Desabamento Contínuo: Neoliberalismo Como Estágio da Crise Capitalista, Rendição Social-Democrata, Revolta Popular Recente e as Aberturas à Esquerda

Na fase atual do neoliberalismo, o capitalismo não é mais capaz de garantir crescimento e desenvolvimento semelhantes aos estágios anteriores. Nem mesmo se mostra capaz de garantir condições de vida aos trabalhadores e, assim, assegurar seu apoio ao sistema – passando a depender cada vez mais do medo imposto sobre os mesmos sobre a perda de seus empregos, sobre o futuro, e sobre repressão – e despertando revolta de massa à Esquerda e à Direita. O que se segue é uma tentativa inicial e muito parcial de apresentar como entendemos o panorama político de hoje; uma série de suas características notáveis; as aberturas que se apresentam aos movimentos e à Esquerda; e os problemas que a Esquerda enfrenta.

por Robert Brenner, na Revista Catalyst, 2017

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Manifestantes votam em assembleia durante o movimento Nuit Debout, na França, 2016.

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Como Matar Um Zumbi: Elaborando Estratégias Para o Fim do Neoliberalismo

Uma ideologia que prometia nos libertar da burocracia estatal socialista tem, ao invés, imposto uma burocracia própria sua. Isso só parece um paradoxo se tomarmos o neoliberalismo em suas próprias palavras.

por Mark Fisher, na Open Democracy, Julho de 2013

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“Zumbis não te amam! Mire na cabeça!” | Flickr | Acey Duecy

Por que a esquerda tem feito tão pouco progresso, cinco anos [1] depois de uma grande crise do capitalismo ter desacreditado o neoliberalismo? [2] Desde 2008, o neoliberalismo pode ter perdido o febril impulso pra frente que um dia possuiu, mas está longe de colapsar. [3] Segue agora cambaleando como um zumbi – mas como os fãs de filmes de zumbis sabem muito bem, às vezes é mais difícil matar um zumbi do que uma pessoa viva.

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Dossiê Corbyn

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Apresentamos abaixo, em parceria com o prof. Victor Marques, da UFABC, uma série de textos discutindo o fenômeno Corbyn na Inglaterra. Nas palavras do Victor:

Um Dossiê Corbo-futurista

Esse mês eu e o Everton Lourenço, do blog O Minhocário, trabalhamos juntos para traduzir uma série de textos publicados originalmente em inglês sobre a surpreendente campanha do Partido Trabalhista e, mais importante, como em pouco tempo ela foi capaz de transformar radicalmente a paisagem política do Reino Unido. A importância histórica desse evento não deve ser minimizada: ao que me consta, é a primeira vez que um partido de massas, esclerosado e envelhecido, é trazido de volta à vida por meio da mobilização multitudinária de base, tornando-se novamente um instrumento útil ao movimento social de contestação e reativando a imaginação utópica pós-capitalista. Os textos foram quase todos escritos por jovens militantes, ligados mais à política radical de rua do que à política institucional parlamentar, e buscam refletir a partir dessa novidade eleitoral que caminhos se abrem para pensarmos estrategicamente nosso futuro comum.

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Realismo Capitalista e a Exclusão do Futuro

O fracasso do futuro assombra o capitalismo: depois de 1989, a vitória do capitalismo não consistiu na sua reivindicação confiante do futuro, mas em negar que o futuro seja possível. Tudo o que podemos esperar, temos sido levados a acreditar, é mais do mesmo – mas em telas de resolução mais alta com conexões mais rápidas. A assombralogia, penso, expressa insatisfação com esta exclusão do futuro. […]  Parte da batalha agora será para garantir que o neoliberalismo seja percebido como morto. Acho que isso já está acontecendo. Há uma mudança nas atmosferas culturais, pequena no momento, mas vai crescer.”

Mark Fisher, entrevistado por Rowan Wilson em 2010, Verso Books

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“Sem Futuro”, grafite do artista Banksy

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A Fantasia do Livre-Mercado

“Designar o mercado como ‘natural’ e o Estado como ‘antinatural’ é uma ficção conveniente para aqueles casados com o status quo. O “capitalismo consciente”, embora atraente em alguns aspectos, não é uma solução para a degradação ambiental e social que acompanha o sistema de produção voltado ao lucro. A sociedade precisa decidir em que tipo de mundo deseja viver, e essas decisões devem ser tomadas por meio de estruturas e processos democráticos.”

por Nicole M. Aschoff,  na Revista Jacobin, Abril de 2015

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Uma ponte num canal governamental em Menasha, WI, EUA.

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Bill Gates e os 4 Bilhões na Pobreza

A pobreza global está caindo ou crescendo? Sabe-se que a desigualdade global vem aumentando rapidamente nas últimas décadas, mas muitos defensores do capitalismo se apressam para nos afirmar que, apesar disso, nunca estivemos melhor. Será mesmo?

por Michael Roberts, em seu blog The Next Recession, Abril de 2017

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Crianças aguardam para receber comida em Mogadishu, Somalia, em 2011. (Farah Abdi Warsameh | Associated Press)

A pobreza global está caindo ou crescendo? Estimativas realistas calculam que há mais de 4 bilhões de pessoas na pobreza neste mundo, ou dois terços da população. No entanto, em sua “carta pública” mais recente, escrita no mês passado, Bill e Melinda Gates, a família mais rica do mundo, estavam entusiasmados para nos dizer que a batalha contra a pobreza global estava sendo vencida, pois desde 1990 caiu pela metade o número de pessoas que vivem com menos de US $ 1,25 por dia. Como conciliar essas duas estimativas? Continuar lendo

ABCs do Socialismo

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[Nota de Tradução: Em abril de 2016 a Revista Jacobin lançou um especial introdutório à várias questões relacionadas ao Socialismo como uma resposta ao enorme crescimento do interesse por informações sobre esses temas, principalmente com a campanha presidencial de Bernie Sanders nos EUA. O livro conta com todas essas lindas ilustrações originais de Phil Wrigglesworth. O especial pode ser baixado na íntegra em inglês aqui.

Seguem abaixo os links para as traduções de todos os 13 textos do especial. Continuar lendo →

Votando Sob o Socialismo

Vai ser mais significativo – mas esperamos que não envolva assembleias sem-fim.

por Peter Frase, na Revista Jacobin, novembro de 2016

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Depois de assistir meses de cobertura na mídia, você vai para as urnas por alguns minutos e deposita seu voto para alguém te representar… E então acabou. Isso é o que “democracia” significa hoje.

Certamente, conquistar mesmo esta forma limitada de democracia eleitoral foi uma importante vitória da classe-trabalhadora. E o acesso às urnas permanece uma questão importante. Conservadores continuam seus esforços para reverter direitos de voto de pessoas negras nos Estados Unidos. [1] Outras populações, tais como condenados, residentes sem a condição de cidadãos e adolescentes com menos de 18 anos estão inteiramente por fora dessa concessão.

A questão permanece, porém, se estas são algo mais do que batalhas táticas, formas de conquistar vantagens na luta contra o Capital. Em um mundo melhor, democracia não significaria mais do que isso? Que tipo de organização política é adequada para uma sociedade socialista? Continuar lendo

Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia

O socialismo promete a emancipação humana, com o alargamento da democracia e da racionalidade para a produção e distribuição de bens e serviços e o uso da tecnologia acumulada pela humanidade para a redução a um mínimo do trabalho necessário por cada pessoa, liberando seu tempo para o seu livre desenvolvimento. Como organizar uma economia socialista para realizar essas promessas?

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O texto a seguir apresenta um debate sobre a organização da economia num futuro socialista, analisando os problemas das experiências soviéticas e do Leste Europeu e apresentando argumentos e críticas de propostas alternativas. Está dividido em três partes:

Parte I. O texto “O Vermelho e o Preto”, de Seth Ackerman, publicado pela revista Jacobin, que apresenta uma crítica do modelo de Economia Participativa; um relato histórico sobre o modelo de Planejamento Centralizado adotado pelas experiências soviéticas e do Leste Europeu, desmontando alguns mitos sobre seu insucesso mesmo em termos da teoria econômica dominante; e uma proposta de alternativa baseada num Socialismo de Mercado com bancos correntistas e bancos de investimento socializados.

Parte II. Alguns textos publicados como respostas críticas ao texto de Ackerman, analisando pontos positivos e limitações de sua crítica e de suas propostas, além de considerar alternativas, principalmente sobre as possibilidades de um Planejamento Democrático em algum nível.

Parte III. Um trecho de uma intervenção do coletivo Libcom em um debate com defensores do modelo de Economia Participativa em que defendem um modelo baseado na Subversão das Cadeias Logísticas, mostrando que a discussão sobre modelos de organização da economia socialista não se esgota em Socialismo de Mercado x Planejamento Democrático x Economia Participativa, que existe espaço para outras ideias muito interessantes.

Esse debate se conecta com questões discutidas em outras postagens como ‘Votando Sob o Socialismo’,  ‘Bancos, Finanças, Socialismo e Democracia‘, ‘Democratizar Isso‘ e ‘Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda‘.

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Como Vai Acabar o Capitalismo?

O epílogo de um sistema em desmantêlo crônico: A legitimidade da ‘democracia’ capitalista se baseava na premissa de que os Estados eram capazes de intervir nos mercados e corrigir seus resultados, em favor dos cidadãos; hoje, as dúvidas sobre a compatibilidade entre uma economia capitalista e um sistema democrático voltaram com força total.

por Wolfgang Streeck, na Revista New Left Review, maio/junho de 2014 [acesso em dezembro de 2016]

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Casas abandonadas em bairro residencial em Detroit durante a crise de 2008

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