Bill Gates Não Vai Nos Salvar [E Nem Elon Musk]

Quando se trata de tecnologia verde, apenas o Estado pode fazer o que o Vale do Silício não pode.

por Ben Tarnoff, na Revista Jacobin, Agosto de 2017

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O Vale do Silício [1] se orgulha de resolver problemas. Quer se trate de colonizar Marte ou encontrar uma vaga de estacionamento em São Francisco, a indústria da tecnologia promete lidar com os maiores desafios da humanidade. No entanto, no desafio mais urgente de todos – como parar as mudanças climáticas antes que elas tornem grandes porções do planeta inabitáveis – seus progressos têm sido quase invisíveis.

E não é por falta de tentar: Ansiosos para aproveitar o que o capitalista de risco John Doerr chamou de “a maior oportunidade econômica do século XXI”, de 2006 a 2011, investidores despejaram impressionantes $ 25 bilhões em empresas que se comprometeram em reduzir radicalmente nossa dependência de combustíveis fósseis. Parecia o encaixe perfeito: o Vale do Silício poderia cumprir sua visão de si mesmo como um instrumento de salvação humana, ao literalmente salvar o mundo – enquanto coletaria os vastos lucros que presumivelmente fluiriam de sua posição como cabeça-de-lança de uma transformação energética global.

O resultado foi um desastre. Em 2011, os capitalistas de risco tinham perdido mais da metade do dinheiro que investiram nos cinco anos anteriores. Quase todas as startups [2] de energia limpa do Vale do Silício haviam falido ou estavam prestes a isso. Com exceção de alguns pontos-fora-da-curva de alto perfil como a Tesla, o Vale do Silício fugiu do setor e “’tecnologia limpa’ se tornou um palavrão”, segundo a TechCrunch. A aversão persistiu desde então, embora em dezembro de 2016, Bill Gates tenha anunciado um novo fundo de bilhões de dólares chamado Breakthrough Energy Ventures, que pretende reavivar o entusiasmo do capital de risco pela energia limpa.

Mas o Breakthrough Energy Ventures provavelmente deve sofrer o mesmo destino que seus predecessores, pelo simples motivo de que o capital de risco é um modelo terrível para financiar a inovação. Se o objetivo é um grande avanço na forma como geramos, armazenamos e distribuímos energia limpa, bem como a maneira como removeremos grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera – tudo o que é crítico para mantermos o aquecimento global abaixo do limite de 2°C, amplamente visto por cientistas como catastrófico – então o capital de risco é a pior maneira possível de chegarmos lá.

O capital de risco foi projetado para exigir grandes retornos no curto prazo. Isso torna improvável que as empresas de capital de risco possam suportar o tipo de pesquisa que produz avanços tecnológicos, que requer um financiamento generoso por longos períodos de tempo. A ciência opera com um calendário diferente do capitalismo.

A maioria dos fundos de capital de risco são estruturados como parcerias de dez anos. Isso geralmente significa que eles estão procurando por startups caminhando para uma “saída” – uma IPO [3] ou uma aquisição por uma empresa maior – dentro de três a cinco anos. O Breakthrough Energy Ventures de Gates está organizado como um fundo de vinte anos, na esperança de oferecer aos fundadores um pouco mais de espaço para respirar. Mas isso ainda estabelece um ritmo implacável para as startups alcançar crescimento exponencial. Como a maioria das startups fracassará, os fundos de capital de risco precisam selecionar empresas que eles acreditem que podem escalar rápido o bastante para pagar entre dez e cem vezes seu investimento. Uma ou duas superestrelas compensarão os muitos fiascos, permitindo que o fundo ofereça um retorno competitivo.

Empresas de capital de risco são impacientes e gananciosas porque o mercado exige isso. Não importa o que está no seu coração [4]: mesmo investidores filantrópicos como Gates precisam trabalhar sob essas restrições. Fundos de capital de risco simplesmente não podem bancar projetos de alto risco e intensivos em capital que não ofereçam a possibilidade de um pagamento rápido e considerável. Como resultado, eles são bons para financiar o próximo Tinder ou Snapchat, mas péssimos no financiamento das tecnologias mais ambiciosas necessárias para purgar o carbono da nossa energia e do nosso ar.

Então, se o capital de risco não é capaz de financiar a inovação de que precisamos, quem seria? A mesma entidade que tem financiado todas as principais inovações desde a Segunda Guerra Mundial: o Estado. [5] É um artigo de fé no Vale do Silício, e no ambiente corporativo estadunidense em geral [6], que o setor privado é empreendedor e adora assumir riscos, enquanto o setor público seria estagnado e avessos ao risco. A verdade é quase exatamente o oposto.

Em um campo após o outro, a pesquisa financiada publicamente tem fornecido ao setor privado suas invenções mais pioneiras e lucrativas. Isso porque o setor público pode se dar ao luxo de ser tudo o que o setor privado não pode: paciente, generoso e isolado da disciplina de ferro do mercado. Isso é mais poderosamente verdadeiro no caso da indústria que proclama mais alto o seu empreendedorismo – o Vale do Silício. O computador, a Internet, o smartphone – estas são apenas algumas das tecnologias que não existiriam sem montanhas de dinheiro público. O Estado assume o risco da inovação radical para que as empresas e seus investidores possam colher as recompensas.

Quando se trata de energia limpa, outros países entendem essa dinâmica muito melhor do que os Estados Unidos. Na verdade, como a economista Mariana Mazzucato tem apontado, uma das razões pelas quais os EUA têm ficado para trás de outros países em energias renováveis é sua “dependência pesada do capital de risco para dar um ‘empurrãozinho’ no desenvolvimento de tecnologias verdes.” A China, ao contrário, tem optado por um forte “impulso” do Estado. Em 2015, a China instalou uma turbina eólica e um campo de futebol em painéis solares a cada hora. Seu generoso financiamento público de fabricantes de painéis solares ajudou a produzir uma queda de 80% nos preços mundiais, reduzindo o custo das energias renováveis em todos os lugares. E investimentos maiores estão no horizonte: no início deste ano, a Administração Nacional de Energia da China anunciou que o governo planejava investir mais de $ 360 bilhões em energias renováveis até 2020.

A China pode ser especialmente agressiva, mas não está sozinha em sua dependência de instituições públicas. Em todo o mundo, o Estado está liderando a iniciativa em energia limpa. O maior ator da paisagem do “financiamento climático” são os bancos estatais de investimentos, que investiram $ 131 bilhões em energias renováveis em 2014 – em comparação com os $ 46 bilhões dos bancos comerciais e os míseros $ 1,7 bilhão dos capitais de risco e participações privadas.

financas-climaticas

tradução de Imagem publicada no post original

Instituições públicas não estão apenas financiando pesquisas sobre novas tecnologias – também estão financiando a descarbonização usando tecnologias já existentes. Este é um ponto crítico muitas vezes obscurecido por Bill Gates e outros capitalistas da energia limpa: já temos a tecnologia para a transição para um sistema de energia de zero-carbono. Nós temos [para os Estados Unidos] até mesmo um roteiro detalhado sobre como a transição pode ocorrer, graças ao cientista de Stanford, Mark Z. Jacobson e seus colegas, que mapearam como converter todos os cinquenta estados [dos EUA] para 100% de energia limpa até 2050.

É claro, a inovação pode ajudar a facilitar e acelerar esse processo – também pode descobrir maneiras de esfregar séculos de emissões de carbono para fora da nossa atmosfera. Na verdade, sem grandes avanços tecnológicos, é improvável que consigamos manter o aquecimento global dentro do limite de 2°C. Mas nunca geraremos esses avanços se renunciarmos às decisões de investimento mais importantes da nossa sociedade para bilionários como Gates [ou Musk]. [7]

Tradução: Everton Lourenço


Notas

[1] Região na Califórnia que concentra muitas empresas de alta tecnologia, inclusive algumas das maiores empresas mundiais de tecnologia e internet, como Google, Facebook, Apple, Uber, etc. Quando falamos do Vale do Silício como um sujeito que pensa, diz, age, estamos falando do pessoal dessa elite empresarial. [N.M.]

[2] empresas pequenas e normalmente envolvidas com atividades ou projetos ainda não estabelecidos, principalmente relacionados com tecnologia. É comum essas empresas receberem grandes investimentos na esperança de que alguma delas seja a próxima Google, Facebook ou Amazon, principalmente no Vale do Silício. [N.M.]

[3] “Oferta pública inicial”, quando as ações são oferecidas para venda para o público em bolsa de valores pela primeira vez. [N.M.]

[4] Ver “Bill Gates, Socialista?”, de Leigh Phillips, e “Contando Com os Bilionários”, de Japhy Wilson. [N.M.]

[5] Ver “Inovação Vermelha”, de Tony Smith. [N.M.]

[6] e também no brasileiro, que copia o estadunidense em praticamente tudo. [N.M.]

[7] Ver “Planejando o Bom Antropoceno”, de Leigh Phillips e Michal Rozworski e “Socialismo Como Futuro Automatizado e Igualitário em Resposta à Crise Ambiental“, de Peter Frase. [N.M.]


Leituras Relacionadas

  • Inovação Vermelha [Tony Smith] – “Longe de sufocar a inovação, uma sociedade Socialista colocaria o progresso tecnológico a serviço das pessoas comuns.”
  • Planejando o Bom Antropoceno [Leigh Phillips e Michal Rozworski] – “O mercado está nos levando cegamente a uma calamidade climática – o planejamento democrático é uma saída.”
  • Bill Gates, Socialista? [Leigh Phillips] – “Bill Gates está certo: o setor privado está sufocando a inovação em energias limpas. Mas esse não é o único lugar em que o Capitalismo está nos limitando.
  • A Fantasia do Livre-Mercado [Nicole M. Aschoff] – “Designar o mercado como ‘natural’ e o Estado como ‘antinatural’ é uma ficção conveniente para aqueles casados com o status quo. O “capitalismo consciente”, embora atraente em alguns aspectos, não é uma solução para a degradação ambiental e social que acompanha o sistema de produção voltado ao lucro. A sociedade precisa decidir em que tipo de mundo deseja viver, e essas decisões devem ser tomadas por meio de estruturas e processos democráticos.”
  • Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? [Alyssa Battistoni] – “Sob o Socialismo, nós tomaríamos decisões sobre o uso de recursos democraticamente, levando em consideração necessidades e valores humanos, ao invés da maximização dos lucros.
  • Socialismo Como Futuro Automatizado em Resposta à Crise Ambiental – [Peter Frase] Se os avanços tecnológicos da Quarta Revolução Industrial (em campos como Inteligência Artificial, Robótica avançada, fabricação aditiva, etc) forem o suficiente para automatizarmos a maior parte dos empregos, reduzindo a um mínimo a necessidade de trabalho humano, a produção de mercadorias através de trabalho assalariado estará superada – e, portanto, também o capitalismo. Se isso for alcançado em uma sociedade mais igualitária, democrática, sustentável e racional, ainda assim é possível que teremos de nos organizar para lidar com o estrago deixado no planeta pelo sistema capitalista, planejando, executando e administrando  projetos gigantescos de reconstrução, geo-engenharia e racionamento de recursos limitados. Em outras palavras, provavelmente ainda precisaremos de algum tipo de Estado.
  • Vivo Sob o Sol [Alyssa Battistoni] – “Não há caminho rumo a um futuro sustentável sem lidar com as velhas pedras no caminho do ambientalismo: consumo e empregos. E a maneira de fazer isso é através de uma Renda Básica Universal. “
  • Rumo a um Socialismo Ciborgue [Alyssa Battistoni] – “A Esquerda precisa de mais vozes e de críticas mais afiadas que coloquem nossa análise do poder e de justiça no centro das discussões ambientais, onde elas devem estar.”
  • O Mito do Antropoceno [Andreas Malm] – Culpar toda a Humanidade pela mudança climática deixa o Capitalismo sair ileso.
  • Obsolescência Planejada: Armadilha Silenciosa na Sociedade de Consumo[Valquíria Padilha e Renata Cristina A. Bonifácio] – O crescimento pelo crescimento é irracional. Precisamos descolonizar nossos pensamentos construídos com base nessa irracionalidade para abrirmos a mente e sairmos do torpor que nos impede de agir
  • Contando Com os Bilionários [Japhy Wilson] – “Filantropo-capitalistas como George Soros querem que acreditemos que eles podem remediar a miséria econômica que eles mesmos criam.
  • A Revolução Cybersyn [Eden Medina] – Cinco lições de um projeto de computação socialista no Chile de Salvador Allende.
  • Quatro Futuros – [Peter Frase] Uma coisa de que podemos ter certeza é que o Capitalismo vai acabar; a questão, então, é o que virá depois.
  • Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia – [Peter Frase] “Muito se tem falado sobre os impactos da Crise Climática e de novas tecnologias de Automação de postos de trabalho para o nosso futuro em comum. Como as relações de propriedade e produção capitalistas e a Política, especificamente a Luta de Classes, se encaixam neste quadro? Será que a possibilidade de automação quase generalizada seria o bastante para garantir que ela ocorrerá? Qual seria o impacto dela sobre as condições de vida das pessoas? Com base nesses elementos, que tipo de cenários podemos esperar à partir do fim do Capitalismo?”
  • Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância – [Peter Frase] “Um mundo em que a tecnologia tenha superado ou reduzido a um mínimo (e de forma sustentável) a necessidade de trabalho humano; em que esse potencial seja compartilhado com todos, eliminando a exploração e a alienação das relações de trabalho assalariado; onde as hierarquias derivadas do Capital tenham sido suplantadas por um modelo mais igualitário, agora capaz não só de sanar as necessidades de todos, mas de permitir o livre desenvolvimento de cada um, parece para muitos como um sonho de utopia inalcançável e ingênuo, onde não existiriam quaisquer conflitos ou hierarquias. Será mesmo?
  • Bill Gates e os 4 Bilhões na Pobreza [Michael Roberts] – “A pobreza global está caindo ou crescendo? Sabe-se que a desigualdade global vem aumentando rapidamente nas últimas décadas, mas muitos defensores do capitalismo se apressam para nos afirmar que, apesar disso, nunca estivemos melhor. Será mesmo?
  • Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia [Seth Ackerman, John Quiggin, Tyler Zimmer, Jeff Moniker, Matthijs Krul, HumanaEsfera] – “O socialismo promete a emancipação humana, com o alargamento da democracia e da racionalidade para a produção e distribuição de bens e serviços e o uso da tecnologia acumulada pela humanidade para a redução a um mínimo do trabalho necessário por cada pessoa, liberando seu tempo para o seu livre desenvolvimento. Como organizar uma economia socialista para realizar essas promessas?”
  • Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda – [Paul Cockshott e Allin Cottrel] “Desde os anos 90 temos sido bombardeados por relatos sobre como a queda da União Soviética seria uma prova definitiva da impossibilidade de qualquer forma de Economia Planejada racionalmente, de qualquer forma de Economia Socialista, de qualquer forma de Socialismo – e de que não existiria alternativa para organizar a produção e o consumo das sociedades humanas a não ser o Capitalismo de Livre-Mercado. Será mesmo?
  • ABCs do Socialismo
  • Por Que Socialismo? – Albert Einstein explica, de maneira clara e objetiva, os problemas fundamentais que enxerga na sociedade capitalista e porque uma sociedade socialista poderia ser o caminho para superá-los.
  • Votando Sob o Socialismo – [Peter Frase] Vai ser mais significativo – mas esperamos que não envolva assembleias sem-fim.
  • Democratizar Isso [Michal Rozworski] – “Os planos do Partido Trabalhista inglês para buscar modelos democráticos de propriedade são o aspecto mais radical do programa de Corbyn, e um dos mais radicais que temos visto na política dominante em muito tempo.”
  • Bancos, Finanças, Socialismo e Democracia – [Ladislau Dowbor, Nuno Teles e J. W. Mason] Os bancos são instituições centrais na articulação das atividades no sistema capitalista. Como essas instituições deixaram de cumprir suas funções básicas e passaram a estender seu domínio sobre toda a economia? Podemos ver o sistema financeiro como um ambiente “neutro” cujos resultados são os “naturais” gerados pelos “mercados”? Será que dividir os grandes bancos será o suficiente para resolver essa situação?
  • O Comunismo Não Passa de Um Sonho de Utopia? Só Funcionaria Com Pessoas Perfeitas? – [Terry Eagleton] “O Comunismo é apenas um sonho de ingenuidade, utopia e perfeição? Ele ignora a maldade e o egoísmo que estariam na essência da natureza humana? Um tal sistema precisaria que todos pensassem e agissem de uma única maneira, só poderia funcionar com pessoas perfeitas e harmoniosas como peças de relógio, nunca com os seres humanos diversos e falhos que realmente existem?”
  • Precisamos Dominá-la [Peter Frase] – “Nosso desafio é ver na tecnologia tanto os atuais instrumentos de controle dos empregadores quanto as precondições para uma sociedade pós-escassez.
  • Tecnologia e Estratégia Socialista [Paul Heidmann] – “Com poderosos movimentos de classe em sua retaguarda, a tecnologia pode prometer a emancipação do trabalho, ao invés de mais miséria.
  • O Lamentável Declínio das Utopias Espaciais [Brianna Rennix] – “Narrativas ficcionais são um fator enorme moldando nossas expectativas do que é possível. Infelizmente, utopias estão atualmente fora de moda, como a tediosa proliferação de ficção distópica e filmes de desastre parece indicar. Por que só “libertarianos” fantasiam sobre o espaço hoje em dia?”
  • Lingirie Egípcia e o Futuro Robô [Peter Frase] – O pânico sobre automação erra o alvo – o verdadeiro problema é que os próprios trabalhadores são tratados feito máquinas.”
  • Políticas Para Se ‘Arranjar Uma Vida’ [Peter Frase] – “O trabalho em uma sociedade capitalista é um fenômeno conflituoso e contraditório. Uma política para a classe trabalhadora tem de ser contra o trabalho, apelando para o prazer e o desejo, ao invés de sacrifício e auto-negação.
  • Todo Poder aos “Espaços de Fazedores” [Guy Rundle] – “A impressão 3-D em sua forma atual pode ser um retorno às obrigações enfadonhas do movimento “pequeno é belo”, mas tem o potencial para fazer muito mais.
  • Os Robôs Vão Tomar Seu Emprego? [Nick Srnicek e Alex Williams] – “Com a automação causando ou não uma devastação nos empregos, o futuro do trabalho sob o capitalismo parece cada vez mais sombrio. Precisamos agora olhar para horizontes pós-trabalho.”
  • Robôs e Inteligência Artificial: Utopia ou Distopia? [Michael Roberts] – “Diz muito sobre o momento atual que enquanto encaramos um futuro que pode se assemelhar ou com uma distopia hiper-capitalista ou com um paraíso socialista, a segunda opção não seja nem mencionada.”
  • Robôs, Crescimento e Desigualdade – Mesmo uma instituição como o FMIvem notando as tendências que a automação de empregos devem gerar nas próximas décadas, incluindo um crescimento vertiginoso da desigualdade social, e a necessidade de compartilhar a abundância prometida por essas inovações.
  • Automação e o ‘Fim do Trabalho’ na Mídia Internacional Dominante 
  • Como Vai Acabar o Capitalismo? – [Wolfgang Streeck] “O epílogo de um sistema em desmantêlo crônico: A legitimidade da ‘democracia’ capitalista se baseava na premissa de que os Estados eram capazes de intervir nos mercados e corrigir seus resultados, em favor dos cidadãos; hoje, as dúvidas sobre a compatibilidade entre uma economia capitalista e um sistema democrático voltaram com força total.”
  • Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas – [George Monbiot] “Crise financeira, desastre ambiental e mesmo a ascensão de Donald Trump – o Neoliberalismo,  a ideologia dominante no ‘Ocidente’ desde os anos 80, desempenhou seu papel em todos eles. Como surgiu e foi adotado pelas elites a ponto de tornar-se invisível e difuso? Por que a Esquerda fracassou até agora em enfrentá-lo?”
  • O Ano em Que o Capitalismo Real Mostrou a Que Veio – [Jerome Roós] “Tudo que nós um dia deveríamos temer sobre o socialismo — desde repressão estatal e vigilância em massa até padrões de vida em queda — aconteceu diante de nossos olhos
  • O Projeto Socialista e a Classe Trabalhadora – [David Zachariah] “As pessoas na Esquerda estão unidas em seu objetivo de uma sociedade em que cada indivíduo encontre meios aproximadamente iguais para o pleno desenvolvimento de suas capacidades diversas. O que distingue os socialistas é o reconhecimento de que a forma específica como a sociedade está organizada para reproduzir a si mesma também reproduz grandes desigualdades sociais nos padrões de vida, emprego, condições de trabalho, saúde, educação, habitação, acesso à cultura, meios de desenvolvimento e frutos do trabalho social, etc.
  • O País Já Não é Meio Socialista? – Não, Socialismo não é só sobre mais governo – é sobre propriedade e controle democráticos.
  • Pelo Menos o Capitalismo é Livre e Democrático, Né? – Pode parecer que é assim, mas Liberdade e Democracia genuínas não são compatíveis com o Capitalismo.
  • O Socialismo Soa Bem na Teoria, Mas a Natureza Humana Não o Torna Impossível de Se Realizar? – “Nossa natureza compartilhada na verdade nos ajuda a construir e definir os valores de uma sociedade mais justa.”
  • Os Ricos Não Merecem Ficar Com a Maior Parte do Seu Dinheiro? – “A riqueza é criada socialmente – a redistribuição apenas permite que mais pessoas aproveitem os frutos do seu trabalho.”
  • Os Socialistas Vão Levar Meus CDs do Calypso? – Socialistas querem um mundo sem Propriedade Privada, não sem Propriedade Pessoal. Você pode guardar seus discos.
  • O Socialismo Não Termina Sempre em Ditadura? – O Socialismo é muitas vezes misturado com autoritarismo. Mas historicamente, Socialistas tem estado entre os defensores mais convictos da Democracia.
  • O Socialismo Não É Só Um Conceito Ocidental? – O Socialismo não é Eurocêntrico por que a lógica do Capital é universal – e a resistência a ela também.
  • E Sobre o Racismo? Os Socialistas Não Se Preocupam Só Com Classe? – Na verdade acreditamos que a luta contra o Racismo é central para desfazer o poder da classe dominante. 
  • O Socialismo e o Feminismo Não Entram Às Vezes Em Conflito? – Em última análise, os objetivos do Feminismo radical e do Socialismo são os mesmos – Justiça e Igualdade para todas as pessoas.
  • Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? – “Sob o Socialismo, nós tomaríamos decisões sobre o uso de recursos democraticamente, levando em consideração necessidades e valores humanos, ao invés da maximização dos lucros.
  • Os Socialistas São Pacifistas? Algumas Guerras Não São Justificadas? – Socialistas querem erradicar a guerra por que ela é brutal e irracional. Mas nós pensamos que existe uma diferença entre a violência dos oprimidos e a dos opressores. 
  • Por Que os Socialistas Falam Tanto em Trabalhadores? – Os trabalhadores estão no coração do sistema capitalista. E é por isso que eles estão no centro da política socialista. 
  • O Socialismo Vai Ser Chato? – “O Socialismo não é sobre induzir uma branda mediocridade. É sobre libertar o potencial criativo de todos.
  • Os Socialistas Querem Tornar Todos Iguais? Querem Acabar Com a Nossa Individualidade?
  • O Marxismo Está Ultrapassado? Ele Só Tinha Algo a Dizer Sobre a Inglaterra do Século XIX, e Olhe Lá?
  • O Marxismo é Uma Ideologia Assassina, Que Só Pode Gerar Miséria? – “O Marxismo é uma ideologia sanguinária e assassina, que só pode gerar miséria compartilhada? Socialismo significa falta de liberdade e uma economia falida?”
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Um pensamento sobre “Bill Gates Não Vai Nos Salvar [E Nem Elon Musk]

  1. Nem sei pra que ter esse trampo traduzindo esses textos para tentar fazer um serviço público para os brasileiros..
    NÓS BRASILEIROS SOMOS UM POVO ESCROTO!! Um povo escroto que vai levar meio século para mudar. E por que o bostileiro é escroto? Nós bostileiros somos escrotos porque adoramos lamber quem está por cima e pisar em quem está por baixo. Parece sadismo de ex-escravo que subiu na vida e virou capitão do mato. Lambe o saco do feitor e maltrata o pobre. O feitor lambe o saco do fazendeiro e maltrata o capitão do mato. E assim vai. Lambendo e sendo subserviente com quem está por cima e maltratando e tratando igual cachorro quem está por baixo. Nós brasileiros também somos escrotos porque nos odiamos. Odiamos o fato de sermos miscigenados e não loiros de olhos claros. Falam por aí que bostileiro é acolhedor com quem vem de fora, hospitaleiro. O caraio! Nós brasileiros somos hospitaleiros e lambemos o saco de loiros de olhos claros de países do norte. Gente de olhos e cabelos pretos de pele escura a gente maltrata e recebe mal. Brasileiro adora pagar pau para gringo de olho claro e de país rico. Bostileiro tem ódio de si mesmo porque é miscigenado. Só ter a pele um pouco mais clara que se declara como branco, mesmo tendo cara de preto misturado com índio. Brasileiro adora lamber o saco rosado de nórdicos. Só chegar um loirinho falando com sotaque que o bostileiro se ajoelha e pede para ser pisado. Bostileiro também é moralista hipócrita. Adora posar de defensor da moral em público enquanto faz coisas do arco da velha entre quatro paredes. Em público fala “Porque esse kit gay quer transformar nossas crianças em depravados seguindo essa ideologia de gênero de satã”, mas só ficar entre quatro paredes que já procura uma transex para fazer um rala e rola. Entre quatro paredes é só “Aii que delíciaaa!!”. Bostileiro também adora aparecer. Quer ter coisas para poder aparecer. Nós brasileiros temos pavor de sermos chamados de jecas. Então o negócio é sempre. Não tem casa própria, mas tá lá se matando para pagar um carro. Porque sabe como é… não quer parecer pobre, jeca… não quer parecer escravo. Tem de mostrar que está no nível do senhor de engenho e não no nível do escravo. Disso para ficar repetindo discurso falso moralista de classe média alta ou arriar as calças para a elite é um pulo.
    Ou seja, nós bostileiros adoramos maltratar quem está em situação de fragilidade social; nos odiamos por sermos miscigenados e não loiros de olhos azuis; nós brasileiros adoramos puxar o saco de quem está numa posição de superioridade social e repetimos os mesmos discursos para não parecermos jecas; somos falsos moralistas, sempre pagando de beatos tementes a Deus enquanto fazemos entre quatro paredes aquilo que condenamos em público; adoramos apontar o dedo para julgar os outros só para mostrarmos que somos santos; bostileiro adora jogar a primeira pedra; bostileiros têm pavor de parecerem jecas, escravos, pobres… quer posar de por cima da carne seca. Ou seja, dane-se o bem público, o que importa é poder mostrar que tem e que é melhor do que os outros. Bostileiro adora ostentar, principalmente o que não tem.
    Bostileiro vai ter de levar mais uns 50 anos de pancada na lomba para aprender o básico sobre igualdade, bem comum e democracia. Até lá, quem puder dar o fora eu recomendo que dê.

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