O Capitalismo Está Arruinando a Ciência

Os incentivos de mercado aplicados ao ambiente universitário, com exigências cada vez mais rigorosas em publicações, financiamento, patentes, etc, juntamente do crescimento da fragmentação do conhecimento em campos cada vez mais isolados entre si e com exigências crescentes de complexidade informacional e distância cada vez maior em relação à realidade concreta criam uma situação que ameaça sua imagem como espaço para a busca de respostas para nossos problemas como sociedade, a construção de conhecimento coletivo, a própria integridade do empreendimento científico. 

por Meagan Day e Amir Hernandez

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[Nota do Minhocário: Os dois textos abaixo tratam de diferentes aspectos em torno da relação entre Capitalismo e o desenvolvimento das Ciências, principalmente no ambiente universitário, e os efeitos deletérios não apenas para o próprio ambiente acadêmico, mas para a construção de conhecimento em geral, e seus benefícios para a sociedade.]

  1. O Capitalismo Está Arruinando a Ciência – [Meagan Day] A sorrateira mercantilização tem criado incentivos perversos para os pesquisadores – ameaçando a corrupção generalizada da própria Ciência.
  2. O Declínio da Ciência, o Declínio do Capitalismo – [Amir Hernandez] A fragmentação progressiva dos campos do conhecimento, o crescimento de métodos e especializações em aspectos cada vez mais distantes da realidade criam uma complexidade informacional e toda uma camada cada vez maior de profissionais voltados à essa complexidade, o que não apenas dificulta novos avanços científicos baseados em uma visão mais ampla e abrangente, mas também gera benefícios cada vez menores à sociedade e ameaça a própria boa fé para com a capacidade da Ciência de resolver os problemas colocados à sociedade.

O Capitalismo Está Arruinando a Ciência

por Meagan Day, na Revista Jacobin, Agosto de 2018

A universidade existia antes do Capitalismo e tem, algumas vezes, resistido à obediência aos ditames do mercado capitalista, buscando não o lucro, mas a verdade e o conhecimento. Mas o capitalismo devora tudo o que pode, e à medida que amplia sua dominação, não surpreende que a universidade moderna se torne cada vez mais subserviente ao que Ellen Meiksins Wood chama “os ditames do mercado capitalista – seus imperativos de competição, acumulação, maximização de lucros, e crescente produtividade do trabalho. ”

Na academia, esse imperativo se manifesta de maneiras visíveis: publicar ou perecer, financiamento ou fome.

Sem investimento público, as universidades são compelidas a seguir as regras do setor privado, ou seja, operar como empresas. Nas empresas, é claro, tudo têm a ver com o resultado final – e a saúde dos resultados depende da maximização do lucro, o que por sua vez depende de uma avaliação cuidadosa e constante das entradas e saídas. O resultado para a Ciência acadêmica, de acordo com os pesquisadores Marc A. Edwards e Siddhartha Roy em seu artigo ‘Academic Research in the 21st Century: Maintaining Scientific Integrity in a Climate of Perverse Incentives and Hypercompetition’ [“Pesquisa Acadêmica no Século 21: Mantendo a Integridade Científica em um Clima de Incentivos Perversos e Hipercompetição”], tem sido a introdução de um novo regime quantitativo de métricas de desempenho, que controlam quase tudo o que pesquisadores científicos fazem e têm impactos observáveis em suas práticas de trabalho.

Essas métricas e padrões de referência incluem “contagem de publicações, citações, contagens combinadas de publicação e citações (por exemplo, ‘índice H’), fatores de impacto de periódicos (JIF), total de dólares de pesquisa e totais de patentes.” Edwards e Roy observam que “essas métricas quantitativas agora dominam a tomada de decisões na contratação e promoção nas faculdades, além de titulação, prêmios e financiamento.” Como resultado, os cientistas acadêmicos são cada vez mais motivados por um desejo frenético de conseguir que suas pesquisas sejam financiadas, publicadas e citadas. “A produção científica medida pelo trabalho citado tem duplicado a cada 9 anos desde a Segunda Guerra Mundial”, observam Edwards e Roy.

Mas quantidade não se traduz em qualidade. Pelo contrário, Edwards e Roy rastrearam o efeito de métricas quantitativas de desempenho na qualidade da pesquisa científica e descobriram que ela tem um efeito prejudicial. Como resultado dos sistemas de recompensas que incentivam o volume de publicações, os artigos científicos têm se tornado mais curtos e menos abrangentes, ostentando “métodos pobres e aumento das taxas de falsas descobertas”. Em resposta à crescente ênfase nas citações do trabalho nas avaliações profissionais, as listas de referência ficaram inchadas para atender às necessidades de carreira, com um número crescente de revisores solicitando que seu próprio trabalho seja citado como condição de publicação.

Enquanto isso, o sistema que recompensa financiamento vultosos em doações com mais oportunidades profissionais resulta em cientistas gastando tempo desproporcional escrevendo propostas de financiamento e exagerando os resultados positivos de suas pesquisas para chamar a atenção de financiadores. Da mesma forma, quando universidades recompensam departamentos por um alto nível de classificação, os departamentos são incentivados a “fazer engenharia reversa, manipular e enganar os rankings”, corroendo a integridade das próprias instituições científicas.

As consequências sistêmicas do incremento na pressão do mercado sobre a ciência acadêmica são potencialmente catastróficas. Como Edwards e Roy escrevem, “a combinação de incentivos perversos e diminuição do financiamento aumenta pressões que podem levar a um comportamento antiético. Se um número suficiente de cientistas se tornar indigna de confiança, é possível um ponto de inflexão no qual o próprio empreendimento científico se torna inerentemente corrupto e a confiança pública se perde, arriscando o surgimento de uma nova idade das trevas com conseqüências devastadoras para a humanidade. ” A fim de manter credibilidade, os cientistas precisam manter a integridade – e a hipercompetição está minando essa integridade, potencialmente minando todo esse esforço.

Além do mais, cientistas que estão preocupados em buscar subsídios e citações perdem oportunidades de contemplação cuidadosa e exploração profunda, que são necessárias para tratar de questões complexas. Peter Higgs, o físico teórico britânico que em 1964 previu a existência da partícula do bóson de Higgs, disse ao jornal Guardian, ao receber o Prêmio Nobel em 2013, que ele nunca teria sido capaz de fazer sua descoberta no atual ambiente acadêmico.

“É difícil imaginar como eu poderia encontrar paz e tranquilidade suficientes no clima atual para fazer o que fiz em 1964”, disse Higgs. “Hoje eu não conseguiria um emprego acadêmico. Simples assim. Eu não acho que seria considerado suficientemente produtivo.”

No final de sua carreira, Higgs disse que se tornou “um embaraço para o departamento quando faziam exercícios de avaliação de pesquisa. O departamento de Física da Universidade de Edimburgo enviava uma mensagem dizendo: ‘Por favor, nos dê uma lista de suas publicações recentes’… Eu devolvia uma declaração: ‘Nenhuma’.” Higgs disse que a universidade o manteve, apesar de sua produtividade insuficiente, apenas na esperança de que ele ganhasse o Prêmio Nobel, o que seria um benefício para a universidade no ambiente contemporâneo de vida-ou-morte.

Quando os ditames competitivos do capitalismo – vender seu trabalho se você for um trabalhador, maximizar o lucro se você for um chefe – reinam sobre tudo o mais, buscas alternativas são inevitavelmente frustradas, não importa quão nobres sejam. Um objetivo nobre da academia de Ciências, por exemplo, é fornecer os recursos e encorajamento para as pessoas realizarem experimentos rigorosos que engrandecerão o conhecimento coletivo sobre o mundo em que vivemos. Mas essas aspirações sofrem, conforme administrações de mentalidade ‘austera’ fecham a torneira do financiamento federal para universidades e pesquisa, e instituições reagem mudando seus modelos de financiamento para se manter à tona.

Edwards e Roy observam que a hipercompetição causada pela proliferação de métricas de desempenho faz com que os cientistas acadêmicos enfatizem a quantidade em detrimento da qualidade; os incentiva a tomar atalhos e seleciona os intelectuais com uma mentalidade mais voltada para a carreira do que para a Ciência. Em suma, os ditames do mercado capitalista (“competição, acumulação, maximização do lucro e crescente produtividade do trabalho”) prejudicam a integridade científica e a busca coletiva de conhecimento.

Edwards e Roy recomendam várias reformas, principalmente focar em métricas quantitativas mais relaxadas e na prevenção de má conduta de pesquisa. No entanto, com toda a probabilidade, os problemas continuarão até que a causa raiz seja resolvida – isto é, até que o capitalismo não mais domine a universidade e a sociedade que a sustenta.

Tradução: Everton Lourenço


O Declínio da Ciência, o Declínio do Capitalismo

por Amir Hernandez, em Cold and Darks Stars, Maio de 2018 | Tradução: Andrey Santiago

Poderia um outro Einstein existir nesta era? Uma pergunta melhor seria se o espírito do programa de pesquisa dele poderia emergir novamente em nossa situação atual. Pelo seu programa de pesquisa, me refiro à atividade que compreendia alguns experimentos mentais e princípios heurísticos fundamentais que revolucionaram não somente a Física mas toda a nossa ontologia em geral. Por meio de uma combinação de imaginação e proezas matemáticas, como imaginar-se montando em um raio, e depois traduzindo essa imaginação para a linguagem da geometria, Einstein revolucionou nossas mais fundamentais intuições de espaço e tempo.

Avançemos 100 anos no futuro, onde a Física se tornou cada vez mais especializada e fragmentada, com a Física teórica atomizada em várias subdisciplinas. Dado esse panorama complexo, simplesmente não há banda suficiente para lidar com a complexidade informacional de todos os campos relevantes, a fim de se compreender algo holístico e fundamental. Em vez disso, o conhecimento científico está atomizado entre várias disciplinas. No entanto, embora essa divisão do trabalho e o aumento da complexidade informacional tenham uma lógica legítima, como muitos campos realmente se tornam mais especializados e complexos em um sentido útil e autêntico – essa complexidade tem retornos marginais decrescentes. Nos podemos ver esse efeito em alguns montes de artigos de Física teórica, com teoria após teoria que talvez tenha só uma ligação tênue com o mundo. Em algum ponto, a complexidade e a literatura cresceram exponencialmente, engolfando as confirmações empíricas.

Um dos exemplos mais notáveis ​​dos benefícios decrescentes da complexidade é a falta de mudanças revolucionárias na Física teórica. As últimas revoluções maiores na Física, a mecânica quântica e a relatividade, aconteceram há cerca de cem anos – apesar do enorme aumento no número de cientistas e disciplinas ao longo do último século. Não há escassez de modelos e de teorias, mas a criação de novas previsões e confirmações empíricas está diminuindo, como evidenciado pela inabilidade de caros experimentos em Física de confirmar qualquer nova partícula conjeturada pela ultima geração de físicos teóricos. Em outras palavras, para usar as ideias de Lakatos, a Física teórica está se degenerando, porque há um aumento exponencial na complexidade das informações sem muito conteúdo empírico para embasá-las. Em suma, todos os novos e caros cientistas, computadores, teorias (por exemplo, supersimetria, teoria das cordas) e campos crípticos estão gerando retornos decrescentes em conhecimento.

No entanto, não apenas as ciências acadêmicas estão se degenerando. Nesta fase do capitalismo, o programa de pesquisa degenerativa é universal. Este programa de pesquisa universal inclui todos os campos relevantes da investigação e conhecimento humanos. Logo, essa degeneração não existe apenas no topo da academia, mas se espalha por qualquer instituição que se proponha a resolver problemas. Nos encontramos uma diminuição dos retornos na produtividade de varias indústrias e na economia como um todo, o que sinaliza também a diminuição nos benefícios da complexidade. Em todas as partes da sociedade há um aumento na complexidade que traz retornos em declínio. Como todas essas instituições buscam resolver problemas e usam algum tipo de método / epísteme, podemos dizer que suas teorias do mundo são degenerativas, em analogia ao conceito lakatosiano de programa de pesquisa degenerativa. Apesar de seu inchaço em especialistas, os retornos marginais no “conhecimento” necessário para a produção diminuem.

Talvez o aspecto mais incrível desse declínio seja a existência de especialistas em métodos quase totalmente degenerativos. Conforme os métodos degenerativos aumentam exponencialmente em volume – métodos que não têm muito suporte empírico – a complexidade informacional precisa de mais especialistas para gerenciá-los, e esses especialistas são quase totalmente especializados nesses métodos em decomposição. Economistas e teóricos das cordas são os exemplos quintessenciais de profissionais degenerativos.

Essa degeneração do programa universal de pesquisa e, com ela, a criação de uma casta degenerativa de profissionais não passou despercebida pela população. Este declínio provavelmente alimentou parte da onda anti-intelectual e anti-tecnocrática que levou Trump ao poder. Por exemplo, as pessoas muitas vezes se queixam da crescente inacessibilidade da literatura acadêmica, com sua superprodução de jargões obscuros. Outro exemplo é o ódio aberto aos administradores, gerentes e outros profissionais tecnocratas, que são vistos como fazendo um trabalho cada vez mais abstrato, que não se conecta tanto com o que acontece na realidade. Por exemplo, um alvo comum de críticas para esse fenômeno é o inchaço administrativo que infesta as universidades.

Este processo abstrato do programa de pesquisa degenerativa está ligado à saúde do capitalismo, em um ciclo de retroalimentação bidirecional, já que é através da solução de problemas que o capitalismo desenvolve o crescimento tecnológico e econômico. Talvez possamos entender melhor a saúde do capitalismo, referindo-nos às idéias do antropólogo Joseph Tainter. Tainter argumenta que as sociedades são fundamentalmente máquinas de resolução de problemas e que elas adicionam complexidade na forma de instituições, especialistas, burocratas e informações, a fim de aumentar sua capacidade de resolver problemas no curto prazo. Por exemplo, os primeiros sistemas de irrigação nas civilizações mesopotâmicas, cruciais para a agricultura – e, portanto, para a sobrevivência -, criaram sua própria camada de especialistas para gerenciar esses sistemas.

No entanto, a complexidade é cara, pois adiciona mais uso de energia/recursos per capita. Além disso, a capacidade de resolução de problemas das instituições diminui em retornos à medida que se acrescenta complexidade mais cara. Em algum momento, as sociedades complexas acabam tendo uma camada muito cara de gerentes, especialistas e burocratas que não conseguem mais resolver problemas. Em breve, porque a complexidade não está mais tornando a sociedade mais produtiva, a base econômica, como a produção agrícola, não pode crescer tão rapidamente quanto a complexidade cara, fazendo a sociedade entrar em colapso. Esse colapso redefine a complexidade, produzindo sociedades mais simples. Tainter argumenta que esse foi o destino de muitos impérios e civilizações antigas, como os romanos, olmecas e maias. Assim, Tainter defende aqui uma teoria do declínio do modo de produção, onde os modos de produção são “cíclicos” e têm um estágio ascendente e descendente. Usando essa imagem, podemos começar a identificar um estágio do capitalismo em declínio.

Este declínio do capitalismo tem muitas evidências empíricas. Think-tanks “burgueses”, como o Brookings Institute, argumentam que a produtividade diminuiu desde os anos 70. Economistas marxistas como Michael Roberts afirmam que os dados empíricos mostram que a taxa de lucro tem caído desde o final da década de 1940 nos EUA. Sem mencionar a recente Grande Recessão de 2008. No entanto, esse declínio econômico e material está ligado ao programa de pesquisa degenerativa, já que a dispendiosa complexidade das instituições degenerativas se expande mais rapidamente do que a base econômica (por exemplo, PIB). Por exemplo, o crescimento exponencial de administradores em saúde e na universidade às custas de médicos e professores é sintomático dessa degeneração.

A degeneração do programa universal de pesquisa tem duas conseqüências importantes. Primeiro, que uma grande parte de figuras de autoridade que baseiam seus conhecimentos em credenciais é ilegítima. A razão é que, se eles fazem parte de uma casta degenerativa de profissionais (políticos, economistas, etc.), eles não podem reivindicar autoridade sobre conhecimento relevante, porque todo o seu método está corrompido. Isso implica que os socialistas não devem se sentir intimidados pelas credenciais e pelo currículo dos tecnocratas mais próximos do poder. Como mencionado antes, populistas de direita como Trump entendem parcialmente este fenômeno, o que desencadeou seu eleitorado reacionário contra os “liberais limousine” [analago ao termo “esquerda caviar” usado no Brasil] e “deep-statists” [algo como “estatistas profundos”] [o deep state é uma teoria que diz que existe um Estado dentro do Estado, essas pessoas seriam favoráveis a esse Estado Profundo] em Washington. É hora de nós, socialistas, entendermos essa verdade em particular, e não termos medo de combater o suposto realismo e expertise do centro neoliberal. A segunda consequência é que nossos métodos de investigação, como ciência ou filosofia, estão paralisados. Em vez disso, o ciclo de retroalimentação de complexidade cria mais especialistas degenerativos, especializados em uma complexidade informacional que tem uma conexão tênue com os fatos do mundo. Doutorados inteiros são feitos em métodos degenerativos – por exemplo, cientistas especializados em alguma estrutura teórica particular em Física que não foi validada empiricamente.

Qual é a abordagem socialista para a degeneração do programa de pesquisa? Embora não se possa dizer que os socialistas não sofrerão problemas semelhantes, dado que a complexidade informacional sempre será necessária quando se lida com nossa complexa civilização, o capitalismo tem incentivos particularmente perversos para programas de pesquisa degenerativa. Por exemplo, a forma como o programa de pesquisa degenerativa sobrevive é através da manutenção de portões que salvaguardam a divisão do trabalho por profissionais bem pagos e poderosos. Um exemplo óbvio é a Economia profissional atual, que requer, em grande parte, uma absorção de matemática sofisticada em nível de pós-graduação para entrar na profissão, mesmo que esses modelos matemáticos sejam em grande parte degenerativos. Na paisagem política em geral, o Estado é formado por políticos e tecnocratas de carreira, que salvaguardam suas posições por meio de uma guarda antidemocrática na forma de uma rede de elites e listas de currículos. A justificativa para essa manutenção é que esses guardas acumulam poder e riqueza através da proteção de seus programas de pesquisa degenerativa. Além disso, o capitalismo acelera a fratura da divisão do trabalho, uma vez que persegue a produtividade de curto prazo a todo custo, mesmo quando essa complexidade a longo prazo se torna cara e um passivo.

A cura socialista para a degeneração do programa de pesquisa poderia consistir em dois ingredientes principais. Primeiro, que as instituições que comandam um vasto controle sobre a sociedade e seus recursos deveriam democratizar e rotacionar seus funcionários e “pesquisadores”. Por exemplo, no caso do Estado, uma abordagem socialista eliminaria a existência de políticos de carreira, estabelecendo limites rigorosos para os mandatos e fazendo com que muitos funcionários, como os juízes, fossem devessem responder ​​à vontade democrática. Como há retornos decrescentes no conhecimento por meio da especialização e da complexidade informacional, uma ampla educação pública (até o nível de bacharelato universitário) poderia garantir um corpo de cidadãos suficientemente educados para que possam participar dos assuntos do dia-a-dia do Estado. Em vez de uma casta de profissionais degenerativos que controlam o Estado, um corpo educado de cidadãos-trabalhadores poderia administrar os assuntos do dia-a-dia do Estado através de uma combinação de sorteio, democracia e limites rigorosos de mandatos.

O segundo ingrediente consiste na redução de grande parte da complexidade, concentrando-se na redução do dia de trabalho através do planejamento econômico. Uma vez que um dos principais princípios do socialismo é reduzir o dia de trabalho para que a sociedade seja governada pelos imperativos do tempo livre em oposição à compulsão do trabalho, isso exigiria a eliminação de indústrias que não satisfazem a necessidade social (setores de finanças, imobiliários, parte do setor de serviços, alguns aspectos da universidade) para criar um Estado mais enxuto e mínimo. Uma vez que o dia de trabalho seja reduzido a apenas o necessário para a auto-reprodução da sociedade, haverá tempo livre para as pessoas participarem de qualquer programa de pesquisa de sua escolha. Fazer isso pode dar origem a programas de pesquisa alternativos que não exigem o domínio de imensa complexidade informacional para participar. Talvez a próxima revolução científica só possa surgir ao tornarmos a Ciência mais democrática e livre. Essa visão contrasta com a Ciência elitista que existe hoje, que está à mercê de profissionais hiperespecializados, incapazes de ter uma visão holística e panorâmica do campo e, portanto, incapazes de compreender as leis fundamentais da realidade.

Tradução: Andrey Santiago

Revisão: Everton Lourenço


Leituras Relacionadas

  • Inovação Vermelha [Tony Smith] – “Longe de sufocar a inovação, uma sociedade Socialista colocaria o progresso tecnológico a serviço das pessoas comuns.”
  • Bill Gates, Socialista? [Leigh Phillips] – “Bill Gates está certo: o setor privado está sufocando a inovação em energias limpas. Mas esse não é o único lugar em que o Capitalismo está nos limitando.
  • A Revolução Cybersyn [Eden Medina] – Cinco lições de um projeto de computação socialista no Chile de Salvador Allende.
  • Elon Musk Não é o Futuro – [Paris Marx] Os dirigentes das grandes empresas de tecnologia estão nessa apenas por eles mesmos, não pelo bem público.
  • Bill Gates Não Vai Nos Salvar [E Nem Elon Musk] – [Ben Tarnoff] Quando se trata de tecnologia verde, apenas o Estado pode fazer o que o Vale do Silício não pode.
  • Planejando o Bom Antropoceno – [Leigh Phillips e Michal Rozworski] O mercado está nos levando cegamente a uma calamidade climática – o planejamento democrático é uma saída.
  • Todo Poder aos “Espaços de Fazedores” [Guy Rundle] – “A impressão 3-D em sua forma atual pode ser um retorno às obrigações enfadonhas do movimento “pequeno é belo”, mas tem o potencial para fazer muito mais.
  • O Lamentável Declínio das Utopias Espaciais [Brianna Rennix] – “Narrativas ficcionais são um fator enorme moldando nossas expectativas do que é possível. Infelizmente, utopias estão atualmente fora de moda, como a tediosa proliferação de ficção distópica e filmes de desastre parece indicar. Por que só “libertarianos” fantasiam sobre o espaço hoje em dia?”
  • Precisamos Dominá-la [Peter Frase] – “Nosso desafio é ver na tecnologia tanto os atuais instrumentos de controle dos empregadores quanto as precondições para uma sociedade pós-escassez.
  • Tecnologia e Estratégia Socialista [Paul Heidmann] – “Com poderosos movimentos de classe em sua retaguarda, a tecnologia pode prometer a emancipação do trabalho, ao invés de mais miséria.
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  • O Mito do Antropoceno [Andreas Malm] – Culpar toda a Humanidade pela mudança climática deixa o Capitalismo sair ileso.
  • Comunismo Verde Totalmente Automatizado – [Aaron Bastani] O desafio das mudanças climáticas precisa de uma resposta à altura, que reconheça a sua dimensão, amplitude e a necessidade de mudanças profundas em nossas tecnologias, relações de produção, relações com a natureza, em nosso dia-a-dia e em nossas visões de mundo. Felizmente, depois de décadas de dominação quase absoluta do “realismo capitalista” e de suas propostas vazias de respostas à crise climática via mercado, vai se abrindo o espaço para uma proposta “populista” pela construção de uma alternativa radical que abrace a expansão e a democratização das tecnologias de energias renováveis, robótica fina, inteligência artificial, e produção aditiva como um projeto político a ser disputado, para a construção de uma sociedade focada na sustentabilidade e na socialização da abundância, do lazer, do bem-estar e da maior disponibilidade de tempo para as mais diversas atividades.
  • Quatro Futuros: Vida Após o Capitalismo[Peter Frase] [“Crise climática”, “mudanças ambientais”, “robôs inteligentes”, “robôs tomando empregos”: os impactos da Crise Climática e de novas tecnologias de Automação de postos de trabalho para o nosso futuro comum vêm sendo cada vez mais discutidos. Se os avanços tecnológicos da “Quarta Revolução Industrial” (em especial em campos como Inteligência Artificial, Robótica avançada, fabricação aditiva, etc) forem o suficiente para automatizarmos a maior parte das atividades que hoje são empregos, reduzindo a um mínimo a necessidade de trabalho humano, a produção de mercadorias através de trabalho assalariado estará superada – e, portanto, estaremos falando do fim do Capitalismo; a questão então é o que virá depois. Será que a possibilidade de toda essa automação é o bastante para garantir que ela vai ocorrer? Qual seria o impacto disso sobre as vidas das pessoas? Como as questões ambientais/climáticas entram nesse quadro? E as relações de propriedade e produção capitalistas e a Política, especificamente a Luta de Classes? Que tipo de cenários podemos esperar à partir do fim do Capitalismo?]
  • Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia – [Peter Frase] Muito se tem falado sobre os impactos da Crise Climática e de novas tecnologias de Automação de postos de trabalho para o nosso futuro em comum. Como as relações de propriedade e produção capitalistas e a Política, especificamente a Luta de Classes, se encaixam neste quadro? Será que a possibilidade de automação quase generalizada seria o bastante para garantir que ela ocorrerá? Qual seria o impacto dela sobre as condições de vida das pessoas? Com base nesses elementos, que tipo de cenários podemos esperar à partir do fim do Capitalismo?
  • Socialismo Como Futuro Automatizado e Igualitário em Resposta à Crise Ambiental – [Peter Frase] Se os avanços tecnológicos da Quarta Revolução Industrial (em campos como Inteligência Artificial, Robótica avançada, fabricação aditiva, etc) forem o suficiente para automatizarmos a maior parte dos empregos, reduzindo a um mínimo a necessidade de trabalho humano, a produção de mercadorias através de trabalho assalariado estará superada – e, portanto, também o capitalismo. Se isso for alcançado em uma sociedade mais igualitária, democrática, sustentável e racional, ainda assim é possível que teremos de nos organizar para lidar com o estrago deixado no planeta pelo sistema capitalista, planejando, executando e administrando  projetos gigantescos de reconstrução, geo-engenharia e racionamento de recursos limitados. Em outras palavras, provavelmente ainda precisaremos de algum tipo de Estado.
  • Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância – [Peter Frase] Um mundo em que a tecnologia tenha superado ou reduzido a um mínimo (e de forma sustentável) a necessidade de trabalho humano; em que esse potencial seja compartilhado com todos, eliminando a exploração e a alienação das relações de trabalho assalariado; onde as hierarquias derivadas do Capital tenham sido suplantadas por um modelo mais igualitário, agora capaz não só de sanar as necessidades de todos, mas de permitir o livre desenvolvimento de cada um, parece para muitos como um sonho de utopia inalcançável e ingênuo, onde não existiriam quaisquer conflitos ou hierarquias. Será mesmo?
  • Vivo Sob o Sol [Alyssa Battistoni] – “Não há caminho rumo a um futuro sustentável sem lidar com as velhas pedras no caminho do ambientalismo: consumo e empregos. E a maneira de fazer isso é através de uma Renda Básica Universal. “
  • Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? [Alyssa Battistoni] – “Sob o Socialismo, nós tomaríamos decisões sobre o uso de recursos democraticamente, levando em consideração necessidades e valores humanos, ao invés da maximização dos lucros.
  • Rumo a um Socialismo Ciborgue [Alyssa Battistoni] – “A Esquerda precisa de mais vozes e de críticas mais afiadas que coloquem nossa análise do poder e de justiça no centro das discussões ambientais, onde elas devem estar.”
  • A Fantasia do Livre-Mercado [Nicole M. Aschoff] – “Designar o mercado como ‘natural’ e o Estado como ‘antinatural’ é uma ficção conveniente para aqueles casados com o status quo. O “capitalismo consciente”, embora atraente em alguns aspectos, não é uma solução para a degradação ambiental e social que acompanha o sistema de produção voltado ao lucro. A sociedade precisa decidir em que tipo de mundo deseja viver, e essas decisões devem ser tomadas por meio de estruturas e processos democráticos.”
  • Rentismo: Um Futuro Automatizado de Abundância Bloqueada Pela Desigualdade – [Peter Frase] Na penúltima parte da série sobre possíveis futuros após o fim do Capitalismo, – com o fim do uso de trabalho humano assalariado na produção de mercadorias, extrapolando as tendências atuais de aplicação de tecnologias como Inteligência Artificial, Robótica, Fabricação Aditiva, Nanotecnologia, etc – encaramos uma distopia em que as elites do sistema capitalista atual têm sucesso em manter seus privilégios e poderes, usando patentes e direitos autorais para bloquear e restringir para si o que poderia ser o livre-acesso universal à abundância possibilitada pelas conquistas do conhecimento humano num cenário em que a própria escassez poderia ser deixada para trás.
  • Exterminismo: ‘Solução Final’ Num Futuro Automatizado de Desigualdade e Escassez – [Peter Frase] A cada semana somos bombardeados por notícias sobre avanços tecnológicos assombrosos, que prometem diminuir, e muito, a necessidade de trabalho humano nas mais diversas atividades. De fato, podemos imaginar que em algum momento no futuro teremos a necessidade de muito pouco trabalho humano na produção de mercadorias. Mas e se chegarmos nesse ponto ainda divididos entre podres de ricos e “a ralé”? E se os recursos naturais de energia e de matérias-primas não forem o bastante para garantir uma vida luxuriante para todos? E se, do ponto de vista dos abastados, os ex-trabalhadores passarem a representar apenas um “peso inútil”, ou até mesmo, um risco “desnecessário”? No último capítulo sobre possíveis futuros automatizados com o fim do Capitalismo, somos confrontados por uma distopia de desigualdade e crueldade cujas raízes já podemos notar em muitas tendências atuais.
  • O Ano em Que o Capitalismo Real Mostrou a Que Veio – [Jerome Roós] “Tudo que nós um dia deveríamos temer sobre o socialismo — desde repressão estatal e vigilância em massa até padrões de vida em queda — aconteceu diante de nossos olhos
  • Lingirie Egípcia e o Futuro Robô [Peter Frase] – O pânico sobre automação erra o alvo – o verdadeiro problema é que os próprios trabalhadores são tratados feito máquinas.”
  • Os Ricos Não Merecem Ficar Com a Maior Parte do Seu Dinheiro? – “A riqueza é criada socialmente – a redistribuição apenas permite que mais pessoas aproveitem os frutos do seu trabalho.”
  • Contando Com os Bilionários [Japhy Wilson] – Filantropo-capitalistas como George Soros querem que acreditemos que eles podem remediar a miséria econômica que eles mesmos criam.
  • A Sociedade do Smartphone [Nicole M. Aschoff] – “Assim como o automóvel definiu o Século XX, o Smartphone está reformulando como nós vivemos e trabalhamos hoje em dia.”
  • Bill Gates e os 4 Bilhões na Pobreza [Michael Roberts] – “A pobreza global está caindo ou crescendo? Sabe-se que a desigualdade global vem aumentando rapidamente nas últimas décadas, mas muitos defensores do capitalismo se apressam para nos afirmar que, apesar disso, nunca estivemos melhor. Será mesmo?
  • Uma Economia Para os 99% – relatório da Oxfam apresentando dados sobre a situação atual das desigualdades sociais; os mecanismos que as vêm reproduzindo e aprofundando mundo à fora; sobre como isso destrói qualquer possibilidade de democracia; e sobre possíveis medidas para superar esta situação;
  • Pikettyismos [Ladislau Dowbor] – “O livro de Thomas Piketty [documentando toda a trajetória da desigualdade no mundo desenvolvido desde o século XIX e provando que ela vem crescendo rapidamente nas últimas décadas, desde a virada para o Neoliberalismo] está nos fazendo refletir, não só na esquerda, mas em todo o espectro político. Cada um, naturalmente, digere os argumentos, e em particular a arquitetura teórica do volume, à sua maneira.”
  • ABCs do Socialismo
  • Por Que Socialismo? – Albert Einstein explica, de maneira clara e objetiva, os problemas fundamentais que enxerga na sociedade capitalista e porque uma sociedade socialista poderia ser o caminho para superá-los.
  • Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia [Seth Ackerman, John Quiggin, Tyler Zimmer, Jeff Moniker, Matthijs Krul, HumanaEsfera] – “O socialismo promete a emancipação humana, com o alargamento da democracia e da racionalidade para a produção e distribuição de bens e serviços e o uso da tecnologia acumulada pela humanidade para a redução a um mínimo do trabalho necessário por cada pessoa, liberando seu tempo para o seu livre desenvolvimento. Como organizar uma economia socialista para realizar essas promessas?”
  • Votando Sob o Socialismo – [Peter Frase] Vai ser mais significativo – mas esperamos que não envolva assembleias sem-fim.
  • Democratizar Isso [Michal Rozworski] – “Os planos do Partido Trabalhista inglês para buscar modelos democráticos de propriedade são o aspecto mais radical do programa de Corbyn, e um dos mais radicais que temos visto na política dominante em muito tempo.”
  • Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda – [Paul Cockshott e Allin Cottrel] “Desde os anos 90 temos sido bombardeados por relatos sobre como a queda da União Soviética seria uma prova definitiva da impossibilidade de qualquer forma de Economia Planejada racionalmente, de qualquer forma de Economia Socialista, de qualquer forma de Socialismo – e de que não existiria alternativa para organizar a produção e o consumo das sociedades humanas a não ser o Capitalismo de Livre-Mercado. Será mesmo?
  • Bancos, Finanças, Socialismo e Democracia – [Ladislau Dowbor, Nuno Teles e J. W. Mason] Os bancos são instituições centrais na articulação das atividades no sistema capitalista. Como essas instituições deixaram de cumprir suas funções básicas e passaram a estender seu domínio sobre toda a economia? Podemos ver o sistema financeiro como um ambiente “neutro” cujos resultados são os “naturais” gerados pelos “mercados”? Será que dividir os grandes bancos será o suficiente para resolver essa situação?
  • O Comunismo Não Passa de Um Sonho de Utopia? Só Funcionaria Com Pessoas Perfeitas? – [Terry Eagleton] “O Comunismo é apenas um sonho de ingenuidade, utopia e perfeição? Ele ignora a maldade e o egoísmo que estariam na essência da natureza humana? Um tal sistema precisaria que todos pensassem e agissem de uma única maneira, só poderia funcionar com pessoas perfeitas e harmoniosas como peças de relógio, nunca com os seres humanos diversos e falhos que realmente existem?”
  • Políticas Para Se ‘Arranjar Uma Vida’ [Peter Frase] – “O trabalho em uma sociedade capitalista é um fenômeno conflituoso e contraditório. Uma política para a classe trabalhadora tem de ser contra o trabalho, apelando para o prazer e o desejo, ao invés de sacrifício e auto-negação.
  • Todo Poder aos “Espaços de Fazedores” [Guy Rundle] – “A impressão 3-D em sua forma atual pode ser um retorno às obrigações enfadonhas do movimento “pequeno é belo”, mas tem o potencial para fazer muito mais.
  • Os Robôs Vão Tomar Seu Emprego? [Nick Srnicek e Alex Williams] – “Com a automação causando ou não uma devastação nos empregos, o futuro do trabalho sob o capitalismo parece cada vez mais sombrio. Precisamos agora olhar para horizontes pós-trabalho.”
  • Robôs e Inteligência Artificial: Utopia ou Distopia? [Michael Roberts] – “Diz muito sobre o momento atual que enquanto encaramos um futuro que pode se assemelhar ou com uma distopia hiper-capitalista ou com um paraíso socialista, a segunda opção não seja nem mencionada.”
  • Robôs, Crescimento e Desigualdade – Mesmo uma instituição como o FMIvem notando as tendências que a automação de empregos devem gerar nas próximas décadas, incluindo um crescimento vertiginoso da desigualdade social, e a necessidade de compartilhar a abundância prometida por essas inovações.
  • Automação e o ‘Fim do Trabalho’ na Mídia Internacional Dominante 
  • Como Vai Acabar o Capitalismo? – [Wolfgang Streeck] “O epílogo de um sistema em desmantêlo crônico: A legitimidade da ‘democracia’ capitalista se baseava na premissa de que os Estados eram capazes de intervir nos mercados e corrigir seus resultados, em favor dos cidadãos; hoje, as dúvidas sobre a compatibilidade entre uma economia capitalista e um sistema democrático voltaram com força total.”
  • Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas – [George Monbiot] “Crise financeira, desastre ambiental e mesmo a ascensão de Donald Trump – o Neoliberalismo,  a ideologia dominante no ‘Ocidente’ desde os anos 80, desempenhou seu papel em todos eles. Como surgiu e foi adotado pelas elites a ponto de tornar-se invisível e difuso? Por que a Esquerda fracassou até agora em enfrentá-lo?”
  • Desabamento Contínuo: Neoliberalismo Como Estágio da Crise Capitalista, Rendição Social-Democrata, Revolta Popular Recente e as Aberturas à Esquerda – [Robert Brenner] Na fase atual do neoliberalismo, o capitalismo não é mais capaz de garantir crescimento e desenvolvimento semelhantes aos estágios anteriores. Nem mesmo se mostra capaz de garantir condições de vida aos trabalhadores e, assim, assegurar seu apoio ao sistema – passando a depender cada vez mais do medo imposto sobre os mesmos sobre a perda de seus empregos, sobre o futuro, e sobre repressão – e despertando revolta de massa à Esquerda e à Direita. O que se segue é uma tentativa inicial e muito parcial de apresentar como entendemos o panorama político de hoje; uma série de suas características notáveis; as aberturas que se apresentam aos movimentos e à Esquerda; e os problemas que a Esquerda enfrenta.
  • O Projeto Socialista e a Classe Trabalhadora – [David Zachariah] “As pessoas na Esquerda estão unidas em seu objetivo de uma sociedade em que cada indivíduo encontre meios aproximadamente iguais para o pleno desenvolvimento de suas capacidades diversas. O que distingue os socialistas é o reconhecimento de que a forma específica como a sociedade está organizada para reproduzir a si mesma também reproduz grandes desigualdades sociais nos padrões de vida, emprego, condições de trabalho, saúde, educação, habitação, acesso à cultura, meios de desenvolvimento e frutos do trabalho social, etc.
  • O País Já Não é Meio Socialista? – Não, Socialismo não é só sobre mais governo – é sobre propriedade e controle democráticos.
  • Pelo Menos o Capitalismo é Livre e Democrático, Né? – Pode parecer que é assim, mas Liberdade e Democracia genuínas não são compatíveis com o Capitalismo.
  • O Socialismo Soa Bem na Teoria, Mas a Natureza Humana Não o Torna Impossível de Se Realizar? – “Nossa natureza compartilhada na verdade nos ajuda a construir e definir os valores de uma sociedade mais justa.”
  • Os Ricos Não Merecem Ficar Com a Maior Parte do Seu Dinheiro? – “A riqueza é criada socialmente – a redistribuição apenas permite que mais pessoas aproveitem os frutos do seu trabalho.”
  • Os Socialistas Vão Levar Meus CDs do Calypso? – Socialistas querem um mundo sem Propriedade Privada, não Propriedade Pessoal. Você pode guardar seus discos.
  • O Socialismo Não Termina Sempre em Ditadura? – O Socialismo é muitas vezes misturado com autoritarismo. Mas historicamente, Socialistas tem estado entre os defensores mais convictos da Democracia.
  • O Socialismo Não É Só Um Conceito Ocidental? – O Socialismo não é Eurocêntrico por que a lógica do Capital é universal – e a resistência a ela também.
  • E Sobre o Racismo? Os Socialistas Não Se Preocupam Só Com Classe? – Na verdade acreditamos que a luta contra o Racismo é central para desfazer o poder da classe dominante. 
  • O Socialismo e o Feminismo Não Entram Às Vezes Em Conflito? – Em última análise, os objetivos do Feminismo radical e do Socialismo são os mesmos – Justiça e Igualdade para todas as pessoas.
  • Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? – “Sob o Socialismo, nós tomaríamos decisões sobre o uso de recursos democraticamente, levando em consideração necessidades e valores humanos, ao invés da maximização dos lucros.
  • Os Socialistas São Pacifistas? Algumas Guerras Não São Justificadas? – Socialistas querem erradicar a guerra por que ela é brutal e irracional. Mas nós pensamos que existe uma diferença entre a violência dos oprimidos e a dos opressores. 
  • Por Que os Socialistas Falam Tanto em Trabalhadores? – Os trabalhadores estão no coração do sistema capitalista. E é por isso que eles estão no centro da política socialista. 
  • O Socialismo Vai Ser Chato? – “O Socialismo não é sobre induzir uma branda mediocridade. É sobre libertar o potencial criativo de todos.
  • Os Socialistas Querem Tornar Todos Iguais? Querem Acabar Com a Nossa Individualidade?
  • O Marxismo Está Ultrapassado? Ele Só Tinha Algo a Dizer Sobre a Inglaterra do Século XIX, e Olhe Lá?
  • O Marxismo é Uma Ideologia Assassina, Que Só Pode Gerar Miséria? – “O Marxismo é uma ideologia sanguinária e assassina, que só pode gerar miséria compartilhada? Socialismo significa falta de liberdade e uma economia falida?”

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