Exterminismo: ‘Solução Final’ Num Futuro Automatizado de Desigualdade e Escassez

[A cada semana somos bombardeados por notícias sobre avanços tecnológicos assombrosos, que prometem diminuir, e muito, a necessidade de trabalho humano nas mais diversas atividades. De fato, podemos imaginar que em algum momento no futuro teremos a necessidade de muito pouco trabalho humano na produção de mercadorias. Mas e se chegarmos nesse ponto ainda divididos entre podres de ricos e “a ralé”? E se os recursos naturais de energia e de matérias-primas não forem o bastante para garantir uma vida luxuriante para todos? E se, do ponto de vista dos abastados, os ex-trabalhadores passarem a representar apenas um “peso inútil”, ou até mesmo, um risco “desnecessário”? No último capítulo sobre possíveis futuros automatizados com o fim do Capitalismo, somos confrontados por uma distopia de desigualdade e crueldade cujas raízes já podemos notar em muitas tendências atuais.]

por Peter Frase, em “Quatro Futuros: Vida Após o Capitalismo” [“Four Futures: Life After Capitalism]

exterminismo

[Nota do Minhocário: O texto abaixo é um capítulo do livro Quatro Futuros: Vida Após o Capitalismo’’ ( ‘Four Futures: Life After Capitalism’),  de Peter Frase, lançado em 2016. O livro é uma expansão das ideias contidas no artigo original, de 2011, ‘Quatro Futuros’ (para ir direto para a sessão do artigo original correspondente às ideias aqui expandidas: ‘Quatro Futuros: Exterminismo, Hierarquia e Escassez’). As ideias são basicamente as mesmas, mas o livro avança e se aprofunda em várias questões que o texto original apenas tocava ou nem mesmo isso. Vale a pena ler ambos. A introdução do livro pode ser lida em ‘Tecnologia e Ecologia como Apocalipse e Utopia’; o capítulo sobre um futuro de Igualdade e Abundância emComunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância‘; o capítulo sobre um futuro de Igualdade e Retrições Materiais emSocialismo Como Futuro Automatizado e Igualitário em Resposta à Crise Ambiental‘; o capítulo sobre uma distopia de Abundância restrita por causa da Desigualdade em ‘Rentismo: Um Futuro Automatizado de Abundância Bloqueada Pela Desigualdade‘. A conclusão do livro pode ser lida em: ‘Vida Após o Capitalismo (Quatro Futuros: Conclusão)’’. ]

O filme Elysium, de Neill Blomkamp e lançado em 2013, retrata uma Terra distópica no ano 2154. Uma pequena elite – o 1%, se você preferir – partiu para uma estação espacial chamada Elysium. Lá, desfrutam de conforto e lazer em vidas aparentemente eternas, devido ao acesso à milagrosa tecnologia de “Med-Bay“. Enquanto isso, de volta à Terra, o resto da humanidade vive em um planeta superpopuloso e poluído, governado por uma força de polícia robótica. O enredo está centrado em torno de Max (Matt Damon), um membro da ralé presa à Terra que foi envenenado por radiação, conforme ele tenta penetrar no santuário de Elysium e acessar suas maravilhas médicas.

A economia política de Elysium é algo difícil de se extrair do filme, mas alguns temas sugestivos emergem. O mais importante é que os ricos em Elysium não parecem ser economicamente dependentes da Terra de forma significativa. Nós chegamos a ver uma fábrica, onde Max trabalha no início do filme e que é administrada por um membro da elite de Elysium. Mas o propósito dessa fábrica parece ser apenas a produção de armas e robôs, cujo propósito, por sua vez, é controlar a população da Terra. Na maior parte do tempo, os moradores da Terra aparecem menos como um proletariado [1] e mais como os presos de um campo de concentração – onde populações são armazenadas, ao invés de serem exploradas pela sua força de trabalho. Portanto, a economia política de Elysium difere, por exemplo, daquela retratada em “Jogos Vorazes”, em que estilos de vida elegantes na capital de Panem são sustentados pelos “distritos” circundantes, onde os pobres produzem as mercadorias essenciais.

O final de Elysium sugere que talvez os estilos de vida dos ricos possam ser generalizados para todo mundo, com luxo e imortalidade para todos. Isso, no entanto, está muito longe de ser inequívoco. Em um capítulo anterior sugeri que, se uma tal sociedade pós-escassez surgisse no contexto da hierarquia de classes, seria mais provável que ela assumisse a forma de uma economia rentista centrada na propriedade intelectual. Elysium parece algo diferente: a quarta permutação de nossos eixos de hierarquia-igualdade e escassez-abundância – isto é, um mundo onde a escassez não pode ser totalmente superada para todos, mas onde pode ser superada para uma pequena elite.

Comunismo Para Poucos

Ironicamente, a vida desfrutada dentro da bolha de Elysium parece não muito diferente do cenário comunista esboçado vários capítulos atrás. A diferença, é claro, é que é um comunismo para poucos. E, de fato, já podemos ver tendências nessa direção em nossa economia contemporânea. Como observou Charles Stross, os muito ricos habitam um mundo no qual a maioria dos bens são, de fato, gratuitos. Ou seja, sua riqueza é tão grande em relação ao custo de alimentos, habitação, viagens e outras amenidades, que eles raramente precisam considerar o custo de qualquer coisa. Qualquer coisa que quiserem, podem ter.

Para os muito ricos, então, o sistema mundial já se assemelha ao Comunismo descrito anteriormente. A diferença, é claro, é que sua condição de pós-escassez é tornada possível não apenas por máquinas, mas pelo trabalho da classe trabalhadora global. [novamente, ver a nota 1] Mas uma visão otimista dos desenvolvimentos futuros – o futuro que descrevi como Comunismo – é que, eventualmente, chegaremos a um ponto em que todos nós seremos, em certo sentido, “o 1%“. Como observou celebremente William Gibson, “o futuro já está aqui; está apenas distribuído de forma desigual”. [2]

Mas e se os recursos e a energia forem simplesmente escassos demais para permitir que todos desfrutem do padrão de vida material que os ricos desfrutam hoje? E se chegarmos em um futuro que não exija mais a força de trabalho em massa do proletariado na produção, mas que não seja capaz de proporcionar a todos um padrão arbitrariamente elevado de consumo? Se chegarmos a esse mundo como uma sociedade igualitária, nosso sistema se assemelhará ao regime socialista de conservação compartilhada descrito na seção anterior. Mas se, em vez disso, permanecermos uma sociedade polarizada entre uma elite privilegiada e uma massa oprimida, então a trajetória mais plausível leva a algo muito mais sombrio. Os ricos ficarão seguros, sabendo que seus replicadores e robôs poderão prover todas as suas necessidades. E quanto ao resto de nós?

O grande perigo representado pela automação da produção, no contexto de um mundo de hierarquia e recursos escassos, é que ela torna supérflua a grande massa de pessoas, do ponto de vista da elite dominante. Isso contrasta com o capitalismo, onde o antagonismo entre o capital e força de trabalho se caracteriza por um choque de interesses e uma relação de dependência mútua: os trabalhadores dependem dos capitalistas, uma vez que não controlam eles mesmos os meios de produção; enquanto que os capitalistas precisam de trabalhadores para operar suas fábricas e lojas.

Era essa interdependência, de fato, que dava esperança e confiança a muitos movimentos socialistas do passado. “Os chefes podem nos odiar”, seguia o pensamento, “mas eles precisam de nós, e isso nos dá poder e alavancagem sobre eles”. No antigo clássico trabalhista e socialista “Solidarity Forever” [“Solidariedade para sempre”] [3], a vitória dos trabalhadores é inevitável porque “eles ganharam incalculáveis milhões que nunca trabalharam para receber, mas sem nosso cérebro e músculo, nenhuma roda pode girar”. Com o advento dos robôs, o segundo verso deixa de ser verdade.

A existência de uma multidão empobrecida e economicamente supérflua representa um grande perigo para a classe dominante, que naturalmente temerá a expropriação iminente; confrontados com essa ameaça, vários cursos de ação se apresentam. As massas podem ser “compradas” com algum grau de redistribuição de recursos, conforme os ricos compartilhem suas riquezas sob a forma de programas de bem-estar social – ao menos se as restrições de recursos não forem muito apertadas. Mas, além de potencialmente reintroduzir escassez na vida dos ricos, essa solução é suscetível de levar a uma crescente onda de demandas por parte das massas, elevando assim o espectro da expropriação, uma vez mais.

Isso é essencialmente o que aconteceu na maré alta do Estado de Bem-estar Social, no rescaldo da Grande Depressão e da Segunda Guerra Mundial. Por um tempo, benefícios sociais robustos e fortes sindicatos coincidiram com altos lucros e crescimento rápido, e assim a força de trabalho e o capital gozaram de uma paz inquieta. [4] Mas essa mesma prosperidade levou a uma situação em que os trabalhadores ficaram empoderados para exigir mais e mais poder sobre as condições de trabalho, e os chefes começaram a temer que os lucros e o controle sobre o local de trabalho estivessem escorregando de suas mãos. Em uma sociedade capitalista, esta é uma tensão a se evitar: o chefe precisa do trabalhador, mas também está aterrorizado com seu poder potencial. [5]

Então, o que acontece se as massas são perigosas, mas não são mais uma classe trabalhadora e, portanto, não têm mais valor para os dominantes? Alguém acabará tendo a ideia de que seria melhor se livrar deles.

O Jogo Final do Extermínio

Em 1980, o historiador marxista E.P. Thompson escreveu um ensaio refletindo sobre a Guerra Fria e a ameaça sempre-presente de aniquilação nuclear, chamado “Notas sobre o Exterminismo, a Última Etapa da Civilização”. [6] Ele contemplava a mudança crescente das economias capitalistas e comunistas em direção às tecnologias do militarismo e da guerra. Era inadequado, ele pensava, entender a corrida armamentista e a escalada militar como meras ferramentas para defender as economias políticas mais amplas dos lados concorrentes – fosse a economia planejada da URSS ou o mercado capitalista dos Estados Unidos. O complexo militar-industrial ocupava uma parte cada vez maior da economia nos países capitalistas ricos, e os soviéticos também estavam cada vez mais preocupados com a construção de armas.

Thompson propôs que precisávamos de uma nova categoria para compreender essa formação social. Ele cita a famosa frase de Marx em “A Miséria da Filosofia”: “O moinho de vento nos dá uma sociedade com senhor feudal; o motor à vapor, uma sociedade com o capitalista industrial.” [7] Ou seja, à medida que as relações econômicas centrais de uma sociedade mudam, todas as relações sociais nessa sociedade tendem a mudar com elas. Enfrentando a lógica do industrialismo militar, Thompson pergunta: “o que nos darão esses moinhos satânicos que agora estão trabalhando, expelindo os meios do extermínio humano?” Sua resposta foi que a categoria de que precisávamos era o “exterminismo“. Este termo abrange “essas características de uma sociedade – expressas, em diferentes graus, no interior de sua economia, sua política e sua ideologia – que a impulsionam numa direção cujo resultado deve ser o extermínio de multidões”. [8]

A configuração específica que Thompson discutia desapareceu, em grande parte – não há mais uma Guerra Fria ou uma URSS. Apesar dos melhores esforços dos neoconservadores militaristas estadunidenses e de outros para recriar nostalgicamente conflitos entre grandes poderes com a Rússia ou a China, estes dificilmente se comparam à sombra de terror nuclear que jazia suspensa sobre a cabeça de Thompson – E, portanto, reutilizei sua palavra para descrever outra ordem, a última das minhas quatro sociedades hipotéticas. Ainda assim, o que descreverei é, não obstante, outro tipo de sociedade com um impulso “… numa direção cujo resultado deve ser o extermínio de multidões”.

Ainda vivemos em um mundo fortemente militarizado, onde o orçamento militar ocupa uma porcentagem quase tão grande da economia dos EUA como o fazia quando Thompson escreveu seu ensaio. Mas os conflitos que definem a era da assim-chamada “Guerra ao Terror” são assimétricos, colocando militares tecnologicamente avançados contra Estados fracos ou insurgentes sem-Estado. As lições aprendidas nesses palcos retornam para casa, levando também à militarização do policiamento doméstico. [9]

Um mundo em que a classe dominante não dependa mais da exploração do labor da classe trabalhadora é um mundo onde os pobres são apenas um perigo e uma inconveniência. Policiar e reprimí-los, em última instância, parece mais problemas do que se poderia justificar. É daí que se origina o impulso na direção do “extermínio de multidões”: A sua etapa final é literalmente o extermínio dos pobres, para que a turba possa finalmente ser varrida de uma vez por todas, deixando que os ricos possam viver em paz e tranquilidade em seu Elysium.

Em um artigo de 1983, o economista vencedor do Prêmio Nobel Wassily Leontief antecipou o problema do desemprego em massa que tem sido contemplado ao longo deste livro. Naquilo que ele chama, com alguma atenuação, de uma “analogia um tanto chocante mas essencialmente apropriada”, ele compara os trabalhadores com cavalos:

“Pode-se dizer que o processo pelo qual se espera que a introdução progressiva de novos equipamentos computadorizados, automatizados e robotizados possa reduzir o papel do trabalho é semelhante ao processo pelo qual a introdução de tratores e outras máquinas primeiro reduziu e, em seguida, eliminou completamente os cavalos e outros animais de tração na agricultura. [10]

Como ele observa, isso levou a maioria das pessoas a concluir que “do ponto de vista humano, manter todos esses cavalos ociosos … faria pouco sentido”. Como resultado, a população de cavalos dos EUA caiu de 21,5 milhões em 1900 para 3 milhões em 1960. [11] Leontief segue então a expressar, com a alegre certeza de um tecnocrata da metade do século, sua confiança de que, uma vez que as pessoas não são cavalos, seguramente encontraremos maneiras de sustentar todos os membros da sociedade. Ecoando Gorz e outros críticos do trabalho assalariado, ele argumenta que “mais cedo ou mais tarde … será necessário admitir que a demanda por ‘emprego’ é, em primeiro lugar, uma demanda por ‘subsistência’, o que significa ‘renda'”. [12] No entanto, tendo em conta as atitudes desdenhosas e cruéis da classe dominante de hoje, não podemos de modo algum dar isso por certo. [no estilo da “alegre confiança” dos tecnocratas atuais, principalmente no Vale do Silício]

Felizmente, mesmo os ricos desenvolveram normas de moralidade que tornam difícil alcançar esta Solução Final [13] como primeiro recurso. Seu passo inicial deve ser simplesmente se esconder dos pobres, assim como os personagens em Elysium. Mas ao nosso redor, podemos ver a deriva gradual do mero cercamento e controle de populações “em excesso”, rumo a justificativas para eliminá-las permanentemente. [14]

Sociedades de Enclave e Controle Social

O sociólogo Bryan Turner tem defendido que vivemos em uma “sociedade de enclave” [15] Apesar do mito da mobilidade crescente sob a globalização [16], nós na verdade habitamos uma ordem em que “governos e outras agências procuram regular espaços e, quando necessário, imobilizar fluxos de pessoas, bens e serviços” por meio de “cercamentos, barreiras burocráticas, exclusões legais e registros”. [17]

É claro, são os movimentos das massas que permanecem restritos, enquanto a elite permanece cosmopolita e móvel. Alguns dos exemplos que Turner reúne são relativamente triviais, como salas de recreação para passageiros aéreos frequentes e quartos privados em hospitais públicos. Outros são mais sérios, como comunidades fechadas (ou, em casos mais extremos, ilhas privadas) para os ricos e guetos para os pobres – onde a polícia é responsável por manter as pessoas pobres fora dos bairros “errados”. Quarentenas biológicas e restrições de imigração levam o conceito de enclave ao nível do Estado-nação. Em todos os casos, a prisão assoma como o último enclave distópico para aqueles que não obedecem, seja a penitenciária federal ou o campo de detenção em Guantánamo. Comunidades fechadas, ilhas privadas, guetos, prisões, paranóia terrorista, quarentenas biológicas – isso equivale a um gulag global invertido, onde os abastados vivem em pequenas ilhas de riqueza espalhadas por um oceano de miséria.

Em “Trópico do Caos” [Tropic of Chaos], Christian Parenti mostra como essa ordem é criada nas regiões em crise no mundo, à medida que as mudanças climáticas trazem o que ele chama de “convergência catastrófica” de mudanças ecológicas, desigualdades econômicas e falência de Estados. [18] Na sequência do colonialismo e do neoliberalismo, os países ricos – juntamente com as elites dos países mais pobres – facilitaram a desintegração em violência anárquica, conforme várias facções tribais e políticas lutam por recompensas cada vez menores de ecossistemas deteriorados. Diante dessa realidade sombria, muitos dos ricos – o que, em termos globais, também inclui muitos trabalhadores nos países ricos – se resignaram a se barricarem em suas fortalezas, a serem protegidas por drones não-tripulados e empreiteiros militares privados. A mão-de-obra de guarda, uma característica da sociedade rentista, reaparece em uma forma ainda mais malévola, conforme um pequeno número de sortudos são empregados como capatazes e protetores para os ricos.

Mas a construção de enclaves não se limita aos lugares mais pobres: Em todo o mundo, os ricos estão demonstrando seu desejo de escapar do resto de nós. Um artigo de 2013 na revista Forbes informa sobre a mania entre os abastados por uma segurança doméstica cada vez mais elaborada. [19] Um executivo de uma empresa de segurança se vangloria de que sua casa em Los Angeles tem segurança “semelhante à da Casa Branca”. Outros comercializam sensores infravermelhos, tecnologias de reconhecimento facial e sistemas defensivos que pulverizam fumaça tóxica ou spray de pimenta. Tudo isso para pessoas que, embora ricas, são figuras em grande parte anônimas e dificilmente proeminentes como alvos para possíveis agressores. Embora possam parecer paranóicos, uma grande parte das elites econômicas parece se considerar uma minoria à parte, em guerra com o resto da sociedade. [20]

O Vale do Silício é um viveiro para tais sentimentos, com plutocratas falando abertamente sobre “secessão”. Em um discurso amplamente divulgado, Balaji Srinivasan, co-fundador de uma empresa de genética de São Francisco, disse a uma platéia de empreendedores de startups [21] que “nós precisamos construir uma sociedade de adesão voluntária, fora dos EUA, administrada pela tecnologia”. [22] Por enquanto, isso reflete arrogância e ignorância sobre a miríade de maneiras pelas quais alguém como ele é sustentado pelos trabalhadores que tornam sua vida possível – mas demonstra o impulso de isolar os ricos daqueles que são considerados populações excedentes.

Outras tendências são menos dramáticas do que o refúgio em sociedades de adesão voluntária, mas ainda perturbadoras. Ao redor dos Estados Unidos, moradores de bairros mais ricos estão começando a contratar segurança privada para se defender da ameaça percebida em seus vizinhos. [23] Em Oakland, pequenos grupos de vizinhos se uniram para contratar juntos seus próprios guardas, e um bairro até mesmo tomou a iniciativa de arrecadar US$ 90.000 através de uma campanha de financiamento coletivo. [24] Assim, as fileiras dos trabalhadores de guarda seguem crescendo.

E já existem aqueles que construiriam uma cidade inteira para se esconder das massas. Na costa de Lagos, na Nigéria, um grupo de empreiteiros libaneses está construindo uma cidade privada, a Eko Atlantic, com a intenção de abrigar 250 mil pessoas. É para ser “uma cidade sustentável, limpa e eficiente em termos de energia, com emissões mínimas de carbono”. [25] Também será um lugar onde a elite pode escapar dos milhões de nigerianos próximos que vivem com menos de um dólar por dia e que se viram na economia informal. Outra ilha, a ilha de Manhattan, também está gradualmente sendo transformada em um enclave dos ricos globais: em 2014, mais da metade das vendas de imóveis em Manhattan no valor de US$ 5 milhões ou mais foram para estrangeiros ou compradores anônimos por trás de empresas de fachada (a maioria dos quais, acredita-se não serem estadunidenses). [26] Essas compras servem ao duplo propósito de lavar o dinheiro e escondê-lo de governos curiosos, bem como de fornecer um local de desembarque em caso de agitações em seus países de origem.

No cruzamento entre a paranóia e o consumismo de mal gosto existe a Vivos, cujo site promete “a melhor solução de seguro de vida para famílias de alto patrimônio líquido”. A empresa está construindo um megabunker à prova de radiação de oitenta apartamentos, esculpido em uma montanha na Alemanha. Estes não são seus abrigos anti-bomba comuns, mas sim apartamentos de luxo com todo o couro e o aço inoxidável das quinquilharias típicas do nouveau riche. [27] O fundador da empresa, Robert Vicino, descreveu o complexo para o site da Vice como comparável a “um iate subterrâneo”. Por apenas 2,5 milhões de euros (e em diante), você também pode aguardar o apocalipse com estilo. E a Vivos é apenas um exemplo do que a revista Forbes denominou como a indústria de “Bunkers Para Bilionários”. [28]

Do Enclave ao Genocídio

Hoje rimos de bilionários desconectados da realidade, como o capitalista de risco Tom Perkins, que em 2014 comparou as críticas aos ricos à Kristallnacht, os ataques aos judeus na Alemanha nazista em 1938; [29] ou o executivo da joalheria Cartier, Johann Rupert, que contou a uma conferência do jornal Financial Times em 2015 que a perspectiva de uma insurreição entre os pobres é “o que me mantém acordado à noite”. [30] No entanto, embora tais opiniões sejam repugnantes, não são desprovidas de lógica. Em um mundo de hiper-desigualdade [31] e desemprego em massa, pode-se tentar “comprar” as massas por um tempo, e depois pode-se tentar reprimi-las pela força. Mas enquanto existirem hordas empobrecidas, existe o perigo de que um dia torne-se impossível mantê-las à distância. Quando o trabalho em massa tiver se tornado supérfluo, uma solução final espreita: a guerra genocida dos ricos contra os pobres. O espectro da automação assoma mais uma vez, mas de uma maneira muito diferente: Sob o rentismo, ele simplesmente tendia a tornar supérfluos cada vez mais trabalhadores, intensificando a tendência do sistema rumo ao subemprego e à fraca demanda. Uma sociedade exterminista pode automatizar e mecanizar o processo de supressão e de extermínio, permitindo que os governantes e seus criados se distanciem das conseqüências de suas ações.

Mas esse movimento final – da repressão ao extermínio definitivo – é realmente plausível? Essas derivas começam primeiro onde um conflito de classe está sobreposto por um conflito nacional, como na ocupação israelense da Palestina. Por um lado, Israel dependia fortemente do trabalho palestino barato. Mas, como o economista político Adam Hanieh demonstrou, desde o final da década de 1990 esses trabalhadores foram substituídos por trabalhadores migrantes da Ásia e do Leste Europeu. [32] Tendo, portanto, tornado os palestinos supérfluos como trabalhadores, Israel se tornou capaz de dar cordas aos aspectos mais fanáticos do projeto sionista de assentamentos/colonização. Em seu ataque de 2014 à Faixa de Gaza, o governo fez reivindicações de “autodefesa” que eram quase dignas de riso em sua superficialidade, mesmo enquanto bombardeavam hospitais, escolas e usinas de energia, matando indiscriminadamente homens, mulheres e crianças e colocando no nível do chão boa parte do estoque habitacional. Apelos abertos pelo genocídio vieram de membros do parlamento israelense; uma, Ayelet Shaked, proclamou que “todo o povo palestino é o inimigo”. Sobre esta base, ela justificou a destruição de Gaza como um todo, “incluindo seus idosos e mulheres, suas cidades e suas aldeias, suas propriedades e sua infra-estrutura.” [33]

Os estadunidenses podem pensar que estão imunes a uma tal barbárie, apesar do apoio quase unânime da sua classe política à guerra de Israel contra Gaza. Mas o ex-presidente e vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Barack Obama, já reivindicava o direito de matar cidadãos estadunidenses sem o pretexto do devido processo. Seu governo até mesmo usava métodos algorítmicos [programas de computador] para identificar alvos sem necessariamente conhecer suas identidades.

Em 2012, o Washington Post publicou um artigo sobre algo chamado “matriz de disposição“. [34] Esta era a “lista de alvos da próxima geração” da administração Obama, uma espécie de planilha do destino [35] usada para acompanhar todos os estrangeiros marcados como alegados terroristas para assassinato anônimo via drones. O texto estava cheio de comentários aterradores dos oficiais. Um deles observa que um drone assassino é “como seu cortador de grama”: não importa quantos terroristas você mata, “a grama vai voltar a crescer”. Para simplificar o processo de assassinatos constantes em tempo indeterminado, o processo é parcialmente automatizado. O Washington Post informa sobre o desenvolvimento de algoritmos para os chamados “‘sinais característicos’, [36] que permitem que a CIA” (e o Comando Conjunto de Operações Especiais) [37] ” atinjam alvos com base em padrões de atividade… mesmo quando as identidades daqueles que foram mortos não estão claras.” [38] [39]

Tais ações têm o apoio de um número substancial de estadunidenses. Infelizmente, essa indiferença à morte daqueles vistos como estrangeiros ou “os outros” há muito têm caracterizado a resposta às guerras estadunidenses. Mas a mentalidade exterminista também tem seus ecos domésticos. Nos Estados Unidos, [e obviamente, também no Brasil] a vontade de admitir a eliminação de populações excedentes indisciplinadas está estreitamente entrelaçada com o racismo, embora seja, sem dúvida, também um fenômeno de classe. Isso pode ser visto em um sistema prisional que agora encarcera 2 milhões de pessoas, muitos por infrações não-violentas e ligadas a drogas – e que muitas vezes o faz em condições que o juiz da Suprema Corte, Anthony Kennedy, chamou de “incompatíveis com o conceito de dignidade humana”, com “nenhum lugar na sociedade civilizada”, em sua opinião sobre a superlotação no sistema prisional da Califórnia. [40] [41]

O sistema prisional estadunidense há muito tem sido uma maneira de controlar os desempregados que ficam trancados em seu interior, enquanto compra aqueles que permanecem no exterior. Em sua análise do sistema prisional da Califórnia, Ruth Wilson Gilmore descreve o crescimento maciço do encarceramento como a construção de um “gulag dourado”. [42] Jovens urbanos que não possuem serviços sociais e empregos são implacavelmente visados pela polícia, trancados por longos períodos sob leis draconianas sobre drogas e sob a provisão da lei de “três ocorrências” da Califórnia. [43] A explosão resultante na construção de presídios, enquanto isso, oferece empregos em áreas rurais do estado com economias deprimidas. Com o trabalho agrícola automatizado ou deslocado para a mão-de-obra imigrante ultra-barata, [principalmente latinos] e os empregos industriais perdidos para a desindustrialização, [resultado do Neoliberalismo – ver nota 16] o trabalho penitenciário se tornou o último emprego bem pago nesses lugares.

A condenação à prisão pode até mesmo acabar sendo relegada para algoritmos – o que seria melhor ainda para permitir que os administradores neguem seu papel ativo na construção desses armazéns de miséria. Pelo menos vinte estados dos EUA agora usam a chamada “sentença baseada em evidências”. [44] O nome parece inócuo – quem poderia se opor ao uso de evidências? Richard Redding, professor de Direito da Universidade da Virgínia e defensor do método, chega a afirmar que “pode ​​até não ser ético” usar técnicas de sentença que não sejam “transparentes” e “inteiramente racionais”. [45] Mas a os fatores que podem entrar em uma “sentença baseada em evidências”, no próprio relato de Redding, incluem não apenas crimes que uma pessoa cometeu, mas aqueles que ela pode cometer no futuro – os “fatores de risco” e “necessidades criminogênicas” que “aumentam a probabilidade de reincidência”. Neste ponto, esses modelos de “risco de criminalidade futura” começam a parecer desconfortavelmente próximos da distopia da história de Philip K. Dick (e, mais tarde, do filme com Tom Cruise), “The Minority Report“, na qual uma divisão “pré-crimes” prende pessoas por crimes que ainda não cometeram. [46]

Atualmente mesmo algumas pessoas à Direita estão questionando o encarceramento em massa, às vezes simplesmente por motivos orçamentários. Porém, na ausência de qualquer esforço para realmente sustentar os prisioneiros ou os trabalhadores que se beneficiam do crescimento das prisões, o que será de todas essas populações excedentes? Às vezes, aqueles que chegam à prisão são os sortudos. Impregnados de uma cultura que é rápida para recorrer à violência, as forças policiais rotineiramente mutilam e matam os suspeitos de crimes menores ou mesmo de nenhum crime. A brutalidade da polícia não é nova, mas duas coisas mudaram: elas se tornaram mais militarizadas e mais armadas, enquanto que a Internet e a onipresença de equipamentos de gravação de vídeo tornou mais fácil a documentação do seu comportamento.

Radley Balko descreve a militarização da polícia como o surgimento do “policial guerreiro”. [47] A polícia cada vez mais se veste em estilo militar e pensa em termos militares. Equipes da SWAT, unidades paramilitares fortemente armadas que originalmente eram promovidas como resposta a ameaças de alto nível, são agora enviadas como uma questão de rotina. Algumas centenas de operações da SWAT por ano eram realizados em todos os Estados Unidos na década de 1970; agora há de 100 a 150 todos os dias. Muitas vezes, essas incursões respondem a crimes menores como a posse de maconha ou jogos de azar. E elas podem ser realizadas sem um mandato, sob a guisa de serem “buscas administrativas”, como inspeções de licenças. Alguns vídeos desses ataques podem ser encontrados na Internet, e eles transmitem o horror surreal de um batalhão fortemente armado invadindo a casa de alguém por causa de algumas gramas de maconha.

O resultado é um fluxo constante de mortos e feridos entre suspeitos e membros de suas famílias – ou não-suspeitos, no cenário freqüente em que a equipe da SWAT invade a casa errada, como Balko documenta em grande extensão. Ele cita batidas como a de 2003, quando a empregada do governo Alberta Spruill, de cinquenta e sete anos, morreu de um ataque cardíaco depois que o Departamento de Polícia de Nova York lançou uma granada de atordoamento [48] naquilo que eles pensavam ser o apartamento de um traficante de drogas, com base apenas em uma dica anônima.

Mesmo quando eles têm o endereço certo, as respostas da polícia militarizada podem causar caos e destruição que até mesmo as pessoas que chamaram a polícia, em primeiro lugar, nunca pretendiam ver causados. O documentário Oficial da Paz [“Peace Officer”], de 2015, conta a história de Dub Lawrence, ex-delegado de Utah, que se tornou um crítico da polícia depois que seu genro foi baleado por um oficial de uma equipe da SWAT durante um impasse que originalmente foi precipitado por uma ligação sobre violência doméstica, feita por sua namorada. [49]

Ao nível da rua, também, a ameaça de violência policial é constante, especialmente para os negros e não-brancos. [50] Em julho de 2014 Eric Garner, um morador da cidade de Nova York, morreu depois de ter sido estrangulado por uma chave de braço pelos oficiais, pela suspeita de vender cigarros soltos, de contrabando. Sua morte provocou um alvoroço em parte porque o incidente foi capturado em uma câmera de celular, mas também porque chamou atenção para algo que é rotineiro demais. Logo depois, Mike Brown foi baleado e morto nas ruas de Ferguson, Missouri, dando mais combustível a um movimento nacional. Embora os detalhes exatos do encontro sejam disputados pelos dois lados, todos concordam que Brown estava desarmado e que o oficial que o baleou começou um confronto sobre o crime gravíssimo de caminhar na rua. Esses eventos ecoaram muitos incidentes similares em todo o país, um ritmo incessante de violência através dos anos. Em Oakland, por exemplo, houve a execução policial de Oscar Grant. Depois de ser detido por um oficial de trânsito em conexão com relatos de briga em um trem, o vídeo de um celular de um espectador mostrou o oficial gritando xingamentos racistas para Grant e depois disparando contra ele enquanto ele estava imobilizado de bruços na plataforma. Isso desencadeou um movimento de protesto que foi um importante precursor do Occupy Oakland.

A recente militarização policial tem suas raízes nos tumultos sociais da década de 1960, quando o Estado buscou reprimir os movimentos pela liberdade negra e anti-guerra. E a transformação da polícia em algo parecido com um exército de ocupação é inseparável da história do imperialismo estadunidense e da guerra no exterior, porque é um caso tanto figurativo quanto literal sobre levar a guerra para casa. A historiadora Julilly Kohler-Hausmann descreve a interseção dessas lutas com o próprio Vietnã, com a imagem de “selvas urbanas” contribuindo para “a aceitação social generalizada da idéia de que a polícia urbana estava envolvida em cercos de guerra em comunidades pobres”. [51] O processo de militarização tem se acelerado na era da “guerra ao terror”, conforme não apenas imagens, mas também armas fluem do campo de batalha para o fronte doméstico.

Mais do que uma mudança cultural difusa, o policiamento militarizado deve ser entendido como uma estratégia estatal consciente, com o governo federal usando o antiterrorismo como pretexto para tornar a polícia local mais como soldados. [52] Muitos policiais são eles próprios veteranos militares, endurecidos para mortes civis por suas experiências em lugares como o Iraque e o Afeganistão. O governo dos EUA encoraja a transição de soldados para agentes de aplicação da lei através do seu programa de Serviços de Policiamento Orientado para a Comunidade, o COPS [na sigla original – “Community Oriented Policing Services“], priorizando subsídios para agências que contratam veteranos. Enquanto isso, a tecnologia que eles usam – os veículos de combate blindados maciços que agora adornam as ruas até mesmo de pequenas cidades – são equipamentos militares reutilizados. O Departamento de Segurança Interna dos EUA distribui subsídios “antiterrorismo” com os quais departamentos de polícia grandes e pequenos podem comprar esses equipamentos. Outras agências podem adquirir equipamentos semelhantes de forma gratuita, participando do programa 1033 do Departamento de Defesa, que distribui o equipamento militar excedente liberado nas retiradas de tropas no Iraque e no Afeganistão. [53]

O resultado são absurdos como a entrega de um veículo de proteção contra emboscadas resistentes a minas (MRAP) [54] para High Springs, Flórida, população de 5,350. [55] Esses veículos blindados no estilo tanque eram utilizados originalmente para proteger soldados dos explosivos dos insurgentes iraquianos e afegãos, que são geralmente considerado incomuns no centro da Flórida. Talvez não seja surpreendente, então – ou talvez seja um raro exemplo de sanidade policial – que o chefe de polícia de High Springs tenha informado que não havia usado o MRAP durante um ano desde que o recebeu, e que esperava transferi-lo para outra agência. Mas outros departamentos estão felizes em colocar em ação os tanques e armaduras, como vimos nas imagens de Ferguson. Em um tempo incrivelmente curto nos acostumamos a essas imagens, que recordam o filme ‘Robocop’ de 1987, de Paul Verhoeven – um filme que, na época, foi concebido como uma descrição distópica absurdamente exagerada de uma Detroit militarizada num futuro próximo.

O policial guerreiro não é apenas um perigo para passageiros de trem, e vendedores ambulantes de cigarro, jogadores ilegais ou fumantes de um baseado ocasional. Seu destino está ligado ao destino da mobilização política, como pode ser visto nos Estados Unidos e em todo o mundo. Protestos de massa em todos os lugares já são violentamente reprimidos e não apenas em Estados como o Egito ou a China, que são popularmente considerados autoritários. Um relatório de 2013 da Rede Internacional de Organizações Pelas Liberdades Civis [“International Network of Civil Liberties Organizations“] documenta o uso generalizado de “força letal e mortal em resposta a reuniões em grande parte pacíficas buscando expressar pontos-de-vista sociais e políticos”, em lugares que vão do Canadá ao Egito, ao Quênia, à África do Sul e aos Estados Unidos. [56] A repressão ao movimento Occupy foi um exemplo disso, um espetáculo de força por esquadrões de policiais com armaduras em cidades de todo os EUA. Enquanto isso, as técnicas de vigilância estatal reveladas pelos vazamentos do ex-agente da Agência de Segurança Nacional Edward Snowden e outros mostram quão poderosas são as ferramentas do Estado para reprimir a dissidência e monitorar as atividades de ativistas e militantes. [57]

Neste contexto, fica mais fácil imaginar o deslizamento de prisões desumanas, repressões policiais violentas e execuções sumárias ocasionais rumo a formas de eliminação mais sistemáticas. A definição algorítmica de alvos, combinada com o poder crescente dos drones de combate não-tripulados, promete aliviar o desconforto moral do massacre, distanciando de seus alvos aqueles que mobilizam a violência. Os operadores podem se sentar com segurança em silos remotos, pilotando seus robôs da morte em lugares distantes. Isso se aproxima do mundo do romance “O Jogo do Exterminador” (“Ender’s Game”), de Orson Scott Card. Nessa história, uma criança é recrutada para treinar para uma guerra com uma raça de alienígenas. Como parte de seu treinamento final, ele participa de uma simulação em que destrói todo o mundo natal dos alienígenas. Claro que não era uma simulação; o jovem Ender realmente colocou um fim à guerra, cometendo um genocídio. As coisas no nosso mundo podem não se desenrolar com enganações tão literais, mas já podemos visualizar como nossas elites políticas e econômicas conseguem justificar níveis cada vez maiores de miséria e de morte, enquanto permanecem convencidos de que são grandes humanitários.

Tradução: Everton Lourenço


Notas

[1] Na terminologia marxista clássica, o “proletariado” é a classe de pessoas que não possuem nada além da sua força de trabalho para venderem no mercado capitalista e garantirem sua sobrevivência. São, portanto, os funcionários, que produzem os bens e serviços em troca de salários no sistema capitalista, são eles quem mobilizam os meios de produção (máquinas, matérias primas, etc) para produzir todas as mercadorias que se manifestam como a riqueza nesse sistema. Ver “Uma Definição de Capitalismo”, de E. K. Hunt e Mark Lautzenheiser; “Capitalismo: Uma Introdução”, do Coletivo LibCom; “Por Que Socialismo?“, de Albert Einstein; “O Projeto Socialista e a Classe Trabalhadora”, de David Zachariah; e “O Marxismo Está Ultrapassado? Ele Só Tinha Algo a Dizer Sobre a Inglaterra do Século XIX, e Olhe Lá?”, de Terry Eagleton; [N.M.]

[2] William Gibson, “A Ciência da Ficção-Científica” [“The Science of Science Fiction”], no programa “Discurso à Nação” [“Talk of the Nation”], Washington, DC: National Public Radio, Novembro de 1999.

[3] https://en.wikipedia.org/wiki/Solidarity_Forever

 

[4] Não à toa, aquele período ficou marcado como “A Era de Ouro do Capitalismo” no século XX – a famosa era da “Social-Democracia”, do “Estado de Bem-Estar Social”, do “Keynesianismo”. Ver “Desabamento Contínuo: Neoliberalismo Como Estágio da Crise Capitalista, Rendição Social-Democrata, Revolta Popular Recente e as Aberturas à Esquerda”, de Robert Brenner; e ‘O Ponto de Ruptura da Social-Democracia’, de Peter Frase; “Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas“, de George Monbiot; “Como Vai Acabar o Capitalismo?”, de Wolfgang Streeck  [N.M.]

[5] David Harvey, por exemplo, entende o Neoliberalismo justamente como uma reação da elite capitalista para assegurar mais uma vez seu controle de classe sobre a classe trabalhadora – Ver “Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas“, de George Monbiot; [N.M.]

[6] E. P. Thompson, “Notas Sobre o Exterminismo: O Último Estágio da Civilização, Exterminismo e a Guerra-Fria” [“Notes on Exterminism: The Last Stage of Civilisation, Exterminism and the Cold War”], New Left Review 1: 121, 1980.

[7] Karl Marx, “A Miséria da Filosofia”, Marxists.org, 1847.

[8] Thompson, “Notas Sobre o Exterminismo,” p. 5.

[9] para o leitor brasileiro a militarização do policiamento doméstico não é nenhuma novidade, claro: em toda a duração da constituição de 88, posterior à ditadura civil-militar de 64-85, a Polícia Militar nunca foi reformada, mantendo em grande parte sua organização, técnicas, modelo, formação, apesar dos clamores constantes de defensores dos Direitos Humanos pela desmilitarização (em que possuem apoio da maior parte dos policiais, inclusive), e pela fusão com a Polícia Civil, para a criação de uma carreira única, e civil. [N.M.]

[10] Wassily Leontief, “Avanço Tecnológico, Crescimento Econômico e Distribuição de Renda” [“Technological Advance, Economic Growth, and the Distribution of Income”], “Revista População e Desenvolvimento” [“Population and Development Review”] 9: 3, 1983, p. 405.

[11] M. Eugene Ensminger, “Cavalos e Equitação” [“Horses and Horsemanship”], 5ª ed., Shawnee Mission, KS: Interstate Publishers, 1977.

[12] Leontief, “Avanço Tecnológico,” p. 409. [Alguns textos que tocam nessa questão: Renda Básica e o Futuro do Trabalho, de David Raventós e Julie Wark; Rumo a Uma Sociedade Pós-Trabalho’, de David Frayne; ‘O Socialismo Vai Ser Chato?’ de Danny Katch; ‘A Gente Trabalha Demais, Mas Não Precisa Ser Assim’, Políticas Para Se ‘Arranjar Uma Vida’ e o próprio capítulo sobre o futuro Comunista de igualdade e abundância neste livro:  Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância, os 3 de Peter Frase. – N.M.]

[13] referência a como a ideia do genocídio judeu (juntamente de ciganos, lgbts, comunistas e socialistas) foi tratada durante um período na Alemanha sob o Nazismo. [N.M.]

[14] para algumas amostras além das listadas a seguir no texto, ver “O Ano em Que o Capitalismo Real Mostrou a Que Veio”, de Jerome Roós [N.M.]

[15] Bryan S. Turner, “A Sociedade de Enclave: Para uma Sociologia da Imobilidade” [“The Enclave Society: Towards a Sociology of Immobility”], “Periódico Europeu de Teoria Social” [“European Journal of Social Theory”] 10: 2, 2007.

[16] O mito da “globalização” faz parte de uma série de mitos popularizados durante a onda do Neoliberalismo. Na realidade, nos países desenvolvidos, a desigualdade vem crescendo fortemente nas últimas décadas, e a tendência, com as reformas liberais sendo aprofundadas também nos países da periferia do capitalismo, é que essa tendência também se repita neles. Ver “As Perspectivas da Liberdade”, de David Harvey; o relatório da OXFAM, “Uma Economia Para os 99%“; “Pikettyismos”, de Ladislau Dowbor; “Bill Gates e os 4 Bilhões na Pobreza”, de Michael Roberts; “Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas“, de George Monbiot; “Desabamento Contínuo: Neoliberalismo Como Estágio da Crise Capitalista, Rendição Social-Democrata, Revolta Popular Recente e as Aberturas à Esquerda”, de Robert Brenner;  [N.M.]

[17] Bryan S. Turner, “A Sociedade de Enclave: Para uma Sociologia da Imobilidade”, p. 290.

[18] Christian Parenti, “Trópico do Caos: Mudanças Climáticas e a Nova Geografia da Violência” [“Tropic of Chaos: Climate Change and the New Geography of Violence”], New York: Nation Books, 2011.

[19] Morgan Brennan, “Bunkers de Bilionários: Para Além da Sala de Emergência, A Segurança Doméstica Abraça a Ficção Científica” [“Billionaire Bunkers: Beyond the Panic Room, Home Security Goes Sci-Fi”], Forbes.com, Dezembro de 2013.

[20] Não deixa de ser irônico que, embora toda a tagarelice aos quatro ventos sobre como classes sociais não existiriam, sobre como Luta de Classes seria algo ultrapassado e restrito ao século XIX e às cabeças de “esquerdistas anacrônicos”, ainda assim a elite se sente numa posição isolada e contrária ao resto assalariado da sociedade, e o teme. [N.M.]

[21] empresas pequenas e normalmente envolvidas com atividades ou projetos ainda não estabelecidos, principalmente relacionados com tecnologia. É comum essas empresas receberem grandes investimentos na esperança de que alguma delas seja a próxima Google, Facebook ou Amazon, principalmente no Vale do Silício. [N.M.]

[22] Anand Giridharadas, “O Vale do Silício Despertado por Chamados à Secessão” [“Silicon Valley Roused by Secession Call”], New York Times, Outubro de 2013.

[23] como não pensar no Brasil e em cidades como o Rio de Janeiro? [N.M.]

[24] Puck Lo, “Em Bairros em Gentrificação, Moradores Dizem Que Milícias Privadas os Mantém Seguros” [“In Gentrifying Neighborhoods, Residents Say Private Patrols Keep Them Safe”], Al Jazeera America, Maio de 2014.

[25] Martin Lukacs, “Nova Cidade Africana Privatizada Pressagia o Apartheid Climático” [“New, Privatized African City Heralds Climate Apartheid”], Guardian, Janeiro de 2014.

[26] Louise Story e Stephanie Saul, “Um Rio de Riqueza Estrangeira Flui Para o Mercado Imobiliário de Elite de Nova York” [“Stream of Foreign Wealth Flows to Elite New York Real Estate”]. New York Times, Fevereiro de 2015.

[27]Novo Rico”, em francês. É uma expressão elitista usada muitas vezes para zombar de pessoas que adquiriram riqueza mas que, segundo a visão de quem o expressa, não possuiriam a riqueza cultural e o gosto refinado que “deveriam acompanhá-la”. [N.M.]

[28] Morgan Brennan, “Bunkers de Billionários.”

[29] Tom Perkins, “Kristallnacht Progressista Chegando?” [“Progressive Kristallnacht Coming?”] Wall Street Journal, Janeiro de 2014.

[30] Adam Withnall, “Chefe da Cartier, com Fortuna de $7.5 bilhões Diz Que Perspectiva dos Pobres Se Revoltando ‘O Mantém Acordado à Noite’” [“Cartier Boss with $7.5bn Fortune Says Prospect of the Poor Rising Up ‘Keeps Him Awake at Night’”], Independent, Junho de 2015.

[31] Mais uma vez, para entender essa tendência já na atualidade, ver o relatório da OXFAM, “Uma Economia Para os 99%“; “Pikettyismos”, de Ladislau Dowbor; “Bill Gates e os 4 Bilhões na Pobreza”, de Michael Roberts. [N.M.]

[32] Adam Hanieh, “Palestina no Oriente Médio: Enfrentando o Neoliberalismo e o Poder Estadunindense” [“Palestine in the Middle East: Opposing Neoliberalism and US Power”], Monthly Review, Julho de 2008.

[33] Michael Lerner, “O Novo Governo Israelense: É Pior Do Que Você Pensa” [“The New Israeli Government: It’s Worse than You Think”], Tikkun, Maio de 2015.

[34] Greg Miller, “Planos Para Caçar Terroristas Sinaliza Que os EUA Pretendem Continuar Adicionando Nomes às Listas de Alvos Para Assassinato” [“Plan for Hunting Terrorists Signals US Intends to Keep Adding Names to Kill Lists”], Washington Post, Outubro de 2012.

[35] os fãs de animações japonesas podem chamar de “Death Note”. [N.M.]

[36] no original, “signature strikes”. [N.M.]

[37] no original, Joint Special Operations Command – e que muitas vezes incluem empresas privadas de inteligência (espionagem) e de defesa (militar), com muitos funcionários terceirizados. [N.M.]

[38] Michael Lerner, “O Novo Governo Israelense: É Pior Do Que Você Pensa”.

[39] difícil não pensar na campanha contra armas autônomas veiculadas num video viralizado recentemente: https://www.poder360.com.br/internacional/video-contra-drones-assassinos-autonomos-viraliza-assista/ [N.M.]

[40] Brown vs. Plata, 134 S. Ct., No. 09-1233 (2011).

[41] imagina o que o juíz diria ao conhecer as condições das celas brasileiras… [N.M.]

[42] Ruth Wilson Gilmore, “Gulag Dourado: Prisões, Excedente, Crise e Oposição na Califórnia Globalizada” [“Golden Gulag: Prisons, Surplus, Crisis, and Opposition in Globalizing California”], Oakland: University of California Press, 2006.

[43] as leis de “three strikes” determinam que dependendo dos crimes pelos quais um réu é condenado, três ocorrências é o suficiente para condená-lo à prisão perpétua. [N.M.]

[44] no original, “evidence-based sentencing.”. [N.M.]

[45] Richard E. Redding, “Sentenciamento Baseado-em-Evidência: A Ciência da Política e da Prática de Sentenciamento” [“Evidence-Based Sentencing: The Science of Sentencing Policy and Practice”], Chapman Journal of Criminal Justice 1: 1, 2009, pp. 1–19.

[46] no Brasil esse tipo de visão tem muito espaço também. José Serra, ex-candidato à presidência da República pelo principal partido de Direita no Brasil na época, o PSDB, defendia em 2012 um acompanhamento desde a infância de crianças identificadas como possíveis futuros criminosos – https://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2012/10/22/serra-propoe-tratar-alunos-como-potenciais-criminosos-na-cbn/. [N.M.]

[47] Radley Balko, “A Ascensão do Policial-Guerreiro: A Militarização das Forças Policiais Estadunidenses” [“Rise of the Warrior Cop: The Militarization of America’s Police Forces”], New York: Public Affairs, 2013.

[48] no original, “flash-bang grenade”. [N.M.]

[49] Karen Foshay, “Quando a Equipe da SWAT Que Você Fundou Assassina o Seu Genro” [“When the SWAT Team You Founded Kills Your Son-in-Law”], Al Jazeera America, Março de 2015.

[50] no original, “black and brown”. “Brown”, nos EUA, tem um sentido diferente de “pardo”, e engloba na verdade tanto negros, quanto latinos, povos originários da América Latina, do Sul e do Sudeste asiático, etc. [N.M.]

[51] Julilly Kohler-Hausmann, “Militarizando a Polícia: A Tortura e a Repressão do Oficial Jon Burge na ‘Selva Urbana’” [“Militarizing the Police: Officer Jon Burge’s Torture and Repression in the ‘Urban Jungle’”], em Stephen Hartnett, ed., “Desafiando o Complexo Prisional-Industrial: Ativismo, Artes e Alternativas Educacionais” [“Challenging the Prison-Industrial Complex: Activism, Arts, and Educational Alternatives”], Urbana: University of Illinois Press, 2010, pp. 43–71.

[52] novamente, a análise segue sobre o caso estadunidense; para o leitor brasileiro, policiamento militarizado é a regra, e não alguma mudança recente. [N.M.]

[53] “Fundação da União Estadunidense Pelas Liberdades Civis” [“American Civil Liberties Union Foundation” – ACLU], “A Guerra Vem Para Casa: A Excessiva Militarização do Policiamento Estadunidense” [“War Comes Home: The Excessive Militarization of American Policing”], ACLU.org, Junho de 2014.

[54] no original, “Mine-Resistant Ambush Protected”. [N.M.]

[55] Paulina Firozi, “Forças Policiais Adquirem Suprimentos Militares Excedentes” [“Police Forces Pick Up Surplus Military Supplies”], USA Today, June 15, 2014.

[56] “Rede Internacional de Organizações de Liberdades Civis” [“International Network of Civil Liberties Organizations”], “Tomando de Volta as Ruas: Repressão e Criminalização de Protestos ao Redor do Mundo” [“Take Back the Streets: Repression and Criminalization of Protest Around the World”], ACLU.org, Outubro de 2013.

[57] mais uma vez, ver “O Ano em Que o Capitalismo Real Mostrou a Que Veio”, de Jerome Roós [N.M.]


Leituras Relacionadas

  • Quatro Futuros – [Peter Frase] Uma coisa de que podemos ter certeza é que o Capitalismo vai acabar; a questão, então, é o que virá depois.
  • Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia – [Peter Frase] “Muito se tem falado sobre os impactos da Crise Climática e de novas tecnologias de Automação de postos de trabalho para o nosso futuro em comum. Como as relações de propriedade e produção capitalistas e a Política, especificamente a Luta de Classes, se encaixam neste quadro? Será que a possibilidade de automação quase generalizada seria o bastante para garantir que ela ocorrerá? Qual seria o impacto dela sobre as condições de vida das pessoas? Com base nesses elementos, que tipo de cenários podemos esperar à partir do fim do Capitalismo?”
  • Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância – [Peter Frase] “Um mundo em que a tecnologia tenha superado ou reduzido a um mínimo (e de forma sustentável) a necessidade de trabalho humano; em que esse potencial seja compartilhado com todos, eliminando a exploração e a alienação das relações de trabalho assalariado; onde as hierarquias derivadas do Capital tenham sido suplantadas por um modelo mais igualitário, agora capaz não só de sanar as necessidades de todos, mas de permitir o livre desenvolvimento de cada um, parece para muitos como um sonho de utopia inalcançável e ingênuo, onde não existiriam quaisquer conflitos ou hierarquias. Será mesmo?
  • Socialismo Como Futuro Automatizado e Igualitário em Resposta à Crise Ambiental – [Peter Frase] Se os avanços tecnológicos da Quarta Revolução Industrial (em campos como Inteligência Artificial, Robótica avançada, fabricação aditiva, etc) forem o suficiente para automatizarmos a maior parte dos empregos, reduzindo a um mínimo a necessidade de trabalho humano, a produção de mercadorias através de trabalho assalariado estará superada – e, portanto, também o capitalismo. Se isso for alcançado em uma sociedade mais igualitária, democrática, sustentável e racional, ainda assim é possível que teremos de nos organizar para lidar com o estrago deixado no planeta pelo sistema capitalista, planejando, executando e administrando  projetos gigantescos de reconstrução, geo-engenharia e racionamento de recursos limitados. Em outras palavras, provavelmente ainda precisaremos de algum tipo de Estado.
  • Rentismo: Um Futuro Automatizado de Abundância Bloqueada Pela Desigualdade – [Peter Frase] Na penúltima parte da série sobre possíveis futuros após o fim do Capitalismo, – com o fim do uso de trabalho humano assalariado na produção de mercadorias, extrapolando as tendências atuais de aplicação de tecnologias como Inteligência Artificial, Robótica, Fabricação Aditiva, Nanotecnologia, etc – encaramos uma distopia em que as elites do sistema capitalista atual têm sucesso em manter seus privilégios e poderes, usando patentes e direitos autorais para bloquear e restringir para si o que poderia ser o livre-acesso universal à abundância possibilitada pelas conquistas do conhecimento humano num cenário em que a própria escassez poderia ser deixada para trás.
  • O Ano em Que o Capitalismo Real Mostrou a Que Veio – [Jerome Roós] “Tudo que nós um dia deveríamos temer sobre o socialismo — desde repressão estatal e vigilância em massa até padrões de vida em queda — aconteceu diante de nossos olhos
  • Inovação Vermelha [Tony Smith] – “Longe de sufocar a inovação, uma sociedade Socialista colocaria o progresso tecnológico a serviço das pessoas comuns.”
  • Bill Gates Não Vai Nos Salvar [E Nem Elon Musk] – [Ben Tarnoff] Quando se trata de tecnologia verde, apenas o Estado pode fazer o que o Vale do Silício não pode.
  • Bill Gates, Socialista? [Leigh Phillips] – “Bill Gates está certo: o setor privado está sufocando a inovação em energias limpas. Mas esse não é o único lugar em que o Capitalismo está nos limitando.
  • O Lamentável Declínio das Utopias Espaciais [Brianna Rennix] – “Narrativas ficcionais são um fator enorme moldando nossas expectativas do que é possível. Infelizmente, utopias estão atualmente fora de moda, como a tediosa proliferação de ficção distópica e filmes de desastre parece indicar. Por que só “libertarianos” fantasiam sobre o espaço hoje em dia?”
  • Lingirie Egípcia e o Futuro Robô [Peter Frase] – O pânico sobre automação erra o alvo – o verdadeiro problema é que os próprios trabalhadores são tratados feito máquinas.”
  • Planejando o Bom Antropoceno – [Leigh Phillips e Michal Rozworski] O mercado está nos levando cegamente a uma calamidade climática – o planejamento democrático é uma saída.
  • Os Ricos Não Merecem Ficar Com a Maior Parte do Seu Dinheiro?“A riqueza é criada socialmente – a redistribuição apenas permite que mais pessoas aproveitem os frutos do seu trabalho.”
  • Contando Com os Bilionários [Japhy Wilson] – Filantropo-capitalistas como George Soros querem que acreditemos que eles podem remediar a miséria econômica que eles mesmos criam.
  • A Sociedade do Smartphone [Nicole M. Aschoff] – “Assim como o automóvel definiu o Século XX, o Smartphone está reformulando como nós vivemos e trabalhamos hoje em dia.”
  • Todo Poder aos “Espaços de Fazedores” [Guy Rundle] – “A impressão 3-D em sua forma atual pode ser um retorno às obrigações enfadonhas do movimento “pequeno é belo”, mas tem o potencial para fazer muito mais.
  • A Revolução Cybersyn [Eden Medina] – Cinco lições de um projeto de computação socialista no Chile de Salvador Allende.
  • Bill Gates e os 4 Bilhões na Pobreza [Michael Roberts] – “A pobreza global está caindo ou crescendo? Sabe-se que a desigualdade global vem aumentando rapidamente nas últimas décadas, mas muitos defensores do capitalismo se apressam para nos afirmar que, apesar disso, nunca estivemos melhor. Será mesmo?
  • Uma Economia Para os 99%relatório da Oxfam apresentando dados sobre a situação atual das desigualdades sociais; os mecanismos que as vêm reproduzindo e aprofundando mundo à fora; sobre como isso destrói qualquer possibilidade de democracia; e sobre possíveis medidas para superar esta situação;
  • Pikettyismos [Ladislau Dowbor] – “O livro de Thomas Piketty [documentando toda a trajetória da desigualdade no mundo desenvolvido desde o século XIX e provando que ela vem crescendo rapidamente nas últimas décadas, desde a virada para o Neoliberalismo] está nos fazendo refletir, não só na esquerda, mas em todo o espectro político. Cada um, naturalmente, digere os argumentos, e em particular a arquitetura teórica do volume, à sua maneira.”
  • ABCs do Socialismo
  • Por Que Socialismo? Albert Einstein explica, de maneira clara e objetiva, os problemas fundamentais que enxerga na sociedade capitalista e porque uma sociedade socialista poderia ser o caminho para superá-los.
  • Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia [Seth Ackerman, John Quiggin, Tyler Zimmer, Jeff Moniker, Matthijs Krul, HumanaEsfera] – “O socialismo promete a emancipação humana, com o alargamento da democracia e da racionalidade para a produção e distribuição de bens e serviços e o uso da tecnologia acumulada pela humanidade para a redução a um mínimo do trabalho necessário por cada pessoa, liberando seu tempo para o seu livre desenvolvimento. Como organizar uma economia socialista para realizar essas promessas?”
  • Votando Sob o Socialismo – [Peter Frase] Vai ser mais significativo – mas esperamos que não envolva assembleias sem-fim.
  • Obsolescência Planejada: Armadilha Silenciosa na Sociedade de Consumo [Valquíria Padilha e Renata Cristina A. Bonifácio] – O crescimento pelo crescimento é irracional. Precisamos descolonizar nossos pensamentos construídos com base nessa irracionalidade para abrirmos a mente e sairmos do torpor que nos impede de agir
  • O Mito do Antropoceno [Andreas Malm] – Culpar toda a Humanidade pela mudança climática deixa o Capitalismo sair ileso.
  • Vivo Sob o Sol [Alyssa Battistoni] – “Não há caminho rumo a um futuro sustentável sem lidar com as velhas pedras no caminho do ambientalismo: consumo e empregos. E a maneira de fazer isso é através de uma Renda Básica Universal. “
  • Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? [Alyssa Battistoni] – “Sob o Socialismo, nós tomaríamos decisões sobre o uso de recursos democraticamente, levando em consideração necessidades e valores humanos, ao invés da maximização dos lucros.
  • Rumo a um Socialismo Ciborgue [Alyssa Battistoni] – “A Esquerda precisa de mais vozes e de críticas mais afiadas que coloquem nossa análise do poder e de justiça no centro das discussões ambientais, onde elas devem estar.”
  • A Fantasia do Livre-Mercado [Nicole M. Aschoff] – “Designar o mercado como ‘natural’ e o Estado como ‘antinatural’ é uma ficção conveniente para aqueles casados com o status quo. O “capitalismo consciente”, embora atraente em alguns aspectos, não é uma solução para a degradação ambiental e social que acompanha o sistema de produção voltado ao lucro. A sociedade precisa decidir em que tipo de mundo deseja viver, e essas decisões devem ser tomadas por meio de estruturas e processos democráticos.”
  • Democratizar Isso [Michal Rozworski] – “Os planos do Partido Trabalhista inglês para buscar modelos democráticos de propriedade são o aspecto mais radical do programa de Corbyn, e um dos mais radicais que temos visto na política dominante em muito tempo.”
  • Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda – [Paul Cockshott e Allin Cottrel] “Desde os anos 90 temos sido bombardeados por relatos sobre como a queda da União Soviética seria uma prova definitiva da impossibilidade de qualquer forma de Economia Planejada racionalmente, de qualquer forma de Economia Socialista, de qualquer forma de Socialismo – e de que não existiria alternativa para organizar a produção e o consumo das sociedades humanas a não ser o Capitalismo de Livre-Mercado. Será mesmo?
  • Bancos, Finanças, Socialismo e Democracia – [Ladislau Dowbor, Nuno Teles e J. W. Mason] Os bancos são instituições centrais na articulação das atividades no sistema capitalista. Como essas instituições deixaram de cumprir suas funções básicas e passaram a estender seu domínio sobre toda a economia? Podemos ver o sistema financeiro como um ambiente “neutro” cujos resultados são os “naturais” gerados pelos “mercados”? Será que dividir os grandes bancos será o suficiente para resolver essa situação?
  • O Comunismo Não Passa de Um Sonho de Utopia? Só Funcionaria Com Pessoas Perfeitas? – [Terry Eagleton] “O Comunismo é apenas um sonho de ingenuidade, utopia e perfeição? Ele ignora a maldade e o egoísmo que estariam na essência da natureza humana? Um tal sistema precisaria que todos pensassem e agissem de uma única maneira, só poderia funcionar com pessoas perfeitas e harmoniosas como peças de relógio, nunca com os seres humanos diversos e falhos que realmente existem?”
  • Precisamos Dominá-la [Peter Frase] – “Nosso desafio é ver na tecnologia tanto os atuais instrumentos de controle dos empregadores quanto as precondições para uma sociedade pós-escassez.
  • Tecnologia e Estratégia Socialista [Paul Heidmann] – “Com poderosos movimentos de classe em sua retaguarda, a tecnologia pode prometer a emancipação do trabalho, ao invés de mais miséria.
  • Políticas Para Se ‘Arranjar Uma Vida’ [Peter Frase] – “O trabalho em uma sociedade capitalista é um fenômeno conflituoso e contraditório. Uma política para a classe trabalhadora tem de ser contra o trabalho, apelando para o prazer e o desejo, ao invés de sacrifício e auto-negação.
  • Todo Poder aos “Espaços de Fazedores” [Guy Rundle] – “A impressão 3-D em sua forma atual pode ser um retorno às obrigações enfadonhas do movimento “pequeno é belo”, mas tem o potencial para fazer muito mais.
  • Os Robôs Vão Tomar Seu Emprego? [Nick Srnicek e Alex Williams] – “Com a automação causando ou não uma devastação nos empregos, o futuro do trabalho sob o capitalismo parece cada vez mais sombrio. Precisamos agora olhar para horizontes pós-trabalho.”
  • Robôs e Inteligência Artificial: Utopia ou Distopia? [Michael Roberts] – “Diz muito sobre o momento atual que enquanto encaramos um futuro que pode se assemelhar ou com uma distopia hiper-capitalista ou com um paraíso socialista, a segunda opção não seja nem mencionada.”
  • Robôs, Crescimento e Desigualdade – Mesmo uma instituição como o FMIvem notando as tendências que a automação de empregos devem gerar nas próximas décadas, incluindo um crescimento vertiginoso da desigualdade social, e a necessidade de compartilhar a abundância prometida por essas inovações.
  • Automação e o ‘Fim do Trabalho’ na Mídia Internacional Dominante 
  • Como Vai Acabar o Capitalismo? – [Wolfgang Streeck] “O epílogo de um sistema em desmantêlo crônico: A legitimidade da ‘democracia’ capitalista se baseava na premissa de que os Estados eram capazes de intervir nos mercados e corrigir seus resultados, em favor dos cidadãos; hoje, as dúvidas sobre a compatibilidade entre uma economia capitalista e um sistema democrático voltaram com força total.”
  • Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas – [George Monbiot] “Crise financeira, desastre ambiental e mesmo a ascensão de Donald Trump – o Neoliberalismo,  a ideologia dominante no ‘Ocidente’ desde os anos 80, desempenhou seu papel em todos eles. Como surgiu e foi adotado pelas elites a ponto de tornar-se invisível e difuso? Por que a Esquerda fracassou até agora em enfrentá-lo?”
  • Desabamento Contínuo: Neoliberalismo Como Estágio da Crise Capitalista, Rendição Social-Democrata, Revolta Popular Recente e as Aberturas à Esquerda – [Robert Brenner] Na fase atual do neoliberalismo, o capitalismo não é mais capaz de garantir crescimento e desenvolvimento semelhantes aos estágios anteriores. Nem mesmo se mostra capaz de garantir condições de vida aos trabalhadores e, assim, assegurar seu apoio ao sistema – passando a depender cada vez mais do medo imposto sobre os mesmos sobre a perda de seus empregos, sobre o futuro, e sobre repressão – e despertando revolta de massa à Esquerda e à Direita. O que se segue é uma tentativa inicial e muito parcial de apresentar como entendemos o panorama político de hoje; uma série de suas características notáveis; as aberturas que se apresentam aos movimentos e à Esquerda; e os problemas que a Esquerda enfrenta.
  • O Projeto Socialista e a Classe Trabalhadora – [David Zachariah] “As pessoas na Esquerda estão unidas em seu objetivo de uma sociedade em que cada indivíduo encontre meios aproximadamente iguais para o pleno desenvolvimento de suas capacidades diversas. O que distingue os socialistas é o reconhecimento de que a forma específica como a sociedade está organizada para reproduzir a si mesma também reproduz grandes desigualdades sociais nos padrões de vida, emprego, condições de trabalho, saúde, educação, habitação, acesso à cultura, meios de desenvolvimento e frutos do trabalho social, etc.
  • O País Já Não é Meio Socialista? – Não, Socialismo não é só sobre mais governo – é sobre propriedade e controle democráticos.
  • Pelo Menos o Capitalismo é Livre e Democrático, Né? – Pode parecer que é assim, mas Liberdade e Democracia genuínas não são compatíveis com o Capitalismo.
  • O Socialismo Soa Bem na Teoria, Mas a Natureza Humana Não o Torna Impossível de Se Realizar? – “Nossa natureza compartilhada na verdade nos ajuda a construir e definir os valores de uma sociedade mais justa.”
  • Os Ricos Não Merecem Ficar Com a Maior Parte do Seu Dinheiro?“A riqueza é criada socialmente – a redistribuição apenas permite que mais pessoas aproveitem os frutos do seu trabalho.”
  • Os Socialistas Vão Levar Meus CDs do Calypso? – Socialistas querem um mundo sem Propriedade Privada, não sem Propriedade Pessoal. Você pode guardar seus discos.
  • O Socialismo Não Termina Sempre em Ditadura? – O Socialismo é muitas vezes misturado com autoritarismo. Mas historicamente, Socialistas tem estado entre os defensores mais convictos da Democracia.
  • O Socialismo Não É Só Um Conceito Ocidental?O Socialismo não é Eurocêntrico por que a lógica do Capital é universal – e a resistência a ela também.
  • E Sobre o Racismo? Os Socialistas Não Se Preocupam Só Com Classe?Na verdade acreditamos que a luta contra o Racismo é central para desfazer o poder da classe dominante. 
  • O Socialismo e o Feminismo Não Entram Às Vezes Em Conflito?Em última análise, os objetivos do Feminismo radical e do Socialismo são os mesmos – Justiça e Igualdade para todas as pessoas.
  • Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? – “Sob o Socialismo, nós tomaríamos decisões sobre o uso de recursos democraticamente, levando em consideração necessidades e valores humanos, ao invés da maximização dos lucros.
  • Os Socialistas São Pacifistas? Algumas Guerras Não São Justificadas?Socialistas querem erradicar a guerra por que ela é brutal e irracional. Mas nós pensamos que existe uma diferença entre a violência dos oprimidos e a dos opressores. 
  • Por Que os Socialistas Falam Tanto em Trabalhadores?Os trabalhadores estão no coração do sistema capitalista. E é por isso que eles estão no centro da política socialista. 
  • O Socialismo Vai Ser Chato? – “O Socialismo não é sobre induzir uma branda mediocridade. É sobre libertar o potencial criativo de todos.
  • Os Socialistas Querem Tornar Todos Iguais? Querem Acabar Com a Nossa Individualidade?
  • O Marxismo Está Ultrapassado? Ele Só Tinha Algo a Dizer Sobre a Inglaterra do Século XIX, e Olhe Lá?
  • O Marxismo é Uma Ideologia Assassina, Que Só Pode Gerar Miséria? – “O Marxismo é uma ideologia sanguinária e assassina, que só pode gerar miséria compartilhada? Socialismo significa falta de liberdade e uma economia falida?”
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