ABCs do Socialismo

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[Nota de Tradução: Em abril de 2016 a Revista Jacobin lançou um especial introdutório à várias questões relacionadas ao Socialismo como uma resposta ao enorme crescimento do interesse por informações sobre esses temas, principalmente com a campanha presidencial de Bernie Sanders nos EUA. O livro conta com todas essas lindas ilustrações originais de Phil Wrigglesworth. O especial pode ser baixado na íntegra em inglês aqui.

Seguem abaixo os links para as traduções de todos os 13 textos do especial.

Além disso, como bônus, incluí no final mais alguns textos disponíveis aqui n’O Minhocário (e em alguns outros lugares), divididos em 4 sessões: ‘Mais Mitos e Lendas‘, ‘Limites do Capitalismo‘, ‘A Solução Será ‘Liberal’? Podemos Confiar no Mercado Para Solucionar Nossos Problemas?‘ e ‘Socialismo, Tecnologia e o Futuro‘.

Senti falta no especial apenas de alguma introdução no sentido de “por que defender o Socialismo?” e “o que seria ‘Socialismo'”, mas acredito que a leitura de ‘Por Que Socialismo‘, de Albert Einstein, ‘O Projeto Socialista e a Classe Trabalhadora‘, de David Zachariah e ‘O Marxismo está ultrapassado? Ele só tinha algo a dizer sobre a Inglaterra do Século XIX, e olhe lá?‘, de Terry Eagleton, pode cumprir esse papel

Talvez você não concorde necessariamente com tudo o que ler aqui no blog. Nem mesmo eu sei se concordo. Às vezes um texto pode entrar em contradição em algum nível com outro, e não vejo problema nisso. O importante pra mim é refletirmos criticamente juntos sobre os limites do sistema que a gente tem e como poderíamos superá-lo por um sistema mais livre, mais equilibrado, mais justo, mais igualitário, mais sustentável, mais democrático, mais humano. Entender nosso presente em sociedade e as possibilidades para o nosso futuro comum.]

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1 – … O país já não é meio Socialista?

https://ominhocario.wordpress.com/2016/07/04/mas-o-pais-ja-nao-e-meio-socialista/

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2 – … Pelo menos o Capitalismo é livre e democrático, né?

https://ominhocario.wordpress.com/2016/07/12/pelo-menos-o-capitalismo-e-livre-e-democratico-ne/

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3 – … O Socialismo soa bem na teoria, mas a natureza humana não o torna impossível de se realizar?

https://ominhocario.wordpress.com/2016/07/12/o-socialismo-soa-bem-na-teoria-mas-a-natureza-humana-nao-o-torna-impossivel-de-se-realizar/

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4 – … Os ricos não merecem ficar com a maior parte de seu dinheiro?

https://ominhocario.wordpress.com/2016/07/11/os-ricos-nao-merecem-ficar-com-a-maior-parte-de-seu-dinheiro/

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5 – … Os Socialistas vão levar os meus cds do Calypso?

https://ominhocario.wordpress.com/2016/07/12/os-socialistas-vao-levar-os-meus-cds-do-calypso/

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6 – … O Socialismo não termina sempre em ditadura?

https://ominhocario.wordpress.com/2016/07/20/o-socialismo-nao-termina-sempre-em-ditadura/

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7 – … O Socialismo não é só um conceito Ocidental?

https://ominhocario.wordpress.com/2016/09/16/o-socialismo-nao-e-so-um-conceito-ocidental/

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8 – … E sobre o Racismo? Os Socialistas não se importam só com Classe?

https://ominhocario.wordpress.com/2016/09/27/e-sobre-o-racismo-os-socialistas-nao-se-importam-so-com-classe/

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9 – … O Socialismo e o Feminismo não entram às vezes em conflito?

https://ominhocario.wordpress.com/2016/09/22/o-socialismo-e-o-feminismo-nao-entram-as-vezes-em-conflito/

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10 – … Um mundo Socialista não significaria só uma crise ambiental maior ainda?

https://ominhocario.wordpress.com/2016/09/16/um-mundo-socialista-nao-significaria-so-uma-crise-ambiental-maior-ainda/

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11 – … Os Socialistas são pacifistas? Algumas guerras não são justificadas?

https://ominhocario.wordpress.com/2016/09/22/os-socialistas-sao-pacifistas-algumas-guerras-nao-sao-justificadas/

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12 – … Por que os Socialistas falam tanto sobre Trabalhadores?

https://ominhocario.wordpress.com/2016/09/27/por-que-os-socialistas-falam-tanto-sobre-trabalhadores/

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13 – O Socialismo vai ser chato?

https://ominhocario.wordpress.com/2015/07/14/o-socialismo-vai-ser-chato/

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Mais Mitos e Lendas

Esse modelo dos textos publicados no especial da Jacobin, tratando diretamente (e de uma forma introdutória) de mitos que surgem muito em discussões sobre a sociedade quando você defende posições à Esquerda, me fez começar a juntar mais alguns textos desse tipo, com a intenção de complementar os textos acima, tratando de temas com os quais eles acabaram não lidando diretamente no especial (até por falta de espaço).


Socialismo, Tecnologia e o Futuro

Se o Capitalismo tem problemas e contradições profundas e centrais que nos impedem de ter uma sociedade equilibrada e vidas plenas de sentido; se esses problemas e contradições não podem ser completamente solucionados sem a sua substituição por outro sistema (ver os textos da sessão ‘Limites do Capitalismo); e se não podemos confiar que essa alternativa venha de um poder maior para os mercados (ver os textos da sessão ‘A Solução Será ‘Liberal’? Podemos Confiar no Mercado Para Solucionar Nossos Problemas?‘), precisamos de alguma alternativa para construir nosso futuro comum – de preferência uma mais justa, mais sustentável, mais democrática, mais racional e mais humana. Para muita gente, não poderia ter algo com menos cara de futuro do que falar em socialismo. Em geral, suas visões sobre o que seria ‘Socialismo’ estão amarradas às imagens das experiências socialistas do século XX e aos problemas e contradições daqueles sistemas (tanto os reais quanto os exageros, distorções e espantalhos ideológicos produzidos durante a Guerra Fria). No entanto, a promessa de emancipação humana do Socialismo não só animou as lutas por um futuro melhor no passado, mas também segue como uma série de alternativas não exploradas na organização de nosso futuro em comum. Se mesmo os meios de comunicação capitalistas falam cada vez mais no potencial de substituição de empregos por máquinas num futuro próximo, gerando um crescimento enorme no desemprego e nas desigualdades (que já vêm crescendo terrivelmente nas últimas décadas); se assistimos sinais cada vez maiores do desgaste das instituições democráticas no capitalismo (para nem falar da falta de democracia dessas instituições mesmo em seus melhores momentos), acenando para um divórcio entre capitalismo e qualquer ideia de democracia; se não é possível pensar em capitalismo sustentável, porque sempre ele tenderá aos métodos de produção de mercadorias mais econômicos para os capitalistas, se orientando na direção do crescimento infinito, da produção para o desperdício (mais uma vez, ver os textos da sessão ‘Limites do Capitalismo); por que não considerar como alternativa a construção de um sistema que pretende promover a emancipação humana através da expansão da democracia e da racionalidade para a produção e distribuição de bens e serviços e o uso da tecnologia acumulada pela humanidade para a redução a um mínimo do trabalho necessário por cada pessoa, liberando seu tempo para o seu livre desenvolvimento? Será que não seria do interesse da maioria das pessoas que isso ocorresse? Os textos a seguir tratam do potencial de uma sociedade radicalmente democrática em que a combinação de tecnologia e trabalho humano possa ser usada para sanar as necessidades e desejos da humanidade em geral e não para perseguir um ilusório crescimento infinito e gerar a acumulação privada de capital e poder nas mãos de uma minoria:

  • Quatro Futuros – Uma coisa de que podemos ter certeza é que o Capitalismo vai acabar; a questão, então, é o que virá depois.
  • Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia“Muito se tem falado sobre os impactos da Crise Climática e de novas tecnologias de Automação de postos de trabalho para o nosso futuro em comum. Como as relações de propriedade e produção capitalistas e a Política, especificamente a Luta de Classes, se encaixam neste quadro? Será que a possibilidade de automação quase generalizada seria o bastante para garantir que ela ocorrerá? Qual seria o impacto dela sobre as condições de vida das pessoas? Com base nesses elementos, que tipo de cenários podemos esperar à partir do fim do Capitalismo?”
  • Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância“Um mundo em que a tecnologia tenha superado ou reduzido a um mínimo (e de forma sustentável) a necessidade de trabalho humano; em que esse potencial seja compartilhado com todos, eliminando a exploração e a alienação das relações de trabalho assalariado; onde as hierarquias derivadas do Capital tenham sido suplantadas por um modelo mais igualitário, agora capaz não só de sanar as necessidades de todos, mas de permitir o livre desenvolvimento de cada um, parece para muitos como um sonho de utopia inalcançável e ingênuo, onde não existiriam quaisquer conflitos ou hierarquias. Será mesmo?
  • Inovação Vermelha – “Longe de sufocar a inovação, uma sociedade Socialista colocaria o progresso tecnológico a serviço das pessoas comuns.”
  • Precisamos Dominá-la – “Nosso desafio é ver na tecnologia tanto os atuais instrumentos de controle dos empregadores quanto as precondições para uma sociedade pós-escassez.
  • Tecnologia e Estratégia Socialista – Com poderosos movimentos de classe em sua retaguarda, a tecnologia pode prometer a emancipação do trabalho, ao invés de mais miséria.
  • Lingirie Egípcia e o Futuro Robô – O pânico sobre automação erra o alvo – o verdadeiro problema é que os próprios trabalhadores são tratados feito máquinas.”
  • Políticas Para Se ‘Arranjar Uma Vida’ – “O trabalho em uma sociedade capitalista é um fenômeno conflituoso e contraditório. Uma política para a classe trabalhadora tem de ser contra o trabalho, apelando para o prazer e o desejo, ao invés de sacrifício e auto-negação.
  • Vivo Sob o Sol“Não há caminho rumo a um futuro sustentável sem lidar com as velhas pedras no caminho do ambientalismo: consumo e empregos. E a maneira de fazer isso é através de uma Renda Básica Universal. “
  • Rumo a um Socialismo Ciborgue “A Esquerda precisa de mais vozes e de críticas mais afiadas que coloquem nossa análise do poder e de justiça no centro das discussões ambientais, onde elas devem estar.”
  • Todo Poder aos “Espaços de Fazedores” – “A impressão 3-D em sua forma atual pode ser um retorno às obrigações enfadonhas do movimento “pequeno é belo”, mas tem o potencial para fazer muito mais.
  • A Revolução Cibersyn“Cinco lições de um projeto de computação socialista no Chile de Salvador Allende.”
  • Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia“O socialismo promete a emancipação humana, com o alargamento da democracia e da racionalidade para a produção e distribuição de bens e serviços e o uso da tecnologia acumulada pela humanidade para a redução a um mínimo do trabalho necessário por cada pessoa, liberando seu tempo para o seu livre desenvolvimento. Como organizar uma economia socialista para realizar essas promessas?”
  • Votando Sob o SocialismoVai ser mais significativo – mas esperamos que não envolva assembleias sem-fim.
  • Bancos, Finanças, Socialismo e Democracia [Ladislau Dowbor, Nuno Teles e J. W. Mason] – “Os bancos são instituições centrais na articulação das atividades no sistema capitalista. Como essas instituições deixaram de cumprir suas funções básicas e passaram a estender seu domínio sobre toda a economia? Podemos ver o sistema financeiro como um ambiente “neutro” cujos resultados são os “naturais” gerados pelos “mercados”? Será que dividir os grandes bancos será o suficiente para resolver essa situação?”
  • Robôs e Inteligência Artificial: Utopia ou Distopia? – “Diz muito sobre o momento atual que enquanto encaramos um futuro que pode se assemelhar ou com uma distopia hiper-capitalista ou com um paraíso socialista, a segunda opção não seja nem mencionada.”
  • Robôs, Crescimento e Desigualdade “Mesmo uma instituição como o FMI vem notando as tendências que a automação de empregos devem gerar nas próximas décadas, incluindo um crescimento vertiginoso da desigualdade social, e a necessidade de compartilhar a abundância prometida por essas inovações.”
  • Automação e o ‘Fim do Trabalho’ na Mídia Internacional Dominante
  • O Lamentável Declínio das Utopias Espaciais – Narrativas ficcionais são um fator enorme moldando nossas expectativas do que é possível. Infelizmente, utopias estão atualmente fora de moda, como a tediosa proliferação de ficção distópica e filmes de desastre parece indicar. Por que só “libertarianos” fantasiam sobre o espaço hoje em dia?”
  • Os Robôs Vão Tomar Seu Emprego?“Com a automação causando ou não uma devastação nos empregos, o futuro do trabalho sob o capitalismo parece cada vez mais sombrio. Precisamos agora olhar para horizontes pós-trabalho.”
  • Rumo a Uma Sociedade Pós-TrabalhoA ‘Política do Tempo’ oferece uma resposta à atual crise do trabalho, nos convidando a falar sobre as condições para a liberdade e o tipo de sociedade em que queremos viver. É uma oportunidade para finalmente cumprir a promessa original do desenvolvimento produtivo do capitalismo: nos permitir desfrutar coletivamente de mais tempo livre, para explorar essas aptidões e aspectos de nós mesmos que muitas vezes ficam marginalizados em um mundo centrado no trabalho. “Precisamos tomar de volta o futuro das mãos do capitalismo e construir, nós mesmos, o mundo do século XXI que queremos.”
  • Economia e Planejamento Soviéticos e as Lições Na QuedaDesde os anos 90 temos sido bombardeados por relatos sobre como a queda da União Soviética seria uma prova definitiva da impossibilidade de qualquer forma de Economia Planejada racionalmente, de qualquer forma de Economia Socialista, de qualquer forma de Socialismo – e de que não existiria alternativa para organizar a produção e o consumo das sociedades humanas a não ser o Capitalismo de Livre-Mercado. Será mesmo?”
  • O Ponto de Ruptura da Social-Democracia – “Precisamos de uma Política que reconheça que o acordo de classes da Social-Democracia é insustentável.”
  • Democratizar Isso – “Os planos do Partido Trabalhista inglês para buscar modelos democráticos de propriedade são o aspecto mais radical do programa de Corbyn, e um dos mais radicais que temos visto na política dominante em muito tempo.”
  • Renda Básica e o Futuro do Trabalho“Não existe algo como a ‘dignidade do trabalho’. Não é o direito ao emprego, mas a uma existência material garantida que dá dignidade à vida humana.”

Limites do Capitalismo

[Esta sessão foi expandida e movida para uma página própria]


A Solução Será ‘Liberal’? Podemos Confiar no Mercado Para Solucionar Nossos Problemas?

OK, se o sistema em que vivemos ainda tem problemas gravíssimos, se nele há muito potencial humano desperdiçado e elementos que entram em conflito até mesmo com a própria continuidade da vida humana como conhecemos; se precisamos de transformações em seus processos, relações e instituições centrais para possibilitar à todos uma vida plena e satisfatória (ver os textos da sessão ‘Limites do Capitalismo‘), talvez uma boa solução possa vir de ideologias ‘liberais’, não? Afinal, eles defendem ‘a Liberdade’, né? Quem pode ser contra ‘a Liberdade’? Sem dúvida ser “liberal”, “libertário”, “anarcocapitalista” e outras tantas variantes de rótulos do tipo está na moda. “Abaixo o Estado”, “Viva a Propriedade Privada”. Mas está na moda desde quando? Estamos falando de uma novidade que pode ser vista como uma alternativa real à “tudo o que está aí”? Alguns diriam que sim. Mas não temos ouvido ininterruptamente sobre os benefícios do livre-mercado, da desregulação, das privatizações, das flexibilizações, etc, pelo menos desde a década de 80, inclusive da parte da maioria dos governos, tanto nos países mais desenvolvidos quanto dos mais dependentes? Os textos abaixo pretendem mostrar contradições centrais nestas ideologias e como elas, ao invés de serem uma alternativa, na verdade têm sido centrais para o funcionamento do capitalismo como conhecemos, inclusive gerando e/ou aprofundando vários dos problemas que nos afligem.

  • Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas [George Monbiot] – “Crise financeira, desastre ambiental e mesmo a ascensão de Donald Trump – o Neoliberalismo,  a ideologia dominante no ‘Ocidente’ desde os anos 80, desempenhou seu papel em todos eles. Como surgiu e foi adotado pelas elites a ponto de tornar-se invisível e difuso? Por que a Esquerda fracassou até agora em enfrentá-lo?”
  • Uma Filosofia para o Proprietariado [Rob Hunter] – O “Libertarianismo” não oferece solução alguma para a política plutocrática de hoje em dia – não passa de uma rejeição reacionária à luta política.
  • Existe Mesmo Algo Como um “Livre-Mercado”? [Ha-Joon Chang] – Todo mercado tem algumas regras e limites que restringem a liberdade de escolha. O mercado só parece livre porque estamos tão condicionados a aceitar as suas restrições subjacentes que deixamos de percebê-las.”
  • O Mercado é Mesmo Bom? [Luis Felipe Miguel] – “Há um elemento comum, nas manifestações recentes da direita: o discurso de que o Estado deve recuar e o mercado deve regular uma porção maior das interações humanas. Se a lógica do mercado opera, dizem eles, no final das contas todos ganham. Será que é mesmo assim?”
  • As Perspectivas da Liberdade [David Harvey] – “A idéia de liberdade degenera assim em mera defesa do livre empreendimento, que significa a plenitude da liberdade para aqueles que não precisam de melhoria em sua renda, seu tempo livre e sua segurança, e um mero verniz de liberdade para o povo, que pode tentar em vão usar seus direitos democráticos para proteger-se do poder dos que detêm a propriedade.”
  • O Livre-Mercado Faz Países Pobres Ficarem Ricos? [Ha-Joon Chang] –  “Os supostos lares do livre comércio e do livre mercado ficaram ricos por meio da combinação do protecionismo, subsídios e outras políticas que hoje eles aconselham os países em desenvolvimento a não adotar. As políticas de livre mercado tornaram poucos países ricos até agora e poucos ficarão ricos por causa dela no futuro.”
  • A Fantasia do Livre-Mercado [Nicole M. Aschoff] “Designar o mercado como ‘natural’ e o Estado como ‘antinatural’ é uma ficção conveniente para aqueles casados com o status quo. O “capitalismo consciente”, embora atraente em alguns aspectos, não é uma solução para a degradação ambiental e social que acompanha o sistema de produção voltado ao lucro. A sociedade precisa decidir em que tipo de mundo deseja viver, e essas decisões devem ser tomadas por meio de estruturas e processos democráticos.”
  • Sua Majestade, a Teoria Econômica [David Harvey] – “Aqui temos a crise econômica e financeira mais espetacular em décadas e o grupo que passa a maior parte de suas horas ativas analisando a economia basicamente não a enxergou.”
  • Estranho, com Orgulho [George Monbiot] – “Você se sente perdido? Talvez isso seja por que você se recusa a sucumbir à competição, inveja e medo que o neoliberalismo desperta.
  • Como Vai Acabar o Capitalismo? [Wolfgang Streeck] – “O epílogo de um sistema em desmantêlo crônico: A legitimidade da ‘democracia’ capitalista se baseava na premissa de que os Estados eram capazes de intervir nos mercados e corrigir seus resultados, em favor dos cidadãos; hoje, as dúvidas sobre a compatibilidade entre uma economia capitalista e um sistema democrático voltaram com força total.”
  • O Ano em Que o Capitalismo Real Mostrou a Que Veio [Jerome Roos] – “Tudo que nós um dia deveríamos temer sobre o socialismo — desde repressão estatal e vigilância em massa até padrões de vida em queda — aconteceu diante de nossos olhos
  • Neoliberalismo, Ordem Contestada [Perry Anderson] – “O sistema sofre pressão inédita – pela Esquerda e pela Direita – mas resiste, apoiando-se no medo. Por que o populismo retrógrado ainda é mais forte? Como mudar o jogo?”
  • Realismo Capitalista e a Exclusão do Futuro [Mark Fisher] – “O fracasso do futuro assombra o capitalismo: depois de 1989, a vitória do capitalismo não consistiu na sua reivindicação confiante do futuro, mas em negar que o futuro é possível. Tudo o que podemos esperar, temos sido levados a acreditar, é mais do mesmo – mas em telas de resolução mais alta com conexões mais rápidas. A assombralogia, penso, expressa insatisfação com esta exclusão do futuro. […]  Parte da batalha agora será para garantir que o neoliberalismo seja percebido como morto. Acho que isso já está acontecendo. Há uma mudança nas atmosferas culturais, pequena no momento, mas vai crescer.”
  • O Que Acontece Quando Você Acredita em Ayn Rand e na Teoria Econômica Moderna [Denise D. Cummins] – “E se as pessoas se comportassem de acordo com a filosofia do “objetivismo” de Rand? E se nós de fato nos permitíssemos ser cegos a tudo, menos nosso próprio interesse?”
  • Não Há Alternativa? [István Mészáros] – “Para muita gente, a presente situação parece fundamentalmente inalterável. Esta impressão parece ser reforçada por um dos slogans políticos mais frequentemente repetidos pelos que tomam as decisões por nós: ‘não há outra alternativa.’ Contudo, a dedicação de nossos líderes políticos ao avanço dos imperativos do sistema do capital não elimina suas deficiências estruturais e seus antagonismos potencialmente explosivos. Descobrir uma saída do labirinto das contradições do sistema do capital global por meio de uma transição sustentável para uma ordem social muito diferente é, portanto, mais imperativo hoje do que jamais o foi, diante da instabilidade cada vez mais ameaçadora.”

Links Externos

Vários textos disponíveis em outros sites com contribuições interessantíssimas para as discussões apresentadas aqui no blog.

  • Capitalismo: Uma Introdução“Nas suas bases, o capitalismo é um sistema econômico baseado em três coisas: trabalho assalariado (trabalhar por um salário), propriedade privada dos meios de produção (coisas como fábricas, maquinário e escritórios) e produção para venda e lucro. O processo é bastante simples – dinheiro é investido para gerar mais dinheiro”
  • Direita e Esquerda: O Que Esses Termos Significam na Política Afinal? – “Por que dividem a política entre direita e esquerda? O que esses termos significam? Trata-se de termos de origem histórica, sobre a qual falamos um pouco neste artigo.” – Aliás, sobre o mesmo tema, de uma maneira extremamente simplificada e introdutória, vale a pena ver o video do PC Siqueira e do Diego Quinteiro.
  • Não Prestar Pra Nada [Mark Fisher] – “Para aqueles que foram ensinados desde o nascimento a se verem como inferiores, a aquisição de qualificações ou renda raramente será suficiente para apagar — em suas próprias mentes ou na mente dos outros — o sentido primordial de inutilidade que os marca tão cedo na vida”
  • 15 Maneiras Com Que o Capitalismo Impede ou Limita Você de Ser Feliz“Você deseja muito ser feliz? Então talvez seja melhor começar a pensar seriamente sobre o atual sistema hegemônico, o principal causador de infelicidade geral.”
  • Os Transtornos Mentais Provocados Pelas Mudanças Neoliberais – “Neoliberalismo, assexualidade e desejo de morte. Filósofo italiano aponta: obsessão pelo sucesso individual e troca dos contatos corpóreos pelos digitais podem realizar distopia da humanidade insensível, para a qual já alertava Pasolini”
  • Em Nome do Amor – “‘Faça o que você ama’ é o mantra do trabalhador atual. Por que deveríamos reivindicar nossos interesses de classe se, de acordo com as elites do FOQVA (Faça O Que Você Ama) como Steve Jobs, não existe algo como trabalho?
  • 6 Medos Sobre o Comunismo Que Se Tornaram Reais no Capitalismo – “Os maiores pesadelos que tanto temiam do “comunismo” acabaram se tornando reais, mas ironicamente no próprio capitalismo.”
  • O Ano em Que o Capitalismo Real Mostrou a Que Veio – “Tudo que nós um dia deveríamos temer sobre o socialismo — desde repressão estatal e vigilância em massa até padrões de vida em queda — aconteceu diante de nossos olhos
  • O Capitalismo Deu Certo e o Socialismo é Um Fracasso? – “Desde a queda da URSS o Capitalismo segue triunfante e impondo sua hegemonia, mas será que isso o torna algo bom e o socialismo algo que deve ser esquecido? A História nos ajuda a responder.”
  • Por Que Socialismo? [Albert Einstein] – “A produção é guiada pelo lucro, não pelo uso. Não existe garantia de que todas as pessoas hábeis para o trabalho estarão sempre em condições de achar emprego; um “exército de desempregados” quase sempre existe. O trabalhador vive em constante medo de perder seu emprego. Já que os desempregados e os trabalhadores mal pagos não constituem um mercado rentável, a produção de bens de consumo é restrita, e a consequência é um grande sofrimento . O progresso tecnológico frequentemente resulta em mais desemprego, em vez de reduzir o fardo de trabalho para todos. O desejo de lucro, em conjunção com a competição entre os capitalistas, é responsável pela instabilidade na acumulação e utilização do capital, que leva a depressões cada vez mais severas. Competição sem limite leva a um enorme desperdício do trabalho e à deterioração da consciência social dos indivíduos que mencionei antes.”
  • A Reprodução da Vida Cotidiana [Fredy Perlman] – “A atividade prática diária dos homens da comunidade tribal reproduz ou perpetua a tribo; a atividade cotidiana dos escravos reproduz a escravidão; a prática cotidiana dos trabalhadores assalariados reproduz o trabalho assalariado e o capital.”
  • Nem Sempre Foi Assim [Frederico Mazzucchelli] – “O caótico período que vai do início do século 20, passando pelas duas Guerras Mundiais e a crise de 29, certamente foram tempos muito piores do que o que vivemos hoje, tempos de crise, desemprego e violência em massa. Entretanto, daqueles tempos emergiu também, após a Segunda Guerra Mundial, a necessidade de regular o sistema econômico de modo a atenuar as mazelas gestadas pelo mercado autorregulado. As respostas keynesianas à incerteza e à catástrofe promoveram um longo período de crescimento com ganhos salariais e redução das desigualdades, algo também sem paralelo na história do capitalismo.”
  • Por Que o Capitalismo Cria Postos de Trabalho Sem Sentido? [David Graeber] – “É como se alguém lá fora estivesse criando empregos sem sentido apenas com o objetivo de nos manter a todos trabalhando.”
  • Nossa Obsoleta Mentalidade de Mercado [Karl Polanyi] – “O capitalismo liberal foi com efeito a resposta inicial do homem ao desafio da Revolução Industrial. De modo a gerarmos o escopo necessário para o uso de máquinas poderosas e elaboradas, transformamos a economia humana em um sistema auto-regulado de mercados, e direcionamos nosso pensamentos e valores para os moldes dessa única inovação. Hoje, começamos a duvidar da verdade de alguns desses pensamentos e da validade de alguns desses valores.”
  • “Nazifascismo é de Esquerda”? A falácia bizarra que afronta não só a História, mas também a Filosofia. O fascismo é um projeto reacionário a serviço do capitalismo monopolista, do status quo e das hierarquias, o que o torna totalmente oposto a qualquer vertente socialista.

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