Não Há Alternativa?

“Para muita gente, a presente situação parece fundamentalmente inalterável. Esta impressão parece ser reforçada por um dos slogans políticos mais frequentemente repetidos pelos que tomam as decisões por nós: ‘não há outra alternativa.’ Contudo, a dedicação de nossos líderes políticos ao avanço dos imperativos do sistema do capital não elimina suas deficiências estruturais e seus antagonismos potencialmente explosivos. Descobrir uma saída do labirinto das contradições do sistema do capital global por meio de uma transição sustentável para uma ordem social muito diferente é, portanto, mais imperativo hoje do que jamais o foi, diante da instabilidade cada vez mais ameaçadora.”

por István Mészáros

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Exemplares do “não há alternativa” no Brasil: Henrique Meirelles, Michel Temer e seus apoiadores na mídia bombardearam os brasileiros com esse discurso para impor as “reformas” desejadas pelo Mercado Financeiro no país – congelamento do orçamento, desmonte da previdência, dos direitos trabalhistas, dos serviços públicos, etc.

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Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda

Desde os anos 90 temos sido bombardeados por relatos sobre como a queda da União Soviética seria uma prova definitiva da impossibilidade de qualquer forma de Economia Planejada racionalmente, de qualquer forma de Economia Socialista, de qualquer forma de Socialismo – e de que não existiria alternativa para organizar a produção e o consumo das sociedades humanas a não ser o Capitalismo de Livre-Mercado. Será mesmo?

por Paul Cockshott e Allin Cottrell

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Mulher apoia sua bolsa sobre monumento derrubado, 1991 | Foto: Alexander Nemenov | AFP | Getty Images


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Bill Gates e os 4 Bilhões na Pobreza

A pobreza global está caindo ou crescendo? Sabe-se que a desigualdade global vem aumentando rapidamente nas últimas décadas, mas muitos defensores do capitalismo se apressam para nos afirmar que, apesar disso, nunca estivemos melhor. Será mesmo?

por Michael Roberts, em seu blog The Next Recession, Abril de 2017

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Crianças aguardam para receber comida em Mogadishu, Somalia, em 2011. (Farah Abdi Warsameh | Associated Press)

A pobreza global está caindo ou crescendo? Estimativas realistas calculam que há mais de 4 bilhões de pessoas na pobreza neste mundo, ou dois terços da população. No entanto, em sua “carta pública” mais recente, escrita no mês passado, Bill e Melinda Gates, a família mais rica do mundo, estavam entusiasmados para nos dizer que a batalha contra a pobreza global estava sendo vencida, pois desde 1990 caiu pela metade o número de pessoas que vivem com menos de US $ 1,25 por dia. Como conciliar essas duas estimativas? Continuar lendo

Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância

[Um mundo em que a tecnologia tenha superado ou reduzido a um mínimo (e de forma sustentável) a necessidade de trabalho humano; em que esse potencial seja compartilhado com todos, eliminando a exploração e a alienação das relações de trabalho assalariado; onde as hierarquias derivadas do Capital tenham sido suplantadas por um modelo mais igualitário, agora capaz não só de sanar as necessidades de todos, mas de permitir o livre desenvolvimento de cada um, parece para muitos como um sonho de utopia inalcançável e ingênuo, onde não existiriam quaisquer conflitos ou hierarquias. Será mesmo?]

por Peter Frase, em Four Futures: Life After Capitalism [‘Quatro Futuros: Vida Após o Capitalismo’]

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Estátua dos 3 Ferreiros, Helsink | Foto de Rob Hunter

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ABCs do Socialismo

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[Nota de Tradução: Em abril de 2016 a Revista Jacobin lançou um especial introdutório à várias questões relacionadas ao Socialismo como uma resposta ao enorme crescimento do interesse por informações sobre esses temas, principalmente com a campanha presidencial de Bernie Sanders nos EUA. O livro conta com todas essas lindas ilustrações originais de Phil Wrigglesworth. O especial pode ser baixado na íntegra em inglês aqui.

Seguem abaixo os links para as traduções de todos os 13 textos do especial. Continuar lendo →

O Comunismo Não Passa de Um Sonho de Utopia? Só Funcionaria Com Pessoas Perfeitas?

O Comunismo é apenas um sonho de ingenuidade, utopia e perfeição? Ele ign0ra a maldade e o egoísmo que estariam na essência da natureza humana? Um tal sistema precisaria que todos pensassem e agissem de uma única maneira, só poderia funcionar com pessoas perfeitas e harmoniosas como peças de relógio, nunca com os seres humanos diversos e falhos que realmente existem?

por Terry Eagleton

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Os Socialistas Querem Tornar Todos Iguais? Querem Acabar Com a Nossa Individualidade?

por José Paulo Netto

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Diz-se que o comunismo quer tornar “iguais” todas as pessoas – na realidade, é generalizada a ideia segundo a qual o projeto comunista é a proposta de uma sociedade onde reine uma igualdade total. É compreensível, frente a esta noção, que as pessoas alimentem sérias reservas em face do projeto comunista. Afinal, uma sociedade onde todos sejam absolutamente iguais, idênticos, deve ser (seguramente é) o império do tédio [1]; e, depois, as desigualdades entre os homens são tão constantes na história que o senso comum as considera como eternas e inelimináveis.

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O Marxismo Está Ultrapassado? Ele Só Tinha Algo a Dizer Sobre a Inglaterra do Século XIX, e Olhe Lá?

por Terry Eagleton

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O que eles dizem:

“O marxismo acabou. Supostamente ele deve ter tido alguma relevância em um mundo de fábricas e de escassez de comida, de mineiros de carvão e limpadores de chaminés, de miséria disseminada e da massa das classes operárias. No entanto, de certo não exerceria nenhuma influência sobre as sociedades ocidentais cada vez menos classistas, mais socialmente móveis e pós-industriais do presente. É o credo daqueles que são teimosos, medrosos ou iludidos demais para aceitar que o mundo mudou para melhor, em ambos os sentidos do termo.”

O suposto fim do marxismo deveria soar como música aos ouvidos dos marxistas em todo canto. Eles poderiam recolher suas marchas e piquetes, voltar para suas famílias enlutadas e aproveitar a noite em casa em vez de ir a mais uma tediosa reunião de comitê. O que os marxistas mais desejam é deixar de ser marxistas. Nesse sentido, ser um marxista nada tem a ver com ser budista ou milionário, assemelhando-se mais a ser médico. Os médicos são perversos, criaturas autossabotadoras que promovem o próprio desemprego curando pacientes, que, depois, não mais precisam deles. A tarefa dos radicais políticos, igualmente, é chegar ao ponto em que não mais sejam necessários porque suas metas foram alcançadas. Estão, então, livres para se retirar, queimar seus pôsteres de Che Guevara, voltar ao violoncelo há muito esquecido e falar sobre algo mais intrigante do que o modo de produção asiático. Se ainda existirem marxistas ou feministas daqui a vinte anos, será lamentável. O marxismo se destina a ser uma atividade temporária, razão pela qual quem molda toda a sua identidade nele não terá entendido o espírito da coisa. A existência de uma vida após o marxismo é precisamente a ideia do marxismo.

Existe apenas um problema com essa visão sedutora. O marxismo é uma crítica do capitalismo — a crítica mais investigativa, rigorosa e abrangente já feita. É também a única crítica que transformou grandes setores do mundo. Assim é que, enquanto o capitalismo ainda continuar em atividade, o marxismo precisará fazer o mesmo. Somente depois de aposentar seu oponente ele será capaz de se aposentar. E em sua última aparição o capitalismo parecia tão combativo como sempre.

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