudança consciente da natureza. Não temos escolha senão amar o monstro que criamos, para que não se volte contra nós e nos destrua. Isso, diz Latour, “exige mais de nós do que simplesmente abraçar a tecnologia e a inovação”; exige uma perspectiva que “considere o processo do desenvolvimento humano não como uma libertação em relação à Natureza, nem como uma queda em relação a ela, mas sim como um processo em que nos tornamos cada vez mais vinculados a – e mais íntimos de – uma miríade de naturezas não-humanas” [27]

Para dar um pequeno exemplo, considere o projeto “RoboBee” atualmente em desenvolvimento na Universidade de Harvard. [28] Seu objetivo é produzir pequenos robôs que possam imitar as ações dos insetos, em uma colaboração que inclui biólogos, roboticistas e engenheiros. Dadas as ansiedades do nosso tempo, os primeiros pensamentos de muita gente tenderão para o uso potencial desta tecnologia para a vigilância militar, uma possibilidade que o próprio projeto indica em seu site sem desconforto aparente. Mas essa tecnologia também poderia ser usada para preencher buracos criados por humanos no ecossistema. Ao polinizar plantas, por exemplo, abelhas robotizadas poderiam mitigar alguns dos efeitos do colapso de colônias que tem devastado populações de abelhas nos Estados Unidos desde por volta de 2006. Este é um fenômeno misterioso no qual as abelhas operárias abandonam suas colmeias e deixam para trás a rainha e as jovens para morrer, eventualmente. Lidar com tais transtornos ecológicos através de intervenções técnicas sem dúvida terá consequências não intencionais, assim como todas as nossas modificações anteriores do meio-ambiente. Mas, como observa Latour, não parece haver muita escolha neste momento, além de aprofundar nosso engajamento com a natureza.

Ecossocialismo e o Estado

Então, como amar melhor os nossos monstros? A reconstrução da sociedade conforme linhas ecologicamente sustentáveis implica um papel importante para os governos e outras grandes organizações. Quando estávamos considerando o Comunismo, isso podia ser deixado de lado, já que as pessoas podiam se dar ao luxo de se associar livremente e perseguir seus desejos sem afetar negativamente os outros. Mas aprender a viver juntos em um planeta danificado e com recursos restritos exige soluções em uma escala maior.

Em primeiro lugar, é claro, há a necessidade de mitigar as fontes atuais de mudanças climáticas, as usinas de energia de carvão e de petróleo vomitando carbono na atmosfera. Felizmente, existem soluções, se os obstáculos políticos puderem ser superados. Embora fontes de energia cinética como eólica, maremotriz [que usa as marés] e geotérmica sejam úteis, a energia solar é provavelmente a alternativa de longo prazo mais significativa aos combustíveis fósseis. O sol é, naturalmente, de longe a melhor fonte potencial de energia disponível para a Terra; ao cobrirmos até uma pequena fração da superfície com coletores solares, poderíamos gerar enormes quantidades de energia. Além disso, a tecnologia solar avançou rapidamente de uma novidade não-econômica para uma alternativa real. Em 1977, o preço dos painéis fotovoltaicos solares era de US $76,67 por watt; até 2013 caiu para US $0,74 por watt. E um dos principais obstáculos para a energia solar em larga escala, a necessidade de uma nova tecnologia de baterias para armazenar energia quando o sol não estiver brilhando, pode cair em breve. Em março de 2016, a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada em Energia do governo dos EUA [“Advanced Research Projects Agency-Energy“] anunciou um grande avanço nesta área, com o potencial de transformar a rede de energia existente.

Mesmo a energia nuclear pode desempenhar algum papel. Mas esse provavelmente será marginal, devido aos altos custos e longo tempo de construção dos reatores nucleares – e, de qualquer maneira, a dependência da energia nuclear deve ser considerada como um tampão de emergência por causa de seus riscos inerentes. (O avanço mais significativo em energia limpa nesse sentido seria reatores de fusão nuclear sustentada, o que poderia gerar enormes quantidades de energia sem os perigos e subprodutos tóxicos da tecnologia de fissão nuclear atual. Mas, embora os cientistas consigam criar reações de fusão em laboratório, ainda estão muito longe de serem capazes de fazê-lo de uma forma que gere mais energia do que consuma – longe demais para incluirmos, mesmo em um trabalho especulativo como este, particularmente devido à curta escala de tempo da crise climática.)

Simplesmente eliminar gradativamente a energia suja, no entanto, não será mais o suficiente. Também teremos de adotar medidas para reverter o que já aconteceu, removendo o carbono do ar. Alguns ambientalistas se opõem a tais técnicas de “captura de carbono“, acreditando que sejam estratagemas para justificar o uso contínuo de fontes de energia poluentes. Mas uma combinação de energia limpa juntamente com a captura e o sequestro de carbono é a melhor esperança para uma transição relativamente benigna para fora da era da energia do carbono.

Além de transformar a infra-estrutura maior, há também a necessidade de reconstruir nossas vidas diárias. Isso implica a substituição de nossas metrópoles de subúrbios sem-fim [29] por localidades mais densamente povoadas, conectadas por transporte público. Mas, à medida que reconstruímos a cidade, não devemos negligenciar a necessidade de refazer o campo também. Atulhar todo mundo em densos blocos de apartamentos nega a necessidade de espaço e de vegetação que em parte motiva o desejo de se viver no subúrbio. [ver nota 29] O espaço fora das cidades deveria ser imaginado não como uma região selvagem intocada, mas mais como a descrição de Latour da natureza construída pelo homem nos parques nacionais da França: “um ecossistema rural completo com correios, estradas bem cuidadas, vacas altamente subsidiadas e lindas aldeias . ” [30] Tudo conectado às cidades, presumivelmente, por meio de um sistema limpo de trilhos de alta velocidade.

A lista de necessidades de reconstrução continua: a adaptação das áreas costeiras ao aumento das inundações, por exemplo, um processo que já está em andamento, conforme engenheiros holandeses trazem seus conhecimentos de séculos para locais cada vez mais propensos a inundações, como Nova York. Então, como organizar esse trabalho, se estamos assumindo um mundo além do salário? Mais uma vez, é claro, máquinas e automação tendem a dar conta do desafio. Mas na medida em que os seres humanos forem necessários, algum tipo de serviço nacional poderia substituir o trabalho desperdiçado que hoje é canalizado para o aparato militar.

O Mercado como Plano [31]

Finalmente, há a questão do consumo. Haverá uma necessidade urgente de lidarmos com a escassez, mas não a escassez de mão-de-obra ou de bens, como nos modelos-padrão do capitalismo. Se assumirmos um replicador verdadeiramente perfeito, mesmo a agricultura poderia ser eliminada em favor de hambúrgueres feitos por máquinas, indistinguíveis dos reais. [32] Em vez disso, são os insumos básicos para a produção – talvez água ou outras matérias-primas, ou apenas energia – que deverá ser racionada. Isso requer algum tipo de planejamento econômico.

O planejamento estava no centro de muitos dos principais debates em torno do socialismo no século XX. O Estado seria capaz de planejar cada detalhe de produção para cada bem de consumo? Ele deveria se limitar a controlar certas indústrias-chave? O mercado poderia ser usado para coordenar a produção em uma sociedade que ainda merecesse o nome de “socialista”? [ver a nota 16]

O planejamento também aparece em muitas ficções científicas que tentam teorizar uma sociedade pós-escassez. O romance de Ken MacLeod, “The Cassini Division” [“A Divisão Cassini”], ocorre em um século vinte e quatro, em que a humanidade colonizou o sistema solar e formou várias sociedades distintas, uma das quais é conhecida como União Solar; em um ponto, o autor descreve suas “máquinas de Babbage operando suas matrizes de equilíbrio material de Leontiev”. [33] O nome de Wassily Leontiev, que retornará no próximo capítulo, [ver nota 2] evoca a era do planejamento soviético como retratado em “Red Plenty” [algo como “Abundância Vermelha”], de Francis Spufford – uma ficção especulativa sobre o passado, que dramatiza ficcionalmente as tentativas do matemático Leonid Kantorovich de encontrar uma maneira matematicamente tratável de gerir uma economia planejada. [34]

2312, de Kim Stanley Robinson, descreve um sistema pelo qual “a economia anual total do sistema solar podia ser especificada em um computador quântico em menos de um segundo”. [35] A computação quântica é um sonho à muito perseguido na ciência da computação, que postula que os princípios da mecânica quântica podem ser usados ​​para construir computadores que seriam ordens de magnitude mais rápidos do que os que temos hoje. A alusão de Robinson, portanto, é à máquinas que poderiam resolver os problemas incrivelmente complexos de planejamento econômico que estavam simplesmente fora do alcance da tecnologia da era soviética. Em um aceno a “Red Plenty“, o sistema econômico é referido como o “modelo cibernético soviético Spuffordizado“. [36] E em mais uma piada interna esquerdista, Robinson diz que o sistema é conhecido alternativamente como o “modelo Albert-Hahnel“, se referindo aos teóricos econômicos de Esquerda Michael Albert e Robin Hahnel, cujo aparato conceitual de “economia participativa” [“Parecon“] tenta projetar um sistema de planejamento econômico que responda às necessidades dos indivíduos ao invés de conferir as decisões de planejamento a uma burocracia.

O planejamento está claramente na mente de muitos que querem imaginar uma sociedade futura pós-capitalista com uma economia viável. No entanto, todos esses exemplos são tentativas de responder ao antigo problema do século XX, o problema do planejamento da produção; enquanto que, se assumimos o replicador, como em capítulos anteriores, esse não é realmente o problema. Para os bens de consumo pelo menos, as pessoas poderiam produzir o que quiserem, por si mesmas. No entanto, o futuro de recursos limitados ainda enfrenta o problema de gerenciar o consumo. Ou seja, precisamos de alguma maneira de alocar as entradas escassas que alimentam o replicador.

Aqui, a renda básica universal, introduzida no Capítulo 1, poderia ser útil mais uma vez. No contexto que estamos descrevendo neste capítulo, a renda básica universal desempenha uma função bastante diferente daquela desempenhada pelos salários no capitalismo. E funcionará para racionalizar e planejar o consumo através do mecanismo do mercado.

Isso pode parecer estranho de se dizer em um capítulo intitulado “Socialismo”. E há alguns socialistas que vêem o mercado como intrinsecamente incompatível com um pós-capitalismo desejável. Para eles, o mercado é um componente fundamental do que há de errado com o capitalismo e uma fonte de atomização e alienação. Como mercados usam dinheiro e mercadorias para mediar nossas relações com as outras pessoas, diz essa linha de argumentação, eles seriam inerentemente menos sociáveis e humanos do que outras formas de organizar a nossa vida econômica, como o envolvimento em escambo, em formas auto-suficientes de atender nossas necessidades em uma comuna, ou implementando uma economia totalmente planejada em que todas as empresas são socializadas e as decisões sobre produção e distribuição são feitas através de um processo político. [ver as notas 16 e 31] E certamente essa crítica tem algum mérito, particularmente em uma sociedade capitalista em que relações de mercado tendem a permear todos os aspectos de nossas vidas e submeter até mesmo as decisões mais pessoais à forças impessoais.

Mas um mercado, para qualquer tipo de coisa ou serviço, também pode ser considerado como uma tecnologia, com significados e efeitos muito diferentes, dependendo da estrutura social maior em que estiver incorporada. [37] Em uma sociedade como a nossa, caracterizada por concentrações extremas de riqueza e renda, o mercado aloca o poder social em proporção ao dinheiro – produzindo assim uma sociedade de “um dólar, um voto”.

Considere o exemplo de empresas como o serviço de compartilhamento de carros Uber, o site de terceirização de tarefas TaskRabbit e o mercado de aluguel de curto prazo AirBnB. Todos representam a si mesmos como parte da “economia do compartilhamento”, na qual indivíduos fariam pequenos intercâmbios de bens e serviços sob condições de igualdade fundamental. A idéia é que eu possa alugar meu apartamento quando estiver de férias e contratar você para me levar para algum lugar, quando você tiver o tempo livre – e que todos nós acabaríamos com um pouco mais de conveniência e um pouco mais de dinheiro. Nesse caso, ninguém teria riqueza e poder suficientes para explorar qualquer outra pessoa, o que faria deste um bom exemplo do que o sociólogo Erik Olin Wright chama de “capitalismo entre adultos consentidos“, que teriam o mesmo poder no mercado. [38]

Como existem agora, essas empresas na verdade só demonstram o quão desigual e não-consensual é nosso sistema. Elas são desiguais de duas maneiras diferentes. Existe desigualdade entre os compradores e os vendedores de serviços nesses sistemas: pessoas empregadas através do TaskRabbit podem fazer muito pouco para desafiar demandas abusivas ou irracionais por medo de serem demitidas. [39] Muitas propriedades da AirBnB são administradas por empresas que são essencialmente cadeias de hotéis não-licenciadas, não por pessoas deixando livre um quarto por alguns dias. E as próprias empresas, apoiadas por grandes capitalistas de risco, têm poder sobre compradores e vendedores porque controlam as plataformas nas quais a troca ocorre e podem alterar as regras à vontade para maximizar seus lucros. Vemos isso de forma notória no caso do Uber, que tem provocado greves e protestos de seus motoristas sobre sua tendência a mudar arbitrariamente suas tarifas e condições de trabalho.

Mas se nós assumimos um mundo em que a todos seja alocada a mesma renda básica e ninguém tenha controle sobre vastas reservas de riqueza, essa objeção desaparece. [40] Pense na renda básica como seu cartão de racionamento, que te dá acesso à sua parcela de tudo o que é escasso no mundo. Em vez de alocar quantidades específicas de cada recurso escasso, o mecanismo de precificação do mercado é usado para proteger contra o uso excessivo.

Nas cidades estadunidenses, o estacionamento nas ruas tradicionalmente é gratuito na maioria das áreas ou disponível a um preço fixo pequeno. Esta é uma sub-precificação dramática, no sentido de que leva as pessoas ao sobreconsumo do recurso limitado dos espaços de estacionamento, levando a uma escassez de vagas e a muitos carros vagando em busca de alguma. Em algumas áreas de Nova York, a maior parte do tráfego nas ruas é de gente à procura de lugar para estacionar, desperdiçando seu tempo enquanto criam poluição e congestionamento.

Como alternativa, algumas cidades estão experimentando vários esquemas para o preço do estacionamento nas ruas, muitas vezes sob a influência do teórico do estacionamento da UCLA, Donald Shoup. [41] Um dos temas-chave de Shoup é que os governos urbanos deveriam evitar a sub-precificação do estacionamento na rua, pois isso leva a ondas de escassez no estilo soviético [42] como descrito acima, juntamente de tediosas regras de racionamento, como limites de duas horas e coisas do gênero.

Sob a influência desta teoria, a cidade de Los Angeles decidiu implementar um sistema inteligente de medição sem-fios chamado L.A. Express Park. Sensores são instalados no asfalto abaixo de cada vaga, que detectam a presença de carros em uma determinada área. O sistema computadorizado então ajusta automaticamente o preço do estacionamento dependendo da quantidade de vagas preenchidas. Quando as vagas estão em alta demanda, o preço pode subir até $6 por hora, e quando muitas vagas estão disponíveis, pode baixar até 50 centavos de dólar.

O esquema do L.A. Express Park tem sido amplamente discutido e promovido como a aplicação do “livre-mercado” ao estacionamento. Isso claramente dá razão àqueles na Esquerda que equiparam o mercado com capitalismo e com desigualdade. Mas, neste caso, falar de “mercados” é mais do que apenas um subterfúgio ideológico para enriquecer ainda mais os poderosos; isso dá algumas dicas sobre o potencial dos mercados como tecnologias limitadas separáveis do capitalismo.

Os marxistas normalmente fazem duas objeções aos mercados capitalistas. A primeira é estritamente econômica: sob a “anarquia” da competição capitalista, a busca do lucro privado leva a resultados injustos e irracionais. Bens de luxo são produzidos enquanto pobres morrem de fome; estoques se acumulam com itens que ninguém pode se dar ao luxo de comprar; fábricas ficam ociosas, enquanto milhares estão procurando trabalho; o meio-ambiente é espoliado, e assim por diante. No Programa de Transição de Leon Trotsky, no qual ele apresentava um programa reformista de curto prazo para seus seguidores comunistas, há repetidas referências a esse tipo de anarquia do mercado, que inevitavelmente será substituída por uma forma superior de planejamento racional, consciente e controlado pelos trabalhadores. Na verdade, diz Trotsky: “A necessidade de ‘controlar’ a economia, de colocar o Estado como ‘guia’ sobre a indústria e de ‘planejamento’ é hoje reconhecida – pelo menos em palavras – por quase todas as tendências burguesas e pequeno-burguesas atuais, do fascista ao Social-Democrata”. [43] [44]

No entanto, o próprio Trotsky era inflexível sobre como mecanismos de mercado deveriam ser parte do planejamento da economia. Em sua crítica de 1932, “A Economia Soviética em Perigo“, escreveu:

“Os inúmeros participantes vivos na economia, estatais e particulares, coletivos e individuais, devem notificar suas necessidades e sua força relativa não apenas através de determinações estatísticas das comissões do plano, mas também pela pressão direta da oferta e da demanda. O plano é verificado e, em grande medida, realizado através do mercado.” [45]

Visto desta perspectiva, o sistema de Los Angeles não é uma desregulação capitalista de “livre mercado”. A cidade não está passando o estacionamento para empresas privadas competirem por clientes. O experimento da L.A. Express Park é, de fato, um caso exemplar de planejamento central. A cidade começa por decretar um alvo de produção, que neste caso é manter uma vaga de estacionamento vazia em cada rua. O complexo sistema de sensores e algoritmos de determinação de preços é usado para criar sinais de preços que atinjam o alvo. De uma maneira fundamental, a flecha causal do mercado capitalista foi revertida: em vez das flutuações dos preços do mercado levando a um nível de produção imprevisível, é o alvo de produção que vem primeiro e os preços são ditados pela quota.

Há um outro argumento contra os mercados: eles não seriam meramente anárquicos e ineficientes, mas também induziriam mistificações ideológicas que perpetuariam o capitalismo e a exploração. O cientista político marxista Bertell Ollman tem frequentemente defendido isso. “Uma grande virtude das sociedades planejadas centralmente”, diz ele, é que “é fácil ver quem é responsável pelo que dá errado”. [46] Esta é uma pré-condição para a prestação de contas democrática, porque “apenas uma crítica da mistificação do mercado nos permitirá colocar a culpa no lugar certo – ou seja, sobre o mercado capitalista como tal e a classe que governa sobre ele “. [47]

Mas essa crítica também falha. Apesar da presença de sinais de preços e de um mercado, não há nenhum mistério sobre quem é o responsável pelo novo regime de medida flutuante dos preços: a cidade de Los Angeles, encorajada pelo seu conselheiro Donald Shoup. Na verdade, é a própria visibilidade dos planejadores que torna projetos como esse controversos entre aqueles que assumem como garantido o direito ao estacionamento gratuito e que se opõem a políticas como a imposição de preços sobre o congestionamento, que mitigariam o tráfego ao cobrar os motoristas para entrar em áreas muito movimentadas. Isso também faz parte do que faz com que as políticas climáticas, como um imposto sobre o carbono, sejam vulneráveis ao ataque de Direita: seja qual for a sua fantasia “baseada no mercado”, todos sabem que a política começa com legisladores e burocratas governamentais.

O verdadeiro fracasso do L.A. Express Park e de todos os sistemas desse tipo é que eles existem dentro de uma sociedade capitalista dramaticamente desigual. Em tal sociedade, $6 para uma vaga de estacionamento significa menos para uma pessoa rica do que para uma pobre, e assim o sistema é inerentemente desigual. A resposta não é atacar o sistema de planejamento de mercado, mas derrubar essa desigualdade subjacente. Em última análise, isso significa superar o sistema capitalista de distribuição de recursos e aproximar-se de um mundo em que o controle da riqueza seja igualado – ou seja, onde “a distribuição dos meios de pagamento” (para usar a frase de Gorz citada no Capítulo 2 [ver nota 4]) seja essencialmente igual.

Mas, mesmo antes disso, há maneiras de transformar algumas das empresas predatórias da “economia do compartilhamento” em algo um pouco mais igualitário. O escritor de economia Mike Konczal, por exemplo, sugeriu um plano para “socializar o Uber”. [48] Ele observa que, como os trabalhadores da empresa já possuem a maior parte do capital – seus carros – seria relativamente fácil para uma cooperativa de trabalhadores criar uma plataforma online que funcione como o aplicativo Uber, mas que seja controlada pelos próprios trabalhadores, ao invés de um punhado de capitalistas do Vale do Silício.

Se pudermos enfrentar as desigualdades que tornam nossas atuais sociedades de mercado tão brutais, poderemos ter a chance de implantar mecanismos de mercado para organizar o consumo em um mundo ecologicamente limitado, permitindo que todos nós possamos superar o capitalismo e a mudança climática como iguais – “vivos sob o sol”, como diz a editora da revista Jacobin e ecossocialista Alyssa Battistoni em uma referência a Virginia Woolf. [49]

O Socialismo seria um mundo de limites, mas isso não significa que ele também não possa ser um mundo de liberdade. Conforme discutido no Capítulo 1, o Comunismo também teria limites, mas esses são inteiramente internos às relações sociais humanas. Aqui, os limites também são impostos pelo ambiente físico em que vivemos. Ainda poderíamos reduzir o trabalho ao mínimo, mesmo que o consumo seja limitado. E o que fosse necessário de trabalho em reconstrução ecológica poderia ser compartilhado de forma justa ao invés de ditado por aqueles com acesso à riqueza. Às vezes, esse trabalho poderia ser difícil: começamos este capítulo, afinal de contas, com uma história de pessoas raspando o asfalto para reciclagem, e tendo eu mesmo raspado asfalto, não é algo que eu possa realmente recomendar. Em outros casos, porém, o trabalho que faríamos poderia ser algo que as pessoas achem satisfatório e emocionante. Quer se trate de projetar robôs-abelha ou algoritmos de estacionamento, a ecologia socialista estará repleta de desafios envolventes, um pouco de Comunismo no futuro ecossocialista.

Em outras palavras, o futuro socialista pode ser tão mundano como gastar as rações de seu replicador e cumprir seu dever junto ao Corpo de Reconstrução Ecológica. Ou pode ser tão grandioso quanto terraformar nosso próprio planeta, o reconstruindo em algo que possa continuar a nos sustentar junto de pelo menos algumas das outras criaturas vivas que existem atualmente – em outras palavras, fazendo uma natureza inteiramente nova e garantindo que ainda possamos ter um lugar nela. Esse mundo pode não ter a sensação vertiginosa e espontânea do futuro comunista, mas pode ainda ser um bom lugar para se viver, para todas as pessoas – o que é muito mais do que se pode dizer sobre o último futuro que iremos examinar. [ver a nota 2]

Tradução: Everton Lourenço


Notas

[1] Kim Stanley Robinson, ‘The Wild Shore’ [“A Costa Selvagem”], Nova Iorque: Tom Doherty Associates, 1984; Gold Coast’ [“A Costa Dourada”], Nova Iorque: Tom Doherty Associates, 1988; ‘Pacific Edge‘ [“Borda do Pacífico”], Nova Iorque: Tom Doherty Associates, 1990. [NdM: Não encontrei sinais de que a trilogia tenha sido publicada no Brasil]

[2] O capítulo do livro será publicado em breve aqui no Minhocário. A sessão do artigo original que trata do futuro Exterminista pode ser acessada aqui. [N.M.]

[3] https://pt.wikipedia.org/wiki/J._G._Ballard [N.M.]

[4] O capítulo do livro será publicado em breve aqui no Minhocário. A sessão do artigo original que trata do futuro Rentista pode ser acessada aqui. [N.M.]

[5] John Christensen e Kim Stanley Robinson, “Planet of the Future,” [“Planeta do Futuro”] BoomCalifornia.com, 2014.

[6] É importante ressaltar que neste livro (e também no artigo original de 2011), Peter Frase chama de “Socialismo” especificamente a sociedade futurista descrita neste artigo (e na sessão correspondente do artigo original), onde a produção de bens de consumo através de trabalho assalariado foi, na sua maior parte, substituída através das novas tecnologias de robótica, inteligência artificial, fabricação aditiva, etc (muitas vezes chamadas em conjunto de “Quarta Revolução Industrial”), e onde essa transformação aconteceu num mundo que combina igualdade social e escassez. Portanto, pelo menos por enquanto, precisamos deixar de lado os significados que usamos para a palavra socialismo para podermos refletir com as contribuições que o autor pode oferecer. O mesmo se deu com a palavra “Comunismo” no artigo original e no capítulo correspondente neste livro. [N.M.]

[7] Istvan Csicsery-Ronay e Kim Stanley Robinson, “Pacific Overture: An Interview with Kim Stanley Robinson,” [“Abertura Pacífica: Uma entrevista com Kim Stanley Robinson”] LAReviewofBooks.org,, 2012.

[8] Robinson, Pacific Edge, pp. 5–6.

[9] ver “Quando a Economia Vira Religião e os Economistas, Seus Apóstolos”, de Rodrigo Souza e “Sua Majestade, a Teoria Econômica”, de David Harvey. [N.M.]

[10] Stanley Jevons, “The Coal Question: An Inquiry Concerning the Progress of the Nation and the Probable Exhaustion of Our Coal-Mines” [“A Questão do Carvão: Uma investigação sobre o progresso da nação e a provável exaustão de nossas minas de carvão”], Londres: Macmillan, 1865.

[11] Para um exemplo de trabalho recente influenciado pela teoria de  Hubbert, ver Kenneth S. Deffeyes, “Hubbert’s Peak: The Impending World Oil Shortage” [“O Pico de Hubbert: A Iminente Escassez Mundial de Petróleo”], Princeton, NJ: Princeton University Press, 2008.

[12] no original, “catastrophic global feedback loops and tipping points”. [N.M.]

[13] Christian Parenti, A Radical Approach to the Climate Crisis,” [“Uma Abordagem Radical Para a Mudança Climática”] Dissent, Verão de 2013.

[14] Há autores que defendem que esse desafio não pode ser cumprido sem implicar na necessidade de derrubar o capitalismo. [N.M.]

[15] Minqi Li, “Capitalism, Climate Change and the Transition to Sustainability: Alternative Scenarios for the US, China and the World,” [“Capitalismo, Mudanças Climáticas e a Transição Para a Sustentabilidade: Cenários Alternativos Para os EUA, China e o Mundo”] “Development and Change” 40: 6, 2009, p. 1,047.

[16] Graças à má reputação atual do sistema soviético e à insistência dos neoliberais de vários matizes em criticar e recusar de antemão qualquer debate sobre as possibilidades do planejamento racional democrático como se fosse um anacronismo ridículo, este é um tema que muitas vezes mesmo na Esquerda acaba sendo deixado de lado. No entanto, conforme somos encarados pelos limites ambientais, tanto na forma de limites de reservas de diferentes matérias-primas, quanto na relação entre desperdício, poluição e mudanças climáticas, a irracionalidade da falta de planejamento da produção e da circulação dos bens vai ficando cada vez mais escancarada como uma organização insustentável para a reprodução social humana. Portanto, precisamos refletir sobre o potencial do planejamento democrático da produção e do consumo, como indicado no texto. Como normalmente a primeira objeção ao planejamento aparece num resgate acrítico da experiência soviética, sobre esse exemplo é necessário lembrar pelo menos que: 1) o que era chamado de planejamento no sistema soviético na prática muitas vezes não ía muito além do estabelecimento e a busca de metas brutas, principalmente para a produção de bens intermediários – e esse planejamento centralizado nos departamentos da GOSPLAN e da GOSNAB não cobria nem mesmo uma fração minúscula de todas as mercadorias produzidas na URSS. Um autor como Mészáros diria que é uma vergonha para a ideia de planejamento democrático que chamemos assim aquela estrutura em ação no sistema soviético; 2) mesmo com os limites desse sistema e sem contar com nem mesmo uma fração do poder computacional e das interconexões entre os pontos de produção e de distribuição dos produtos como hoje é possível, esse sistema foi capaz de, em poucas décadas, tornar a União Soviética na segunda potência industrial e política global – atravessada por contradições, mas ainda assim, o país com maior número de formados em nível universitário, um país sem analfabetos e, em seus melhores tempos, com uma taxa de consumo de calorias bem próxima daquela observada na população dos EUA. Considerar o sistema um “fracasso completo” não passa de um absurdo motivado pela propaganda ideológica. Mais detalhes sobre as características e os problemas do sistema soviético podem ser encontrados nos textos “Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda” e ‘Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia’.

Como Paul Cockshott e Allin Cottrell no primeiro dos posts acima, há vários autores que apostam que o futuro do socialismo passa pelo planejamento democrático da produção e da circulação dos bens, e que apontam como a tecnologia necessária para desenvolver um sistema moderno capaz de calcular dinamicamente as necessidades de uma economia continental segundo o potencial industrial instalado teria se tornado possível, ironicamente, na mesma época em que a União Soviética ruía em crise – entre o final dos anos 80 e início dos 90. Com a universalização dos computadores, da internet e dos celulares, com os sistemas para lidar com grandes bancos de dados e técnicas de Big Data, e os sistemas de comunicação, gerenciamento e distribuição de empresas globais como Amazon, Google, etc, esse objetivo deixa de ser uma utopia futura para se tornar uma questão política. Esses autores inclusive apresentam algoritmos capazes de realizar a função de determinação das metas de produção necessárias para cada produto segundo os níveis atuais de demanda e mostram resultados que indicam como tais algoritmos seriam capazes de serem re-executados para economias continentais facilmente diante de alterações nos níveis de demanda, com a tecnologia de processamento disponível atualmente. Aqui no blog temos vários textos debatendo o potencial do planejamento democrático e os possíveis modelos para o desenvolvimento de uma economia e de uma democracia Socialista:  “Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda” de Paul Cockshott e Allin Cottrell; ‘Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia’, de Seth Ackerman, John Quiggin, Tyler Zimmer, Jeff Moniker, Matthijs Krul, HumanaEsfera; ‘Votando Sob o Socialismo’, de Peter Frase;  ‘Bancos, Finanças, Socialismo e Democracia‘, de Ladislau Dowbor, Nuno Teles e J. W. Mason; ‘Democratizar Isso‘, de Michal Rozworski; Inovação Vermelha, de Tony Smith; A Revolução Cybersyn, de Eden Medina [N.M.]

[17] Ver “A Fantasia do Livre-Mercado”, de Nicole M. Aschoff. [N.M.]

[18] Referência ao plano de investimentos públicos de Roosevelt nos EUA, com o objetivo de gerar empregos e reconstruir a estrutura danificada pelos anos de crise após 29. [N.M.]

[19] Referência à famosa frase de Rosa Luxemburgo (desenvolvendo à partir de uma fala de Engels), diante do início da I Guerra Mundial: “A sociedade burguesa se encontra em uma encruzilhada, ou entra em transição para o Socialismo ou regride para a barbárie.” [N.M.]

[20] Barbara Ehrenreich, “Bright-Sided: How Positive Thinking Is Undermining America”, Nova Iorque: Metropolitan Books, 2009. [no Brasil, “Sorria: Como a Promoção Incansável do Pensamento Positivo Enfraqueceu a América“]

[21] Napoleon Hill, “Think and Grow Rich” [no Brasil, “Pense e Enriqueça“], Meridien, CT: Ralston Society, 1938; Rhonda Byrne, “O Segredo”, Australia: Atria Books, 2006.

[22] No original, “robber barons”, referência aos inescrupulosos trapaceiros que construíram impérios na “terra sem lei” dos EUA um pouco depois da metade do século XIX. [N.M.]

[23] Abrasileiramento de “terraform”, algo como “transformar um mundo para torná-lo habitável”. [N.M.]

[24] Kim Stanley Robinson, “Red Mars” [“Marte Vermelho”], Nova Iorque: Bantam Books, 1993; “Blue Mars” [“Marte Azul”], Nova Iorque: Bantam Books, 1996.

[25] Para um exemplo, ver Andreas Malm, “Fossil Capital: The Rise of Steam Power and the Roots of Global Warming” [“Capital Fóssil: A Ascensão da Energia à Vapor e as Raízes do Aquecimento Global”], Nova Iorque e Londres: Verso Books, 2016.  [Ver aqui no blog  ‘O Mito do Antropoceno’, do mesmo autor – N.M.]

[26] Bruno Latour, “Love Your Monsters,” [“Amar Nossos Monstros”] Break Through 2, Winter 2012.

[27] Ibid.

[28] Agora eternizado num episódio do seriado distópico “Black Mirror”. [N.M.]

[29] no original, “sprawling suburban metropolises” – nos EUA “subúrbio” tende a se referir mais aos bairros residenciais com casas separadas ao invés de prédios e apartamentos, e não a ideia social mais ligada à “periferia” que nós temos vinculada à palavra. É um modelo de vastos bairros residenciais com muito espaço para cada casa, e árvores – um modelo diretamente dependente de carros para o deslocamento. [N.M.]

[30] Ibid.

[31] Como já indiquei em uma nota na introdução (Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia), não estamos completamente convencidos desse aspecto da argumentação do Peter Frase. O autor trabalha com a mesma ideia em ‘Votando Sob o Socialismo’. Talvez em certo sentido, Peter Frase se aproxime de uma forma diferente da ideia de ‘Socialismo de Mercado’ defendida por gente como Seth Ackerman no debate do texto ‘Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia’. Ou talvez não seja possível colocar essa ideia dele nesse mesmo grupo, por pensar um ‘mercado’ como uma tecnologia extremamente limitada a ser usada num mundo igualitário estritamente para alocar recursos ainda escassos, usando como ‘moeda’ créditos relacionados com a escassez e o impacto ambiental gerado por determinados bens. De qualquer maneira, permanece uma questão controversa para mim.  [N.M.]

[32] Essa tecnologia parece estar muito mais próxima do que pode parecer. Nos últimos anos tem despencado o custo de hambúrgueres (e filés de frango, porco e pato) criados em laboratório, sem o sacrifício de nenhum animal, à partir de células reproduzidas até se tornarem um pedaço de carne – ao ponto de ameaçar, em pouquíssimos anos, se tornar uma alternativa real ao mercado de carnes, sem envolver sofrimento animal, gerando até 90% menos de emissões de carbono na atmosfera, consumindo apenas uma fração infinitesimal da quantidade de água e de solo usadas no modelo atual de criação de gado. Como sempre, nesta etapa da inovação (depois de muita pesquisa realizada em universidades e bancada pela sociedade), muitas empresas estão correndo para abocanhar parte do filão que deve se tornar esse mercado em pouquíssimo tempo. [N.M.]

[33]  Ken MacLeod, “The Cassini Division”, [“A Divisão Cassini”] Nova Iorque: Tor Books, 2000, p. 62.

[34] Francis Spufford, “Red Plenty”, [“Abundância Vermelha”] Londres: Faber and Faber, 2010.

[35] Kim Stanley Robinson, “2312”, Nova Iorque: Hachette Book Group, 2012, p. 125. [Hoje podemos estar ainda longes de realizar tal cálculo em 1 segundo, mas já somo capazes de realizá-lo em tempo hábil para atualizarmos tais expectativas diariamente, talvez até mais de uma vez – ver a parte 4 de “Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda” de Paul Cockshott e Allin Cottrell – N.M.]

[36]  Ibid.  [no original, “Spuffordized Soviet cybernetic model.” – N.M.]

[37] Talvez este seja o ponto mais polêmico dessa argumentação. [ver as notas 16 e 31]

[38] Erik Olin Wright, “Transforming Capitalism through Real Utopias,” [“Transformando o Capitalismo através de Utopias Reais”] American Sociological Review 78: 1, 2013, p. 7.

[39] Ver o texto “A Sociedade do Smartphone”, de Nicole M. Aschoff. [N.M.]

[40] claro que outras objeções permanecem. [N.M.]

[41] Donald Shoup, The High Cost of Free Parking, Washington, DC: APA Planners Press, 2005.

[42] para mais detalhes sobre esses problemas no sistema soviético, novamente, ver ‘Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia’, de Seth Ackerman, John Quiggin, Tyler Zimmer, Jeff Moniker, Matthijs Krul, HumanaEsfera; e “Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda” de Paul Cockshott e Allin Cottrell; [N.M.]

[43] Leon Trotsky, “O ‘Segredo comercial’ e o controle operário sobre a indústria”, no ‘Programa de Transição’, Marxists.org, 1938.

[44] Naquele momento pós-crise de 29, após o estabelecimento do keynesianismo como resposta à crise nos países desenvolvidos, de fato mesmo nos EUA e na Europa grande parte dos políticos e economistas aceitavam a necessidade do planejamento estatal, no mínimo orientando e regulando a atividade econômica privada, mas muitas vezes assumindo as próprias atividades diretamente através de estatais. Um dos mais conhecidos economistas estadunidenses da época, John Kenneth Galbraith, chegou a defender a tese “tecnocrática” de que o desenvolvimento das instituições tanto no Capitalismo quanto no mundo soviético caminhavam para se encontrar em um tipo de meio termo administrativo. Com a crise dos anos 70 e a incapacidade do keynesianismo de oferecer uma saída para a mesma, veio a resposta elitista e reacionária de recomposição do poder da classe capitalista através do Neoliberalismo – ver Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas, de George Monbiot; e Desabamento Contínuo: Neoliberalismo Como Estágio da Crise Capitalista, Rendição Social-Democrata, Revolta Popular Recente e as Aberturas à Esquerda, de Robert Brenner. [N.M.]

[45] Leon Trotsky, “Conditions and Methods of Planned Economy” [“Condições e Métodos de Economia Planejada”], em “Soviet Economy in Danger: The Expulsion of Zinoviev” [“Economia Soviética em Perigo: A Expulsão de Zinoviev”], Marxists.org, 1932. [é interessante observar como um defensor de planejamento democrático computadorizado e crítico dos mercados como Paul Cockshott inclui essa noção de outra maneira em seu modelo: Lá a oferta e a demanda nas lojas socializadas ainda seriam incorporadas como elementos importantes para determinar a necessidade de ajustar a produção segundo a procura pelos produtos: bens “vendidos” nas lojas abaixo do valor-trabalho incorporado direta e indiretamente durante sua fabricação teriam a sua produção diminuída, enquanto que os bens vendidos acima do valor-trabalho incorporado (e, portanto, mais procurados), teriam sua produção aumentada. Conforme indicado em notas anteriores, a tecnologia necessária para integrar o processo de venda ao cidadão com toda a cadeia produtiva, notificando cada nó de produção, estoque e distribuição já é amplamente utilizada (apesar de não nesse nível de integração, ficando disperso por vários sistemas de empresas dedicadas a etapas específicas – por exemplo, nos sistemas bancários, de cartões de créditos ou na integração da logística do Amazon), e, usando as técnicas de big data e os algoritmos de balanceamento de entradas e saídas como indicados por Paul Cockshott, esses dados podem ser usados para atualizar até mesmo diariamente os planos de produção.

[46] Bertell Ollman, “Market Mystification in Capitalist and Market Socialist Societies,” [“Mistificação de Mercado em Sociedades Capitalistas e Socialistas de Mercado”], em Bertell Ollman and David Schweickart, eds., “Market Socialism: The Debate Among Socialists” [“Socialismo de Mercado: O Debate Entre Socialistas”], Londres: Routledge, 1998, p. 81.

[47] Ibid.

[48] Mike Konczal, “Socialize Uber: It’s Easier than You Think,” [“Socializar o Uber: É Mais Fácil do que Você Pensa”], The Nation, December 10, 2014.

[49] Alyssa Battistoni, “Vivo Sob o Sol,” Jacobin 13, Inverno de 2014.


Leituras Relacionadas

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  • Rentismo: Um Futuro Automatizado de Abundância Bloqueada Pela Desigualdade – [Peter Frase] Na penúltima parte da série sobre possíveis futuros após o fim do Capitalismo, – com o fim do uso de trabalho humano assalariado na produção de mercadorias, extrapolando as tendências atuais de aplicação de tecnologias como Inteligência Artificial, Robótica, Fabricação Aditiva, Nanotecnologia, etc – encaramos uma distopia em que as elites do sistema capitalista atual têm sucesso em manter seus privilégios e poderes, usando patentes e direitos autorais para bloquear e restringir para si o que poderia ser o livre-acesso universal à abundância possibilitada pelas conquistas do conhecimento humano num cenário em que a própria escassez poderia ser deixada para trás.
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  • Inovação Vermelha [Tony Smith] – “Longe de sufocar a inovação, uma sociedade Socialista colocaria o progresso tecnológico a serviço das pessoas comuns.”
  • ABCs do Socialismo
  • Por Que Socialismo? Albert Einstein explica, de maneira clara e objetiva, os problemas fundamentais que enxerga na sociedade capitalista e porque uma sociedade socialista poderia ser o caminho para superá-los.
  • Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia [Seth Ackerman, John Quiggin, Tyler Zimmer, Jeff Moniker, Matthijs Krul, HumanaEsfera] – “O socialismo promete a emancipação humana, com o alargamento da democracia e da racionalidade para a produção e distribuição de bens e serviços e o uso da tecnologia acumulada pela humanidade para a redução a um mínimo do trabalho necessário por cada pessoa, liberando seu tempo para o seu livre desenvolvimento. Como organizar uma economia socialista para realizar essas promessas?”
  • Votando Sob o Socialismo – [Peter Frase] Vai ser mais significativo – mas esperamos que não envolva assembleias sem-fim.
  • Obsolescência Planejada: Armadilha Silenciosa na Sociedade de Consumo [Valquíria Padilha e Renata Cristina A. Bonifácio] – O crescimento pelo crescimento é irracional. Precisamos descolonizar nossos pensamentos construídos com base nessa irracionalidade para abrirmos a mente e sairmos do torpor que nos impede de agir
  • O Mito do Antropoceno [Andreas Malm] – Culpar toda a Humanidade pela mudança climática deixa o Capitalismo sair ileso.
  • Vivo Sob o Sol [Alyssa Battistoni] – “Não há caminho rumo a um futuro sustentável sem lidar com as velhas pedras no caminho do ambientalismo: consumo e empregos. E a maneira de fazer isso é através de uma Renda Básica Universal. “
  • Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? [Alyssa Battistoni] – “Sob o Socialismo, nós tomaríamos decisões sobre o uso de recursos democraticamente, levando em consideração necessidades e valores humanos, ao invés da maximização dos lucros.
  • Rumo a um Socialismo Ciborgue [Alyssa Battistoni] – “A Esquerda precisa de mais vozes e de críticas mais afiadas que coloquem nossa análise do poder e de justiça no centro das discussões ambientais, onde elas devem estar.”
  • A Fantasia do Livre-Mercado [Nicole M. Aschoff] – “Designar o mercado como ‘natural’ e o Estado como ‘antinatural’ é uma ficção conveniente para aqueles casados com o status quo. O “capitalismo consciente”, embora atraente em alguns aspectos, não é uma solução para a degradação ambiental e social que acompanha o sistema de produção voltado ao lucro. A sociedade precisa decidir em que tipo de mundo deseja viver, e essas decisões devem ser tomadas por meio de estruturas e processos democráticos.”
  • Democratizar Isso [Michal Rozworski] – “Os planos do Partido Trabalhista inglês para buscar modelos democráticos de propriedade são o aspecto mais radical do programa de Corbyn, e um dos mais radicais que temos visto na política dominante em muito tempo.”
  • Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda – [Paul Cockshott e Allin Cottrel] “Desde os anos 90 temos sido bombardeados por relatos sobre como a queda da União Soviética seria uma prova definitiva da impossibilidade de qualquer forma de Economia Planejada racionalmente, de qualquer forma de Economia Socialista, de qualquer forma de Socialismo – e de que não existiria alternativa para organizar a produção e o consumo das sociedades humanas a não ser o Capitalismo de Livre-Mercado. Será mesmo?
  • Bancos, Finanças, Socialismo e Democracia – [Ladislau Dowbor, Nuno Teles e J. W. Mason] Os bancos são instituições centrais na articulação das atividades no sistema capitalista. Como essas instituições deixaram de cumprir suas funções básicas e passaram a estender seu domínio sobre toda a economia? Podemos ver o sistema financeiro como um ambiente “neutro” cujos resultados são os “naturais” gerados pelos “mercados”? Será que dividir os grandes bancos será o suficiente para resolver essa situação?
  • O Comunismo Não Passa de Um Sonho de Utopia? Só Funcionaria Com Pessoas Perfeitas? – [Terry Eagleton] “O Comunismo é apenas um sonho de ingenuidade, utopia e perfeição? Ele ignora a maldade e o egoísmo que estariam na essência da natureza humana? Um tal sistema precisaria que todos pensassem e agissem de uma única maneira, só poderia funcionar com pessoas perfeitas e harmoniosas como peças de relógio, nunca com os seres humanos diversos e falhos que realmente existem?”
  • Bill Gates, Socialista? [Leigh Phillips] – “Bill Gates está certo: o setor privado está sufocando a inovação em energias limpas. Mas esse não é o único lugar em que o Capitalismo está nos limitando.
  • Precisamos Dominá-la [Peter Frase] – “Nosso desafio é ver na tecnologia tanto os atuais instrumentos de controle dos empregadores quanto as precondições para uma sociedade pós-escassez.
  • Tecnologia e Estratégia Socialista [Paul Heidmann] – “Com poderosos movimentos de classe em sua retaguarda, a tecnologia pode prometer a emancipação do trabalho, ao invés de mais miséria.
  • O Lamentável Declínio das Utopias Espaciais [Brianna Rennix] – “Narrativas ficcionais são um fator enorme moldando nossas expectativas do que é possível. Infelizmente, utopias estão atualmente fora de moda, como a tediosa proliferação de ficção distópica e filmes de desastre parece indicar. Por que só “libertarianos” fantasiam sobre o espaço hoje em dia?”
  • Lingirie Egípcia e o Futuro Robô [Peter Frase] – O pânico sobre automação erra o alvo – o verdadeiro problema é que os próprios trabalhadores são tratados feito máquinas.”
  • Políticas Para Se ‘Arranjar Uma Vida’ [Peter Frase] – “O trabalho em uma sociedade capitalista é um fenômeno conflituoso e contraditório. Uma política para a classe trabalhadora tem de ser contra o trabalho, apelando para o prazer e o desejo, ao invés de sacrifício e auto-negação.
  • Todo Poder aos “Espaços de Fazedores” [Guy Rundle] – “A impressão 3-D em sua forma atual pode ser um retorno às obrigações enfadonhas do movimento “pequeno é belo”, mas tem o potencial para fazer muito mais.
  • Os Robôs Vão Tomar Seu Emprego? [Nick Srnicek e Alex Williams] – “Com a automação causando ou não uma devastação nos empregos, o futuro do trabalho sob o capitalismo parece cada vez mais sombrio. Precisamos agora olhar para horizontes pós-trabalho.”
  • Robôs e Inteligência Artificial: Utopia ou Distopia? [Michael Roberts] – “Diz muito sobre o momento atual que enquanto encaramos um futuro que pode se assemelhar ou com uma distopia hiper-capitalista ou com um paraíso socialista, a segunda opção não seja nem mencionada.”
  • Robôs, Crescimento e Desigualdade – Mesmo uma instituição como o FMIvem notando as tendências que a automação de empregos devem gerar nas próximas décadas, incluindo um crescimento vertiginoso da desigualdade social, e a necessidade de compartilhar a abundância prometida por essas inovações.
  • Automação e o ‘Fim do Trabalho’ na Mídia Internacional Dominante 
  • Como Vai Acabar o Capitalismo? – [Wolfgang Streeck] “O epílogo de um sistema em desmantêlo crônico: A legitimidade da ‘democracia’ capitalista se baseava na premissa de que os Estados eram capazes de intervir nos mercados e corrigir seus resultados, em favor dos cidadãos; hoje, as dúvidas sobre a compatibilidade entre uma economia capitalista e um sistema democrático voltaram com força total.”
  • Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas – [George Monbiot] “Crise financeira, desastre ambiental e mesmo a ascensão de Donald Trump – o Neoliberalismo,  a ideologia dominante no ‘Ocidente’ desde os anos 80, desempenhou seu papel em todos eles. Como surgiu e foi adotado pelas elites a ponto de tornar-se invisível e difuso? Por que a Esquerda fracassou até agora em enfrentá-lo?”
  • O Ano em Que o Capitalismo Real Mostrou a Que Veio – [Jerome Roós] “Tudo que nós um dia deveríamos temer sobre o socialismo — desde repressão estatal e vigilância em massa até padrões de vida em queda — aconteceu diante de nossos olhos
  • O Projeto Socialista e a Classe Trabalhadora – [David Zachariah] “As pessoas na Esquerda estão unidas em seu objetivo de uma sociedade em que cada indivíduo encontre meios aproximadamente iguais para o pleno desenvolvimento de suas capacidades diversas. O que distingue os socialistas é o reconhecimento de que a forma específica como a sociedade está organizada para reproduzir a si mesma também reproduz grandes desigualdades sociais nos padrões de vida, emprego, condições de trabalho, saúde, educação, habitação, acesso à cultura, meios de desenvolvimento e frutos do trabalho social, etc.
  • O País Já Não é Meio Socialista? – Não, Socialismo não é só sobre mais governo – é sobre propriedade e controle democráticos.
  • Pelo Menos o Capitalismo é Livre e Democrático, Né? – Pode parecer que é assim, mas Liberdade e Democracia genuínas não são compatíveis com o Capitalismo.
  • O Socialismo Soa Bem na Teoria, Mas a Natureza Humana Não o Torna Impossível de Se Realizar? – “Nossa natureza compartilhada na verdade nos ajuda a construir e definir os valores de uma sociedade mais justa.”
  • Os Ricos Não Merecem Ficar Com a Maior Parte do Seu Dinheiro?“A riqueza é criada socialmente – a redistribuição apenas permite que mais pessoas aproveitem os frutos do seu trabalho.”
  • Os Socialistas Vão Levar Meus CDs do Calypso? – Socialistas querem um mundo sem Propriedade Privada, não sem Propriedade Pessoal. Você pode guardar seus discos.
  • O Socialismo Não Termina Sempre em Ditadura? – O Socialismo é muitas vezes misturado com autoritarismo. Mas historicamente, Socialistas tem estado entre os defensores mais convictos da Democracia.
  • O Socialismo Não É Só Um Conceito Ocidental?O Socialismo não é Eurocêntrico por que a lógica do Capital é universal – e a resistência a ela também.
  • E Sobre o Racismo? Os Socialistas Não Se Preocupam Só Com Classe?Na verdade acreditamos que a luta contra o Racismo é central para desfazer o poder da classe dominante. 
  • O Socialismo e o Feminismo Não Entram Às Vezes Em Conflito?Em última análise, os objetivos do Feminismo radical e do Socialismo são os mesmos – Justiça e Igualdade para todas as pessoas.
  • Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? – “Sob o Socialismo, nós tomaríamos decisões sobre o uso de recursos democraticamente, levando em consideração necessidades e valores humanos, ao invés da maximização dos lucros.
  • Os Socialistas São Pacifistas? Algumas Guerras Não São Justificadas?Socialistas querem erradicar a guerra por que ela é brutal e irracional. Mas nós pensamos que existe uma diferença entre a violência dos oprimidos e a dos opressores. 
  • Por Que os Socialistas Falam Tanto em Trabalhadores?Os trabalhadores estão no coração do sistema capitalista. E é por isso que eles estão no centro da política socialista. 
  • O Socialismo Vai Ser Chato? – “O Socialismo não é sobre induzir uma branda mediocridade. É sobre libertar o potencial criativo de todos.
  • Os Socialistas Querem Tornar Todos Iguais? Querem Acabar Com a Nossa Individualidade?
  • O Marxismo Está Ultrapassado? Ele Só Tinha Algo a Dizer Sobre a Inglaterra do Século XIX, e Olhe Lá?
  • O Marxismo é Uma Ideologia Assassina, Que Só Pode Gerar Miséria? – “O Marxismo é uma ideologia sanguinária e assassina, que só pode gerar miséria compartilhada? Socialismo significa falta de liberdade e uma economia falida?”
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