Planejando o Bom Antropoceno

O mercado está nos levando cegamente a uma calamidade climática – o planejamento democrático é uma saída.

por Leigh Phillips e Michal Rozworski, na Revista Jacobin, Agosto de 2017

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Ilustração por Sergio Membrillas

O que é lucrativo nem sempre é útil, e o que é útil nem sempre é lucrativo. Pior ainda, muitas coisas que prejudicam o florescimento humano ou até ameaçam a nossa existência continuam sendo lucrativas e, sem intervenção regulatória, as empresas continuarão as produzindo.

Isso – a motivação do lucro pelo mercado, não o “crescimento” ou a “civilização industrial” – causou a nossa calamidade climática e a enorme bio-crise.

Seria muito útil se nossa espécie reduzisse sua queima de combustíveis fósseis, responsável como é por cerca de dois terços das emissões dos gases do efeito estufa. Seria útil, também, aumentar a eficiência dos insumos na agricultura, o que, junto com o desmatamento e a transformação de florestas em terras agrícolas, é responsável pela maior parte do terço restante.

Nós sabemos como fazer isso.

Uma vasta expansão da eletricidade de geração contínua, desde usinas nucleares [1 – importante!] a hidrelétricas, auxiliada por tecnologias de energia renovável mais variáveis, como as energias eólica e solar, poderia substituir quase todos os combustíveis fósseis em pouco tempo, limpando a grade energética e fornecendo o suficiente de geração limpa para eletrificar o transporte, o aquecimento e a indústria. Descarbonizar a agricultura seria mais complicado, e ainda precisamos de uma tecnologia melhor, mas entendemos a trajetória geral do que seria necessário.

Infelizmente, sempre que essas práticas não geram lucro ou não geram lucros suficientes, as empresas não vão colocá-las em prática.

Nós ouvimos relatos regulares sobre como o investimento em energia renovável está agora superando o investimento em combustíveis fósseis. Isso é bom, embora muitas vezes seja o resultado de subsídios para os atores nesse mercado – muitas vezes derivando de aumentos no preço da eletricidade, em vez de impostos sobre os ricos, e portanto atingindo com força as comunidades da classe trabalhadora. Mesmo que, em termos relativos, mais dinheiro esteja indo para as energias eólica e solar do que para o carvão, o aumento absoluto da combustão nos países “em desenvolvimento” provavelmente nos levará para além do limite de 2° C que a maioria dos governos concordou ser necessário para evitar mudanças climáticas perigosas.

Simplificando, o mercado não está construindo o suficiente de eletricidade limpa, nem abandonando o suficiente de energia suja, e nem fazendo nenhum dos dois com rapidez suficiente.

A diretriz relativamente simples de “limpar a grade e eletrificar tudo”, que resolve a parte dos combustíveis fósseis na equação, não funciona para a agricultura, que exigirá um conjunto muito mais complexo de soluções. Aqui também, enquanto uma prática específica estiver dando dinheiro, o mercado não a abandonará sem regulação ou substituição pelo setor público.

Liberais e verdes argumentam que devemos incluir os impactos negativos da queima de combustíveis fósseis nos preços dos combustíveis (e seus corolários agrícolas – alguns sugerem um “imposto sobre o nitrogênio”). Uma vez que essas “externalidades” [2] aumentassem o preço do carbono para US$ 200 ou US$ 300 por tonelada, o mercado – esse “alocador eficiente de todos os bens e serviços” – resolveria o problema.

Deixando de lado as grotescas desigualdades que resultariam de um aumento firme em impostos indiretos quando a classe trabalhadora e as pessoas pobres gastam uma maior proporção de suas rendas em combustíveis [e no consumo de itens cujo transporte é incluído em seus preços], defensores do imposto sobre o carbono ignoram que a sua solução para a mudança climática – o mercado – é a própria causa do problema.

Pensando Maior

Como é que um preço de carbono vai criar uma rede de estações de recarga rápida para veículos elétricos? A Tesla apenas as constrói em áreas escolhidas à dedo, onde pode contar com lucros. Como uma empresa privada de ônibus ou um provedor de internet, Elon Musk não vai fornecer um serviço onde isso não dê dinheiro. O mercado deixa para o setor público preencher essa lacuna.

Não se trata de um argumento abstrato. A Noruega oferece estacionamento e recarga gratuítos para veículos elétricos, permite que esses carros usem faixas exclusivas para ônibus e recentemente decidiu construir uma rede nacional de recarga. Hoje, os veículos elétricos já representam mais de um quarto do total de novas vendas, mais do que em qualquer outro lugar. Como comparação, apenas 3% dos carros são elétricos na Califórnia – tida como “ecológica”, mas fascinada pelo mercado.

Os custos iniciais de algumas mudanças representam um obstáculo. De um ponto de vista sistêmico, a energia nuclear ainda representa a opção mais barata, graças à sua gigantesca densidade de energia. Também ostenta o menor número de mortes por terawatt-hora e uma baixa pegada de carbono. Mas, como em projetos hidrelétricos de grande escala, os custos de construção são consideráveis. [3]

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas observa que, embora a energia nuclear seja limpa, [1] não-intermitente e tenha uma pegada territorial minúscula, “sem o apoio dos governos, os investimentos em novas […] estações em geral não são economicamente atraentes atualmente sob mercados liberalizados”. As empresas privadas se recusam a começar a construção sem subsídios ou garantias públicas.

Isso explica porque o esforço de descarbonização mais rápido até agora ocorreu antes da liberalização do mercado europeu se concretizar. [4] O governo francês gastou cerca de uma década construindo sua frota nuclear, que agora cobre quase 40% das necessidades energéticas da nação.

De forma semelhante, precisaríamos construir redes inteligentes de transmissão de alta tensão, com balanceamento de carga, que cobrissem continentes e que pudessem afastar as variações das energias renováveis voláteis. Precisamos planejar esse projeto com base na confiabilidade do sistema, ou seja, na necessidade. Um mosaico de empresas privadas de energia só vai construir o que for lucrativo. [5]

O Limite Regulatório

Muitos ecologistas clamam por um recuo em escala, um retorno ao pequeno e ao local. Mas essa posição também diagnostica erroneamente a fonte do problema. Substituir as multinacionais por um bilhão de pequenas empresas não eliminaria o incentivo do mercado para perturbar os ciclos dos ecossistemas. De fato, devido às brutas deseconomias de escala das pequenas empresas, essa perturbação apenas se intensificaria.

No mínimo, precisamos de regulação – essa molhadinha-dos-pés no planejamento econômico. Uma política governamental que exija que todas as empresas que fabricam uma mercadoria específica usem um processo de produção não-poluente diminui as vantagens obtidas pelos grandes poluidores.

Esta é a opção social-democrata, e tem lá suas vantagens. Na verdade, precisamos nos lembrar de quantos frutos a regulação tem gerado desde que adquirimos uma compreensão mais profunda dos nossos desafios ecológicos globais.

Nós remendamos a nossa camada de ozônio em deterioração; devolvemos as populações de lobos e as florestas que eles habitam à Europa central; relegamos a infame neblina [6] londrina de Dickens, Holmes e Hitchcock à ficção – embora partículas de carvão ainda esgasguem Pequim e Xangai. De fato, grande parte do desafio climático que enfrentamos vem de um Sul Global subdesenvolvido buscando, com razão, superar o atraso. [7]

Mas a regulação doma a fera apenas temporariamente, e muitas vezes falha. O capital desliza facilmente de sua coleira. Enquanto existir um mercado, o capital tentará capturar seus mestres reguladores.

Todo mundo – desde o pessoal com megafones fazendo piquetes contra a construção de oleodutos até os responsáveis por escrever os Acordos de Paris – reconhece que esta barreira fundamental bloqueia nossas tentativas de reduzir as emissões de gases do efeito estufa: se qualquer jurisdição, setor ou empresa levar em frente os vertiginosos esforços necessários para a descarbonização, seus produtos e serviços instantaneamente terão um preço incapaz de concorrer no mercado global. Apenas uma economia planejada democraticamente em nível global poderia matar a fera de fome, mas essa proposta suscita algumas questões básicas. [8]

Será que seríamos capazes de impor o planejamento democrático global todo de uma vez, em todos os países e por todos os setores? Na ausência de uma revolução mundial, isso parece improvável. Mas nós podemos manter esse ideal como um guia, algo a ser buscado pelo trabalho de gerações, ampliando constantemente o domínio do planejamento democrático sobre o do mercado.

Além disso, será que deveríamos eliminar completamente o mercado? Isso não seria apenas a substituição do poder do mercado pelo poder do burocrata? A propriedade pública é insuficiente – tanto para a justiça social quanto para a otimização ambiental – e o medo do “estatismo” é racional.

Mas o planejamento democrático não precisa implicar em propriedade estatal. A menos que acreditem que a democracia tem um limite superior [em tamanho], mesmo os anarquistas clássicos devem ser capazes de imaginar uma economia global, sem Estados, mas ainda planejada. Precisamos garantir a aderência a princípios genuinamente democráticos por qualquer modo de governança global não baseado no mercado.

Certamente, precisamos debater o papel e o tamanho do setor público. Poderíamos tomar as potências da logística e do planejamento – os Walmarts e os Amazons do mundo – e adaptá-las para uma civilização igualitária e ecologicamente racional? Poderíamos transformar esses sistemas em um “Cybersyn” global, o sonho de Salvador Allende de um socialismo computacional e democrático? [9] Vamos discutir se isso é possível e desejável e então descobrir como garantir que nós governemos os algoritmos e não que eles nos governem. [10]

As mudanças climáticas e a bio-crise mais ampla revelam que as múltiplas estruturas de decisão locais, regionais ou continentais estão obsoletas. Nenhuma jurisdição pode descarbonizar sua economia se as outras não o fizerem também. Mesmo se um país descobrir como capturar e armazenar carbono, o resto do mundo ainda enfrentará um oceano em acidificação. Verdades semelhantes se sustentam em relação aos fluxos de nitrogênio e fósforo, ciclos de absorção de nutrientes se fechando, [11] à perda de biodiversidade e ao gerenciamento da água doce. [12]

Passando para além das questões ambientais, poderíamos dizer o mesmo sobre a resistência a antibióticos, doenças pandêmicas ou asteróides próximos da Terra. Mesmo em áreas cujas políticas tendem a questões menos existenciais, como a indústria, o comércio e a migração, muitos nós interligados amarram nossa sociedade verdadeiramente planetária. Uma das grandes contradições do capitalismo é que ele aumenta as conexões reais entre as pessoas ao mesmo tempo que nos encoraja a nos vermos como indivíduos monádicos. [13]

Tudo isso demonstra o horror e a maravilha do antropoceno. [14] A humanidade comanda tão plenamente os recursos que nos cercam, que transformamos o planeta em meras décadas em uma escala que processos bio-geofísicos de proporções leviatânicas levaram milhões de anos para realizar. Mas essa capacidade tão incrível é exercida cegamente, sem intenção, ao serviço do lucro, e não da necessidade humana.

O Antropoceno Socialista

Os pesquisadores do clima às vezes falam sobre um “bom antropoceno” e um “mau antropoceno”. O segundo descreve a intensificação e talvez a aceleração do rompimento involuntário pela humanidade dos ecossistemas de que dependemos. O primeiro, no entanto, nomeia uma situação em que aceitamos o nosso papel como soberano coletivo da Terra e começamos a influenciar e coordenar os processos planetários com propósito e direção, a fim de promover o florescimento humano.

Não podemos alcançar esse honrado objetivo sem planejamento democrático e uma superação contínua do mercado.

A escala do que precisamos fazer – os processos bio-geofísicos que precisamos compreender, acompanhar e dominar para evitar mudanças climáticas perigosas e ameaças relacionadas – é quase incomensurável. Não podemos confiar no mercado – irracional e não-planejado como é, com seus incentivos perversos – para coordenar ecossistemas.

Neutralizar as mudanças climáticas e planejar a economia são tarefas de ambição comparável: se pudermos gerenciar o sistema terrestre, com todas as suas variáveis e miríade de processos, também podemos gerenciar uma economia global. [ver a nota 8 e a nota 10]

Uma vez que os sinais dos preços sejam eliminados, teremos de realizar conscientemente a contabilidade que, sob o mercado, está implicitamente contida nos preços. O planejamento terá de contabilizar os serviços ecossistêmicos implicitamente incluídos nos preços – e aqueles que o mercado simplesmente ignora. Portanto, qualquer planejamento democrático da economia humana é, ao mesmo tempo, um planejamento democrático do sistema-Terra.

O planejamento democrático global não é meramente necessário para o bom antropoceno – ele é o bom antropoceno.

Tradução: Everton Lourenço


Notas

[1] Mais de uma vez neste texto o autor apresenta uma visão ao nosso ver excessivamente positiva da energia nuclear, a qualificando como “limpa”, apesar de seus resíduos radiativos e os riscos implícitos à sua operação. Nós no Minhocário temos uma visão muito mais crítica sobre essa alternativa, e consideramos que por mais que em algumas situações a energia nuclear possa cumprir algum papel, ela deve ser vista como uma solução tampão enquanto buscamos expandir alternativas realmente mais limpas e menos arriscadas. [N.M.]

[2] Para algumas variantes das teorias tradicionais/dominantes (ou “neoclássicas”) da Economia, “externalidades” seriam preços que as empresas produtoras não estariam colocando sobre seus produtos, custos que estariam sendo “externalizados” – para ficar em um exemplo, o despejo de resíduos em um rio, o que geraria problemas a serem enfrentados por toda a região por onde o rio passasse. [N.M.]

[3] Para não falar nos problemas relacionados à manipulação, uso e descarte de componentes altamente radiativos e os riscos explicitados em desastres como em Chernobil e Fukushima. Isto nos faz julgar como precipitado o ânimo dos autores do texto com a energia nuclear como parte dos esforços de superação da nossa crise energética e ecológica global. [N.M.]

[4] Essa liberalização foi parte das transformações promovidas pela virada rumo ao neoliberalismo como solução à crise dos anos 70 nos países desenvolvidos. ver Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas, de George Monbiot; e Desabamento Contínuo: Neoliberalismo Como Estágio da Crise Capitalista, Rendição Social-Democrata, Revolta Popular Recente e as Aberturas à Esquerda, de Robert Brenner. [N.M.]

[5] Mais sobre isso em “Inovação Vermelha”, “Bill Gates, Socialista?” “Democratizar Isso” e “A Ilusão do Livre-Mercado”. [N.M.]

[6] A famosa “fog” londrina. [N.M.]

[7] Talvez esta afirmação esteja um tanto deslocada: Quando estudiosos afirmam que seriam necessários vários planetas-Terra em recursos para que toda a humanidade pudesse desfrutar do nível de consumo médio estadunidense, claramente temos uma questão dramática a resolver quanto aos limites do consumo, dos desperdícios de recursos e da produção voltada ao lucro nos países desenvolvidos – estamos falando na necessidade urgente de desafiar elementos centrais do funcionamento do sistema capitalista. Ver ‘Uma Definição de Capitalismo’, de E.K. Hunt e Mark Launtzenheiser;  ‘Obsolescência Planejada: Armadilha Silenciosa na Sociedade do Consumo’, de Valquíria Padilha e Renata Cristina Bonifácio; ‘O Mito do Antropoceno’, de Andreas Malm; ‘Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda?’, ‘Vivo Sob o Sol’ e  ‘Rumo a Um Socialismo Ciborgue’, de Alyssa Battistoni; e Socialismo Como Futuro Automatizado em Resposta à Crise Ambiental, de Peter Frase. [N.M.]

[8] Aqui no blog já apresentamos vários textos debatendo diferentes aspectos sobre as possibilidades do planejamento econômico democrático – incluindo críticas de especialistas do assunto ao modelo de planejamento adotado na antiga União Soviética. Graças à má reputação atual do sistema soviético e à insistência dos neoliberais de vários matizes em criticar e recusar de antemão qualquer debate sobre as possibilidades do planejamento racional democrático como se fosse um anacronismo ridículo, este é um tema que muitas vezes mesmo na Esquerda acaba sendo deixado de lado. No entanto, conforme somos encarados pelos limites ambientais, tanto na forma de limites de reservas de diferentes matérias-primas, quanto na relação entre desperdício, poluição e mudanças climáticas, a irracionalidade da falta de planejamento da produção e da circulação dos bens vai ficando cada vez mais escancarada como uma organização insustentável para a reprodução social humana. Portanto, precisamos refletir sobre o potencial do planejamento democrático da produção e do consumo, como indicado no texto. Como normalmente a primeira objeção ao planejamento aparece num resgate acrítico da experiência soviética, sobre esse exemplo é necessário lembrar pelo menos que: 1) o que era chamado de planejamento no sistema soviético na prática muitas vezes não ía muito além do estabelecimento e a busca de metas brutas, principalmente para a produção de bens intermediários – e esse planejamento centralizado nos departamentos da GOSPLAN e da GOSNAB não cobria nem mesmo uma fração minúscula de todas as mercadorias produzidas na URSS. Um autor como Mészáros diria que é uma vergonha para a ideia de planejamento democrático que chamemos assim aquela estrutura em ação no sistema soviético; 2) mesmo com os limites desse sistema e sem contar com nem mesmo uma fração do poder computacional e das interconexões entre os pontos de produção e de distribuição dos produtos como hoje é possível, esse sistema foi capaz de, em poucas décadas, tornar a União Soviética na segunda potência industrial e política global – atravessada por contradições, mas ainda assim, o país com maior número de formados em nível universitário, um país sem analfabetos e, em seus melhores tempos, com uma taxa de consumo de calorias bem próxima daquela observada na população dos EUA. Considerar o sistema um “fracasso completo” não passa de um absurdo motivado pela propaganda ideológica. Mais detalhes sobre as características e os problemas do sistema soviético podem ser encontrados nos textos “Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda” e ‘Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia’.

Como Paul Cockshott e Allin Cottrell no primeiro dos posts acima, há vários autores que apostam que o futuro do socialismo passa pelo planejamento democrático da produção e da circulação dos bens, e que apontam como a tecnologia necessária para desenvolver um sistema moderno capaz de calcular dinamicamente as necessidades de uma economia continental segundo o potencial industrial instalado teria se tornado possível, ironicamente, na mesma época em que a União Soviética ruía em crise – entre o final dos anos 80 e início dos 90. Com a universalização dos computadores, da internet e dos celulares, com os sistemas para lidar com grandes bancos de dados e técnicas de Big Data, e os sistemas de comunicação, gerenciamento e distribuição de empresas globais como Amazon, Google, etc, esse objetivo deixa de ser uma utopia futura para se tornar uma questão política. Esses autores inclusive apresentam algoritmos capazes de realizar a função de determinação das metas de produção necessárias para cada produto segundo os níveis atuais de demanda e mostram resultados que indicam como tais algoritmos seriam capazes de serem re-executados para economias continentais facilmente diante de alterações nos níveis de demanda, com a tecnologia de processamento disponível atualmente. Aqui no blog temos vários textos debatendo o potencial do planejamento democrático e os possíveis modelos para o desenvolvimento de uma economia e de uma democracia Socialista:  “Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda” de Paul Cockshott e Allin Cottrell; ‘Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia’, de Seth Ackerman, John Quiggin, Tyler Zimmer, Jeff Moniker, Matthijs Krul, HumanaEsfera; ‘Socialismo Como Futuro Automatizado em Resposta à Crise Ambiental’, de Peter Frase; ‘Votando Sob o Socialismo’, de Peter Frase;  ‘Bancos, Finanças, Socialismo e Democracia‘, de Ladislau Dowbor, Nuno Teles e J. W. Mason; ‘Democratizar Isso‘, de Michal Rozworski; Inovação Vermelha, de Tony Smith; A Revolução Cybersyn, de Eden Medina [N.M.]

[9] Ver  A Revolução Cybersyn, de Eden Medina [N.M.]

[10] Aqui acreditamos que conhecer os estudos de Paul Cockshott e seus modelos para o planejamento econômico democrático automatizado pode fornecer ferramentas essenciais para a discussão e construção de propostas – ver “Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda” de Paul Cockshott e Allin Cottrell. [N.M.]

[11] no original, “closing nutrient-input loops”. [N.M.]

[12] Socialismo Como Futuro Automatizado em Resposta à Crise Ambiental, de Peter Frase, avalia as dimensões gigantescas dos projetos de reconstrução e recuperação necessários diante do impacto deixado pelo Capitalismo, mesmo em uma sociedade em que este já estivesse superado. [N.M.]

[13] Ver ‘Um Mundo Insano: Capitalismo e a Epidemia de Doenças Mentais‘, de Rod Tweedy e Mark Fisher; e ‘Estranho, com Orgulho‘, de George Monbiot. [N.M.]

[14] Ver  ‘O Mito do Antropoceno’, de Andreas Malm. [N.M.]


Leituras Relacionadas

  • Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda – [Paul Cockshott e Allin Cottrel] “Desde os anos 90 temos sido bombardeados por relatos sobre como a queda da União Soviética seria uma prova definitiva da impossibilidade de qualquer forma de Economia Planejada racionalmente, de qualquer forma de Economia Socialista, de qualquer forma de Socialismo – e de que não existiria alternativa para organizar a produção e o consumo das sociedades humanas a não ser o Capitalismo de Livre-Mercado. Será mesmo?
  • Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia [Seth Ackerman, John Quiggin, Tyler Zimmer, Jeff Moniker, Matthijs Krul, HumanaEsfera] – “O socialismo promete a emancipação humana, com o alargamento da democracia e da racionalidade para a produção e distribuição de bens e serviços e o uso da tecnologia acumulada pela humanidade para a redução a um mínimo do trabalho necessário por cada pessoa, liberando seu tempo para o seu livre desenvolvimento. Como organizar uma economia socialista para realizar essas promessas?”
  • Socialismo Como Futuro Automatizado em Resposta à Crise Ambiental – [Peter Frase] Se os avanços tecnológicos da Quarta Revolução Industrial (em campos como Inteligência Artificial, Robótica avançada, fabricação aditiva, etc) forem o suficiente para automatizarmos a maior parte dos empregos, reduzindo a um mínimo a necessidade de trabalho humano, a produção de mercadorias através de trabalho assalariado estará superada – e, portanto, também o capitalismo. Se isso for alcançado em uma sociedade mais igualitária, democrática, sustentável e racional, ainda assim é possível que teremos de nos organizar para lidar com o estrago deixado no planeta pelo sistema capitalista, planejando, executando e administrando  projetos gigantescos de reconstrução, geo-engenharia e racionamento de recursos limitados. Em outras palavras, provavelmente ainda precisaremos de algum tipo de Estado.
  • Quatro Futuros – [Peter Frase] Uma coisa de que podemos ter certeza é que o Capitalismo vai acabar; a questão, então, é o que virá depois.
  • Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia – [Peter Frase] “Muito se tem falado sobre os impactos da Crise Climática e de novas tecnologias de Automação de postos de trabalho para o nosso futuro em comum. Como as relações de propriedade e produção capitalistas e a Política, especificamente a Luta de Classes, se encaixam neste quadro? Será que a possibilidade de automação quase generalizada seria o bastante para garantir que ela ocorrerá? Qual seria o impacto dela sobre as condições de vida das pessoas? Com base nesses elementos, que tipo de cenários podemos esperar à partir do fim do Capitalismo?”
  • Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância – [Peter Frase] “Um mundo em que a tecnologia tenha superado ou reduzido a um mínimo (e de forma sustentável) a necessidade de trabalho humano; em que esse potencial seja compartilhado com todos, eliminando a exploração e a alienação das relações de trabalho assalariado; onde as hierarquias derivadas do Capital tenham sido suplantadas por um modelo mais igualitário, agora capaz não só de sanar as necessidades de todos, mas de permitir o livre desenvolvimento de cada um, parece para muitos como um sonho de utopia inalcançável e ingênuo, onde não existiriam quaisquer conflitos ou hierarquias. Será mesmo?
  • Inovação Vermelha [Tony Smith] – “Longe de sufocar a inovação, uma sociedade Socialista colocaria o progresso tecnológico a serviço das pessoas comuns.”
  • ABCs do Socialismo
  • Por Que Socialismo? – Albert Einstein explica, de maneira clara e objetiva, os problemas fundamentais que enxerga na sociedade capitalista e porque uma sociedade socialista poderia ser o caminho para superá-los.
  • Votando Sob o Socialismo – [Peter Frase] Vai ser mais significativo – mas esperamos que não envolva assembleias sem-fim.
  • Obsolescência Planejada: Armadilha Silenciosa na Sociedade de Consumo[Valquíria Padilha e Renata Cristina A. Bonifácio] – O crescimento pelo crescimento é irracional. Precisamos descolonizar nossos pensamentos construídos com base nessa irracionalidade para abrirmos a mente e sairmos do torpor que nos impede de agir
  • O Mito do Antropoceno [Andreas Malm] – Culpar toda a Humanidade pela mudança climática deixa o Capitalismo sair ileso.
  • Vivo Sob o Sol [Alyssa Battistoni] – “Não há caminho rumo a um futuro sustentável sem lidar com as velhas pedras no caminho do ambientalismo: consumo e empregos. E a maneira de fazer isso é através de uma Renda Básica Universal. “
  • Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? [Alyssa Battistoni] – “Sob o Socialismo, nós tomaríamos decisões sobre o uso de recursos democraticamente, levando em consideração necessidades e valores humanos, ao invés da maximização dos lucros.
  • Rumo a um Socialismo Ciborgue [Alyssa Battistoni] – “A Esquerda precisa de mais vozes e de críticas mais afiadas que coloquem nossa análise do poder e de justiça no centro das discussões ambientais, onde elas devem estar.”
  • A Fantasia do Livre-Mercado [Nicole M. Aschoff] – “Designar o mercado como ‘natural’ e o Estado como ‘antinatural’ é uma ficção conveniente para aqueles casados com o status quo. O “capitalismo consciente”, embora atraente em alguns aspectos, não é uma solução para a degradação ambiental e social que acompanha o sistema de produção voltado ao lucro. A sociedade precisa decidir em que tipo de mundo deseja viver, e essas decisões devem ser tomadas por meio de estruturas e processos democráticos.”
  • Democratizar Isso [Michal Rozworski] – “Os planos do Partido Trabalhista inglês para buscar modelos democráticos de propriedade são o aspecto mais radical do programa de Corbyn, e um dos mais radicais que temos visto na política dominante em muito tempo.”
  • Bancos, Finanças, Socialismo e Democracia – [Ladislau Dowbor, Nuno Teles e J. W. Mason] Os bancos são instituições centrais na articulação das atividades no sistema capitalista. Como essas instituições deixaram de cumprir suas funções básicas e passaram a estender seu domínio sobre toda a economia? Podemos ver o sistema financeiro como um ambiente “neutro” cujos resultados são os “naturais” gerados pelos “mercados”? Será que dividir os grandes bancos será o suficiente para resolver essa situação?
  • O Comunismo Não Passa de Um Sonho de Utopia? Só Funcionaria Com Pessoas Perfeitas? – [Terry Eagleton] “O Comunismo é apenas um sonho de ingenuidade, utopia e perfeição? Ele ignora a maldade e o egoísmo que estariam na essência da natureza humana? Um tal sistema precisaria que todos pensassem e agissem de uma única maneira, só poderia funcionar com pessoas perfeitas e harmoniosas como peças de relógio, nunca com os seres humanos diversos e falhos que realmente existem?”
  • Bill Gates, Socialista? [Leigh Phillips] – “Bill Gates está certo: o setor privado está sufocando a inovação em energias limpas. Mas esse não é o único lugar em que o Capitalismo está nos limitando.
  • Precisamos Dominá-la [Peter Frase] – “Nosso desafio é ver na tecnologia tanto os atuais instrumentos de controle dos empregadores quanto as precondições para uma sociedade pós-escassez.
  • Tecnologia e Estratégia Socialista [Paul Heidmann] – “Com poderosos movimentos de classe em sua retaguarda, a tecnologia pode prometer a emancipação do trabalho, ao invés de mais miséria.
  • O Lamentável Declínio das Utopias Espaciais [Brianna Rennix] – “Narrativas ficcionais são um fator enorme moldando nossas expectativas do que é possível. Infelizmente, utopias estão atualmente fora de moda, como a tediosa proliferação de ficção distópica e filmes de desastre parece indicar. Por que só “libertarianos” fantasiam sobre o espaço hoje em dia?”
  • Lingirie Egípcia e o Futuro Robô [Peter Frase] – O pânico sobre automação erra o alvo – o verdadeiro problema é que os próprios trabalhadores são tratados feito máquinas.”
  • Políticas Para Se ‘Arranjar Uma Vida’ [Peter Frase] – “O trabalho em uma sociedade capitalista é um fenômeno conflituoso e contraditório. Uma política para a classe trabalhadora tem de ser contra o trabalho, apelando para o prazer e o desejo, ao invés de sacrifício e auto-negação.
  • Todo Poder aos “Espaços de Fazedores” [Guy Rundle] – “A impressão 3-D em sua forma atual pode ser um retorno às obrigações enfadonhas do movimento “pequeno é belo”, mas tem o potencial para fazer muito mais.
  • Os Robôs Vão Tomar Seu Emprego? [Nick Srnicek e Alex Williams] – “Com a automação causando ou não uma devastação nos empregos, o futuro do trabalho sob o capitalismo parece cada vez mais sombrio. Precisamos agora olhar para horizontes pós-trabalho.”
  • Robôs e Inteligência Artificial: Utopia ou Distopia? [Michael Roberts] – “Diz muito sobre o momento atual que enquanto encaramos um futuro que pode se assemelhar ou com uma distopia hiper-capitalista ou com um paraíso socialista, a segunda opção não seja nem mencionada.”
  • Robôs, Crescimento e Desigualdade – Mesmo uma instituição como o FMIvem notando as tendências que a automação de empregos devem gerar nas próximas décadas, incluindo um crescimento vertiginoso da desigualdade social, e a necessidade de compartilhar a abundância prometida por essas inovações.
  • Automação e o ‘Fim do Trabalho’ na Mídia Internacional Dominante 
  • Como Vai Acabar o Capitalismo? – [Wolfgang Streeck] “O epílogo de um sistema em desmantêlo crônico: A legitimidade da ‘democracia’ capitalista se baseava na premissa de que os Estados eram capazes de intervir nos mercados e corrigir seus resultados, em favor dos cidadãos; hoje, as dúvidas sobre a compatibilidade entre uma economia capitalista e um sistema democrático voltaram com força total.”
  • Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas – [George Monbiot] “Crise financeira, desastre ambiental e mesmo a ascensão de Donald Trump – o Neoliberalismo,  a ideologia dominante no ‘Ocidente’ desde os anos 80, desempenhou seu papel em todos eles. Como surgiu e foi adotado pelas elites a ponto de tornar-se invisível e difuso? Por que a Esquerda fracassou até agora em enfrentá-lo?”
  • O Ano em Que o Capitalismo Real Mostrou a Que Veio – [Jerome Roós] “Tudo que nós um dia deveríamos temer sobre o socialismo — desde repressão estatal e vigilância em massa até padrões de vida em queda — aconteceu diante de nossos olhos
  • O Projeto Socialista e a Classe Trabalhadora – [David Zachariah] “As pessoas na Esquerda estão unidas em seu objetivo de uma sociedade em que cada indivíduo encontre meios aproximadamente iguais para o pleno desenvolvimento de suas capacidades diversas. O que distingue os socialistas é o reconhecimento de que a forma específica como a sociedade está organizada para reproduzir a si mesma também reproduz grandes desigualdades sociais nos padrões de vida, emprego, condições de trabalho, saúde, educação, habitação, acesso à cultura, meios de desenvolvimento e frutos do trabalho social, etc.
  • O País Já Não é Meio Socialista? – Não, Socialismo não é só sobre mais governo – é sobre propriedade e controle democráticos.
  • Pelo Menos o Capitalismo é Livre e Democrático, Né? – Pode parecer que é assim, mas Liberdade e Democracia genuínas não são compatíveis com o Capitalismo.
  • O Socialismo Soa Bem na Teoria, Mas a Natureza Humana Não o Torna Impossível de Se Realizar? – “Nossa natureza compartilhada na verdade nos ajuda a construir e definir os valores de uma sociedade mais justa.”
  • Os Ricos Não Merecem Ficar Com a Maior Parte do Seu Dinheiro? – “A riqueza é criada socialmente – a redistribuição apenas permite que mais pessoas aproveitem os frutos do seu trabalho.”
  • Os Socialistas Vão Levar Meus CDs do Calypso? – Socialistas querem um mundo sem Propriedade Privada, não sem Propriedade Pessoal. Você pode guardar seus discos.
  • O Socialismo Não Termina Sempre em Ditadura? – O Socialismo é muitas vezes misturado com autoritarismo. Mas historicamente, Socialistas tem estado entre os defensores mais convictos da Democracia.
  • O Socialismo Não É Só Um Conceito Ocidental? – O Socialismo não é Eurocêntrico por que a lógica do Capital é universal – e a resistência a ela também.
  • E Sobre o Racismo? Os Socialistas Não Se Preocupam Só Com Classe? – Na verdade acreditamos que a luta contra o Racismo é central para desfazer o poder da classe dominante. 
  • O Socialismo e o Feminismo Não Entram Às Vezes Em Conflito? – Em última análise, os objetivos do Feminismo radical e do Socialismo são os mesmos – Justiça e Igualdade para todas as pessoas.
  • Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? – “Sob o Socialismo, nós tomaríamos decisões sobre o uso de recursos democraticamente, levando em consideração necessidades e valores humanos, ao invés da maximização dos lucros.
  • Os Socialistas São Pacifistas? Algumas Guerras Não São Justificadas? – Socialistas querem erradicar a guerra por que ela é brutal e irracional. Mas nós pensamos que existe uma diferença entre a violência dos oprimidos e a dos opressores. 
  • Por Que os Socialistas Falam Tanto em Trabalhadores? – Os trabalhadores estão no coração do sistema capitalista. E é por isso que eles estão no centro da política socialista. 
  • O Socialismo Vai Ser Chato? – “O Socialismo não é sobre induzir uma branda mediocridade. É sobre libertar o potencial criativo de todos.
  • Os Socialistas Querem Tornar Todos Iguais? Querem Acabar Com a Nossa Individualidade?
  • O Marxismo Está Ultrapassado? Ele Só Tinha Algo a Dizer Sobre a Inglaterra do Século XIX, e Olhe Lá?
  • O Marxismo é Uma Ideologia Assassina, Que Só Pode Gerar Miséria? – “O Marxismo é uma ideologia sanguinária e assassina, que só pode gerar miséria compartilhada? Socialismo significa falta de liberdade e uma economia falida?”
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