Sobre Capitalismo [Leituras Temáticas #1] – O que é? Quais são suas características, problemas e limites?

Por que tanta gente vive criticando o Capitalismo? Esse não é “o sistema mais livre e justo que já existiu e que pode existir”? Não são “apenas trocas entre pessoas livres”? Afinal de contas, do que se trata esse sistema e quais são os problemas e contradições que seus críticos apontam? Por que tanta gente sonha em vê-lo substituído por uma outra forma de organização da sociedade?

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Ilustração: Steve Cutts | http://www.stevecutts.com/


[Esta página é a primeira de uma nova série com recomendações de leituras (principalmente aqui n’O Minhocário, mas também em outros espaços) para analisarmos melhor algum tema, em seus diversos aspectos. Estas páginas serão continuamente atualizadas com novas recomendações para expandir as discussões. É também uma forma de organizar as postagens anteriores aqui do blog para facilitar o acesso por tema.]


Os textos reunidos abaixo buscam apresentar os aspectos principais que definem o Capitalismo; os problemas, contradições, antagonismos e limites do sistema social/ político/ econômico/ ideológico/ moral em que vivemos, que nos impedem de termos vidas plenas e satisfatórias, e que podem inclusive levar ao fim da vida humana como conhecemos. Tratam também de como muitas das tendências problemáticas do sistema são tão centrais que dificilmente poderemos ter uma solução sustentável apenas “domando” o capitalismo, esperando a benevolência de bilionários ou a visão inovadora de empreendedores geniais – muitos desses problemas só poderão ser realmente resolvidos com a superação do próprio sistema por uma alternativa mais democrática, mais racional, mais justa, mais sustentável e mais humana.

PS: Alguns textos serão repetidos entre as sessões abaixo, se tiverem muita importância em mais de uma, principalmente na última sessão.

PPS: Talvez você não concorde necessariamente com tudo o que ler aqui no blog. Nem mesmo eu sei se concordo. Às vezes um texto pode entrar em contradição em algum nível com outro, e não vejo problema nisso. O importante pra mim é refletirmos criticamente juntos sobre os limites do sistema sob o qual vivemos e como poderíamos superá-lo. Entender nosso presente em sociedade e as possibilidades para o nosso futuro comum.


Apresentação

Já vivemos no “melhor dos mundos”? Já encontramos a melhor organização possível para a sociedade humana? Ela é capaz de oferecer as melhores condições de vida para a população mundial e garantir seu maior bem-estar possível, não só por hoje, mas por todo o futuro? Ok, todo mundo gostaria de mudar alguma coisinha aqui e ali, mas não há nada fundamentalmente, centralmente errado com o Capitalismo, né? Há quem responda sim para todas essas perguntas. Há quem acredite que o Capitalismo não seria apenas livre e justo, mas natural, “o que pessoas livres fazem quando deixadas em paz”. Seria praticamente uma “insanidade totalitária” ser contra “a Liberdade”, “a Justiça” e “a Natureza”, não?

E, no entanto, cá estamos nós, a maioria das pessoas, se alugando por 8 horas, 5 dias por semana para não morrermos de fome, em empregos com os quais pouco nos identificamos, quando conseguimos encontrá-los; cansados e entediados demais na maior parte das vezes para fazer algo além de deslizar por vidas idealizadas em nossas redes sociais no pouco de tempo livre que nos sobra, depois de pagar as contas, arrumar a casa e preparar as coisas para o dia seguinte. Vivendo por aquela festa, aquelas férias, aquela viagem, aquele novo celular, aquela nova roupa, aquele novo sentido. Sonhando com aquele milhão, com aquele investimento perfeito, aquele prêmio, aquela saída quase impossível que nos libertará e possibilitará ser aquele casal perfeito das postagens que não precisa trabalhar e que pode viajar o mundo ou se dedicar a qualquer outro interesse. Será essa “a Liberdade”?

E, no entanto, cá estamos nós, a maioria das pessoas, a quem o sistema não consegue mais nem mesmo prometer um futuro digno de verdade. Nós, que devemos aceitar que cada direito conquistado duramente em outras épocas não passa de um impecilho no caminho do “progresso”, que parece cada vez mais com um banquete em que nossa parte é nos contentarmos com as migalhas, algumas bugigangas eletrônicas e entretenimento, enquanto não chega o fim da noite. Nós, que devemos aceitar uma realidade de empregos cada vez mais precários, de salários achatados na concorrência entre os países pelo investimento internacional, na base do quem-corta-mais-pra-vender-mão-de-obra-mais-barata. Nós, que devemos ser precavidos o suficiente pra juntar grana para a aposentadoria, mesmo com salários de merda e empregos temporários, e que se não conseguirmos, mereceremos um destino de miséria nos nossos últimos anos; nós, que somos forçados a comer e beber lixo químico porque assim dá mais lucro produzir comida; nós, que devemos sonhar com o consumo infinito de bens e com a riqueza enquanto ela, apesar dos sorrisos nos jornais e outdoors, segue fluindo do nosso esforço diário para cada vez menos mãos. Nós, que corremos atrasados pro trabalho, em meio à violência que cresce de mãos dadas com a desigualdade. Nós, que sem entendermos por que nossas vidas não são as das propagandas dos bancos, somos levados a nos culpar, e aos nossos irmãos em outros países. Nós, que construímos as Tebas das sete portas,  e cujas vidas importam menos que vidraças. Será essa “a Justiça”?

E, no entanto, cá estamos nós, a maioria das pessoas, bombardeados por propagandas, consumindo desesperadamente produtos que duram cada vez menos, e que precisam durar cada vez menos,  para que o ciclo de investimento -> produção -> circulação -> consumo -> retorno do investimento (ou M-C-M’, para usar os termos do velho barbudo) possa se completar num tempo cada vez mais curto, para que o sistema não trave e possa continuar sua jornada de crescimento infinito, num mundo de recursos limitados, rumo a uma tragédia lentamente e consistentemente anunciada. Ao mesmo tempo, nos sentimos cada vez mais dispersos, cada vez menos completos e satisfeitos, vendo cada vez menos sentidos em nossas vidas, e buscando qualquer substituto no consumismo, na indústria cultural, em drogas, legais e ilegais, juntamente de seus inversos no fundamentalismo. O sofrimento mental, as ansiedades, as depressões e o niilismo se alastram feito incêndio no campo seco de significado do “mundo civilizado”.  Será essa “a Natureza”?

Precisamos tomar de volta o futuro das mãos do capitalismo e construir, nós mesmos, o mundo do século XXI que queremos.”


O Que é “Capitalismo”?

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foto de Michael Wolf

  • Uma Definição de Capitalismo [E. K. Hunt e Mark Lautzenheiser] – “Podemos definir ‘capitalismo’ como um modo particular de produção, caracterizado por quatro conjuntos de arranjos institucionais e comportamentais: produção de mercadorias, orientada para o mercado; propriedade privada dos meios de produção; um grande segmento da população que não pode existir, a não ser que venda sua força de trabalho no mercado; e comportamento individualista, aquisitivo, maximizador, da maioria dos indivíduos dentro do sistema econômico.”
  • O ‘Capitalismo’ Sempre/Nunca Existiu?Sobre diferentes usos da palavra em grupos de direita. [O texto é uma nota adicionada ao final do post anterior]
  • O País Já Não é Meio Socialista? [Chris Maisano] – Não, Socialismo não é só sobre mais governo – é sobre propriedade e controle democráticos.
  • Pelo Menos o Capitalismo é Livre e Democrático, Né? [Erik Olin Wright] – Pode parecer que é assim, mas Liberdade e Democracia genuínas não são compatíveis com o Capitalismo.
  • Os Ricos Não Merecem Ficar Com a Maior Parte do Seu Dinheiro? [Michael A. McCarthy] – “A riqueza é criada socialmente – a redistribuição apenas permite que mais pessoas aproveitem os frutos do seu trabalho.”

[Os dois textos a seguir, apesar de até em seu título serem defesas do Socialismo como alternativa, possuem explicações bem claras sobre processos centrais no Capitalismo]

  • Por Que Socialismo? [Albert Einstein] – Albert Einstein explica, de maneira clara e objetiva, os problemas fundamentais que enxerga na sociedade capitalista e porque uma sociedade socialista poderia ser o caminho para superá-los.
  • O Projeto Socialista e a Classe Trabalhadora [David Zachariah] – “As pessoas na Esquerda estão unidas em seu objetivo de uma sociedade em que cada indivíduo encontre meios aproximadamente iguais para o pleno desenvolvimento de suas capacidades diversas. O que distingue os socialistas é o reconhecimento de que a forma específica como a sociedade está organizada para reproduzir a si mesma também reproduz grandes desigualdades sociais nos padrões de vida, emprego, condições de trabalho, saúde, educação, habitação, acesso à cultura, meios de desenvolvimento e frutos do trabalho social, etc.
  • Não Há Alternativa? [István Mészáros] – “Para muita gente, a presente situação parece fundamentalmente inalterável. Esta impressão parece ser reforçada por um dos slogans políticos mais frequentemente repetidos pelos que tomam as decisões por nós: ‘não há outra alternativa.’ Contudo, a dedicação de nossos líderes políticos ao avanço dos imperativos do sistema do capital não elimina suas deficiências estruturais e seus antagonismos potencialmente explosivos. Descobrir uma saída do labirinto das contradições do sistema do capital global por meio de uma transição sustentável para uma ordem social muito diferente é, portanto, mais imperativo hoje do que jamais o foi, diante da instabilidade cada vez mais ameaçadora.”
  • Curso de Economia Política de Maria da Conceição Tavares na Unicamp em 92:


  • Capitalismo: Uma Introdução [Coletivo LibCom] – “Nas suas bases, o capitalismo é um sistema econômico baseado em três coisas: trabalho assalariado (trabalhar por um salário), propriedade privada dos meios de produção (coisas como fábricas, maquinário e escritórios) e produção para venda e lucro. O processo é bastante simples – dinheiro é investido para gerar mais dinheiro”
  • A Reprodução da Vida Cotidiana [Fredy Perlman] – “A atividade prática diária dos homens da comunidade tribal reproduz ou perpetua a tribo; a atividade cotidiana dos escravos reproduz a escravidão; a prática cotidiana dos trabalhadores assalariados reproduz o trabalho assalariado e o capital.”Inside A Garment Factory As Government Plans To Constitute Panel To Identify Structural Safety Of Garment Factories.

Problemas, Contradições, Antagonismos e Limites do Sistema Capitalista

  1. Neoliberalismo

    Sobre a ideologia dominante desde os anos 80, suas contradições e efeitos, as transformações que ela vem gerando no próprio Capitalismo, nossas condições atuais e suas tendências futuras.
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    Ilustração: Mirko Rastic | Roar Magazine


    • Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas [George Monbiot] – “Crise financeira, desastre ambiental e mesmo a ascensão de Donald Trump – o Neoliberalismo,  a ideologia dominante no ‘Ocidente’ desde os anos 80, desempenhou seu papel em todos eles. Como surgiu e foi adotado pelas elites a ponto de tornar-se invisível e difuso? Por que a Esquerda fracassou até agora em enfrentá-lo?”
    • Como Vai Acabar o Capitalismo? [Wolfgang Streeck] – “O epílogo de um sistema em desmantêlo crônico: A legitimidade da ‘democracia’ capitalista se baseava na premissa de que os Estados eram capazes de intervir nos mercados e corrigir seus resultados, em favor dos cidadãos; hoje, as dúvidas sobre a compatibilidade entre uma economia capitalista e um sistema democrático voltaram com força total.”
    • Como Matar Um Zumbi: Elaborando Estratégias Para o Fim do Neoliberalismo [Mark Fisher] – “Uma ideologia que prometia nos libertar da burocracia estatal socialista tem, ao invés, imposto uma burocracia própria sua. Isso só parece um paradoxo se tomarmos o neoliberalismo em suas próprias palavras.
    • Não Há Alternativa? [István Mészáros] – “Para muita gente, a presente situação parece fundamentalmente inalterável. Esta impressão parece ser reforçada por um dos slogans políticos mais frequentemente repetidos pelos que tomam as decisões por nós: ‘não há outra alternativa.’ Contudo, a dedicação de nossos líderes políticos ao avanço dos imperativos do sistema do capital não elimina suas deficiências estruturais e seus antagonismos potencialmente explosivos. Descobrir uma saída do labirinto das contradições do sistema do capital global por meio de uma transição sustentável para uma ordem social muito diferente é, portanto, mais imperativo hoje do que jamais o foi, diante da instabilidade cada vez mais ameaçadora.”
    • O Ano em Que o Capitalismo Real Mostrou a Que Veio [Jerome Roos] – “Tudo que nós um dia deveríamos temer sobre o socialismo — desde repressão estatal e vigilância em massa até padrões de vida em queda — aconteceu diante de nossos olhos
    • Realismo Capitalista e a Exclusão do Futuro [Mark Fisher] – “O fracasso do futuro assombra o capitalismo: depois de 1989, a vitória do capitalismo não consistiu na sua reivindicação confiante do futuro, mas em negar que o futuro é possível. Tudo o que podemos esperar, temos sido levados a acreditar, é mais do mesmo – mas em telas de resolução mais alta com conexões mais rápidas. A assombralogia, penso, expressa insatisfação com esta exclusão do futuro. […]  Parte da batalha agora será para garantir que o neoliberalismo seja percebido como morto. Acho que isso já está acontecendo. Há uma mudança nas atmosferas culturais, pequena no momento, mas vai crescer.”
    • Neoliberalismo, Ordem Contestada [Perry Anderson] – “O sistema sofre pressão inédita – pela Esquerda e pela Direita – mas resiste, apoiando-se no medo. Por que o populismo retrógrado ainda é mais forte? Como mudar o jogo?”
    • Dossiê Corbyn [Bhaskar Sunkara, Sarah Leonard, Victor Marques, David Graeber, James Butler, Juliet Jacques, Sam Kriss] – “A campanha do Partido Trabalhista, em pouco tempo, foi capaz de transformar radicalmente a paisagem política do Reino Unido. A importância histórica desse evento não deve ser minimizada: ao que me consta, é a primeira vez que um partido de massas, esclerosado e envelhecido, é trazido de volta à vida por meio da mobilização multitudinária de base, tornando-se novamente um instrumento útil ao movimento social de contestação e reativando a imaginação utópica pós-capitalista.”
    • Bancos, Finanças, Socialismo e Democracia [Ladislau Dowbor, Nuno Teles e J. W. Mason] – “Os bancos são instituições centrais na articulação das atividades no sistema capitalista. Como essas instituições deixaram de cumprir suas funções básicas e passaram a estender seu domínio sobre toda a economia? Podemos ver o sistema financeiro como um ambiente “neutro” cujos resultados são os “naturais” gerados pelos “mercados”? Será que dividir os grandes bancos será o suficiente para resolver essa situação?”

    • As Perspectivas da Liberdade [David Harvey] – “A idéia de liberdade degenera assim em mera defesa do livre empreendimento, que significa a plenitude da liberdade para aqueles que não precisam de melhoria em sua renda, seu tempo livre e sua segurança, e um mero verniz de liberdade para o povo, que pode tentar em vão usar seus direitos democráticos para proteger-se do poder dos que detêm a propriedade.”
    • Sua Majestade, a Teoria Econômica [David Harvey] – “Aqui temos a crise econômica e financeira mais espetacular em décadas e o grupo que passa a maior parte de suas horas ativas analisando a economia basicamente não a enxergou.”
    • O Que Acontece Quando Você Acredita em Ayn Rand e na Teoria Econômica Moderna [Denise D. Cummins] – “E se as pessoas se comportassem de acordo com a filosofia do “objetivismo” de Rand? E se nós de fato nos permitíssemos ser cegos a tudo, menos nosso próprio interesse?”
    • Bancos, Finanças, Socialismo e Democracia [Ladislau Dowbor, Nuno Teles e J. W. Mason] – “Os bancos são instituições centrais na articulação das atividades no sistema capitalista. Como essas instituições deixaram de cumprir suas funções básicas e passaram a estender seu domínio sobre toda a economia? Podemos ver o sistema financeiro como um ambiente “neutro” cujos resultados são os “naturais” gerados pelos “mercados”? Será que dividir os grandes bancos será o suficiente para resolver essa situação?
    • Existe Mesmo Algo Como um Livre-Mercado? [Ha-Joon Chang] – Todo mercado tem algumas regras e limites que restringem a liberdade de escolha. O mercado só parece livre porque estamos tão condicionados a aceitar as suas restrições subjacentes que deixamos de percebê-las.
    • O Livre-Mercado Faz Países Pobres Ficarem Ricos? [Ha-Joon Chang] –  “Os supostos lares do livre comércio e do livre mercado ficaram ricos por meio da combinação do protecionismo, subsídios e outras políticas que hoje eles aconselham os países em desenvolvimento a não adotar. As políticas de livre mercado tornaram poucos países ricos até agora e poucos ficarão ricos por causa dela no futuro.”
    • O Mercado é Mesmo Bom? [Luis Felipe Miguel] – Há um elemento comum, nas manifestações recentes da direita: o discurso de que o Estado deve recuar e o mercado deve regular uma porção maior das interações humanas. Se a lógica do mercado opera, dizem eles, no final das contas todos ganham. Será que é mesmo assim?
    • Uma Filosofia Para o Proprietariado [Rob Hunter] – O “Libertarianismo” não oferece solução alguma para a política plutocrática de hoje em dia – não passa de uma rejeição reacionária à luta política.

  2. Desigualdade Social e Pobreza

    Sobre as tendências de desigualdade social, pobreza e a impossibilidade de se lidar com essas questões apenas através da boa-vontade dos ricos.
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    AP Photo/Tatan Syuflana

    • Bill Gates e os 4 Bilhões na Pobreza [Michael Roberts] – “A pobreza global está caindo ou crescendo? Sabe-se que a desigualdade global vem aumentando rapidamente nas últimas décadas, mas muitos defensores do capitalismo se apressam para nos afirmar que, apesar disso, nunca estivemos melhor. Será mesmo?
    • Uma Criança Que Morre de Fome Hoje é Assassinada [Jean Ziegler, entrevistado por Leonardo Cazes] – “Relator da ONU para o direito à alimentação entre 2000 e 2008, Jean Ziegler procura explicar por que ainda existe fome se a produção agrícola mundial é suficiente para alimentar toda a população e faz contundentes críticas à especulação nas bolsas de commodities e às multinacionais”
    • Contando Com os Bilionários [Japhy Wilson] – Filantropo-capitalistas como George Soros querem que acreditemos que eles podem remediar a miséria econômica que eles mesmos criam.

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      Crianças aguardam para receber comida em Mogadishu, Somalia, em 2011. (Farah Abdi Warsameh | Associated Press)

    • Uma Economia Para os 99%relatório da Oxfam apresentando dados sobre a situação atual das desigualdades sociais; os mecanismos que as vêm reproduzindo e aprofundando mundo à fora; sobre como isso destrói qualquer possibilidade de democracia; e sobre possíveis medidas para superar esta situação;
    • Pikettyismos [Ladislau Dowbor] – “O livro de Thomas Piketty [documentando toda a trajetória da desigualdade no mundo desenvolvido desde o século XIX e provando que ela vem crescendo rapidamente nas últimas décadas, desde a virada para o Neoliberalismo] está nos fazendo refletir, não só na esquerda, mas em todo o espectro político. Cada um, naturalmente, digere os argumentos, e em particular a arquitetura teórica do volume, à sua maneira.”
    • A Economia Tradicional Está Errada – [Joseph Stiglitz] Sobre como as teorias econômicas dominantes não só não conseguem explicar as desigualdades atuais e suas consequências como, na verdade, elas foram elementos chave para incentivá-las.
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      Ilustração: Steve Cutts | http://www.stevecutts.com/


  3. Moral, Valores e Efeitos Psicológicos

    Sobre os efeitos psicológicos nocivos que resultam dos valores incentivados pelo sistema; a relação entre o egoísmo, individualismo atomizado e desumanizador, a concorrência, as ansiedades, a depressão e a falta de sentido.
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    Ansiedade, depressão, automutilação, distúrbios alimentares e de personalidade: no mundo da competição e do mercado, explodem condições psiquiátricas | Ilustração: John Bellany

    • Um Mundo Insano: Capitalismo e a Epidemia de Doenças Mentais [Rod Tweedy e Mark Fisher] – “E se não for a gente quem está doente, mas um sistema em desacordo com quem somos como seres sociais?”
    • Estranho, com Orgulho [George Monbiot] – “Você se sente perdido? Talvez isso seja por que você se recusa a sucumbir à competição, inveja e medo que o neoliberalismo desperta.
    • Não Prestar Pra Nada [Mark Fisher] – “Para aqueles que foram ensinados desde o nascimento a se verem como inferiores, a aquisição de qualificações ou renda raramente será suficiente para apagar — em suas próprias mentes ou na mente dos outros — o sentido primordial de inutilidade que os marca tão cedo na vida”
    • 15 Maneiras Com Que o Capitalismo Impede ou Limita Você de Ser Feliz [Robson Fernando de Souza] – “Você deseja muito ser feliz? Então talvez seja melhor começar a pensar seriamente sobre o atual sistema hegemônico, o principal causador de infelicidade geral.”

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      “Não aguento mais essa merda!!!” | Ilustração: Steve Cutts | http://www.stevecutts.com/

    • Por Que Socialismo? [Albert Einstein] – Albert Einstein explica, de maneira clara e objetiva, os problemas fundamentais que enxerga na sociedade capitalista e porque uma sociedade socialista poderia ser o caminho para superá-los. [Recomendo o texto novamente nesta categoria pela ênfase que Einstein dá nas questões relacionadas aos desequilíbrios emocionais e de realização gerados pelo Capitalismo ao incentivar apenas os elementos egoístas e antissociais de nossa natureza, deixando à míngua aqueles sociais e cooperativos]
    • Os Transtornos Mentais Provocados Pelas Mudanças Neoliberais [Franco Berardi, entrevistado por Juan Íñigo Ibáñez] – “Neoliberalismo, assexualidade e desejo de morte. Filósofo italiano aponta: obsessão pelo sucesso individual e troca dos contatos corpóreos pelos digitais podem realizar distopia da humanidade insensível, para a qual já alertava Pasolini”

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      Flickr | Frits Ahlefeldt | Hiking.org

    • Por Que o Capitalismo Cria Postos de Trabalho Sem Sentido? [David Graeber] – “É como se alguém lá fora estivesse criando empregos sem sentido apenas com o objetivo de nos manter a todos trabalhando.”
    • O Lamentável Declínio das Utopias Espaciais [Brianna Rennix] – “Narrativas ficcionais são um fator enorme moldando nossas expectativas do que é possível. Infelizmente, utopias estão atualmente fora de moda, como a tediosa proliferação de ficção distópica e filmes de desastre parece indicar. Por que só “libertarianos” fantasiam sobre o espaço hoje em dia?”
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      “Felicidade, por aqui ->” | Ilustração: Steve Cutts | http://www.stevecutts.com/


  4. Emprego, Falta de Tempo-Livre e Realização Humana

    Sobre o trabalho e a falta de tempo-livre e de condições para nos dedicarmos mais ao nosso auto-desenvolvimento (estudos, esportes, criações artísticas, convivência, etc) e lazer; e sobre como na verdade as condições para melhorar (e muito) nesse sentido já existem, mas são bloqueadas pelo sistema capitalista.

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    • A Gente Trabalha Demais, Mas Não Precisa Ser Assim [Peter Frase] – “Entre os séculos XIX e XX os trabalhadores conquistaram o dia de trabalho de 10 horas e então o de 8 horas, mas depois da Grande Depressão a tendência parou. Do que precisaríamos para recuperar nosso tempo livre?”
    • Renda Básica e o Futuro do Trabalho [David Raventós e Julie Wark] – “Não existe algo como a ‘dignidade do trabalho’. Não é o direito ao emprego, mas a uma existência material garantida que dá dignidade à vida humana.”
    • Rumo a Uma Sociedade Pós-Trabalho [David Frayne] – A ‘Política do Tempo’ oferece uma resposta à atual crise do trabalho, nos convidando a falar sobre as condições para a liberdade e o tipo de sociedade em que queremos viver. É uma oportunidade para finalmente cumprir a promessa original do desenvolvimento produtivo do capitalismo: nos permitir desfrutar coletivamente de mais tempo livre, para explorar essas aptidões e aspectos de nós mesmos que muitas vezes ficam marginalizados em um mundo centrado no trabalho. “Precisamos tomar de volta o futuro das mãos do capitalismo e construir, nós mesmos, o mundo do século XXI que queremos.”
    • Políticas Para Se ‘Arranjar Uma Vida’ [Peter Frase] – “O trabalho em uma sociedade capitalista é um fenômeno conflituoso e contraditório. Uma política para a classe trabalhadora tem de ser contra o trabalho, apelando para o prazer e o desejo, ao invés de sacrifício e auto-negação.

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      “Os Robôs Vão Tomar Seu Emprego?” | Imagem: Mirko Rastic | Roar Magazine

    • Os Robôs Vão Tomar Seu Emprego? [Nick Srnicek e Alex Williams] – “Com a automação causando ou não uma devastação nos empregos, o futuro do trabalho sob o capitalismo parece cada vez mais sombrio. Precisamos agora olhar para horizontes pós-trabalho.”
    • Lingirie Egípcia e o Futuro Robô [Peter Frase] – O pânico sobre automação erra o alvo – o verdadeiro problema é que os próprios trabalhadores são tratados feito máquinas.”
    • Precisamos Dominá-la [Peter Frase] – “Nosso desafio é ver na tecnologia tanto os atuais instrumentos de controle dos empregadores quanto as precondições para uma sociedade pós-escassez.
    • Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância [Peter Frase] –“Um mundo em que a tecnologia tenha superado ou reduzido a um mínimo (e de forma sustentável) a necessidade de trabalho humano; em que esse potencial seja compartilhado com todos, eliminando a exploração e a alienação das relações de trabalho assalariado; onde as hierarquias derivadas do Capital tenham sido suplantadas por um modelo mais igualitário, agora capaz não só de sanar as necessidades de todos, mas de permitir o livre desenvolvimento de cada um, parece para muitos como um sonho de utopia inalcançável e ingênuo, onde não existiriam quaisquer conflitos ou hierarquias. Será mesmo?”

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      “Renda Básica e o Futuro do Trabalho” | Imagem: Mirko Rastic | Roar Magazine

    • Por Que o Capitalismo Cria Postos de Trabalho Sem Sentido? [David Graeber] – “É como se alguém lá fora estivesse criando empregos sem sentido apenas com o objetivo de nos manter a todos trabalhando.”
    • Em Nome do Amor [Miya Tokumitsu] – “‘Faça o que você ama’ é o mantra do trabalhador atual. Por que deveríamos reivindicar nossos interesses de classe se, de acordo com as elites do FOQVA (Faça O Que Você Ama) como Steve Jobs, não existe algo como ‘trabalho’?
    • Socialismo, Transformando “Miséria Histérica” em uma “Tristeza Qualquer” [Corey Robin] – “A Esquerda quer dar às pessoas a chance de fazer algo mais com suas vidas, lhes dando tempo e espaço longe do mercado.”
    • O Socialismo Vai Ser Chato? [Danny Katch] – “O Socialismo não é sobre induzir uma branda mediocridade. É sobre libertar o potencial criativo de todos.
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      Com um melhor uso da tecnologia do que a geração de lucros e acumulação de capital, poderemos dispor de mais tempos para nos dedicarmos aos nossos diversos interesses. | Ilustração: Phil Wrigglesworth | Jacobin


  5. Produção, Consumo e Meio-Ambiente

    Sobre as contradições da produção de mercadorias voltada ao lucro e ao crescimento infinito, seu impacto ambiental, irracionalidade e o caminho para um desastre que pode, inclusive, destruir as condições de vida para a própria espécie humana.
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    Ilustração: Alves

    • Obsolescência Planejada: Armadilha Silenciosa na Sociedade de Consumo [Valquíria Padilha e Renata Cristina A. Bonifácio] – O crescimento pelo crescimento é irracional. Precisamos descolonizar nossos pensamentos construídos com base nessa irracionalidade para abrirmos a mente e sairmos do torpor que nos impede de agir
    • O Mito do Antropoceno [Andreas Malm] – Culpar toda a Humanidade pela mudança climática deixa o Capitalismo sair ileso.

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      Ilustração: Steve Cutts | http://www.stevecutts.com/

    • A Fantasia do Livre-Mercado [Nicole M. Aschoff] – “Designar o mercado como ‘natural’ e o Estado como ‘antinatural’ é uma ficção conveniente para aqueles casados com o status quo. O “capitalismo consciente”, embora atraente em alguns aspectos, não é uma solução para a degradação ambiental e social que acompanha o sistema de produção voltado ao lucro. A sociedade precisa decidir em que tipo de mundo deseja viver, e essas decisões devem ser tomadas por meio de estruturas e processos democráticos.”
    • Vivo Sob o Sol [Alyssa Battistoni] – “Não há caminho rumo a um futuro sustentável sem lidar com as velhas pedras no caminho do ambientalismo: consumo e empregos. E a maneira de fazer isso é através de uma Renda Básica Universal. “
    • Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? [Alyssa Battistoni] – “Sob o Socialismo, nós tomaríamos decisões sobre o uso de recursos democraticamente, levando em consideração necessidades e valores humanos, ao invés da maximização dos lucros.

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      Ilustração: Steve Cutts | http://www.stevecutts.com/

    • Rumo a um Socialismo Ciborgue [Alyssa Battistoni] – “A Esquerda precisa de mais vozes e de críticas mais afiadas que coloquem nossa análise do poder e de justiça no centro das discussões ambientais, onde elas devem estar.”
    • Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia [Peter Frase] – “Muito se tem falado sobre os impactos da Crise Climática e de novas tecnologias de Automação de postos de trabalho para o nosso futuro em comum. Como as relações de propriedade e produção capitalistas e a Política, especificamente a Luta de Classes, se encaixam neste quadro? Será que a possibilidade de automação quase generalizada seria o bastante para garantir que ela ocorrerá? Qual seria o impacto dela sobre as condições de vida das pessoas? Com base nesses elementos, que tipo de cenários podemos esperar à partir do fim do Capitalismo?”
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      Ilustração: Phil Wrigglesworth | Jacobin


  6. Tecnologia, Inovação e Quarta Revolução Industrial

    Sobre tecnologia, inovação e suas contradições, problemas e deficiências quando limitadas pela busca pelo lucro e acumulação de capital.

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    • Bill Gates, Socialista? [Leigh Phillips] – “Bill Gates está certo: o setor privado está sufocando a inovação em energias limpas. Mas esse não é o único lugar em que o Capitalismo está nos limitando.
    • Inovação Vermelha [Tony Smith] – “Longe de sufocar a inovação, uma sociedade Socialista colocaria o progresso tecnológico a serviço das pessoas comuns.”aschoff
    • A Sociedade do Smartphone [Nicole M. Aschoff] – “Assim como o automóvel definiu o Século XX, o Smartphone está reformulando como nós vivemos e trabalhamos hoje em dia.”
    • Todo Poder aos “Espaços de Fazedores” [Guy Rundle] – “A impressão 3-D em sua forma atual pode ser um retorno às obrigações enfadonhas do movimento “pequeno é belo”, mas tem o potencial para fazer muito mais.
    • A Revolução Cybersyn [Eden Medina] – Cinco lições de um projeto de computação socialista no Chile de Salvador Allende.

    • Os Robôs Vão Tomar Seu Emprego? [Nick Srnicek e Alex Williams] – “Com a automação causando ou não uma devastação nos empregos, o futuro do trabalho sob o capitalismo parece cada vez mais sombrio. Precisamos agora olhar para horizontes pós-trabalho.”
    • Lingirie Egípcia e o Futuro Robô [Peter Frase] – O pânico sobre automação erra o alvo – o verdadeiro problema é que os próprios trabalhadores são tratados feito máquinas.”
    • Precisamos Dominá-la [Peter Frase] – “Nosso desafio é ver na tecnologia tanto os atuais instrumentos de controle dos empregadores quanto as precondições para uma sociedade pós-escassez.

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      Ilustração: Steve Cutts | http://www.stevecutts.com/

    • Quatro Futuros [Peter Frase] – Uma coisa de que podemos ter certeza é que o Capitalismo vai acabar; a questão, então, é o que virá depois.
    • Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia [Peter Frase] – “Muito se tem falado sobre os impactos da Crise Climática e de novas tecnologias de Automação de postos de trabalho para o nosso futuro em comum. Como as relações de propriedade e produção capitalistas e a Política, especificamente a Luta de Classes, se encaixam neste quadro? Será que a possibilidade de automação quase generalizada seria o bastante para garantir que ela ocorrerá? Qual seria o impacto dela sobre as condições de vida das pessoas? Com base nesses elementos, que tipo de cenários podemos esperar à partir do fim do Capitalismo?”
    • Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância [Peter Frase] – “Um mundo em que a tecnologia tenha superado ou reduzido a um mínimo (e de forma sustentável) a necessidade de trabalho humano; em que esse potencial seja compartilhado com todos, eliminando a exploração e a alienação das relações de trabalho assalariado; onde as hierarquias derivadas do Capital tenham sido suplantadas por um modelo mais igualitário, agora capaz não só de sanar as necessidades de todos, mas de permitir o livre desenvolvimento de cada um, parece para muitos como um sonho de utopia inalcançável e ingênuo, onde não existiriam quaisquer conflitos ou hierarquias. Será mesmo?
    • O Lamentável Declínio das Utopias Espaciais [Brianna Rennix] – “Narrativas ficcionais são um fator enorme moldando nossas expectativas do que é possível. Infelizmente, utopias estão atualmente fora de moda, como a tediosa proliferação de ficção distópica e filmes de desastre parece indicar. Por que só “libertarianos” [1] fantasiam sobre o espaço hoje em dia?”
    • Robôs e Inteligência Artificial: Utopia ou Distopia? [Michael Roberts] – “Diz muito sobre o momento atual que enquanto encaramos um futuro que pode se assemelhar ou com uma distopia hiper-capitalista ou com um paraíso socialista, a segunda opção não seja nem mencionada.”
    • Robôs, Crescimento e Desigualdade – Mesmo uma instituição como o FMIvem notando as tendências que a automação de empregos devem gerar nas próximas décadas, incluindo um crescimento vertiginoso da desigualdade social, e a necessidade de compartilhar a abundância prometida por essas inovações.
    • O Socialismo Vai Ser Chato? – “O Socialismo não é sobre induzir uma branda mediocridade. É sobre libertar o potencial criativo de todos.
    • Automação e o ‘Fim do Trabalho’ na Mídia Internacional Dominante 

  7. Sobre a relação do capitalismo com outras formas de opressão:

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    Ilustração: Phil Wrigglesworth | Jacobin


  8. Nacionalismo, Globalização e Dependência

    Sobre os impulsos às rivalidades e relações de exploração entre os povos; o nacionalismo; o desenvolvimento desigual e dependente; o imperialismo/neocolonialismo; a globalização como “corrida para o fundo” em impostos, regulação trabalhista e ambiental, salários e etc; a xenofobia como bode expiatório para os problemas do sistema, principalmente as condições de vida dos trabalhadores em países mais ricos; as agressões internacionais e guerras.
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    Ilustração: Phil Wrigglesworth | Jacobin

    • Os Socialistas São Pacifistas? Algumas Guerras Não São Justificadas? [Jonah Birch] – Socialistas querem erradicar a guerra por que ela é brutal e irracional. Mas nós pensamos que existe uma diferença entre a violência dos oprimidos e a dos opressores. 

    • Como Vai Acabar o Capitalismo? [Wolfgang Streeck] – “O epílogo de um sistema em desmantêlo crônico: A legitimidade da ‘democracia’ capitalista se baseava na premissa de que os Estados eram capazes de intervir nos mercados e corrigir seus resultados, em favor dos cidadãos; hoje, as dúvidas sobre a compatibilidade entre uma economia capitalista e um sistema democrático voltaram com força total.”
    • O Ano em Que o Capitalismo Real Mostrou a Que Veio [Jerome Roos] – “Tudo que nós um dia deveríamos temer sobre o socialismo — desde repressão estatal e vigilância em massa até padrões de vida em queda — aconteceu diante de nossos olhos
    • Neoliberalismo, Ordem Contestada [Perry Anderson] – “O sistema sofre pressão inédita – pela Esquerda e pela Direita – mas resiste, apoiando-se no medo. Por que o populismo retrógrado ainda é mais forte? Como mudar o jogo?”

[Esta é uma série de aspectos fundamentais do sistema capitalista, que inclusive já degringolaram em duas guerras mundiais e que pairam sobre nós como uma ameaça constante à sobrevivência da espécie como conhecemos, mas infelizmente aqui no blog ainda não foram muito desenvolvidas. Assim que isso mudar, esta sessão será devidamente atualizada.]


E o Futuro?

O que vem pela frente? O que fazer? Quais são as perspectivas futuras das tendências atuais do sistema e como podemos enfrentá-las de verdade?
  • Quatro Futuros [Peter Frase] – Uma coisa de que podemos ter certeza é que o Capitalismo vai acabar; a questão, então, é o que virá depois.
  • O Ponto de Ruptura da Social-Democracia [Peter Frase] – “Precisamos de uma Política que reconheça que o acordo de classes da Social-Democracia é insustentável.
  • Como Vai Acabar o Capitalismo? [Wolfgang Streeck] – “O epílogo de um sistema em desmantêlo crônico: A legitimidade da ‘democracia’ capitalista se baseava na premissa de que os Estados eram capazes de intervir nos mercados e corrigir seus resultados, em favor dos cidadãos; hoje, as dúvidas sobre a compatibilidade entre uma economia capitalista e um sistema democrático voltaram com força total.”
  • Como Matar Um Zumbi: Elaborando Estratégias Para o Fim do Neoliberalismo [Mark Fisher] – “Uma ideologia que prometia nos libertar da burocracia estatal socialista tem, ao invés, imposto uma burocracia própria sua. Isso só parece um paradoxo se tomarmos o neoliberalismo em suas próprias palavras.
  • Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia [Peter Frase] – “Muito se tem falado sobre os impactos da Crise Climática e de novas tecnologias de Automação de postos de trabalho para o nosso futuro em comum. Como as relações de propriedade e produção capitalistas e a Política, especificamente a Luta de Classes, se encaixam neste quadro? Será que a possibilidade de automação quase generalizada seria o bastante para garantir que ela ocorrerá? Qual seria o impacto dela sobre as condições de vida das pessoas? Com base nesses elementos, que tipo de cenários podemos esperar à partir do fim do Capitalismo?”
  • O Ano em Que o Capitalismo Real Mostrou a Que Veio [Jerome Roos] – “Tudo que nós um dia deveríamos temer sobre o socialismo — desde repressão estatal e vigilância em massa até padrões de vida em queda — aconteceu diante de nossos olhos
  • Realismo Capitalista e a Exclusão do Futuro [Mark Fisher] – “O fracasso do futuro assombra o capitalismo: depois de 1989, a vitória do capitalismo não consistiu na sua reivindicação confiante do futuro, mas em negar que o futuro é possível. Tudo o que podemos esperar, temos sido levados a acreditar, é mais do mesmo – mas em telas de resolução mais alta com conexões mais rápidas. A assombralogia, penso, expressa insatisfação com esta exclusão do futuro. […]  Parte da batalha agora será para garantir que o neoliberalismo seja percebido como morto. Acho que isso já está acontecendo. Há uma mudança nas atmosferas culturais, pequena no momento, mas vai crescer.”
  • Democratizar Isso [Michal Rozworski] – “Os planos do Partido Trabalhista inglês para buscar modelos democráticos de propriedade são o aspecto mais radical do programa de Corbyn, e um dos mais radicais que temos visto na política dominante em muito tempo.”
  • Neoliberalismo, Ordem Contestada [Perry Anderson] – “O sistema sofre pressão inédita – pela Esquerda e pela Direita – mas resiste, apoiando-se no medo. Por que o populismo retrógrado ainda é mais forte? Como mudar o jogo?”
  • Dossiê Corbyn [Bhaskar Sunkara, Sarah Leonard, Victor Marques, David Graeber, James Butler, Juliet Jacques, Sam Kriss] – “A campanha do Partido Trabalhista, em pouco tempo, foi capaz de transformar radicalmente a paisagem política do Reino Unido. A importância histórica desse evento não deve ser minimizada: ao que me consta, é a primeira vez que um partido de massas, esclerosado e envelhecido, é trazido de volta à vida por meio da mobilização multitudinária de base, tornando-se novamente um instrumento útil ao movimento social de contestação e reativando a imaginação utópica pós-capitalista.”
  • 6 Medos Sobre o Comunismo Que Se Tornaram Reais no Capitalismo – “Os maiores pesadelos que tanto temiam do “comunismo” acabaram se tornando reais, mas ironicamente no próprio capitalismo.”
  • Os Robôs Vão Tomar Seu Emprego? [Nick Srnicek e Alex Williams] – “Com a automação causando ou não uma devastação nos empregos, o futuro do trabalho sob o capitalismo parece cada vez mais sombrio. Precisamos agora olhar para horizontes pós-trabalho.”
  • Por Que Socialismo? [Albert Einstein] – Albert Einstein explica, de maneira clara e objetiva, os problemas fundamentais que enxerga na sociedade capitalista e porque uma sociedade socialista poderia ser o caminho para superá-los.

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    O punho erguido, um dos mais reconhecidos símbolos da luta socialista | Memorial de Bubanj em homenagem aos mortos na resistência contra os fascistas na antiga Iugoslávia | Foto: Mikica Andrejic

  • O Projeto Socialista e a Classe Trabalhadora [David Zachariah] – “As pessoas na Esquerda estão unidas em seu objetivo de uma sociedade em que cada indivíduo encontre meios aproximadamente iguais para o pleno desenvolvimento de suas capacidades diversas. O que distingue os socialistas é o reconhecimento de que a forma específica como a sociedade está organizada para reproduzir a si mesma também reproduz grandes desigualdades sociais nos padrões de vida, emprego, condições de trabalho, saúde, educação, habitação, acesso à cultura, meios de desenvolvimento e frutos do trabalho social, etc.
  • Não Há Alternativa? [István Mészáros] – “Para muita gente, a presente situação parece fundamentalmente inalterável. Esta impressão parece ser reforçada por um dos slogans políticos mais frequentemente repetidos pelos que tomam as decisões por nós: ‘não há outra alternativa.’ Contudo, a dedicação de nossos líderes políticos ao avanço dos imperativos do sistema do capital não elimina suas deficiências estruturais e seus antagonismos potencialmente explosivos. Descobrir uma saída do labirinto das contradições do sistema do capital global por meio de uma transição sustentável para uma ordem social muito diferente é, portanto, mais imperativo hoje do que jamais o foi, diante da instabilidade cada vez mais ameaçadora.”
  • Socialismo, Transformando “Miséria Histérica” em “Tristeza Qualquer” [Corey Robin] – “A Esquerda quer dar às pessoas a chance de fazer algo mais com suas vidas, lhes dando tempo e espaço longe do mercado.”
  • Inovação Vermelha [Tony Smith] – “Longe de sufocar a inovação, uma sociedade Socialista colocaria o progresso tecnológico a serviço das pessoas comuns.”
  • Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? [Alyssa Battistoni] – “Sob o Socialismo, nós tomaríamos decisões sobre o uso de recursos democraticamente, levando em consideração necessidades e valores humanos, ao invés da maximização dos lucros.barista6
  • Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância [Peter Frase] – “Um mundo em que a tecnologia tenha superado ou reduzido a um mínimo (e de forma sustentável) a necessidade de trabalho humano; em que esse potencial seja compartilhado com todos, eliminando a exploração e a alienação das relações de trabalho assalariado; onde as hierarquias derivadas do Capital tenham sido suplantadas por um modelo mais igualitário, agora capaz não só de sanar as necessidades de todos, mas de permitir o livre desenvolvimento de cada um, parece para muitos como um sonho de utopia inalcançável e ingênuo, onde não existiriam quaisquer conflitos ou hierarquias. Será mesmo?
  • O Capitalismo Deu Certo e o Socialismo é Um Fracasso? – “Desde a queda da URSS o Capitalismo segue triunfante e impondo sua hegemonia, mas será que isso o torna algo bom e o socialismo algo que deve ser esquecido? A História nos ajuda a responder.”
  • Lingirie Egípcia e o Futuro Robô [Peter Frase] – O pânico sobre automação erra o alvo – o verdadeiro problema é que os próprios trabalhadores são tratados feito máquinas.”
  • Precisamos Dominá-la [Peter Frase] – “Nosso desafio é ver na tecnologia tanto os atuais instrumentos de controle dos empregadores quanto as precondições para uma sociedade pós-escassez.frase_2-600x300
  • Políticas Para Se ‘Arranjar Uma Vida’ [Peter Frase] – “O trabalho em uma sociedade capitalista é um fenômeno conflituoso e contraditório. Uma política para a classe trabalhadora tem de ser contra o trabalho, apelando para o prazer e o desejo, ao invés de sacrifício e auto-negação.
  • Renda Básica e o Futuro do Trabalho [David Raventós e Julie Wark] – “Não existe algo como a ‘dignidade do trabalho’. Não é o direito ao emprego, mas a uma existência material garantida que dá dignidade à vida humana.”
  • Democratizar Isso [Michal Rozworski] – Os planos do Partido Trabalhista inglês para buscar modelos democráticos de propriedade são o aspecto mais radical do programa de Corbyn, e um dos mais radicais que temos visto na política dominante em muito tempo.
  • Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia [Seth Ackerman, John Quiggin, Tyler Zimmer, Jeff Moniker, Matthijs Krul, HumanaEsfera] – “O socialismo promete a emancipação humana, com o alargamento da democracia e da racionalidade para a produção e distribuição de bens e serviços e o uso da tecnologia acumulada pela humanidade para a redução a um mínimo do trabalho necessário por cada pessoa, liberando seu tempo para o seu livre desenvolvimento. Como organizar uma economia socialista para realizar essas promessas?”
  • Bancos, Finanças, Socialismo e Democracia [Ladislau Dowbor, Nuno Teles e J. W. Mason] – “Os bancos são instituições centrais na articulação das atividades no sistema capitalista. Como essas instituições deixaram de cumprir suas funções básicas e passaram a estender seu domínio sobre toda a economia? Podemos ver o sistema financeiro como um ambiente “neutro” cujos resultados são os “naturais” gerados pelos “mercados”? Será que dividir os grandes bancos será o suficiente para resolver essa situação?
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    “Rumo a Uma Sociedade Pós-Trabalho” | Imagem: Mirko Rastic | Roar Magazine

  • Rumo a Uma Sociedade Pós-Trabalho [David Frayne] – A ‘Política do Tempo’ oferece uma resposta à atual crise do trabalho, nos convidando a falar sobre as condições para a liberdade e o tipo de sociedade em que queremos viver. É uma oportunidade para finalmente cumprir a promessa original do desenvolvimento produtivo do capitalismo: nos permitir desfrutar coletivamente de mais tempo livre, para explorar essas aptidões e aspectos de nós mesmos que muitas vezes ficam marginalizados em um mundo centrado no trabalho. “Precisamos tomar de volta o futuro das mãos do capitalismo e construir, nós mesmos, o mundo do século XXI que queremos.”
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