Dossiê Corbyn

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Apresentamos abaixo, em parceria com o prof. Victor Marques, da UFABC, uma série de textos discutindo o fenômeno Corbyn na Inglaterra. Nas palavras do Victor:

Um Dossiê Corbo-futurista

Esse mês eu e o Everton Lourenço, do blog O Minhocário, trabalhamos juntos para traduzir uma série de textos publicados originalmente em inglês sobre a surpreendente campanha do Partido Trabalhista e, mais importante, como em pouco tempo ela foi capaz de transformar radicalmente a paisagem política do Reino Unido. A importância histórica desse evento não deve ser minimizada: ao que me consta, é a primeira vez que um partido de massas, esclerosado e envelhecido, é trazido de volta à vida por meio da mobilização multitudinária de base, tornando-se novamente um instrumento útil ao movimento social de contestação e reativando a imaginação utópica pós-capitalista. Os textos foram quase todos escritos por jovens militantes, ligados mais à política radical de rua do que à política institucional parlamentar, e buscam refletir a partir dessa novidade eleitoral que caminhos se abrem para pensarmos estrategicamente nosso futuro comum.

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Democratizar Isso

Os planos do Partido Trabalhista inglês para buscar modelos democráticos de propriedade são o aspecto mais radical do programa de Corbyn, e um dos mais radicais que temos visto na política dominante em muito tempo.

por Michal Rozworski, na Revista Jacobin, Junho de 2017

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Rohit Mattoo | Flickr

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A Fantasia do Livre-Mercado

“Designar o mercado como ‘natural’ e o Estado como ‘antinatural’ é uma ficção conveniente para aqueles casados com o status quo. O “capitalismo consciente”, embora atraente em alguns aspectos, não é uma solução para a degradação ambiental e social que acompanha o sistema de produção voltado ao lucro. A sociedade precisa decidir em que tipo de mundo deseja viver, e essas decisões devem ser tomadas por meio de estruturas e processos democráticos.”

por Nicole M. Aschoff,  na Revista Jacobin, Abril de 2015

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Uma ponte num canal governamental em Menasha, WI, EUA.

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Reivindicando o Companheiro Orwell

George Orwell se tornou um espelho no qual qualquer posição política pode olhar e se ver olhando de volta. Mas não se engane – Orwell pertence à Esquerda.

por Scott Poole , na Revista Jacobin, Outubro de 2013

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Vernon Richards Estate | The Guardian

Durante a primeira semana de revelações sobre o programa “Prism” da Agência de Segurança Nacional (NSA) [1], George Orwell virou moda.

Ou, mais precisamente, ler (ou pelo menos possuir) ‘1984’ de Orwell virou moda. As vendas do clássico dispararam acima de 7000% no Amazon poucos dias após a liberação dos primeiros relatos sobre a nova e sinistra forma de nossa cultura de vigilância.

A súbita popularidade de Orwell tem um custo para o legado do autor. Ler ‘1984’ e ‘A Revolução dos Bichos’ fornece apenas uma introdução simplista a um pensador complexo. Além disso, sua escrita e ação no meio de lutas mortíferas dentro da Esquerda tornaram seu legado difícil de entender sem uma análise detalhada de sua vida e obras.

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A Revolução Cybersyn

Cinco lições de um projeto de computação socialista no Chile de Salvador Allende.

por Eden Medina, na Revista Jacobin, Abril de 2015

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Embora frequentemente nos digam que o passado guarda lições sobre como abordar o presente, raramente olhamos para tecnologias mais antigas buscando inspiração. Ainda mais raro é sugerir que experiências históricas de nações menos industrializadas possam ter algo a nos ensinar sobre os problemas tecnológicos de hoje – e menos ainda que um projeto socialista de décadas atrás poderia oferecer maneiras de pensar sobre tecnologias promovidas por capitalistas do Vale do Silício.

No entanto, um sistema de computação construído no Chile socialista na década de 1970 – o Projeto Cybersyn – oferece inspiração sobre como devemos pensar sobre tecnologia e dados hoje. Continuar lendo

Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância

[Um mundo em que a tecnologia tenha superado ou reduzido a um mínimo (e de forma sustentável) a necessidade de trabalho humano; em que esse potencial seja compartilhado com todos, eliminando a exploração e a alienação das relações de trabalho assalariado; onde as hierarquias derivadas do Capital tenham sido suplantadas por um modelo mais igualitário, agora capaz não só de sanar as necessidades de todos, mas de permitir o livre desenvolvimento de cada um, parece para muitos como um sonho de utopia inalcançável e ingênuo, onde não existiriam quaisquer conflitos ou hierarquias. Será mesmo?]

por Peter Frase, em “Quatro Futuros: Vida Após o Capitalismo” [“Four Futures: Life After Capitalism]

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Estátua dos 3 Ferreiros, Helsink | Foto de Rob Hunter

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ABCs do Socialismo

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[Nota de Tradução: Em abril de 2016 a Revista Jacobin lançou um especial introdutório à várias questões relacionadas ao Socialismo como uma resposta ao enorme crescimento do interesse por informações sobre esses temas, principalmente com a campanha presidencial de Bernie Sanders nos EUA. O livro conta com todas essas lindas ilustrações originais de Phil Wrigglesworth. O especial pode ser baixado na íntegra em inglês aqui.

Seguem abaixo os links para as traduções de todos os 13 textos do especial. Continuar lendo →

Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia

[Muito se tem falado sobre os impactos da Crise Climática e de novas tecnologias de Automação de postos de trabalho para o nosso futuro em comum. Como as relações de propriedade e produção capitalistas e a Política, especificamente a Luta de Classes, se encaixam neste quadro? Será que a possibilidade de automação quase generalizada seria o bastante para garantir que ela ocorrerá? Qual seria o impacto dela sobre as condições de vida das pessoas? Com base nesses elementos, que tipo de cenários podemos esperar à partir do fim do Capitalismo?]

por Peter Frase, em “Quatro Futuros: Vida Após o Capitalismo” [Four Futures: Life After Capitalism”]

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fonte: nastassiaxv.tumblr.com/post/4130548142

Dois espectros assombram a Terra no século XXI: os espectros da catástrofe ecológica e da automação. Continuar lendo

Votando Sob o Socialismo

Vai ser mais significativo – mas esperamos que não envolva assembleias sem-fim.

por Peter Frase, na Revista Jacobin, novembro de 2016

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Depois de assistir meses de cobertura na mídia, você vai para as urnas por alguns minutos e deposita seu voto para alguém te representar… E então acabou. Isso é o que “democracia” significa hoje.

Certamente, conquistar mesmo esta forma limitada de democracia eleitoral foi uma importante vitória da classe-trabalhadora. E o acesso às urnas permanece uma questão importante. Conservadores continuam seus esforços para reverter direitos de voto de pessoas negras nos Estados Unidos. [1] Outras populações, tais como condenados, residentes sem a condição de cidadãos e adolescentes com menos de 18 anos estão inteiramente por fora dessa concessão.

A questão permanece, porém, se estas são algo mais do que batalhas táticas, formas de conquistar vantagens na luta contra o Capital. Em um mundo melhor, democracia não significaria mais do que isso? Que tipo de organização política é adequada para uma sociedade socialista? Continuar lendo

Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia

O socialismo promete a emancipação humana, com o alargamento da democracia e da racionalidade para a produção e distribuição de bens e serviços e o uso da tecnologia acumulada pela humanidade para a redução a um mínimo do trabalho necessário por cada pessoa, liberando seu tempo para o seu livre desenvolvimento. Como organizar uma economia socialista para realizar essas promessas?

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O texto a seguir apresenta um debate sobre a organização da economia num futuro socialista, analisando os problemas das experiências soviéticas e do Leste Europeu e apresentando argumentos e críticas de propostas alternativas. Está dividido em três partes:

Parte I. O texto “O Vermelho e o Preto”, de Seth Ackerman, publicado pela revista Jacobin, que apresenta uma crítica do modelo de Economia Participativa; um relato histórico sobre o modelo de Planejamento Centralizado adotado pelas experiências soviéticas e do Leste Europeu, desmontando alguns mitos sobre seu insucesso mesmo em termos da teoria econômica dominante; e uma proposta de alternativa baseada num Socialismo de Mercado com bancos correntistas e bancos de investimento socializados.

Parte II. Alguns textos publicados como respostas críticas ao texto de Ackerman, analisando pontos positivos e limitações de sua crítica e de suas propostas, além de considerar alternativas, principalmente sobre as possibilidades de um Planejamento Democrático em algum nível.

Parte III. Um trecho de uma intervenção do coletivo Libcom em um debate com defensores do modelo de Economia Participativa em que defendem um modelo baseado na Subversão das Cadeias Logísticas, mostrando que a discussão sobre modelos de organização da economia socialista não se esgota em Socialismo de Mercado x Planejamento Democrático x Economia Participativa, que existe espaço para outras ideias muito interessantes.

Esse debate se conecta com questões discutidas em outras postagens como ‘Planejando o Bom Antropoceno‘, ‘Votando Sob o Socialismo’, ‘Socialismo Como Futuro Automatizado e Igualitário em Resposta à Crise Ambiental‘, ‘Bancos, Finanças, Socialismo e Democracia‘, ‘Democratizar Isso‘, ‘Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda‘, ‘De Volta ao Debate Sobre o Planejamento Socialista I – Cálculo, Complexidade e Planejamento’ e ‘De Volta ao Debate Sobre o Planejamento Socialista II – Preços, Informação, Comunicação e Eficiência‘.

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