Rentismo: Um Futuro Automatizado de Abundância Bloqueada Pela Desigualdade

[Na penúltima parte da série sobre possíveis futuros após o fim do Capitalismo, – com o fim do uso de trabalho humano assalariado na produção de mercadorias, extrapolando as tendências atuais de aplicação de tecnologias como Inteligência Artificial, Robótica, Fabricação Aditiva, Nanotecnologia, etc – encaramos uma distopia em que as elites do sistema capitalista atual têm sucesso em manter seus privilégios e poderes, usando patentes e direitos autorais para bloquear e restringir para si o que poderia ser o livre-acesso universal à abundância possibilitada pelas conquistas do conhecimento humano num cenário em que a própria escassez poderia ser deixada para trás.]

por Peter Frase, em “Quatro Futuros: Vida Após o Capitalismo” [“Four Futures: Life After Capitalism]

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[Nota do Minhocário: O texto abaixo é um capítulo do livro Quatro Futuros: Vida Após o Capitalismo’’ ( ‘Four Futures: Life After Capitalism’), de Peter Frase, lançado em 2016. O livro é uma expansão das ideias contidas no artigo original, de 2011, ‘Quatro Futuros’ (para ir direto para a sessão do artigo original correspondente às ideias aqui expandidas: ‘Quatro Futuros: Rentismo, Hierarquia e Abundância’). As ideias são basicamente as mesmas, mas o livro avança e se aprofunda em várias questões que o texto original apenas tocava ou nem mesmo isso. Vale a pena ler ambos. A introdução do livro pode ser lida em ‘Tecnologia e Ecologia como Apocalipse e Utopia’; o capítulo sobre um futuro de Igualdade e Abundância emComunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância‘; o capítulo sobre um futuro de Igualdade e Retrições Materiais emSocialismo Como Futuro Automatizado e Igualitário em Resposta à Crise Ambiental‘; o capítulo sobre uma distopia de Escassez e Desigualdade marcada pela crueldade dos ricos contra os pobres tornados “desnecessários” em ‘Exterminismo: ‘Solução Final’ Num Futuro Automatizado de Desigualdade e EscassezA conclusão do livro pode ser lida em: ‘Vida Após o Capitalismo (Quatro Futuros: Conclusão)’’.]

O romance de 2005 de Charles Stross, ‘Accelerando‘, começa no século XXI, não muito tempo no futuro. [1] O protagonista, Manfred Macx, encontra-se enfrentando os capangas da Associação de Controle de Direitos Autorais da América, uma “máfia” que está na sua cola pela distribuição digital não-autorizada de material protegido por direitos autorais. Enfrentando guardas armados e uma ordem de restrição, ele escapa desse cerco apenas por um esperto contorcionismo jurídico com as leis corporativas, que ele realiza na hora.

A noção de bandidos armados prendendo pessoas por distribuírem dados pela Internet só tem se tornado menos exagerada desde que o romance foi escrito. O caráter hacker, brilhante e idealista de Macx evoca a memória de Aaron Swartz, o ativista e programador que se matou em 2013 aos 26 anos. Swartz estava enfrentando taxas legais incapacitantes, multas maciças e até 35 anos de prisão, tudo por causa do crime de baixar artigos de uma base de dados acadêmica. Ao contrário de Manfred Macx, ele não conseguiu ver uma saída.

O núcleo deste capítulo é sobre propriedade intelectual e as leis que a protegem – como as leis sob as quais Swartz foi processado. Se o capítulo anterior foi sobre a possibilidade utópica de uma sociedade de pura abundância, este capítulo é sobre o que acontece quando essa possibilidade está presente, mas bloqueada por estruturas de classe ossificadas e os poderes do Estado que as defendem. Como veremos, a propriedade intelectual e as rendas que dela fluem são as categorias centrais dessa distopia.

Politica e Possibilidade

Um fracasso característico da maioria das discussões econômicas tradicionais é a sua presunção de que se o trabalho humano na produção se tornar tecnicamente desnecessário ele inevitavelmente desaparecerá. No entanto, o sistema de acumulação de capital e de trabalho assalariado é tanto um dispositivo técnico para produção eficiente quanto um sistema de poder. Ter poder sobre os outros é, para muitas pessoas poderosas, sua própria recompensa. Assim, eles se esforçarão para manter um sistema onde outros os sirvam, mesmo que esse sistema seja, de um ponto de vista puramente produtivo, totalmente supérfluo. Este capítulo, portanto, discute como a elite econômica atual poderia manter seu poder e riqueza em um ambiente de automação total.

“Quem for dono dos robôs”, diz o economista trabalhista da Universidade de Harvard, Richard Freeman, “governará o mundo”. [2] Portanto, a alternativa à sociedade comunista do nosso último capítulo é uma em que as técnicas para produzir abundância são monopolizadas por uma pequena elite. O conceito de propriedade, no entanto, assume uma textura diferente em um mundo altamente automatizado. Quando falamos de “ser dono dos robôs”, não estamos falando apenas sobre o controle de um agrupamento físico de metal e cabos. Em vez disso, a frase descreve metaforicamente o controle sobre coisas como software, algoritmos, planos e outros tipos de informações que são necessárias para produzir e reproduzir o mundo em que vivemos. Para manter o controle sobre a economia, então, os ricos precisam cada vez mais de controlar essa informação, e não apenas objetos físicos.

Tudo isso leva ao sistema descrito neste capítulo, que depende fortemente das leis de propriedade intelectual. Ao contrário da propriedade física, a propriedade intelectual dita não apenas os direitos à posse de objetos físicos, mas também o controle sobre a cópia de padrões. Ela pode assim persistir em um mundo onde, por exemplo, a maioria dos objetos pode ser copiada facilmente e de forma barata em impressoras 3-D. Aqueles que controlam a maioria dos direitos autorais e patentes se tornam a nova classe dominante. Mas esse sistema não é mais o capitalismo, como tradicionalmente o entendemos. [3] Por se basear na extração de rendas e não na acumulação de capital por meio da produção de mercadorias, eu me refiro a ele como “rentismo”.

A Arte da Renda

Eu uso o termo “renda” em um sentido técnico, seguindo a tradição que remonta a economistas clássicos como Ricardo e que foi apropriada por Marx. Originalmente, esse termo referia-se especificamente aos pagamentos para os proprietários de terras, que se distinguiam de outros tipos de pagamentos que poderiam fluir para donos de propriedades. A sacada mais importante é que a própria terra não havia sido produzida por ninguém. As plantações cultivadas na terra, ou a fábrica construída sobre ela podem ser produzidas por pessoas, mas há valor na própria terra que vem como um presente da natureza. Quem puder reivindicar a propriedade dessa terra pode, portanto, exigir pagamento simplesmente por controlar o acesso à propriedade, em vez de fazer qualquer coisa com ela.

A teoria original da “renda da terra” [4] para os senhores de terras foi desenvolvida no contexto de uma sociedade que ainda era dominada pela agricultura. Em uma economia moderna, o conceito de renda deve ser ampliado e tornado mais abstrato. Existem muitas outras maneiras pelas quais a propriedade pode gerar renda sem qualquer ação pelo proprietário. O dono desse tipo de propriedade não é o que tradicionalmente pensamos como um capitalista, mas sim um “rentista” [5], um termo que foi popularizado primeiro para descrever os proprietários de títulos do governo na França do século XIX que conseguiam viver do pagamentos de juros pelo governo; essas pessoas não eram nem trabalhadores nem chefes. Em 1893, no livro “Velha e Nova Paris” [‘Old and New Paris‘], o jornalista inglês Henry Sutherland Edwards comparava o rentista com “o homem de negócios aposentado”. [6]

O rentista no estilo antigo era geralmente retratado como alguém de riqueza modesta. Essa imagem sobrevive hoje na forma do aposentado juntando cupons de desconto, sobrevivendo à base de uma renda fixa – uma figura comumente invocada por aqueles que criticam baixas taxas de juros do governo e dos bancos. Na realidade, no entanto, esse rendimento é em grande parte monopolizado por um pequeno número de pessoas ricas, como fica claro quando se examina toda a gama de ativos rentáveis. Rendas fluem não apenas para propriedades de terras e títulos do governo, mas também para carteiras de ações distribuídas e, cada vez mais, para a propriedade intelectual, à qual retornaremos.

A existência de rendas e rentistas sempre foi um tipo de embaraço para os defensores do capitalismo. Defender a necessidade do chefe que controla os meios de produção é mais fácil, já que os ideólogos podem pelo menos afirmar que eles fazem alguma coisa – seja organizando a produção, inventando produtos, ou simplesmente assumindo riscos econômicos. Mas os rentistas não criam nada, não fabricam nada, não fazem nada; apenas aceitam passivamente as recompensas da propriedade. Assim, historicamente tem havido clamores para taxar por completo as rendas da mera posse de propriedades, em oposição aos lucros que vêm de se fazer alguma coisa com ela.

Existe toda uma tradição intelectual, originária do economista  do século XIX Henry George, que torna esta política central em suas teorias e propostas. Em seu livro Progresso e Pobreza [‘Progress and Poverty’] de 1879, George insistia que “o verdadeiro remédio” para o problema da desigualdade de renda era nada mais, nada menos que “tornar a terra uma propriedade comum”, eliminando assim a maior fonte de rendas que existia em seu tempo. [7] Seus seguidores contemporâneos argumentam de maneira parecida que, uma vez que a terra “não é o produto do trabalho humano, mas … é necessária para toda a produção”, todas as rendas sobre terras de propriedade privada deveriam ser apropriadas através da tributação e utilizadas pelo bem comum. [8]

A existência de rentistas também perturbava o grande economista John Maynard Keynes. Em uma seção famosa de seu tratado “A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda” [‘The General Theory of Employment, Interest and Money’], ele discute a taxa de juros – isto é, o retorno da propriedade de capital – e argumenta que “os juros hoje não recompensam nenhum sacrifício genuíno mais do que a renda da terra “. [9] Os juros, ele pensava, meramente recompensam os proprietários de recursos produtivos escassos. Ele esperava e clamava pela “eutanásia do rentista, do investidor sem função”, o que ele acreditava que seria possível quando a sociedade se tornasse rica o suficiente para que esses recursos não fossem mais escassos. [10]

Escassez e Pobreza

A escassez é fundamental para as questões levantadas neste livro. Sendo o liberal tecnocrático que era, Keynes acreditava que, se o pagamento de juros aos proprietários não pudesse ser justificado pela escassez, então deveria (e iria) desaparecer. Do seu ponto de vista, a única razão para se ter uma economia capitalista de mercado, em primeiro lugar, era para alocar bens escassos em uma circunstância em que não seria possível que todo mundo simplesmente tivesse o quanto quisesse. Se a renda não possui propósito econômico, então, por que deveria existir?

Mas isso negligencia a luta pelo poder que está no coração de uma sociedade baseada na propriedade privada. Do ponto de vista dos proprietários, importa muito pouco se sua riqueza é justificada por algum motivo de teoria econômica ou de bem-estar social. Eles simplesmente querem manter suas propriedades – e, tão importante quanto, querem que essa propriedade mantenha seu valor.

Aqui, alguma divagação sobre a natureza da propriedade se faz apropriada. Antes que possamos entender o que torna valiosa uma porção de propriedade, temos de saber o que a torna propriedade, em primeiro lugar. Para os partidários do capitalismo, frequentemente é conveniente fingir que a propriedade é algum fato que ocorre naturalmente, mas na realidade se trata de uma construção social que precisa ser delineada e garantida pelo poder do Estado. E a própria idéia de que todo o mundo físico e social pode ser dividido em partes discretas, cada uma marcada com o nome de um dono, é parte da infra-estrutura ideológica do capitalismo, que teve de ser minuciosamente construída ao longo de muitos anos.

Este ponto é freqüentemente ilustrado com uma discussão sobre o capitalismo em seu início na Inglaterra e o que é conhecido como o “cercamento dos bens-comuns”. [11] Na época medieval, a terra era freqüentemente tratada como um recurso comum que os residentes locais poderiam usar livremente para fins como cortar feno ou pastoreio de gado. O “cercamento” destas terras refere-se originalmente (e de forma literal) à colocação de cercas em porções dessas terras para impedir o acesso – mas também se refere ao processo pelo qual a terra foi legalmente transformada, de algo a que a comunidade tinha o direito de acesso em propriedade privada sob o controle de grandes proprietários, que ficaram livres para impedir os outros de usá-las.

As lutas sobre bens comuns na terra continuam atualmente. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra [MST] no Brasil, que ajudou a levar o governo esquerdista de Lula ao poder em 2003, construiu sua força ao exigir que as terras privadas não-utilizadas fossem expropriadas de seus proprietários privados e tratadas como um bem comum, de acordo com a estipulação da constituição brasileira de que “a propriedade deve cumprir uma função social”. Além disso, alguns empresários empreendedores já estão tentando “cercar” as terras mesmo para além da Terra. Escrevendo na revista Dissent [“Dissidência”] em 2014, Rachel Riederer relata sobre a Bigelow Aerospace, que solicitou a aprovação do governo estadunidense para “uma ‘zona de não-interferência’ em torno de suas futuras operações lunares”. [12] A superfície da lua pode ainda acabar “cercada”: as nações espaciais do mundo nunca ratificaram o Tratado Lunar de 1979, que teria proibido a propriedade de qualquer parte da superfície lunar.

Na maior parte das vezes, no entanto, a privatização completa das terras hoje é aceita, em sua maioria – pelo menos nos países ricos. O debate sobre como definir o significado e o alcance da propriedade continua de outras formas, especialmente no debate sobre a chamada “propriedade intelectual”.

A própria definição de propriedade intelectual demonstra o quão maleável pode ser o conceito de “propriedade”. Embora seus defensores tendam a falar sobre ela como se fosse amplamente análoga a outros tipos de propriedade, ela na verdade está assentada sobre um princípio bastante diferente. Isso aborrece até alguns economistas “libertarianos” conservadores [13], como Michele Boldrin e David K. Levine. Em seu livro “Contra o Monopólio Intelectual” [“Against Intellectual Monopoly“] e em outras obras, eles observam que os direitos de propriedade intelectual significam algo bem diferente dos direitos de propriedade sobre a terra ou objetos físicos. [14]

O direito à propriedade intelectual não é, em última análise, um direito a uma coisa concreta, mas a um padrão. Ou seja, não apenas protege “seu direito de controlar a sua cópia da sua ideia”, da mesma forma como protegeria o meu direito de controlar meus sapatos ou a minha casa; em vez disso, ela concede a alguém o direito de dizer aos outros como usar cópias de uma idéia que ele “possui”. Como dizem Boldrin e Levine,

“Esse não é um direito normalmente ou automaticamente concedido aos proprietários de outros tipos de propriedade. Se eu produzir uma xícara de café, tenho o direito de escolher se quero vendê-la ou não para você, ou tomá-la eu mesmo. Mas o meu direito de propriedade não é um direito automático para tanto lhe vender a xícara de café quanto lhe dizer como bebê-la” [15].

Esta forma de propriedade não tem nada de nova. Os direitos autorais do escritor fazem parte da lei inglesa desde 1710 e a Constituição dos Estados Unidos delineia explicitamente o direito do governo de “promover o progresso da ciência e das artes úteis, ao garantir por tempos limitados aos autores e inventores o direito exclusivo a seus respectivos escritos e descobertas”. Mas a importância da propriedade intelectual aumentou, e promete continuar aumentando à medida que a produtividade física da economia cresce.

Em um eco da luta sobre o cercamento, há lutas em andamento sobre a expansão da propriedade intelectual para mais e mais áreas. Os designers de moda historicamente não conseguiram proteger sob direitos autorais seus modelos nos Estados Unidos, mas grandes designers e seus aliados legislativos estão pressionando por projetos de lei que lhes permitiriam processar os fabricantes de imitações baratas de seus vestidos e sapatos. Ainda mais sinistro é o movimento para estender a proteção da propriedade intelectual à própria natureza. Na decisão de 2013 para o processo “Bowman v. Monsanto Co.”, a Suprema Corte dos Estados Unidos manteve a condenação de Vernon Bowman, um fazendeiro de Indiana que havia sido declarado culpado pela violação de patentes detidas pela gigante do agronegócio Monsanto. [16] Seu crime foi plantar sementes de uma colheita de soja que continha genes geneticamente modificados “Prontos Para o Roundup” [“Roundup Ready“], que as tornavam resistentes ao herbicida. A decisão confirmou a capacidade da Monsanto de forçar os agricultores a comprar novas sementes todos os anos, em vez de usar as sementes das colheitas do ano anterior. [17]

Em outros casos também, os direitos de propriedade de objetos físicos estão sendo transformados por causa das reivindicações imateriais de propriedade intelectual associadas a eles. Até que os legisladores emitissem uma isenção em 2010, as disposições do Digital Millennium Copyright Act [18] aparentemente tornavam ilegal que os proprietários do iPhone da Apple fizessem o “jailbreak” do dispositivo para instalar novos softwares nele. Um litígio semelhante girava em torno do direito dos proprietários de modificar o software que funciona em carros modernos e outros veículos. A Companhia John Deere, por exemplo, defendia para funcionários do governo que seria ilegal que os agricultores fizessem modificações ou reparos no software que opera seus tratores. Isto se daria porque, dizem eles, ninguém realmente possui seu trator – eles simplesmente têm “uma licença implícita … para operar o veículo”. Assim, a forma da propriedade passa por uma mutação, de modo que mesmo algo tão tangível quanto um trator se torna não uma propriedade física de seu comprador, mas apenas um padrão a ser licenciado por um tempo limitado.

Tudo isso significa que a propriedade intelectual está se tornando um componente cada vez mais importante das propriedades detidas pela classe capitalista. Quando falamos sobre o “1%” global e sua riqueza, não estamos falando apenas sobre possuir terras, fábricas ou a piscina de moedas de ouro do Tio Patinhas. Estamos falando de ações e títulos de dívida cujo valor, em muitos casos, está fundamentado por formas imateriais e intelectuais de propriedade.

Em um relatório de 2013 divulgado pelo Instituto Europeu de Patentes, “indústrias intensivas em direitos {de propriedade intelectual} representavam 39% do Produto Interno Bruto Europeu e enormes 90% das exportações. [19] Do mesmo modo, o Departamento de Comércio dos EUA estima que as indústrias intensivas em propriedade intelectual representam 35% do PIB dos EUA, um número que só continuará aumentando. [20] Isso inclui, obviamente, negócios dependentes de propriedade intelectual, como os setores farmacêutico e de entretenimento, bem como coisas como fabricação de vestuário, onde o valor de um logo da Nike pode facilmente eclipsar o do calçado físico em que ele está costurado. Mesmo aquele que aparentemente seria o mais material dos comércios, o negócio do petróleo, em alguns casos pode ser visto como “intensivo em propriedade intelectual”, devido ao grande número de patentes detidas por empresas como a Shell.

Também não tem passado despercebida a importância da propriedade intelectual para o aparelho repressivo do Estado. Em um artigo de 2010 na revista Foreign Affairs [“Relações Exteriores”], o Subsecretário de Defesa dos Estados Unidos, William Lynn, discutiu a “ciber-estratégia” dos militares explicitamente em termos do valor da propriedade intelectual para as corporações estadunidenses. [21] Ele previu que embora “a ameaça à propriedade intelectual seja menos dramática do que a ameaça à infra-estrutura nacional crítica, ela pode ser a ameaça cibernética mais significativa que os Estados Unidos enfrentarão no longo prazo”, e advertiu que “as perdas contínuas em propriedade intelectual poderiam corroer tanto a eficácia militar dos Estados Unidos quanto sua competitividade na economia global “. [22]

Vale a pena parar para contemplar a que Lynn está se referindo quando fala sobre “perdas” de propriedade intelectual. O Google, ele relata, “revelou que perdeu propriedade intelectual como resultado de uma operação sofisticada perpetrada contra sua infra-estrutura corporativa”. [23] Em outras palavras, alguém acessou sua rede de computadores e copiou algo que ele ou ela não tinha direito de copiar . Mas, presumivelmente, o Google ainda tinha as informações; é improvável que os hackers tenham as excluído dos servidores e que nenhum backup tenha sido preservado. Descrever isso como uma “perda” é uma apropriação da mesma palavra que seria aplicada à propriedade física – mas esta é, na melhor das hipóteses, uma extensão metafórica. Na realidade, está se falando da cópia não-autorizada de padrões, e a única coisa sendo perdida é a potencial receita corporativa futura.

Obscurecer essa distinção é uma jogada comum de maximalistas da propriedade intelectual, e isso pode ter terríveis conseqüências humanas. Vernon Bowman, o agricultor de Indiana que perdeu seu caso contra a Monsanto, enfrenta US$ 85.000 em danos. Aqueles perseguidos pelo download não-autorizado de música têm enfrentado multas incapacitantes para toda a vida, como os US$ 220.000 cobrados contra Jammie Thomas-Rasset, empregado da Mille Lacs Band of Ojibwe,  por compartilhar vinte e quatro músicas. E, claro, há Swartz, martirizado por um promotor carreirista e um sistema de propriedade intelectual fora de controle.

Anti–Star Trek

Como vimos nos capítulos anteriores, Star Trek fornece uma fábula de uma sociedade igualitária e pós-escassez. Mas como ela se pareceria tirando o igualitarismo? Em outras palavras, dada a abundância material possibilitada pelo replicador [24], como seria possível manter um sistema baseado em dinheiro, lucro e poder de classe?

Economistas gostam de dizer que as economias capitalistas de mercado funcionam otimamente quando são usadas para alocar bens escassos. Então, como manter o capitalismo em um mundo onde a escassez pode ser amplamente superada? Isso requer uma espécie de antítese do universo de Star Trek, que pegue as mesmas pré-condições técnicas e as projete em um conjunto diferente de relações sociais.

Conforme mencionado acima, a propriedade intelectual difere de outras propriedades, porque ela concede direitos não apenas sobre objetos concretos, mas sobre padrões e sobre todas as cópias e usos desses padrões – e toda a infra-estrutura de Star Trek se baseia em padrões que alimentam o replicador e que são utilizados como base para a fabricação de um objeto físico, assim como uma planta fornece as diretrizes para a construção de uma casa.

Esse é o tipo de lei de propriedade intelectual que fornece uma base econômica para o anti-Star Trek: a capacidade de dizer aos outros como usar cópias de uma idéia ou padrão que você “possui”. Então imagine que, ao contrário de em Star Trek, nós não teríamos acesso completo aos nossos próprios replicadores; e que, para obter acesso a um replicador, você teria de comprar um de uma empresa que te licenciaria o direito de usá-lo. Você não conseguiria que alguém te desse um replicador ou que te fizesse um com seu próprio replicador [25], porque isso violaria sua licença e os colocaria em problemas com a lei. Além disso, toda vez que fizer algo com o replicador, você também precisaria pagar uma taxa de licenciamento para quem possuísse os direitos sobre essa coisa específica. O capitão Jean-Luc Picard tem o costume de caminhar até o replicador e pedir “chá, Earl Grey, quente”. Mas sua contraparte no universo do anti-Star Trek teria que pagar a empresa que registrou direitos autorais do padrão de replicador para “chá, Earl Grey, quente”. (Presumivelmente, alguma outra empresa possuiria os direitos sobre o chá frio).

Algo um tanto parecido com o mundo anti-Star Trek é retratado na série de quadrinhos de Warner Ellis da virada do milênio, Transmetropolitan. A história está centrada em torno do amargo jornalista Spider Jerusalem, enquanto ele cruza um mundo sombrio, violento e hedonista, em algum momento indeterminado no futuro. Spider tem um “fabricador” [26], que parece ser algo como um replicador, embora um pouco mais estranho e mais imprevisível. E, além de matérias-primas, Spider precisa aguardar por uma nova temporada de “códigos de fabricador” [27] para replicar coisas novas.

O modelo anti-Star Trek resolve o problema de como manter empresas capitalistas com fins lucrativos, pelo menos na superfície. Qualquer pessoa que tente prover suas necessidades à partir de seu replicador sem pagar os cartéis de direitos autorais se tornaria um fora-da-lei, um Aaron Swartz, um Jammie Thomas-Rasset. Mas se todo mundo está constantemente sendo obrigado a pagar dinheiro em taxas de licenciamento, então eles precisam de algum meio de ganhar dinheiro, e isso traz um novo problema. Com os replicadores por aí, não há necessidade de trabalho humano em qualquer tipo de produção física. Então, que tipo de empregos existiriam nessa economia? Aqui estão algumas possibilidades.

Haverá a necessidade de uma “classe criativa” de pessoas para inventar novas coisas para se replicar, ou novas variações de coisas antigas, que poderiam então ser protegidas por direitos autorais e usadas como base para futuras receitas de licenciamento. Mas isso nunca vai ser uma fonte muito grande de empregos, porque o trabalho necessário para criar um padrão que pode ser replicado infinitamente é ordens de magnitude inferior ao trabalho exigido em um processo de produção física em que o mesmo objeto é reproduzido infinitamente. Além disso, é muito difícil ganhar dinheiro em campos criativos, mesmo agora. Tanta gente quer fazer esse trabalho que vão acabar aceitando ofertas mais baixas até levar os salários uns dos outros ao nível de subsistência. E muitas pessoas vão criar e inovar por conta própria, sem serem pagas por isso. Os capitalistas do anti-Star Trek provavelmente achariam mais econômico escolher entre as fileiras de criadores não-remunerados, encontrar novas idéias que pareçam promissoras e depois comprar os criadores e transformar a idéia em propriedade intelectual da empresa.

Em um mundo em que a economia se baseia em propriedade intelectual, as empresas estarão constantemente processando umas às outras por alegadas infrações de direitos autorais e de patentes, por isso haverá necessidade de muitos advogados. Isso proporcionará emprego para uma fração significativa da população, mas, novamente, é difícil ver isso sendo suficiente para sustentar uma economia inteira, particularmente por causa de um tema que vimos no capítulo introdutório: quase tudo pode, em princípio, ser automatizado. Watson, o programa de computador da IBM que joga Jeopardy, já está automatizando o trabalho do pessoal nos níveis mais baixos de escritórios de advocacia. E é fácil imaginar grandes empresas de propriedade intelectual bolando procedimentos para abrir processos judiciais em massa, que dependam de cada vez menos advogados humanos, assim como hoje existem sistemas que detectam músicas protegidas por direitos autorais em vídeos online e que enviam automaticamente pedidos de remoção. Por outro lado, talvez acabe surgindo um equilíbrio onde cada indivíduo precisará manter pagamentos contínuos para algum advogado estar disponível quando necessário, porque ninguém poderia pagar pelo custo do software de advogado-automático, mas ainda precisariam lutar contra ações judiciais de empresas tentando conquistar grandes indenizações por supostas violações.

À medida que o tempo passa, a lista de coisas possíveis de se replicar só vai crescer, mas o dinheiro das pessoas para comprar licenças – e seu tempo para apreciar as coisas que elas repliquem – não crescerão rápido o suficiente para acompanhar. Assim, o marketing se tornará mais importante, porque a maior ameaça aos lucros de uma determinada empresa não será o custo do trabalho ou das matérias-primas – elas não precisarão de muito (ou mesmo de um pouco) de qualquer um desses – mas sim a perspectiva de que as licenças que elas possuem percam em popularidade para as dos seus concorrentes. Por isso, haverá uma competição feroz e interminável para vender as propriedades intelectuais de uma empresa como superiores às da concorrência: Coca sobre a Pepsi, Ford sobre a Toyota e assim por diante. Isso deve manter um pequeno exército empregado em publicidade e marketing. Mas, mais uma vez, há o espectro da automação: os avanços na mineração de dados, na aprendizagem de máquinas e na inteligência artificial podem diminuir a quantidade de mão-de-obra humana necessária mesmo nesses campos. [28]

Finalmente, qualquer sociedade como essa que descrevi – que esteja fundamentada na manutenção de grandes desigualdades de riqueza e poder, mesmo quando elas tenham se tornado economicamente supérfluas -, exigirá uma grande quantidade de trabalho para evitar que os pobres e os desprovidos de poder tomem de volta uma parte dos ricos e poderosos. Os economistas Samuel Bowles e Arjun Jayadev chamam esse tipo de mão-de-obra de “Mão-de-Obra de Guarda” e a definem como “os esforços do pessoal de monitoramento, guardas e militares… dirigidos não para a produção, mas para fazer cumprir as reivindicações decorrentes de trocas e a busca ou a prevenção de transferências unilaterais de propriedade.” [29] Incli seguranças privados, policiais, militares, funcionários de prisões e de tribunais, e produtores de armas. Estima-se que cerca de 5,2 milhões de guardas trabalhavam nos Estados Unidos em 2011. [30]

Estas seriam as principais fontes de emprego no mundo do anti-Star Trek: criadores, advogados, publicitários/marketing e seguranças. Parece pouco plausível, no entanto, que isso seria o suficiente – essa sociedade provavelmente estará sujeita a uma tendência persistente na direção do subemprego – especialmente se todos os setores, exceto o primeiro (e mesmo isso ainda é discutível) estarão sujeitos a pressões na direção de inovações tecnológicas de economia de mão-de-obra. Mesmo funções gerenciais de alto nível podem ser parcialmente automatizadas: em 2014, um fundo de capital de risco de Hong Kong chamado “Conhecimento Profundo” [“Deep Knowledge“] apontou para seu conselho um algoritmo [31], um programa chamado VITAL, onde possui um voto em todos os investimentos. [32]

E talvez até a “criatividade” não seja um talento exclusivamente humano (se reduzimos essa palavra à criação de padrões para o replicador). Em um artigo apresentado a uma conferência de 2014 da Associação de Máquinas de Computação [“Association of Computing Machinery“], um grupo de pesquisadores médicos apresentou um método para gerar automaticamente hipóteses plausíveis para que os cientistas possam testar, usando técnicas de mineração de dados. [33] Essas abordagens poderiam eventualmente ser aplicadas a outros processos formulaicos e iterativos, como a criação de músicas pop [ver nota 28] ou jogos de celular.

Além disso, há também outra maneira das empresas privadas evitarem empregar trabalhadores para algumas dessas tarefas: transformá-las em atividades que as pessoas acharão prazerosas e, assim, farão de graça no seu tempo livre. O cientista da computação Luis von Ahn se especializou no desenvolvimento de tais “jogos com um propósito[34]: aplicações que se apresentam aos usuários finais como diversões aprazíveis, mas que também realizam uma tarefa computacional útil, o que von Ahn chama de “Computação Humana”. [35]

Um dos primeiros jogos de Von Ahn pedia aos usuários que identificassem objetos em fotos, e os dados eram retornados para um banco de dados que era usado para pesquisar imagens, uma tecnologia mais tarde licenciada pelo Google para melhorar sua busca de imagens. Mais tarde, ele fundou a Duolingo, uma empresa que oferece exercícios gratuitos de treinamento de idiomas, e que ganha dinheiro convidando seus usuários para praticar suas habilidades linguísticas traduzindo documentos para empresas que pagaram por este serviço. Talvez essa linha de pesquisa possa levar a algo como o romance “Ender’s Game” [“O Jogo do Exterminador”], de Orson Scott Card, na qual crianças lutam remotamente uma guerra interestelar através do que elas pensam serem videogames; de fato, a infra-estrutura para tal coisa já existe, sob a forma de drones bombardeiros operados remotamente. [36] Mas esse cenário é mais apropriadamente revisitado no capítulo sobre o Exterminismo. [37]

Por todas estas razões, parece que o principal problema confrontando a sociedade anti-Star Trek é o problema da demanda efetiva: isto é, como garantir que as pessoas possam ganhar dinheiro suficiente para poder pagar as taxas de licenciamento das quais o lucro privado dependeria. É claro, isso não é tão diferente do problema que confrontava o capitalismo industrial, mas isso torna-se mais severo conforme o trabalho humano é cada vez mais espremido para fora do sistema, e os seres humanos tornam-se supérfluos como elementos de produção, mesmo que permaneçam necessários como consumidores.

No fim das contas, até mesmo o auto-interesse capitalista exigirá uma redistribuição da riqueza para baixo, a fim de dar suporte à demanda. A sociedade atinge um estado em que, como o socialista francês André Gorz colocou em seu livro de 1999, “Miséria do Presente, Riqueza do Possível”, “a distribuição dos meios de pagamento deve corresponder ao volume de riqueza socialmente produzida e não ao volume do trabalho realizado. ” [38] Ou, para traduzir do intelectualês-francês para o português: você merece um padrão de vida decente porque você é um ser humano e somos uma sociedade rica o suficiente para fornecê-lo, não por qualquer trabalho específico que você tenha feito para merecer isso. Então, na teoria, esta é uma possível trajetória de longo prazo de um mundo baseado em rendas de propriedade intelectual e não na produção de mercadorias físicas usando trabalho humano. Gorz está falando sobre algo como a renda básica universal [39], que foi discutida no último capítulo – o que significa que uma trajetória de longo prazo do Rentismo é se transformar em Comunismo.

Mas aqui a classe dos rentistas-capitalistas enfrentará um problema de ação coletiva. Em princípio, seria possível sustentar o sistema tributando os lucros das empresas rentáveis e redistribuindo o dinheiro de volta aos consumidores – possivelmente como renda básica universal, mas também possivelmente em troca da realização de algum tipo de trabalho sem sentido [e criado apenas para manter as pessoas ocupadas]. Mas, mesmo que a redistribuição seja desejável do ponto de vista da classe como um todo, qualquer empresa ou pessoa rica individual estará tentada a surfar livremente nos pagamentos dos outros e, portanto, a resistir aos esforços para impor um imposto redistributivo. Claro, o governo também poderia simplesmente imprimir dinheiro para dar à classe trabalhadora, mas a inflação resultante seria apenas uma forma indireta de redistribuição e também encararia resistência. Finalmente, existe a opção de financiar o consumo através do endividamento dos consumidores – mas isso simplesmente atrasa a crise de demanda em vez de resolvê-la, como todos sabemos bem demais. [40]

Tudo isso prepara o cenário para uma estagnação contínua e crises econômicas periódicas no mundo do anti-Star Trek. E aí, é claro, existem as massas. Será que o poder da ideologia seria forte o suficiente para induzir as pessoas a aceitar o estado de coisas que descrevi? Ou será que as pessoas começariam a se perguntar sobre porque a riqueza do conhecimento e da cultura estariam sendo enclausuradas por trás de leis restritivas, quando “outro mundo é possível” para além do regime de escassez artificial?

Tradução: Everton Lourenço


Notas

[1] Charles Stross, ‘Accelerando’, New York: Penguin Group, 2005.

[2] Richard B. Freeman, “Quem For Dono dos Robôs Governará o Mundo” – “Who Owns the Robots Rules the World,” WoL.IZA.org, 2015.

[3] para entender a definição tradicional de capitalismo aqui utilizada, ver “Uma Definição de Capitalismo” de E.K. Hunt e Mark Lautzenheiser; “Capitalismo: Uma Introdução”, do coletivo LibCom, e “Por que Socialismo?”, de Albert Einstein. Para uma resposta a algumas visões alternativas segundo as quais o Capitalismo sempre ou nunca existiu, ver “O capitalismo sempre/nunca existiu?” [o texto está incluído como uma nota ao “Uma Definição de Capitalismo”]  Para mais detalhes sobre as contradições do sistema capitalista, ver os textos nas diferentes sessões de “Sobre Capitalismo – O que é? Quais são suas características, problemas e limites?” [N.M.]

[4] no original, “land-rent” [N.M.]

[5] no original, “rentier”, como muitas vezes também aparece. [N.M.]

[6] Henry Sutherland Edwards, “Velha e Nova Paris: Sua História, Seu Povo, Seus Lugares, vol. 1” [“Old and New Paris: Its History, Its People, and Its Places, vol. 1”], London: Cassell and Company, 1893.

[7] Henry George, “Progresso e Pobreza” [“Progress and Poverty”], HenryGeorge.org, 1879.

[8] “Conselho de Organizações Georgistas” [‘Council of Georgist Organizations’], Introdução à Filosofia e Atividade Georgista [“Introduction to Georgist Philosophy and Activity,”] CGOCouncil.org.

[9] John Maynard Keynes, “capítulo 24 – Notas Finais Sobre a Filosofia Social a que Poderia Levar a Teoria Geral”  em “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, 1936.

[10] Ibid.

[11] no original, “enclosure of the commons.” [N.M.]

[12] Rachel Riederer, “De Quem é a Lua, Afinal?” [“Whose Moon Is It Anyway?”], revista Dissent 61: 4, 2014, p. 6. [Neste caso vale a pena também a leitura de “O Lamentável Declínio das Utopias Espaciais”, de Brianna Rennix, que também toca nesse tema – N.M.]

[13] no original, “libertarian” – No caso, “libertarianismo” (ou “libertarismo”) de Direita. Assim como em “liberais”, ou “libertários” (como muitos deles preferem ser chamados no Brasil), neste blog tento sempre usar estes termos entre aspas quando me refiro às suas versões de Direita, por não entender que o que eles defendem represente realmente “Liberdade” para a maioria das pessoas, e para manter clara a separação entre essas linhas reacionárias e as filosofias e movimentos libertários de Esquerda. Nos EUA, como se sabe, em geral o termo “liberal” está mais relacionado com a ideia de “progressistas” (principalmente nos discursos conservadores/reacionários), mas na revista Jacobin em geral o termo é mais usado para se referir à elite “progressista” na mídia, em universidades e no Partido Democrata, formada em geral por defensores da ordem Capitalista (e muitas vezes até mesmo de sua versão neoliberal e de outras posições reacionárias, como no caso de gente como Obama ou os Clinton) mas ainda se mantendo, em geral, pelo menos relativamente, mais à Esquerda (ou sendo mais “progressista”) do que o Partido Republicano, pelo menos nos costumes, na defesa de minorias, etc. No Brasil, na maioria das vezes, o termo “liberal” tem sido usado mais no mesmo sentido que “libertário” ou, como neste texto, em “libertariano”. Para evitar confusão com o caso brasileiro, resolvi traduzir todas as ocorrências de “liberalism” para “progressismo” e “liberal” para “progressista” – mas isso gera outra confusão possível, visto que no Brasil quando falamos em progressismo me parece que em geral estamos falando em posições mais à Esquerda do que seria o “liberal” ao qual a revista Jacobin se refere. Assim, resolvi usar aspas também em “progressistas” e “progressismo” quando se referem ao conceito de “liberal” usado pela revista, para tentar marcar essa diferença. Mas na parte que falava sobre como “libertarianos” muitas vezes se veem como “verdadeiros liberais”, como uma continuação dos liberais clássicos preferi não traduzir para “progressistas” e por isso o trecho perdeu a ambiguidade original – que não se verificaria em português brasileiro, de qualquer maneira. [N.M.]

[14] Michele Boldrin e David K. Levine, “Contra o Monopólio Intelectual” [“Against Intellectual Monopoly”], Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2008.

[15] Michele Boldrin e David K. Levine, “” [“Property Rights and Intellectual Monopoly”] DKLevine.com.

[16] Bowman v. Monsanto Co., 133 S. Ct., No. 11–796 (2013).

[17] Ênfase no irracionalidade produtiva e econômica do sistema como um todo, em nome do lucro e da multiplicação do capital de uma empresa que já detém muito mais poder do que a maioria dos governos nacionais. [N.M.]

[18] uma lei estadunidense sobre direitos autorais. [N.M.]

[19] Instituto Europeu de Patentes [“European Patent Office”], “Indústrias Intensivas em Propriedade Intelectual: Contribuição à Performance Econômica e Emprego na União Europeia” [“IPR-Intensive Industries: Contribution to Economic Performance and Employment in the European Union”], EPO.org, Setembro de 2013.

[20] Mark Doms et al., “Propriedade Intelectual e a Economia Estadunidense: Indústrias em Foco” [“Intellectual Property and the U.S. Economy: Industries in Focus”], USPTO.gov, April 2012.

[21] William J. Lynn III, “Defendendo um Novo Domínio: A Cyber-estratégia do Pentágono” [“Defending a New Domain: The Pentagon’s Cyberstrategy”], Foreign Affairs, Setembro/Outubro 2010.

[22] Ibid.

[23] Ibid.

[24] Como mostrado no capítulo sobre “Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância”, “A economia e a sociedade desse programa [Star Trek] baseiam-se em dois elementos técnicos fundamentais. Uma é a tecnologia do “replicador”, que é capaz de materializar qualquer objeto do nada, com apenas o pressionar de um botão. O outro é uma fonte de energia vagamente descrita, aparentemente infinita (ou quase infinita), que alimenta os replicadores, bem como tudo mais no programa.” Podemos pensar no replicador como um tipo de impressora 3D baseada em nanotecnologia ou mesmo em um conjunto de sistemas que possibilitem a fabricação de qualquer item de consumo (ou pelo menos da maior parte deles) sem a necessidade de fábricas ou de trabalho assalariado, para cumprir a premissa básica para os Quatro Futuros analisados no livro. [N.M.]

[25] A ideia de uma máquina capaz de replicar todas as peças necessárias para montar um novo exemplar de si mesmo está contida no projeto de vários modelos de impressoras 3D atuais. Para mais detalhes sobre impressoras 3D e suas possibilidades, ver “Todo Poder Aos Espaços de Fazedores”, de Guy Rundle. [N.M.]

[26] no original, “maker” – se alguém souber o termo usado nos quadrinhos e puder recomendar, agradeço e corrijo. [N.M.]

[27] no original, “maker codes”. [N.M.]

[28] Para ficar em poucos exemplos de projetos de trabalho criativo sendo desenvolvidos por redes neurais, temos o caso da rede treinada para gerar quadros no estilo de Rembrandt, ou para gerar quadros que possam parecer pertencer a novos estilos; das redes treinadas para criar músicas em estilos específicos: de Bach, dos Beatles e de Gershwin. [N.M.]

[29] Samuel Bowles e Arjun Jayadev, “Mão de Obra de Guarda” [“Guard Labor”], Journal of Development Economics 79: 2, 2006, p. 335.

[30] Samuel Bowles e Arjun Jayadev, “Uma Nação Sob Guarda” [“One Nation Under Guard”], New York Times, Fevereiro, 2014.

[31] Rob Wile, “Um Fundo de Capital de Risco Nomeou um Algoritmo Para Sua Mesa Diretora – Veja O Que Ele Realmente Faz” [“A Venture Capital Firm Just Named an Algorithm to Its Board of Directors —Here’s What It Actually Does.”] BusinessInsider.com, Maio, 2014.

[32] considerando que decisões gerenciais muitas vezes estão baseadas na identificação de padrões de situações usando os dados da empresa, no estabelecimento de metas e na tomada de decisões, é de se imaginar que em pouco tempo sistemas como esse estarão apresentando desempenhos superiores à média dos gerentes humanos. [N.M.]

[33] Scott Spangler et al., “Geração Automatizada de Hipóteses Baseada em Mineração de Literatura Científica” [“Automated Hypothesis Generation Based on Mining Scientific Literature”], em “Proceedings of the 20th ACM SIGKDD International Conference on Knowledge Discovery and Data Mining”, New York: Association of Computing Machinery, 2014.

[34] no original, “games with a purpose”. [N.M.]

[35] Edith Law e Luis von Ahn, “Computação Humana” [“Human Computation”], San Rafael, CA: Morgan & Claypool, 2011.

[36] Orson Scott Card, “O Jogo do Exterminador” [“Ender’s Game”], New York: Tor Books, 1985.

[37] O capítulo do livro será publicado em breve aqui no Minhocário. A sessão do artigo original que trata do futuro Exterminista pode ser acessada aqui. [N.M.]

[38] André Gorz , “Miséria do Presente, Riqueza do Possível” [“Reclaiming Work: Beyond the Wage-Based Society”], trans. Chris Turner, Cambridge, UK: Polity Press, 1999, p. 90.

[39] Alguns textos que tocam nessa questão: Renda Básica e o Futuro do Trabalho, de David Raventós e Julie Wark; Rumo a Uma Sociedade Pós-Trabalho’, de David Frayne; ‘O Socialismo Vai Ser Chato?’ de Danny Katch; ‘A Gente Trabalha Demais, Mas Não Precisa Ser Assim’, Políticas Para Se ‘Arranjar Uma Vida’ e Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância de Peter Frase. [N.M.]

[40] o autor faz referência às bolhas de consumo vividas principalmente pela população estadunidense, que tem assistido sua economia crescer em surtos puxada pelo endividamento, num cenário de salários travados e de déficits quase constantes, desde a virada para o Neoliberalismo – ver “Desabamento Contínuo: Neoliberalismo Como Estágio da Crise Capitalista, Rendição Social-Democrata, Revolta Popular Recente e as Aberturas à Esquerda”, de Robert Brenner. [N.M.]



Leituras Relacionadas

  • Quatro Futuros – [Peter Frase] Uma coisa de que podemos ter certeza é que o Capitalismo vai acabar; a questão, então, é o que virá depois.
  • Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia – [Peter Frase] “Muito se tem falado sobre os impactos da Crise Climática e de novas tecnologias de Automação de postos de trabalho para o nosso futuro em comum. Como as relações de propriedade e produção capitalistas e a Política, especificamente a Luta de Classes, se encaixam neste quadro? Será que a possibilidade de automação quase generalizada seria o bastante para garantir que ela ocorrerá? Qual seria o impacto dela sobre as condições de vida das pessoas? Com base nesses elementos, que tipo de cenários podemos esperar à partir do fim do Capitalismo?”
  • Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância – [Peter Frase] “Um mundo em que a tecnologia tenha superado ou reduzido a um mínimo (e de forma sustentável) a necessidade de trabalho humano; em que esse potencial seja compartilhado com todos, eliminando a exploração e a alienação das relações de trabalho assalariado; onde as hierarquias derivadas do Capital tenham sido suplantadas por um modelo mais igualitário, agora capaz não só de sanar as necessidades de todos, mas de permitir o livre desenvolvimento de cada um, parece para muitos como um sonho de utopia inalcançável e ingênuo, onde não existiriam quaisquer conflitos ou hierarquias. Será mesmo?
  • Socialismo Como Futuro Automatizado e Igualitário em Resposta à Crise Ambiental – [Peter Frase] Se os avanços tecnológicos da Quarta Revolução Industrial (em campos como Inteligência Artificial, Robótica avançada, fabricação aditiva, etc) forem o suficiente para automatizarmos a maior parte dos empregos, reduzindo a um mínimo a necessidade de trabalho humano, a produção de mercadorias através de trabalho assalariado estará superada – e, portanto, também o capitalismo. Se isso for alcançado em uma sociedade mais igualitária, democrática, sustentável e racional, ainda assim é possível que teremos de nos organizar para lidar com o estrago deixado no planeta pelo sistema capitalista, planejando, executando e administrando  projetos gigantescos de reconstrução, geo-engenharia e racionamento de recursos limitados. Em outras palavras, provavelmente ainda precisaremos de algum tipo de Estado.
  • Exterminismo: ‘Solução Final’ Num Futuro Automatizado de Desigualdade e Escassez – [Peter Frase] A cada semana somos bombardeados por notícias sobre avanços tecnológicos assombrosos, que prometem diminuir, e muito, a necessidade de trabalho humano nas mais diversas atividades. De fato, podemos imaginar que em algum momento no futuro teremos a necessidade de muito pouco trabalho humano na produção de mercadorias. Mas e se chegarmos nesse ponto ainda divididos entre podres de ricos e “a ralé”? E se os recursos naturais de energia e de matérias-primas não forem o bastante para garantir uma vida luxuriante para todos? E se, do ponto de vista dos abastados, os ex-trabalhadores passarem a representar apenas um “peso inútil”, ou até mesmo, um risco “desnecessário”? No último capítulo sobre possíveis futuros automatizados com o fim do Capitalismo, somos confrontados por uma distopia de desigualdade e crueldade cujas raízes já podemos notar em muitas tendências atuais.
  • Inovação Vermelha [Tony Smith] – “Longe de sufocar a inovação, uma sociedade Socialista colocaria o progresso tecnológico a serviço das pessoas comuns.”
  • Bill Gates Não Vai Nos Salvar [E Nem Elon Musk] – [Ben Tarnoff] Quando se trata de tecnologia verde, apenas o Estado pode fazer o que o Vale do Silício não pode.
  • Bill Gates, Socialista? [Leigh Phillips] – “Bill Gates está certo: o setor privado está sufocando a inovação em energias limpas. Mas esse não é o único lugar em que o Capitalismo está nos limitando.
  • O Lamentável Declínio das Utopias Espaciais [Brianna Rennix] – “Narrativas ficcionais são um fator enorme moldando nossas expectativas do que é possível. Infelizmente, utopias estão atualmente fora de moda, como a tediosa proliferação de ficção distópica e filmes de desastre parece indicar. Por que só “libertarianos” fantasiam sobre o espaço hoje em dia?”
  • Lingirie Egípcia e o Futuro Robô [Peter Frase] – O pânico sobre automação erra o alvo – o verdadeiro problema é que os próprios trabalhadores são tratados feito máquinas.”
  • Planejando o Bom Antropoceno – [Leigh Phillips e Michal Rozworski] O mercado está nos levando cegamente a uma calamidade climática – o planejamento democrático é uma saída.
  • Os Ricos Não Merecem Ficar Com a Maior Parte do Seu Dinheiro?“A riqueza é criada socialmente – a redistribuição apenas permite que mais pessoas aproveitem os frutos do seu trabalho.”
  • Contando Com os Bilionários [Japhy Wilson] – Filantropo-capitalistas como George Soros querem que acreditemos que eles podem remediar a miséria econômica que eles mesmos criam.
  • A Sociedade do Smartphone [Nicole M. Aschoff] – “Assim como o automóvel definiu o Século XX, o Smartphone está reformulando como nós vivemos e trabalhamos hoje em dia.”
  • Todo Poder aos “Espaços de Fazedores” [Guy Rundle] – “A impressão 3-D em sua forma atual pode ser um retorno às obrigações enfadonhas do movimento “pequeno é belo”, mas tem o potencial para fazer muito mais.
  • A Revolução Cybersyn [Eden Medina] – Cinco lições de um projeto de computação socialista no Chile de Salvador Allende.
  • Bill Gates e os 4 Bilhões na Pobreza [Michael Roberts] – “A pobreza global está caindo ou crescendo? Sabe-se que a desigualdade global vem aumentando rapidamente nas últimas décadas, mas muitos defensores do capitalismo se apressam para nos afirmar que, apesar disso, nunca estivemos melhor. Será mesmo?
  • Uma Economia Para os 99%relatório da Oxfam apresentando dados sobre a situação atual das desigualdades sociais; os mecanismos que as vêm reproduzindo e aprofundando mundo à fora; sobre como isso destrói qualquer possibilidade de democracia; e sobre possíveis medidas para superar esta situação;
  • Pikettyismos [Ladislau Dowbor] – “O livro de Thomas Piketty [documentando toda a trajetória da desigualdade no mundo desenvolvido desde o século XIX e provando que ela vem crescendo rapidamente nas últimas décadas, desde a virada para o Neoliberalismo] está nos fazendo refletir, não só na esquerda, mas em todo o espectro político. Cada um, naturalmente, digere os argumentos, e em particular a arquitetura teórica do volume, à sua maneira.”
  • ABCs do Socialismo
  • Por Que Socialismo? Albert Einstein explica, de maneira clara e objetiva, os problemas fundamentais que enxerga na sociedade capitalista e porque uma sociedade socialista poderia ser o caminho para superá-los.
  • Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia [Seth Ackerman, John Quiggin, Tyler Zimmer, Jeff Moniker, Matthijs Krul, HumanaEsfera] – “O socialismo promete a emancipação humana, com o alargamento da democracia e da racionalidade para a produção e distribuição de bens e serviços e o uso da tecnologia acumulada pela humanidade para a redução a um mínimo do trabalho necessário por cada pessoa, liberando seu tempo para o seu livre desenvolvimento. Como organizar uma economia socialista para realizar essas promessas?”
  • Votando Sob o Socialismo – [Peter Frase] Vai ser mais significativo – mas esperamos que não envolva assembleias sem-fim.
  • Obsolescência Planejada: Armadilha Silenciosa na Sociedade de Consumo [Valquíria Padilha e Renata Cristina A. Bonifácio] – O crescimento pelo crescimento é irracional. Precisamos descolonizar nossos pensamentos construídos com base nessa irracionalidade para abrirmos a mente e sairmos do torpor que nos impede de agir
  • O Mito do Antropoceno [Andreas Malm] – Culpar toda a Humanidade pela mudança climática deixa o Capitalismo sair ileso.
  • Vivo Sob o Sol [Alyssa Battistoni] – “Não há caminho rumo a um futuro sustentável sem lidar com as velhas pedras no caminho do ambientalismo: consumo e empregos. E a maneira de fazer isso é através de uma Renda Básica Universal. “
  • Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? [Alyssa Battistoni] – “Sob o Socialismo, nós tomaríamos decisões sobre o uso de recursos democraticamente, levando em consideração necessidades e valores humanos, ao invés da maximização dos lucros.
  • Rumo a um Socialismo Ciborgue [Alyssa Battistoni] – “A Esquerda precisa de mais vozes e de críticas mais afiadas que coloquem nossa análise do poder e de justiça no centro das discussões ambientais, onde elas devem estar.”
  • A Fantasia do Livre-Mercado [Nicole M. Aschoff] – “Designar o mercado como ‘natural’ e o Estado como ‘antinatural’ é uma ficção conveniente para aqueles casados com o status quo. O “capitalismo consciente”, embora atraente em alguns aspectos, não é uma solução para a degradação ambiental e social que acompanha o sistema de produção voltado ao lucro. A sociedade precisa decidir em que tipo de mundo deseja viver, e essas decisões devem ser tomadas por meio de estruturas e processos democráticos.”
  • Democratizar Isso [Michal Rozworski] – “Os planos do Partido Trabalhista inglês para buscar modelos democráticos de propriedade são o aspecto mais radical do programa de Corbyn, e um dos mais radicais que temos visto na política dominante em muito tempo.”
  • Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda – [Paul Cockshott e Allin Cottrel] “Desde os anos 90 temos sido bombardeados por relatos sobre como a queda da União Soviética seria uma prova definitiva da impossibilidade de qualquer forma de Economia Planejada racionalmente, de qualquer forma de Economia Socialista, de qualquer forma de Socialismo – e de que não existiria alternativa para organizar a produção e o consumo das sociedades humanas a não ser o Capitalismo de Livre-Mercado. Será mesmo?
  • Bancos, Finanças, Socialismo e Democracia – [Ladislau Dowbor, Nuno Teles e J. W. Mason] Os bancos são instituições centrais na articulação das atividades no sistema capitalista. Como essas instituições deixaram de cumprir suas funções básicas e passaram a estender seu domínio sobre toda a economia? Podemos ver o sistema financeiro como um ambiente “neutro” cujos resultados são os “naturais” gerados pelos “mercados”? Será que dividir os grandes bancos será o suficiente para resolver essa situação?
  • O Comunismo Não Passa de Um Sonho de Utopia? Só Funcionaria Com Pessoas Perfeitas? – [Terry Eagleton] “O Comunismo é apenas um sonho de ingenuidade, utopia e perfeição? Ele ignora a maldade e o egoísmo que estariam na essência da natureza humana? Um tal sistema precisaria que todos pensassem e agissem de uma única maneira, só poderia funcionar com pessoas perfeitas e harmoniosas como peças de relógio, nunca com os seres humanos diversos e falhos que realmente existem?”
  • Precisamos Dominá-la [Peter Frase] – “Nosso desafio é ver na tecnologia tanto os atuais instrumentos de controle dos empregadores quanto as precondições para uma sociedade pós-escassez.
  • Tecnologia e Estratégia Socialista [Paul Heidmann] – “Com poderosos movimentos de classe em sua retaguarda, a tecnologia pode prometer a emancipação do trabalho, ao invés de mais miséria.
  • Políticas Para Se ‘Arranjar Uma Vida’ [Peter Frase] – “O trabalho em uma sociedade capitalista é um fenômeno conflituoso e contraditório. Uma política para a classe trabalhadora tem de ser contra o trabalho, apelando para o prazer e o desejo, ao invés de sacrifício e auto-negação.
  • Todo Poder aos “Espaços de Fazedores” [Guy Rundle] – “A impressão 3-D em sua forma atual pode ser um retorno às obrigações enfadonhas do movimento “pequeno é belo”, mas tem o potencial para fazer muito mais.
  • Os Robôs Vão Tomar Seu Emprego? [Nick Srnicek e Alex Williams] – “Com a automação causando ou não uma devastação nos empregos, o futuro do trabalho sob o capitalismo parece cada vez mais sombrio. Precisamos agora olhar para horizontes pós-trabalho.”
  • Robôs e Inteligência Artificial: Utopia ou Distopia? [Michael Roberts] – “Diz muito sobre o momento atual que enquanto encaramos um futuro que pode se assemelhar ou com uma distopia hiper-capitalista ou com um paraíso socialista, a segunda opção não seja nem mencionada.”
  • Robôs, Crescimento e Desigualdade – Mesmo uma instituição como o FMIvem notando as tendências que a automação de empregos devem gerar nas próximas décadas, incluindo um crescimento vertiginoso da desigualdade social, e a necessidade de compartilhar a abundância prometida por essas inovações.
  • Automação e o ‘Fim do Trabalho’ na Mídia Internacional Dominante 
  • Como Vai Acabar o Capitalismo? – [Wolfgang Streeck] “O epílogo de um sistema em desmantêlo crônico: A legitimidade da ‘democracia’ capitalista se baseava na premissa de que os Estados eram capazes de intervir nos mercados e corrigir seus resultados, em favor dos cidadãos; hoje, as dúvidas sobre a compatibilidade entre uma economia capitalista e um sistema democrático voltaram com força total.”
  • Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas – [George Monbiot] “Crise financeira, desastre ambiental e mesmo a ascensão de Donald Trump – o Neoliberalismo,  a ideologia dominante no ‘Ocidente’ desde os anos 80, desempenhou seu papel em todos eles. Como surgiu e foi adotado pelas elites a ponto de tornar-se invisível e difuso? Por que a Esquerda fracassou até agora em enfrentá-lo?”
  • Desabamento Contínuo: Neoliberalismo Como Estágio da Crise Capitalista, Rendição Social-Democrata, Revolta Popular Recente e as Aberturas à Esquerda – [Robert Brenner] Na fase atual do neoliberalismo, o capitalismo não é mais capaz de garantir crescimento e desenvolvimento semelhantes aos estágios anteriores. Nem mesmo se mostra capaz de garantir condições de vida aos trabalhadores e, assim, assegurar seu apoio ao sistema – passando a depender cada vez mais do medo imposto sobre os mesmos sobre a perda de seus empregos, sobre o futuro, e sobre repressão – e despertando revolta de massa à Esquerda e à Direita. O que se segue é uma tentativa inicial e muito parcial de apresentar como entendemos o panorama político de hoje; uma série de suas características notáveis; as aberturas que se apresentam aos movimentos e à Esquerda; e os problemas que a Esquerda enfrenta.
  • O Ano em Que o Capitalismo Real Mostrou a Que Veio – [Jerome Roós] “Tudo que nós um dia deveríamos temer sobre o socialismo — desde repressão estatal e vigilância em massa até padrões de vida em queda — aconteceu diante de nossos olhos
  • O Projeto Socialista e a Classe Trabalhadora – [David Zachariah] “As pessoas na Esquerda estão unidas em seu objetivo de uma sociedade em que cada indivíduo encontre meios aproximadamente iguais para o pleno desenvolvimento de suas capacidades diversas. O que distingue os socialistas é o reconhecimento de que a forma específica como a sociedade está organizada para reproduzir a si mesma também reproduz grandes desigualdades sociais nos padrões de vida, emprego, condições de trabalho, saúde, educação, habitação, acesso à cultura, meios de desenvolvimento e frutos do trabalho social, etc.
  • O País Já Não é Meio Socialista? – Não, Socialismo não é só sobre mais governo – é sobre propriedade e controle democráticos.
  • Pelo Menos o Capitalismo é Livre e Democrático, Né? – Pode parecer que é assim, mas Liberdade e Democracia genuínas não são compatíveis com o Capitalismo.
  • O Socialismo Soa Bem na Teoria, Mas a Natureza Humana Não o Torna Impossível de Se Realizar? – “Nossa natureza compartilhada na verdade nos ajuda a construir e definir os valores de uma sociedade mais justa.”
  • Os Ricos Não Merecem Ficar Com a Maior Parte do Seu Dinheiro?“A riqueza é criada socialmente – a redistribuição apenas permite que mais pessoas aproveitem os frutos do seu trabalho.”
  • Os Socialistas Vão Levar Meus CDs do Calypso? – Socialistas querem um mundo sem Propriedade Privada, não sem Propriedade Pessoal. Você pode guardar seus discos.
  • O Socialismo Não Termina Sempre em Ditadura? – O Socialismo é muitas vezes misturado com autoritarismo. Mas historicamente, Socialistas tem estado entre os defensores mais convictos da Democracia.
  • O Socialismo Não É Só Um Conceito Ocidental?O Socialismo não é Eurocêntrico por que a lógica do Capital é universal – e a resistência a ela também.
  • E Sobre o Racismo? Os Socialistas Não Se Preocupam Só Com Classe?Na verdade acreditamos que a luta contra o Racismo é central para desfazer o poder da classe dominante. 
  • O Socialismo e o Feminismo Não Entram Às Vezes Em Conflito?Em última análise, os objetivos do Feminismo radical e do Socialismo são os mesmos – Justiça e Igualdade para todas as pessoas.
  • Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? – “Sob o Socialismo, nós tomaríamos decisões sobre o uso de recursos democraticamente, levando em consideração necessidades e valores humanos, ao invés da maximização dos lucros.
  • Os Socialistas São Pacifistas? Algumas Guerras Não São Justificadas?Socialistas querem erradicar a guerra por que ela é brutal e irracional. Mas nós pensamos que existe uma diferença entre a violência dos oprimidos e a dos opressores. 
  • Por Que os Socialistas Falam Tanto em Trabalhadores?Os trabalhadores estão no coração do sistema capitalista. E é por isso que eles estão no centro da política socialista. 
  • O Socialismo Vai Ser Chato? – “O Socialismo não é sobre induzir uma branda mediocridade. É sobre libertar o potencial criativo de todos.
  • Os Socialistas Querem Tornar Todos Iguais? Querem Acabar Com a Nossa Individualidade?
  • O Marxismo Está Ultrapassado? Ele Só Tinha Algo a Dizer Sobre a Inglaterra do Século XIX, e Olhe Lá?
  • O Marxismo é Uma Ideologia Assassina, Que Só Pode Gerar Miséria? – “O Marxismo é uma ideologia sanguinária e assassina, que só pode gerar miséria compartilhada? Socialismo significa falta de liberdade e uma economia falida?”
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