Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições na Queda

Desde os anos 90 temos sido bombardeados por relatos sobre como a queda da União Soviética seria uma prova definitiva da impossibilidade de qualquer forma de Economia Planejada racionalmente, de qualquer forma de Economia Socialista, de qualquer forma de Socialismo – e de que não existiria alternativa para organizar a produção e o consumo das sociedades humanas a não ser o Capitalismo de Livre-Mercado. Será mesmo?

por Paul Cockshott e Allin Cottrell

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Mulher apoia sua bolsa sobre monumento derrubado, 1991 | Foto: Alexander Nemenov | AFP | Getty Images


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Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância

Um mundo em que a tecnologia tenha superado ou reduzido a um mínimo (e de forma sustentável) a necessidade de trabalho humano; em que esse potencial seja compartilhado com todos, eliminando a exploração e a alienação das relações de trabalho assalariado; onde as hierarquias derivadas do Capital tenham sido suplantadas por um modelo mais igualitário, agora capaz não só de sanar as necessidades de todos, mas de permitir o livre desenvolvimento de cada um, parece para muitos como um sonho de utopia inalcançável e ingênuo, onde não existiriam quaisquer conflitos ou hierarquias. Será mesmo?

por Peter Frase, em Four Futures: Life After Capitalism [‘Quatro Futuros: Vida Após o Capitalismo’]

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Estátua dos 3 Ferreiros, Helsink | Foto de Rob Hunter

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ABCs do Socialismo

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[Nota de Tradução: Em abril de 2016 a Revista Jacobin lançou um especial introdutório à várias questões relacionadas ao Socialismo como uma resposta ao enorme crescimento do interesse por informações sobre esses temas, principalmente com a campanha presidencial de Bernie Sanders nos EUA. O livro conta com todas essas lindas ilustrações originais de Phil Wrigglesworth. O especial pode ser baixado na íntegra em inglês aqui.

Seguem abaixo os links para as traduções de todos os 13 textos do especial. Continuar lendo →

Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia

Muito se tem falado sobre os impactos da Crise Climática e de novas tecnologias de Automação de postos de trabalho para o nosso futuro em comum. Como as relações de propriedade e produção capitalistas e a Política, especificamente a Luta de Classes, se encaixam neste quadro? Será que a possibilidade de automação quase generalizada seria o bastante para garantir que ela ocorrerá? Qual seria o impacto dela sobre as condições de vida das pessoas? Com base nesses elementos, que tipo de cenários podemos esperar à partir do fim do Capitalismo?

por Peter Frase, em Four Futures: Life After Capitalism [‘Quatro Futuros: Vida Após o Capitalismo’]

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fonte: nastassiaxv.tumblr.com/post/4130548142

[Nota do MinhocárioEste texto é a introdução do livro ‘Four Futures: Life After Capitalism’ (‘Quatro Futuros: Vida Após o Capitalismo’’), de Peter Frase, lançado em 2016. O livro é uma expansão das ideias contidas no artigo original, de 2011, ‘Quatro Futuros’. As ideias são basicamente as mesmas, mas o livro avança e se aprofunda em várias questões que o texto original apenas tocava ou nem mesmo isso. Vale a pena ler ambos. O capítulo do livro sobre ‘Comunismo, Igualdade e Abundância’ pode ser lido em ‘Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância‘]

Dois espectros assombram a Terra no século XXI: os espectros da catástrofe ecológica e da automação. Continuar lendo

Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia

O socialismo promete a emancipação humana, com o alargamento da democracia e da racionalidade para a produção e distribuição de bens e serviços e o uso da tecnologia acumulada pela humanidade para a redução a um mínimo do trabalho necessário por cada pessoa, liberando seu tempo para o seu livre desenvolvimento. Como organizar uma economia socialista para realizar essas promessas?

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O texto a seguir apresenta um debate sobre a organização da economia num futuro socialista, analisando os problemas das experiências soviéticas e do Leste Europeu e apresentando argumentos e críticas de propostas alternativas. Está dividido em três partes:

Parte I. O texto “O Vermelho e o Preto”, de Seth Ackerman, publicado pela revista Jacobin, que apresenta uma crítica do modelo de Economia Participativa; um relato histórico sobre o modelo de Planejamento Centralizado adotado pelas experiências soviéticas e do Leste Europeu, desmontando alguns mitos sobre seu insucesso mesmo em termos da teoria econômica dominante; e uma proposta de alternativa baseada num Socialismo de Mercado com bancos correntistas e bancos de investimento socializados.

Parte II. Alguns textos publicados como respostas críticas ao texto de Ackerman, analisando pontos positivos e limitações de sua crítica e de suas propostas, além de considerar alternativas, principalmente sobre as possibilidades de um Planejamento Democrático em algum nível.

Parte III. Um trecho de uma intervenção do coletivo Libcom em um debate com defensores do modelo de Economia Participativa em que defendem um modelo baseado na Subversão das Cadeias Logísticas, mostrando que a discussão sobre modelos de organização da economia socialista não se esgota em Socialismo de Mercado x Planejamento Democrático x Economia Participativa, que existe espaço para outras ideias muito interessantes.

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Lingerie Egípcia e o Futuro Robô

O pânico sobre automação erra o alvo – o verdadeiro problema é que os próprios trabalhadores são tratados feito máquinas.

por Peter Frase, na Revista Jacobin, agosto de 2015

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Uma trabalhadora de fábrica opera os fusos na Companhia Têxtil Tan Dong na Cidade de Ho Chi Minh, Vietnã. | Foto: Eric Wolfe / Flickr

A edição atual da revista New Yorker apresenta um texto sobre o estranho fenômeno dos comerciantes chineses de lingerie no Egito. [1] Estes imigrantes empreendedores são encontrados por todo lado nos distritos pobres e conservadores do alto Egito, onde entregam trajes sexy às pías mulheres muçulmanas da região.

Os detalhes culturais e geopolíticos da história são interessantes por um número de razões, mas eu fui atingido em particular por uma ressonância com alguns debates que recentemente foram reacesos sobre trabalho e automação, por razões às quais vou retornar abaixo.

“Os robôs vão tomar nossos empregos” é um perpétuo da economia política popular. Típico da última colheita é um artigo de Derek Thompson no Atlantic, que especula sobre um “Mundo Sem Trabalho” [2] no rastro da adoção em massa de robotização e informatização. Paul Mason oferece uma rendição política mais esquerdista de temas similares. [3] Continuar lendo

Automação e o ‘Fim do Trabalho’ na Mídia Internacional Dominante

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“No ano 2000” | Ilustração: Jean-Marc Côté

[Nota de tradução: Este post apresenta alguns textos sobre o potencial para a Automação de Empregos através de avanços recentes em tecnologias como Robótica e Inteligência Artificial, para mostrar como grandes veículos da mídia internacional (de Direita) estão tratando do assunto e as transformações que eles estão antecipando para as próximas décadas. O Minhocário vê este tema como central, urgente e necessário para a discussão sobre como construiremos nosso futuro em comum. O blog não concorda necessariamente com as visões expressas nos textos abaixo, mas os apresenta para fomentar o debate e a discussão, e para ilustrar a direção para onde o debate caminha nas mídias capitalistas dominantes. No blog podem ser encontrados vários outros textos sobre o assunto exibindo contradições e aspectos não considerados nos textos abaixo.]

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Vivo Sob o Sol

Não há caminho rumo a um futuro sustentável sem lidar com as velhas pedras no caminho do ambientalismo: consumo e empregos. E a maneira de fazer isso é através de uma Renda Básica Universal.

por Alyssa Battistoni, na Revista Jacobin, janeiro de 2014

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Ilustração: Edward Carvalho-Monaghan

Desde que o ambientalismo existe, tem estado em crise. A Natureza tem sempre sido um foco de pensamento e ação humana, é claro, mas não foi até que pesticidas e poluição começassem a cobrir o horizonte que algo chamado “o meio-ambiente” emergiu como uma questão de preocupação pública.

Nos EUA dos anos 60 e 70, imagens distópicas provocavam ansiedade sobre os custos de uma prosperidade sem precedentes: um nevoeiro de fumaça [1] grosso o bastante para esconder linhas do horizonte da visão,  dejetos escoando por quintais suburbanos, rios tão poluídos que explodiam em chamas, carros enfileirados em postos de gasolina durante escassez, armas químicas que podiam desfolhar florestas inteiras. Economias e ecologistas igualmente previam desgraças, avisando que a humanidade estava correndo contra limites naturais ao crescimento, crises de extinção e explosões populacionais. Continuar lendo

Robôs e Inteligência Artificial: Utopia ou Distopia?

“Diz muito sobre o momento atual que enquanto encaramos um futuro que pode se assemelhar ou com uma distopia hiper-capitalista ou com um paraíso socialista, a segunda opção não seja nem mencionada.”

Por Michael Roberts, em seu blog ‘The Next Recession’, outubro de 2015

Parte 1, Parte 2 e Parte 3

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Robôs, Crescimento e Desigualdade

por Andrew Berg, Edward F. Buffie, e Luis-Felipe Zanna

FMI – FINANCE & DEVELOPMENT, Setembro de 2016, Vol. 53, No. 3

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[Nota de tradução: O blog não concorda necessariamente com as visões expressas no relatório abaixo, mas o apresenta para fomentar o debate e a discussão. Ele foi traduzido para mostrar como mesmo uma instituição tão central para o sistema capitalista mundial como o FMI (que se tornou uma das pontas de lança da implementação de contra-reformas neoliberais depois que a gestão Reagan fez a limpa nos economistas keynesianos da instituição no começo dos anos 80) vem notando as tendências que a automação de empregos devem gerar nas próximas décadas em se mantendo as relações de produção capitalistas, incluindo um crescimento vertiginoso da desigualdade social, e a necessidade de compartilhar a abundância prometida por essas inovações. Os autores chegam até o ponto de defender um Renda Básica Universal como um mecanismo de redistribuição de renda e como garantia de uma Demanda Agregada para a produção automatizada. Na mídia brasileira, no momento muito ocupada tentando garantir a expansão da exploração da mão de obra brasileira num modelo neoliberal extremamente retrógrado (recentemente questionado pelo próprio FMI), este é um debate ainda simplesmente inexistente.] Continuar lendo