Rumo a uma Sociedade Pós-Trabalho

A ‘Política do Tempo’ oferece uma resposta à atual crise do trabalho, nos convidando a falar sobre as condições para a liberdade e o tipo de sociedade em que queremos viver. É uma oportunidade para finalmente cumprir a promessa original do desenvolvimento produtivo do capitalismo: nos permitir desfrutar coletivamente de mais tempo livre, para explorar essas aptidões e aspectos de nós mesmos que muitas vezes ficam marginalizados em um mundo centrado no trabalho. “Precisamos tomar de volta o futuro das mãos do capitalismo e construir, nós mesmos, o mundo do século XXI que queremos.”

por David Frayne, na revista Roar, Junho de 2016

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Imagem: Mirko Rastic | Roar Magazine

Quando estranhos nos encontram pela primeira vez, a primeira pergunta que eles quase sempre farão é: “o que você faz?” A convenção nos diz que o que eles realmente querem dizer é: “qual trabalho você realiza?”, o que é um terrível pergunta a uma pessoa que não trabalha, ou que não gosta do trabalho que faz. É também um sinal claro de que, quer queiramos ou não, nas sociedades industriais, vivemos num mundo profundamente centrado no trabalho.

A centralidade do trabalho é compreendida quando consideramos quanto tempo a sociedade gasta no trabalho, no qual também podemos incluir o tempo gasto o procurando e se preparando para ele, viajando de e para, e se recuperando do trabalho. Em seu ensaio de 1935, “Elogio ao Ócio”, Bertrand Russell lamentou a quantidade de tempo de lazer moderno gasto em “diversões passivas e enfadonhas”, mas a verdade é que o trabalho, depois de devorar o tempo e a energia das pessoas, muitas vezes os deixa com recursos inadequados para fazer qualquer coisa mais gratificante.

Para aqueles com empregos exigentes, torna-se impossível fazer qualquer coisa fora do trabalho que exigiria um investimento de tempo e atenção, ou laços de comunidade. O desemprego também não oferece qualquer alívio, pois até mesmo isso já foi transformado em uma espécie de trabalho. Na sociedade moderna, o desemprego assume a forma de “busca de emprego”, que, como o trabalho, tem suas próprias demandas performativas e sistema de prestação de contas.

Podemos também compreender a natureza centrada no trabalho da sociedade quando consideramos quantas funções sociais importantes foram delegadas ao trabalho. O trabalho é o mecanismo principal da sociedade para a distribuição de renda, significando que a maioria das pessoas depende de seu trabalho para a sobrevivência. A capacidade de ganhar o próprio pão é o que tradicionalmente marca a passagem para a maturidade, e trabalhar é também a maneira principal e certamente a mais culturalmente aprovada com que as pessoas vivem uma existência pública.

A Crise do Trabalho

Se o trabalho é vital para a renda, a inclusão social e um senso de identidade, então uma das contradições mais preocupantes do nosso tempo é que essa centralidade do trabalho persiste mesmo quando o trabalho está em um estado de crise. A constante erosão do emprego estável e satisfatório torna cada vez menos claro se os empregos modernos podem oferecer o senso de ação moral, reconhecimento e orgulho necessários para assegurar o trabalho como uma fonte de significado e identidade. [1] A padronização, a precariedade e a duvidosa utilidade social que caracterizam muitos empregos modernos são uma das principais fontes da miséria moderna.

O desemprego em massa é também agora uma característica estrutural duradoura das sociedades capitalistas. A eliminação de grandes quantidades de mão-de-obra humana pelo desenvolvimento de tecnologias mecânicas é um processo que tem se estendido por séculos. [2] No entanto, talvez devido a desenvolvimentos de alto perfil como o assistente computadorizado da Apple, o Siri, ou os drones de entrega da Amazon, a discussão em torno da automação está mais uma vez acesa. Um estudo frequentemente citado de Carl Frey e Michael Osborne [3] antecipa uma escalada do desemprego tecnológico nos próximos anos. [4] Ocupações sob alto risco incluem modelos, cozinheiros e trabalhadores de construção, graças a avanços como avatares digitais, máquinas de virar hambúrgueres e a capacidade de fabricar construções pré-fabricados em fábricas com robôs. Tem se antecipado também que avanços em Inteligência Artificial e Aprendizagem de Máquina permitirão uma quantidade crescente de tarefas de trabalho cognitivo se tornarem automatizadas.

O que tudo isto significa é que estamos nos tornando uma sociedade de trabalhadores sem trabalho: uma sociedade de pessoas que estão materialmente, culturalmente e psicologicamente ligadas ao emprego remunerado, mas para as quais não há empregos estáveis e significativos suficientes. Perversamente, o problema mais premente para muitas pessoas já não é a exploração, mas a ausência de oportunidades para serem exploradas de forma suficiente e confiável. O impacto desse problema na epidemia de ansiedade e exaustão de hoje não deve ser subestimado. [5]

O que torna a situação ainda mais cruel é a sensação generalizada de que as vítimas precárias da crise são de alguma forma pessoalmente responsáveis pelo seu destino. No Reino Unido, dificilmente passa uma semana passa sem uma reafirmação soberba da ética de trabalho [6] na mídia, ou alguma história que constrói o desemprego como uma forma de desvio. O programa de televisão britânico ‘Benefits Street’ [algo como ‘Rua do Benefício’] vem à mente, mas talvez o exemplo mais escandaloso dos últimos tempos não venha do mundo da TV-lixo, mas da tese do Dr. Adam Perkins, ‘The Welfare Trait’ [algo como ‘A Marca das Políticas de Bem-Estar’]. Publicado no ano passado, o livro de Perkins abordou o que ele definiu como a “personalidade resistente ao emprego”. O desemprego é explicado em termos de um transtorno psicológico transmitido intergeracionalmente. O estudo de Perkins é o produto mais polido da ideologia do trabalho que se pode imaginar. Está tão deslumbrado por suas próprias reivindicações à objetividade científica, tão impermeável ao seu próprio fundamento na ética do trabalho, que mendiga crença.

Parece que nos encontramos em um dilema. Por um lado, o trabalho tem sido posicionado como uma fonte central de renda, solidariedade e reconhecimento social, enquanto que, por outro lado, a promessa de um emprego estável, significativo e satisfatório desmorona em torno de nós. A questão crucial: como as sociedades deveriam se ajustar a esta crise do trabalho cada vez mais profunda?

Negócio de Sempre

Ao longo da história do capitalismo, as sociedades tenderam a compensar os efeitos deslocadores de trabalho dos ganhos de produtividade, ou aumentando a produção de determinadas indústrias, ou expandindo a economia para novas indústrias e setores. Anders Hayden se referiu a esta solução como uma esteira rolante: a necessidade de expansão econômica sem fim simplesmente para manter os níveis de emprego.

Entre as possibilidades mais distópicas desta trajetória está a visão de um mundo afundado em bens de consumo descartáveis [7], produzidos principalmente para manter as pessoas trabalhando e gastando, bem como a perspectiva sombria de uma sociedade onde praticamente todas as necessidades são terceirizadas para o mercado e todas as relações mediadas pela economia. Talvez a maior objeção à solução de “mais empregos”, porém, seja a natureza insustentável da expansão econômica perpétua. Mesmo que o crescimento econômico pudesse acompanhar a demanda por empregos, quais seriam os custos ambientais? Apontando para organismos bem estabelecidos de pesquisa sobre o esgotamento dos recursos naturais, a perda de biodiversidade, a poluição do solo, e a mãe de todos os limites, a mudanças climática [8], ecologistas políticos como Tim Jackson tem mostrado que a expansão da economia para fornecer trabalho tem se tornado uma estratégia cada vez mais intragável.

Se a solução não é “mais empregos”, quais outras respostas estão disponíveis para nós? Sob o neoliberalismo [9], os cidadãos têm sido encorajados a assumir as questões com suas próprias mãos. A estratégia mais socialmente aceitável hoje é evitar o redemoinho da precariedade, do desemprego e do trabalho sem sentido investindo pessoalmente em “empregabilidade”, fazendo um esforço de longo-prazo para adquirir as habilidades, qualificações e sensibilidades que serão mais atraentes para os empregadores.

O projeto de empregabilidade pode moldar qualquer coisa, desde o que os sujeitos escolhem estudar até que aspectos de suas personalidades consideram “problemáticos” e precisam de reforma. [10] Uma das maiores baixas desse foco na empregabilidade é a educação, cujo papel na sociedade centrada no trabalho foi reduzido a uma função econômica. A contribuição mais prontamente aceita da educação não é ensinar os princípios da democracia, do pensamento crítico ou da autoconfiança, mas preparar e certificar jovens para a adoção de um papel de emprego pré-definido. A ansiedade explode na fábrica de diplomas (tanto entre os professores como entre os estudantes), e a mobilidade social prometida pelo progresso educacional é, de qualquer forma, um pobre substituto da justiça econômica genuína. Claramente nem todos podem ter sucesso na corrida por empregos decentes.

A necessidade de se tornar o que Michel Foucault chamou de “empreendedor do eu” para mitigar a insegurança da vida sob o neoliberalismo também derruba o poder de barganha dos trabalhadores precários da sociedade. Um dos melhores ativos de um sujeito empregável é a amabilidade – um objetivo de agradar – o que coloca os trabalhadores em uma posição fraca para negociar melhores condições para si próprios. Esta é talvez uma explicação para o fenômeno recentemente documentado do “presenteismo“, onde se vê pessoas ficando obedientemente até tarde no escritório, mesmo que não tenham trabalho a fazer.

Em um artigo recente sobre a empregabilidade dos graduados, Costea e colegas sugeriram que a tragédia final da empregabilidade é a sua condição psicológica de “potencialidade sem fim”. O eu-empreendedor nunca está satisfeito, nunca sente ter feito o suficiente. Cada relacionamento é uma “conexão” potencial e cada atividade é um item potencial para o currículo. Juntamente do derramamento de trabalho em casa através de tecnologias em rede, a “potencialidade infinita” da empregabilidade torna compreensível um dos segredos coletivos da sociedade mais carregados de culpa: o desejo oculto por uma breve onda de doença pessoal – pelo menos por alguns dias – fazer tudo isso parar.

Uma Alternativa Radical

Parece que precisamos de uma alternativa mais radical – e, felizmente, não há escassez de recursos para o quais nos voltarmos em busca de inspiração. Existe um importante legado de pensadores críticos que defendem que a solução mais racional e libertadora para a crise do trabalho não é nem econômica nem pessoal. Este grupo provocador de pensadores – abrangendo desde críticos como André Gorz e Herbert Marcuse até membros do movimento pós-operaísta italiano e autores feministas contemporâneas como Kathi Weeks [11] – tem argumentado que a única solução legítima para a crise do trabalho é uma solução política. Reconhecendo que a sociedade centrada no trabalho já não é sustentável, estes autores argumentam que devemos  repensar radicalmente o papel do trabalho na sociedade moderna.

Um tema comum nestas críticas é observar como a tremenda capacidade do capitalismo para o desenvolvimento produtivo abriu a possibilidade teórica de mais tempo livre. As máquinas podem fazer mais do trabalho necessário, nos deixando livres para outras coisas. No entanto,  crucialmente, a tecnologia por si só não tem a capacidade de nos libertar do trabalho. Como argumentou Gorz em sua “Crítica da Razão Econômica”, “o desenvolvimento das forças produtivas pode, por si só, reduzir a quantidade de trabalho que é necessária, mas não pode, por si só, criar as condições que farão dessa libertação de tempo uma libertação para todos.”

Para críticos como Gorz, o desafio que temos diante de nós é desenvolver uma luta política que nos permita finalmente transformar o tempo economizado por décadas de ganhos de produtividade para fins humanos. Esse desafio coletivo – que Gorz chamou de “política do tempo” – exige a definição de novas liberdades e garantias coletivas, que permitirão a todos se beneficiar de mais tempo livre. Uma das coisas que torna a crítica do trabalho um projeto tão emocionante é que as preocupações dos críticos são sempre acentuadas de forma diferente. No entanto, em termos de propostas políticas, há um número destas que são bastante consistentes por toda a linha.

A primeira proposta é uma política de redução da jornada de trabalho por toda a sociedade, amarrada a uma redistribuição social do trabalho necessário. Ao espalhar as horas de trabalho disponíveis de forma mais equilibrada entre as populações, o objetivo é inverter a divisão crescente da sociedade em elites ocupacionais estressadas, de um lado, e uma massa de desempregados, subempregados ou precariamente empregados, de outro. Cada um de nós trabalharia menos para que mais de nós pudéssemos trabalhar.

Isso vem de mãos dadas com uma segunda proposta para desvincular o direito a um salário da atividade do trabalho, e explorar métodos alternativos de distribuição de renda. A crescente discussão em torno da Renda Básica Universal é um sinal promissor. A Renda Básica tem muitas justificativas concorrentes, mas uma importante é que ela promete remediar o deprimente desperdício de tempo e talento testemunhado no presente capitalista, onde a inclusão social ainda depende da capacidade de manter um emprego. Independente se sua força de trabalho for exigida pela economia formal ou não, as pessoas que se beneficiem de uma Renda Básica terão recursos para empreender trabalho para si mesmas e para os outros, se assim o desejarem. A esperança é que, com os benefícios de tempo e renda, as pessoas seriam capazes de desenvolver uma gama de interesses e capacidades fora do emprego. [12]

Essas mudanças talvez não seriam muito se não fossem escoradas por uma mudança mais qualitativa em nossas culturas e sensibilidades. Uma solução radical para a crise do trabalho também requer que nos re-examinemos e exploremos a possibilidade de formas alternativas de experimentar o prazer e a solidariedade que as pessoas têm convencionalmente procurado (muitas vezes sem sucesso) no trabalho. Para articular isso em termos de uma demanda: precisamos exigir um fim à idéia conservadora de que o trabalho remunerado é inerentemente saudável e civilizador.

Alguns vão, sem dúvida, objetar dizendo que o emprego é crucial para o bem-estar das pessoas (e há uma profusão de pesquisas sobre as misérias do desemprego que elas podem citar como evidência). [13] A dinâmica deste debate é complicada porque o trabalho em alguns sentidos realmente é importante para a saúde em uma sociedade organizada para promover uma dependência em relação ao trabalho. No entanto, é apenas um apego moral ao trabalho que nos impede de permanecer abertos à idéia de que o futuro poderia ser diferente. No futuro, é perfeitamente possível que atividades alternativas nos permitam experimentar o sentido de solidariedade e propósito que o trabalho agora oferece (ou não fornece, conforme o caso). Também faríamos bem em lembrar aos que duvidam que a construção atual da identidade e da solidariedade social através do trabalho nos torna supremamente aptos para a exploração.

Outros podem protestar contra a crítica ao trabalho como uma defesa um pouco juvenil do “direito de ser preguiçoso”. Por exemplo, quando o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, declarou que seu governo serviria principalmente os interesses de “pessoas que trabalham duro”, as linhas éticas foram firmemente traçadas: você é um trabalhador ou um vagabundo? Parece que não há espaço para se ocupar no meio, não há uma forma legítima de fazer uma contribuição social que não seja através do trabalho.

É importante que rejeitemos essa dicotomia sempre que possível, e também que reconheçamos que a crítica ao trabalho é muito mais do que a defesa do direito de ser preguiçoso. Embora a preguiça certamente tenha um lugar legítimo em um futuro pós-trabalho, o que em última análise é exigido pela crítica do trabalho é menos um direito à ociosidade do que um direito de desenvolver as capacidades humanas mais plenamente. Em ‘The Problem With Work’ [‘O Problema com o Trabalho’], Kathi Weeks articula bem essa questão quando argumenta que criticar o trabalho não o é, necessariamente:

“É, antes, insistir que há outras maneiras de organizar e distribuir essa atividade e nos lembrar que também é possível ser criativo fora dos limites do trabalho. É sugerir que pode haver uma variedade de maneiras de experimentar o prazer que podemos hoje encontrar no trabalho, bem como outros prazeres que podemos querer descobrir, cultivar e desfrutar.”

Num momento em que o trabalho está muito claramente em estado de crise, o projeto crítico que Weeks descreve aqui é importante. Dada a crescente crise do trabalho, o sonhador talvez não seja mais o utópico que procura alternativas, mas a pessoa que acredita que as coisas podem continuar como estão. A solução radical é a solução sã.

Ao mesmo tempo, porém, seria um erro ver a crítica do trabalho meramente como uma “solução” para a crise. É também uma oportunidade para finalmente cumprir a promessa original do desenvolvimento produtivo do capitalismo: nos libertar do trabalho e nos permitir desfrutar coletivamente de mais tempo livre. A esperança é que uma política do tempo nos permitiria explorar essas aptidões e aspectos de nós mesmos que muitas vezes ficam marginalizados em um mundo centrado no trabalho. A esperança é que ter mais tempo fora do trabalho, com o benefício de novas instalações públicas, desencadearia a criação de redes informais de produção e intercâmbio fora dos limites da economia formal.

Talvez um aumento no tempo livre também permitiria que as pessoas se tornassem cidadãos mais ativos. Uma das razões pelas quais o debate democrático está atualmente em um estado tão moribundo é que nossas vidas ocupadas nos deixam com tão pouco tempo para se envolver com a política, se organizar coletivamente ou descobrir o que está acontecendo em nossas comunidades. Entretanto, o que uma política do tempo talvez prometa, acima de tudo, é permitir que usemos nosso tempo livre para outra coisa que não escapar do trabalho.

A Estrada à Frente

A construção social do trabalho como uma fonte básica de renda, direitos e sensação de pertencimento continua inabalável. No entanto, o que também está claro é que, para um vasto número de pessoas, o trabalho se tornou uma fonte não confiável dessas coisas. Trata-se de uma crise profunda, que exige uma reavaliação igualmente profunda do trabalho e do seu lugar na sociedade moderna. Esta tarefa – que André Gorz chamou de política do tempo – tem como objetivo oferecer uma resposta prática ao mundo de trabalho em desintegração de hoje. Mas mais do que isso, também nos convida a falar sobre as condições para a liberdade e a nos engajar em um novo diálogo sobre o tipo de sociedade em que gostaríamos de viver.

Em geral, estou inclinado a concordar com a sugestão de Gorz de que a mudança cultural para uma sociedade pós-trabalho já tem ocorrido até certo ponto. Se cortarmos através da glorificação da ética do trabalho na mídia conservadora, o que encontraremos é que um enorme número de pessoas já está se desligando mentalmente da sociedade centrada no trabalho e agora está ativamente tentando maximizar seu tempo de lazer, reconfigurando sua identidades através de atividades não-laborais. Sensibilidades anti-trabalho podem ser encontradas em todos os lugares, quer se trate de artistas e [artistas/atletas/etc] amadores encontrando tempo para fazer o que realmente amam, voluntários e cuidadores não remunerados dedicando seu tempo para os outros, pessoas se aposentando cedo para redescobrir prazeres perdidos, ou graduados lentamente desistindo do sonho de um emprego estável de que eles gostam.

Eu documentei essas sensibilidades anti-trabalho em algum grau em meu livro, ‘The Refusal of Work’ [‘A Rejeição do Trabalho’], que se baseou em entrevistas com pessoas que tentam (com diferentes graus de sucesso) resistir à realização de trabalho remunerado. Muitos estavam dispostos a suportar dificuldades significativas para fazê-lo. Uma das coisas notáveis deste estudo foi que seus participantes eram menos sujeitos políticos radicais, exigindo alternativas sociais, e mais pessoas comuns que estavam simplesmente tentando trabalhar menos e ter mais tempo de lazer. Eles encarnavam uma insatisfação latente com o trabalho que ainda não encontrou vasão política, e o dilema que talvez agora enfrentemos seja como legitimar e mobilizar essa insatisfação. Precisamos encontrar maneiras de articulá-lo na forma de uma alternativa política.

Com relação às perspectivas de desenvolver uma política pós-trabalho neste sentido, é justo dizer que concluí minha pesquisa com uma nota um tanto pessimista. No Reino Unido, a política dominante tanto na Esquerda como na Direita ainda parece obcecada com a dignidade do trabalho. No entanto, tem havido alguns barulhos notáveis desde que a minha pesquisa foi publicada. A política anti-trabalho do grupo ativista britânico ‘Plan C’ [14] vale a pena ser mencionada aqui, juntamente com a ‘New Economics Foundation’ [15] – um think tank que tem explorado a possibilidade de uma semana de trabalho de 21 horas. A discussão em torno da Renda Básica também parece estar aumentando, com uma série de campanhas e experiências notáveis sendo documentadas pela ‘Basic Income Earth Network[16] nos últimos meses.

Também vale a pena mencionar o recente “No Jobs Bloc[17] – uma coalizão de grupos coordenada pela Assembléia Radical, que marchou como parte do protesto anti-austeridade de Londres no início de 2016. Os manifestantes carregavam faixas com slogans inspirados pela recente crítica do trabalho de Nick Srnicek e Alex Williams, ‘Inventing the Future’ [“Inventando o Futuro”], exigindo uma Renda Básica para todos, automação completa, redução da semana de trabalho e a atribuição de valor ao trabalho não remunerado e emocional . Esse abraço popular da crítica do trabalho é encorajador, e é difícil prever o destino da crítica no futuro. Uma coisa, porém, é certa: se alguém me dissesse há um ano que ativistas no Reino Unido estariam cantando slogans anti-trabalho nas ruas, eu não teria acreditado.

Tradução: Everton Lourenço


Mobilizando em torno de um consenso pós-trabalho: Quatro demandas

Fonte: Nick Srnicek & Alex Williams – ‘Inventing The Future’ [‘Inventando o Futuro’] (Verso, 2015)

“O esforço conjunto destas medidas seria a liberação de uma quantidade significativa de tempo livre sem uma redução da produção econômica ou um aumento significativo do desemprego. No entanto, esse tempo livre será de pouco valor se as pessoas continuarem precisando lutar para fazer as contas fecharem. “

1. Automatização Completa [18]

“As tendências na direção da automação e da substituição do trabalho humano devem ser aceleradas entusiasticamente e direcionadas como projeto político da Esquerda”.

“A demanda por automação completa amplifica a possibilidade de reduzir a semana de trabalho e aumenta a necessidade de uma Renda Básica Universal”.

2. Redução da Semana de Trabalho [19]

“Uma das razões mais importantes para reduzir o tempo de trabalho é que é uma demanda que tanto consolida como gera poder de classe. [Isso] pode ser implantado como uma tática temporária na luta política … [e] também torna o movimento trabalhista mais forte. “

3. Fornecimento de uma Renda Básica [20]

Uma Renda Básica Universal transforma a precariedade, reconhece o trabalho social, torna o poder de classe mais fácil de mobilizar e amplia o espaço para experimentar com como organizamos comunidades e famílias. Trata-se de um mecanismo de redistribuição que transforma as relações de produção. É um mecanismo econômico que muda a política do trabalho”.

4. Diminuição da Ética do Trabalho [21]

“O que é necessário é uma abordagem contra-hegemônica do trabalho: um projeto que derrubaria idéias existentes sobre a necessidade e desejabilidade do trabalho, e a imposição do sofrimento como base para a remuneração”.

“O capitalismo exige que as pessoas trabalhem para ganhar a vida, mas é cada vez mais incapaz de gerar empregos suficientes. A tensão entre o valor concedido à ética do trabalho e estas mudanças materiais só aumentará o potencial de transformação do sistema “.


“Tomar de volta o futuro das mãos do capitalismo e construir, nós mesmos, o mundo do século XXI que queremos”.


Risco de um Emprego Ser Automatizado nas Próximas Duas Décadas

(Dados de BBC.com, baseados em Michael Osborne e Carl Frey, 2013, “The Future of Employment: How Susceptible Are Jobs to Computerisation?” [algo como ‘O Futuro do Emprego: O Quão Suscetíveis à Automatização Estão os Empregos’’]; [Gráfico e imagem publicados na Roar Magazine]).

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Imagem: Roar Magazine


Notas

[1] O fato de que quase 80% das pessoas não se identifica com seus empregos diz muito sobre isso. [N.M.]

[2] Ver ‘Tecnologia e Estratégia Socialista’, de Paul Heideman; e ‘Precisamos Dominá-la’, de Peter Frase  [N.M.]

[3] Frey, Carl Benedikt, e Michael A. Osborne, 2013, “The Future of Employment: How Susceptible Are Jobs to Computerisation?” [algo como ‘O Futuro do Emprego: O Quão Suscetíveis à Automatização Estão os Empregos’’], Oxford University paper (Oxford, United Kingdom).

[4] Ver ‘Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia’, de Peter Frase; ‘Robôs e Inteligência Artificial: Utopia ou Distopia’, de Michael Roberts; ê ’Robôs, Crescimento e Desigualdade’, de Andrew Berg, Edward Buffie e Luis Felipe Zanna [N.M.]

[5] Ver ‘Estranho, Com Orgulho‘, de George Monbiot; e ‘Não Servir Pra Nada‘, de Mark Fisher. [N.M.]

[6] Ver ‘Políticas Para Se Arranjar Uma Vida’, de Peter Frase. [N.M.]

[7] Não está longe de ser o que já temos, com a produção baseada na Obsolescência Planejada. Ver ‘Obsolescência Planejada: Armadilha Silenciosa na Sociedade de Consumo’, de Valquíria Padilha e Renata Cristina A. Bonifácio;

[8] Ver ‘O Mito do Antropoceno’, de Andreas Malm; ‘Vivo Sob o Sol’, de Alyssa Battistoni; ‘Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda?’, de Alyssa Battistoni; ‘Rumo a Um Socialismo Ciborgue’, de Alyssa Battistoni; ‘Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia’, de Peter Frase; [N.M.]

[9] Ver ‘Neoliberalismo, a Ideologia Na Raiz de Nossos Problemas’, de George Monbiot. [N.M.]

[10] Não à toa, muitos autores como Mark Fisher, Christian Laval e Pierre Dardot entendem a lógica subjetiva sob o neoliberalismo como uma forma de “empresa do eu”, um “eu-empreendimento” que precisa ser administrado segundo os mesmos valores e racionalidade de uma empresa capitalista. Os efeitos psicológicos dessa tendência são gigantescos, e podem ser medidos na explosão de males de ansiedade e depressão no mundo ocidental à partir dos anos 80. [N.M.]

[11] Ver os comentários de Peter Frase sobre o trabalho de Weeks em ‘Políticas Para Se Arranjar Uma Vida’. [N.M.]

[12] Ver ‘Renda Básica e o Futuro do Trabalho‘ de David Raventós e Julie Wark; ‘Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância’, de Peter Frase; ‘Vivo Sob o Sol’, de Alyssa Battistoni; [N.M.]

[13] Novamente, ver ‘Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância’, de Peter Frase;

[14] http://www.weareplanc.org/ [N.M.]

[15] “Fundação Nova Economia” – http://neweconomics.org/ [N.M.]

[16] ‘Rede Terrestre da Renda Básica’ – http://basicincome.org/ [N.M.]

[17] Não soube como traduzir: algo como ‘Bloco Sem Emprego’ ou ‘Bloco Contra Empregos’, ‘Bloco do Não Aos Empregos’ [N.M.]

[18] Ver ‘Lingerie Egípcia e o Futuro Robô‘, ‘Precisamos Dominá-la‘, ‘Quatro Futuros‘, ‘Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia‘, ‘Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância‘,  de Peter Frase; ‘Tecnologia e Estratégia Socialista‘, de Paul Heideman; ‘Robôs e Inteligência Artificial: Utopia ou Distopia?‘, de Michael Roberts; ‘Os Robôs Vão Tomar Seu Emprego?‘ de Nick Srnicek & Alex Williams; ‘Robôs, Crescimento e Desigualdade‘, de Andrew Berg, Edward F. Buffie, e Luis-Felipe Zanna; ‘Automação e o “Fim do Trabalho” na Mídia Internacional Dominante‘; [N.M.]

[19] Ver ‘A Gente Trabalha Demais Mas Não Precisa Ser Assim’ e ‘Políticas Para Se Arranjar Uma Vida’, de Peter Frase; [N.M.]

[20] Ver ‘Renda Básica e o Futuro do Trabalho‘ de David Raventós e Julie Wark; ‘Vivo Sob o Sol‘, de Alyssa Battistoni; ” ‘Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância‘,  de Peter Frase; ‘Robôs, Crescimento e Desigualdade‘, de Andrew Berg, Edward F. Buffie, e Luis-Felipe Zanna; ‘Automação e o “Fim do Trabalho” na Mídia Internacional Dominante‘; [N.M.]

[21] Novamente, ver ‘A Gente Trabalha Demais Mas Não Precisa Ser Assim’ e ‘Políticas Para Se Arranjar Uma Vida’, ‘Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância‘,  de Peter Frase; ‘Renda Básica e o Futuro do Trabalho‘ de David Raventós e Julie Wark; ‘Automação e o “Fim do Trabalho” na Mídia Internacional Dominante‘; [N.M.]


Leituras Relacionadas

  • A Gente Trabalha Demais, Mas Não Precisa Ser Assim – “Entre os séculos XIX e XX os trabalhadores conquistaram o dia de trabalho de 10 horas e então o de 8 horas, mas depois da Grande Depressão a tendência parou. Do que precisaríamos para recuperar nosso tempo livre?”
  • Políticas Para Se ‘Arranjar Uma Vida’ – “O trabalho em uma sociedade capitalista é um fenômeno conflituoso e contraditório. Uma política para a classe trabalhadora tem de ser contra o trabalho, apelando para o prazer e o desejo, ao invés de sacrifício e auto-negação.
  • Vivo Sob o Sol“Não há caminho rumo a um futuro sustentável sem lidar com as velhas pedras no caminho do ambientalismo: consumo e empregos. E a maneira de fazer isso é através de uma Renda Básica Universal. “
  • Renda Básica e o Futuro do Trabalho“Não existe algo como a ‘dignidade do trabalho’. Não é o direito ao emprego, mas a uma existência material garantida que dá dignidade à vida humana.”
  • Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância“Um mundo em que a tecnologia tenha superado ou reduzido a um mínimo (e de forma sustentável) a necessidade de trabalho humano; em que esse potencial seja compartilhado com todos, eliminando a exploração e a alienação das relações de trabalho assalariado; onde as hierarquias derivadas do Capital tenham sido suplantadas por um modelo mais igualitário, agora capaz não só de sanar as necessidades de todos, mas de permitir o livre desenvolvimento de cada um, parece para muitos como um sonho de utopia inalcançável e ingênuo, onde não existiriam quaisquer conflitos ou hierarquias. Será mesmo?”
  • Contando Com os BilionáriosFilantropo-capitalistas como George Soros querem que acreditemos que eles podem remediar a miséria econômica que eles mesmos criam.
  • Bill Gates e os 4 Bilhões Na Pobreza – “A pobreza global está caindo ou crescendo? Sabe-se que a desigualdade global vem aumentando rapidamente nas últimas décadas, mas muitos defensores do capitalismo se apressam para nos afirmar que, apesar disso, nunca estivemos melhor. Será mesmo?
  • Socialismo, Transformando “Miséria Histérica” em “Tristeza Qualquer”“A Esquerda quer dar às pessoas a chance de fazer algo mais com suas vidas, lhes dando tempo e espaço longe do mercado.”
  • Pelo Menos o Capitalismo é Livre e Democrático, Né? – Pode parecer que é assim, mas Liberdade e Democracia genuínas não são compatíveis com o Capitalismo.
  • Os Ricos Não Merecem Ficar Com a Maior Parte do Seu Dinheiro?“A riqueza é criada socialmente – a redistribuição apenas permite que mais pessoas aproveitem os frutos do seu trabalho.”
  • O País Já Não é Meio Socialista? – Não, Socialismo não é só sobre mais governo – é sobre propriedade e controle democráticos.
  • O Ponto de Ruptura da Social-Democracia – “Precisamos de uma Política que reconheça que o acordo de classes da Social-Democracia é insustentável.
  • O Socialismo Vai Ser Chato? – “O Socialismo não é sobre induzir uma branda mediocridade. É sobre libertar o potencial criativo de todos.
  • Os Robôs Vão Tomar Seu Emprego?“Com a automação causando ou não uma devastação nos empregos, o futuro do trabalho sob o capitalismo parece cada vez mais sombrio. Precisamos agora olhar para horizontes pós-trabalho.”
  • Quatro Futuros – “Uma coisa de que podemos ter certeza é que o Capitalismo vai acabar; a questão, então, é o que virá depois.
  • Precisamos Dominá-la – “Nosso desafio é ver na tecnologia tanto os atuais instrumentos de controle dos empregadores quanto as precondições para uma sociedade pós-escassez.
  • Tecnologia e Estratégia Socialista – Com poderosos movimentos de classe em sua retaguarda, a tecnologia pode prometer a emancipação do trabalho, ao invés de mais miséria.
  • Lingirie Egípcia e o Futuro Robô – O pânico sobre automação erra o alvo – o verdadeiro problema é que os próprios trabalhadores são tratados feito máquinas.”
  • Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia“Muito se tem falado sobre os impactos da Crise Climática e de novas tecnologias de Automação de postos de trabalho para o nosso futuro em comum. Como as relações de propriedade e produção capitalistas e a Política, especificamente a Luta de Classes, se encaixam neste quadro? Será que a possibilidade de automação quase generalizada seria o bastante para garantir que ela ocorrerá? Qual seria o impacto dela sobre as condições de vida das pessoas? Com base nesses elementos, que tipo de cenários podemos esperar à partir do fim do Capitalismo?”
  • Robôs e Inteligência Artificial: Utopia ou Distopia?“Diz muito sobre o momento atual que enquanto encaramos um futuro que pode se assemelhar ou com uma distopia hiper-capitalista ou com um paraíso socialista, a segunda opção não seja nem mencionada.”
  • Robôs, Crescimento e Desigualdade Mesmo uma instituição como o FMI vem notando as tendências que a automação de empregos devem gerar nas próximas décadas, incluindo um crescimento vertiginoso da desigualdade social, e a necessidade de compartilhar a abundância prometida por essas inovações.
  • Inovação Vermelha – “Longe de sufocar a inovação, uma sociedade Socialista colocaria o progresso tecnológico a serviço das pessoas comuns.”
  • Rumo a um Socialismo Ciborgue “A Esquerda precisa de mais vozes e de críticas mais afiadas que coloquem nossa análise do poder e de justiça no centro das discussões ambientais, onde elas devem estar.”
  • Todo Poder aos “Espaços de Fazedores” – “A impressão 3-D em sua forma atual pode ser um retorno às obrigações enfadonhas do movimento “pequeno é belo”, mas tem o potencial para fazer muito mais.
  • A Revolução CybersynCinco lições de um projeto de computação socialista no Chile de Salvador Allende.
  • Uma Definição de Capitalismo – “Podemos definir ‘capitalismo’ como um modo particular de produção, caracterizado por quatro conjuntos de arranjos institucionais e comportamentais: produção de mercadorias, orientada para o mercado; propriedade privada dos meios de produção; um grande segmento da população que não pode existir, a não ser que venda sua força de trabalho no mercado; e comportamento individualista, aquisitivo, maximizador, da maioria dos indivíduos dentro do sistema econômico.”
  • Como Vai Acabar o Capitalismo?“O epílogo de um sistema em desmantêlo crônico: A legitimidade da ‘democracia’ capitalista se baseava na premissa de que os Estados eram capazes de intervir nos mercados e corrigir seus resultados, em favor dos cidadãos; hoje, as dúvidas sobre a compatibilidade entre uma economia capitalista e um sistema democrático voltaram com força total.”
  • A Fantasia do Livre-Mercado“Designar o mercado como ‘natural’ e o Estado como ‘antinatural’ é uma ficção conveniente para aqueles casados com o status quo. O “capitalismo consciente”, embora atraente em alguns aspectos, não é uma solução para a degradação ambiental e social que acompanha o sistema de produção voltado ao lucro. A sociedade precisa decidir em que tipo de mundo deseja viver, e essas decisões devem ser tomadas por meio de estruturas e processos democráticos.”
  • O Mito do Antropoceno – Culpar toda a Humanidade pela mudança climática deixa o Capitalismo sair ileso.
  • Bill Gates, Socialista?“Bill Gates está certo: o setor privado está sufocando a inovação em energias limpas. Mas esse não é o único lugar em que o Capitalismo está nos limitando.
  • Obsolescência Planejada: Armadilha Silenciosa na Sociedade de ConsumoO crescimento pelo crescimento é irracional. Precisamos descolonizar nossos pensamentos construídos com base nessa irracionalidade para abrirmos a mente e sairmos do torpor que nos impede de agir
  • Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? – “Sob o Socialismo, nós tomaríamos decisões sobre o uso de recursos democraticamente, levando em consideração necessidades e valores humanos, ao invés da maximização dos lucros.
  • Uma Criança que Morre de Fome Hoje é Assassinada“Relator da ONU para o direito à alimentação entre 2000 e 2008, Jean Ziegler procura explicar por que ainda existe fome se a produção agrícola mundial é suficiente para alimentar toda a população e faz contundentes críticas à especulação nas bolsas de commodities e às multinacionais”
  • O Lamentável Declínio das Utopias Espaciais“Narrativas ficcionais são um fator enorme moldando nossas expectativas do que é possível. Infelizmente, utopias estão atualmente fora de moda, como a tediosa proliferação de ficção distópica e filmes de desastre parece indicar. Por que só “libertarianos” fantasiam sobre o espaço hoje em dia?”
  • Neoliberalismo, A Ideologia na Raiz de Nossos Problemas“Crise financeira, desastre ambiental e mesmo a ascensão de Donald Trump – o Neoliberalismo,  a ideologia dominante no ‘Ocidente’ desde os anos 80, desempenhou seu papel em todos eles. Como surgiu e foi adotado pelas elites a ponto de tornar-se invisível e difuso? Por que a Esquerda fracassou até agora em enfrentá-lo?”
  • Estranho, com Orgulho – “Você se sente perdido? Talvez isso seja por que você se recusa a sucumbir à competição, inveja e medo que o neoliberalismo desperta.
  • O Mercado é Mesmo Bom?“Há um elemento comum, nas manifestações recentes da direita: o discurso de que o Estado deve recuar e o mercado deve regular uma porção maior das interações humanas. Se a lógica do mercado opera, dizem eles, no final das contas todos ganham. Será que é mesmo assim?”
  • O Marxismo Está Ultrapassado? Ele Só Tinha Algo a Dizer Sobre a Inglaterra do Século XIX, e Olhe Lá?
  • O Socialismo Soa Bem na Teoria, Mas a Natureza Humana Não o Torna Impossível de Se Realizar? – “Nossa natureza compartilhada na verdade nos ajuda a construir e definir os valores de uma sociedade mais justa.”
  • O Comunismo Não Passa de Um Sonho de Utopia? Só Funcionaria Com Pessoas Perfeitas?“O Comunismo é apenas um sonho de ingenuidade, utopia e perfeição? Ele ign0ra a maldade e o egoísmo que estariam na essência da natureza humana? Um tal sistema precisaria que todos pensassem e agissem de uma única maneira, só poderia funcionar com pessoas perfeitas e harmoniosas como peças de relógio, nunca com os seres humanos diversos e falhos que realmente existem?”
  • O Socialismo Não Termina Sempre em Ditadura? – O Socialismo é muitas vezes misturado com autoritarismo. Mas historicamente, Socialistas tem estado entre os defensores mais convictos da Democracia.
  • O Marxismo é Uma Ideologia Assassina, Que Só Pode Gerar Miséria? – “O Marxismo é uma ideologia sanguinária e assassina, que só pode gerar miséria compartilhada? Socialismo significa falta de liberdade e uma economia falida?”
  • Os Socialistas Querem Tornar Todos Iguais? Querem Acabar Com a Nossa Individualidade?
  • Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia – “O socialismo promete a emancipação humana, com o alargamento da democracia e da racionalidade para a produção e distribuição de bens e serviços e o uso da tecnologia acumulada pela humanidade para a redução a um mínimo do trabalho necessário por cada pessoa, liberando seu tempo para o seu livre desenvolvimento. Como organizar uma economia socialista para realizar essas promessas?”
  • Votando Sob o Socialismo Vai ser mais significativo – mas esperamos que não envolva assembleias sem-fim.
  • Existe Mesmo Algo Como Um “Livre-Mercado”? – Todo mercado tem algumas regras e limites que restringem a liberdade de escolha. O mercado só parece livre porque estamos tão condicionados a aceitar as suas restrições subjacentes que deixamos de percebê-las.”
  • Uma Filosofia para o Proprietariado – O “Libertarianismo” não oferece solução alguma para a política plutocrática de hoje em dia – não passa de uma rejeição reacionária à luta política.
  • As Perspectivas da Liberdade“A idéia de liberdade degenera assim em mera defesa do livre empreendimento, que significa a plenitude da liberdade para aqueles que não precisam de melhoria em sua renda, seu tempo livre e sua segurança, e um mero verniz de liberdade para o povo, que pode tentar em vão usar seus direitos democráticos para proteger-se do poder dos que detêm a propriedade.”
  • O Livre-Mercado Faz Países Pobres Ficarem Ricos? –  “Os supostos lares do livre comércio e do livre mercado ficaram ricos por meio da combinação do protecionismo, subsídios e outras políticas que hoje eles aconselham os países em desenvolvimento a não adotar. As políticas de livre mercado tornaram poucos países ricos até agora e poucos ficarão ricos por causa dela no futuro.”
  • Sua Majestade, a Teoria Econômica “Aqui temos a crise econômica e financeira mais espetacular em décadas e o grupo que passa a maior parte de suas horas ativas analisando a economia basicamente não a enxergou.”
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