Robôs, Crescimento e Desigualdade

por Andrew Berg, Edward F. Buffie, e Luis-Felipe Zanna

FMI – FINANCE & DEVELOPMENT, Setembro de 2016, Vol. 53, No. 3

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[Nota de tradução: O blog não concorda necessariamente com as visões expressas no relatório abaixo, mas o apresenta para fomentar o debate e a discussão. Ele foi traduzido para mostrar como mesmo uma instituição tão central para o sistema capitalista mundial como o FMI (que se tornou uma das pontas de lança da implementação de contra-reformas neoliberais depois que a gestão Reagan fez a limpa nos economistas keynesianos da instituição no começo dos anos 80) vem notando as tendências que a automação de empregos devem gerar nas próximas décadas em se mantendo as relações de produção capitalistas, incluindo um crescimento vertiginoso da desigualdade social, e a necessidade de compartilhar a abundância prometida por essas inovações. Os autores chegam até o ponto de defender um Renda Básica Universal como um mecanismo de redistribuição de renda e como garantia de uma Demanda Agregada para a produção automatizada. Na mídia brasileira, no momento muito ocupada tentando garantir a expansão da exploração da mão de obra brasileira num modelo neoliberal extremamente retrógrado (recentemente questionado pelo próprio FMI), este é um debate ainda simplesmente inexistente.]

Alguns dizem que o mundo está entrando em uma “Segunda Era das Máquinas.” [1] A cada semana nós lemos sobre uma nova aplicação para a Inteligência Artificial, a assim-chamada “aprendizagem profunda” [2] e tecnologia robótica. Caminhões de entrega automatizados, ensino eletrônico e assistentes de agendamento, computadores que substituem auxiliares jurídicos e carros autônomos são apenas alguns. Alguns parecem se aproximar do “robô” imaginado pelo escritor tcheco de ficção científica Karel Čapek [3], que cunhou o termo em 1921 para descrever uma máquina inteligente essencialmente indistinguível de um humano.

Ninguém sabe onde esta tecnologia vai parar. Robert Gordon afirma [4] que mudanças tecnológicas economicamente significativas – e o crescimento da produtividade nos Estados Unidos – têm desacelerado desde os anos 70, exceto durante o boom tecnológico que durou uma década e terminou em 2004 [5]. Mas quando se trata de robôs inteligentes, nós podemos estar nos primeiros estágios de uma revolução, e economistas deveriam pensar muito sobre o que isso significa para o crescimento econômico e a distribuição de renda.

Narrativas Conflitantes

Duas narrativas têm emergido na literatura econômica sobre tecnologia, crescimento e distribuição. Uma diz que avanços tecnológicos aumentam a produtividade e assim, o produto per capita. Tirando alguns custos de transição enquanto alguns empregos em particular se tornam obsoletos, o efeito geral é um padrão de vida mais alto. A história desse debate desde pelo menos o século XIX parece render uma vitória decisiva para os otimistas da tecnologia. O trabalhador estadunidense médio em 2015 trabalhou em torno de 17 semanas para viver no nível de renda anual de um trabalhador médio de 1915 – e a tecnologia foi uma parte enorme deste progresso [6].

Esta narrativa otimista aponta para as muitas formas em que a tecnologia faz muito mais do que substituir trabalhadores. Ela torna trabalhadores mais produtivos e aumenta a demanda por seus serviços – por exemplo, softwares de mapeamento tornam os motoristas de taxi (e agora de Lyft e Uber) mais eficientes. E rendas crescentes geram demandas por todo tipo de produtos de produtos e, assim, trabalho. Uma onda de medo sobre as implicações da informatização para os empregos se espalhou pelos EUA nos anos 50 e início dos 60, mas as décadas subsequentes de forte crescimento de produtividade e aumento de padrão de vida viram um desemprego em geral estável e crescimento do emprego.

A outra narrativa, mais pessimista, presta mais atenção nos ‘perdedores’ (ver, por exemplo, Sachs and Kotlikoff, 2012 [7]; Ford, 2015 [8]; Freeman, 2015 [9]). Parte da crescente desigualdade em muitas economias avançadas nas décadas recentes podem resultar de pressão tecnológica. A revolução do computador tem reduzido a demanda relativa em economias desenvolvidas por empregos envolvendo trabalho rotinizado (físico ou mental) – pense em contadores ou trabalhadores de linha de montagem. Por que computadores, combinados com um número menor de trabalhadores (geralmente mais especializados) têm sido capazes de produzir bens previamente associados com estes empregos, os salários relativos para pessoas menos especializadas têm caído em muitos países.

Com robôs será diferente?

Onde robôs inteligentes podem se encaixar? Para uma vista aérea dessa questão, nós projetamos um modelo econômico que assume que os robôs são um tipo diferente de capital, um que é um substituto próximo para um trabalhador humano. Macroeconomistas normalmente pensam na produção como resultando da combinação do estoque de capital físico (composto por máquinas e estruturas, tanto públicas e privadas) e trabalho. Mas pensar em robôs como um novo tipo de capital físico, um que na realidade adiciona ao estoque de trabalho (humano) disponível, é surpreendentemente instrutivo. A produção ainda requererá construções e estradas, por exemplo, mas agora pessoas e robôs podem trabalhar com este capital tradicional.

Então, o que acontece quando este capital robótico se torna produtivo o bastante para ser útil? Se nós assumimos que os robôs são substitutos quase perfeitos para o trabalho humano, a boa notícia é que o produto per capita sobe. A má notícia é que a desigualdade piora, por várias razões. Primeiro, robôs aumentam a oferta efetiva total de trabalho (trabalhadores mais robôs), o que impulsiona os salários para baixo em uma economia orientada pelo mercado. Segundo, porque agora é lucrável investir em robôs, há uma fuga do investimento em capital tradicional, tal como construções e maquinário convencional. Isso aprofunda a redução da demanda para aqueles que trabalham com aquele capital tradicional.

Mas isso é só o começo. Tanto a boa quanto a má notícia se intensificam com o tempo. Enquanto o estoque de robôs cresce, o mesmo acontece com o retorno sobre o capital tradicional (armazéns são mais úteis com robôs estoquistas cuidando das prateleiras). Eventualmente, portanto, o investimento tradicional cresce também. Isto, por sua vez, mantém os robôs produtivos, mesmo enquanto o estoque de robôs continua a crescer. Com o tempo, os dois tipos de capital crescem juntos até que eles dominam cada vez mais a economia inteira. Todo esse capital tradicional e robótico, com ajuda cada vez menor de trabalhadores, produz mais e mais produtos. E de robôs não se espera que consumam, apenas produzam (muito embora a literatura de ficção científica seja ambígua sobre isto!). Então há mais e mais produção para ser compartilhada entre pessoas reais.

Contudo, os salários caem, não apenas em termos relativos mas absolutos, mesmo enquanto a produção cresce.

Isso pode soar curioso, ou mesmo paradoxal. Alguns economistas falam sobre a falácia do fracasso dos que espalham o medo sobre a tecnologia em perceber que os mercados vão se equilibrar: a demanda vai subir para encontrar a maior oferta de bens produzidos por tecnologia melhor, e os trabalhadores encontrarão novos empregos. Não há tal falácia aqui: em nosso modelo econômico simples, nós ignoramos o desemprego e outras complicações: os salários se ajustarão para equilibrar o mercado de trabalho.

Então, como podemos explicar a queda nos salários coincidindo com uma produção crescente? Para colocar de outra forma, quem compra o montante maior de produtos? Os proprietários de capital fazem isso. No curto prazo, o maior investimento mais do que contrabalanceia qualquer declínio no consumo. No longo prazo, a parcela dos proprietários de Capital na torta crescente – e seus gastos em consumo – está crescendo também. Com salários em queda e crescimento de estoques de capital, o trabalho (humano) se torna uma parte menor e menor da economia. (No caso-limite de substituibilidade perfeita, a parcela de salários tende a zero.) Thomas Piketty tem nos lembrado que a parcela do Capital é um determinante básico na distribuição de renda. O Capital já é distribuído muito mais desigualmente do que a renda em todos os países. A introdução de robôs levaria para cima a parcela do Capital indefinidamente, então a distribuição de renda tenderia a se tornar sempre mais desigual.

Uma “singularidade” robótica e econômica?

Notavelmente, este processo de crescimento auto-sustentado dirigido puramente pelo investimento (em capital robótico e tradicional) pode decolar mesmo com um aumento muito pequeno na eficiência dos robôs, conquanto esse aumento torne os robôs competitivos em relação aos trabalhadores. Este pequeno aumento de eficiência portanto leva a um tipo de “singularidade” econômica, em que o Capital toma por completo a economia, excluindo os trabalhadores. Isso faz lembrar da hipótese de “singularidade tecnológica” publicada por Raymond Kurzweil [10] em que máquinas inteligentes se tornam tão espertas que podem programar a si mesmas, disparando um crescimento explosivo de inteligência de máquina. A nossa singularidade, porém, é econômica, não tecnológica. Nós estamos considerando como um pequeno salto no nível de eficiência robótica pode engatilhar uma acumulação de capital auto-sustentada onde os robôs tomam por completo a economia, não um crescimento auto-sustentado na inteligência robótica.

Até aqui, nós assumimos uma substituibilidade quase perfeita entre robôs e trabalhadores, junto de um pequeno aumento na eficiência robótica. Estes são robôs do tipo em destaque no filme de Hollywood “O Exterminador do Futuro 2: O Dia do Julgamento” – substituições tão perfeitas para humanos que se tornam indistinguíveis. Outro cenário plausível foge de ambas estas premissas. É mais realista, pelo menos por enquanto, assumir que robôs e trabalho humano estão perto de, mas não são perfeitamente substituíveis, que pessoas trazem uma fagulha de criatividade ou um toque humano crítico. Ao mesmo tempo, como alguns tecnologistas, nós projetamos que a produtividade robótica cresce não apenas um pouco, mas dramaticamente através de algumas poucas décadas.

Com estas premissas, nós recuperamos um pouco do otimismo típico de economista. As forças mencionadas antes ainda estão em jogo: o capital robótico tende a substituir trabalhadores e jogar para baixo os salários, e de início o desvio de investimento para os robôs seca os suprimentos de capital tradicional que ajudam a aumentar salários. A diferença, entretanto, é que os talentos especiais humanos se tornam cada vez mais valiosos e produtivos enquanto eles se combinam com este capital tradicional e robótico em acumulação gradual. Eventualmente, este aumento na produtividade do trabalho supera o fato de que os robôs estão substituindo humanos, e os salários (e também a produção) crescem.

Mas há dois problemas. Primeiro, “eventualmente” pode demorar um bom tempo. Exatamente quanto depende de quão fácil será substituir trabalho humano por robôs, e de quão rápido a poupança e o investimento responderão às taxas de lucro. De acordo com a nossa calibragem inicial, levaria 20 anos para que o efeito da produtividade prevalecesse sobre o efeito de substituição e elevasse os salários. Em segundo lugar, o capital ainda vai provavelmente aumentar imensamente seu papel na economia. Não vai tomar por completo como no caso da singularidade, mas ainda tomará uma parcela maior da renda, mesmo no longo prazo, quando os salários estiverem acima dos níveis pré-era-dos-robôs. Portanto, a desigualdade estará pior, provavelmente de forma dramática.

As Pessoas São Diferentes

Os leitores podem estar pensando que estes cenários amedrontadores não se aplicarão a eles, por que seus empregos como, digamos, economistas ou jornalistas não poderão ser executados por robôs. Em nosso modelo, nós começamos com trabalhadores e robôs como substitutos perfeitos, então introduzimos a noção de que eles podem ser bem próximos, mas não exatamente o mesmo na produção. Um complicação adicional importante é que nem todo trabalho é o mesmo. E de fato, é plausível que mesmo máquinas sofisticadas combinadas com inteligência artificial avançada não substituirão os humanos para todos os empregos. Em filmes o conjunto de empregos a serem substituídos é bem amplo, desde caçadores de robôs (Blade Runner) até médicos (Alien). E robôs já deram pelo menos alguns passos na direção de substituir assistentes de ensino e mesmo jornalistas. Cursos online massivos podem ameaçar mesmo professores [11]. Mas na vida real, muitos empregos parecem a salvo, pelo menos por enquanto.

Em nosso modelo, portanto, nós dividimos então todos os trabalhadores em duas categorias, que nós chamamos de “especializados” e “não-especializados.” [12] Por especializados nós queremos dizer que eles não são bem substituíveis por robôs; ao invés disso, robôs podem aumentar a sua produtividade. Por não-especializados nós queremos dizer que eles possuem bons substitutos. Assim, nossos trabalhadores especializados podem não ser os tradicionalmente de alta escolaridade; eles podem ser aqueles com criatividade ou empatia, o que é particularmente difícil que os futuros robôs alcancem. Nós assumimos, seguindo Frey e Osborne [13], que cerca da metade da força de trabalho poderia ser substituída por robôs e seria, portanto, “não-especializada”. O que acontece quando a tecnologia robótica se torna mais barata? Como antes, o produto per capita aumenta. E a parcela do capital em geral (robôs mais tradicional) sobe. Agora, porém, existe um efeito adicional: os salários dos trabalhadores especializados cresce em relação aos dos não-especializados – e de forma absoluta. Por quê? Por que estes trabalhadores são mais produtivos quando combinados com robôs. Imagine, por exemplo, a maior produtividade de um designer que agora comanda um exército de robôs. Enquanto isso, os salários dos não-especializados colapsa, tanto em termos relativos quanto absolutos, mesmo no longo prazo.

A desigualdade agora cresce por duas razões fundamentais. Como antes, o Capital recebe uma parte maior da renda total. Além disso, a desigualdade de salários piora dramaticamente. Produtividade e salários reais pagos para trabalhadores especializados crescem continuamente, mas os trabalhadores não-especializados enfrentam uma batalha solitária contra os robôs e perdem feio. Os números dependem de alguns parâmetros-chave, tais como o grau de complementaridade entre trabalhadores especializados e robôs, mas a magnitude do resultado segue em geral das premissas simples que nós colocamos. Nós vemos que em um período de 50 míseros anos, o salário real para trabalhadores não-especializados decresce 40%, e a parte desse grupo na renda nacional desce de 35% para 11% em nossa calibragem inicial.

Até aqui, nós temos pensado sobre uma grande economia desenvolvida, como os Estados Unidos. E isso parece natural, dado que tais países tendem a serem mais avançados tecnologicamente. Porém, uma Era Robótica poderia também afetar a distribuição internacional de produção. Por exemplo, se o trabalho não-especializado substituído por robôs se assemelha à força de trabalho de países subdesenvolvidos [14], isso poderia diminuir os salários relativos nesses países.

A Quem Pertencerão Os Robôs?

Estas histórias não são o destino. Primeiro, nós estamos principalmente especulando sobre o resultado de tendências tecnológicas emergentes, não analisando dados existentes. Inovações recentes que nós temos em mente não têm (ainda) aparecido nas estatísticas sobre produtividade e crescimento nas economias desenvolvidas; de fato, o crescimento da produtividade tem sido baixo nos anos recentes. E a tecnologia não parece ser a culpada do crescimento da desigualdade na maioria dos países. Em economias mais avançadas o crescimento em salários relativos de trabalhadores especializados tem sido menor do que nos EUA, mesmo em economias avançadas que presumivelmente encaram desafios tecnológicos similares. Como Piketty e seus co-autores famosamente enfatizaram [15], muito do aumento na desigualdade nas décadas recentes está concentrado em uma fração muito pequena da população, e a tecnologia não parece ser a questão principal. Mas a desigualdade crescente observada em tantas partes do mundo nas décadas recentes – e talvez mesmo algo da instabilidade política e do populismo que vemos nas notícias – sublinha os riscos e apostas em jogo. E é sinistro que a parcela do trabalho na renda estadunidense pareça vir caindo desde a virada do século, depois de décadas de certa estabilidade [16].

As famosas 3 “leis da robótica” [17] do escritor de ficção científica Isaac Asimov  foram pensadas para proteger as pessoas da ameaça física por robôs. De acordo com a primeira lei, “Um robô não pode ferir um ser humano ou, através da inação, permitir que um ser humano venha a ser ameaçado.” Tal orientação pode ser boa para projetistas de robôs individuais, mas fariam muito pouco para lidar com as consequências econômicas globais que discutimos aqui. Nosso pequeno modelo mostra que, mesmo em uma economia de mercado em bom funcionamento, robôs podem ser lucráveis para os proprietários de capital e podem elevar a média da renda per capita, mas o resultado não seria o tipo de sociedade em que a maioria de nós gostaria de viver. O argumento por uma resposta política pública é forte.

Em todos estes cenários há empregos para pessoas que querem trabalhar. O problema é que a maior parte da renda vai para os proprietários de capital e para trabalhadores especializados que não podem ser facilmente substituídos por robôs. O resto fica com baixos salários e uma parcela decrescente da torta. Isso aponta para a importância da educação que promove o tipo de criatividade e habilidades que serão complementares – e não substituíveis por – máquinas inteligentes. Tal investimento em capital humano poderia elevar os salários médios e diminuir a desigualdade [18]. Mas mesmo assim, a introdução de robôs poderia deprimir os salários médios por um longo tempo, e a parcela do Capital vai crescer.

Ao tentar manter as coisas tão simples quanto possível, nós ignoramos muitas das obrigações que uma tal sociedade teria de encarar. Estas poderiam incluir a garantia de uma demanda agregada suficiente quando o poder de compra está cada vez mais concentrado; lidar com os desafios sociais e políticos associados com salários tão baixos e desigualdade tão alta; e lidar com as implicações de salários menores na capacidade dos trabalhadores de pagar por cuidados de saúde, educação e investir em seus filhos.

Nós assumimos implicitamente até agora que a renda advinda do capital permaneceria distribuída muito desigualmente. Mas o aumento generalizado na produção implica que todos poderiam estar melhor se a renda do capital fosse redistribuída. As vantagens de uma renda básica financiada pela taxação de capital se tornam óbvias. É claro, a globalização e inovação tecnológica tornaram, no mínimo, mais fácil para o Capital fugir à taxação em décadas recentes. Nossa análise, assim, adiciona urgência à questão “a quem pertencerão os robôs”? ■

Andrew Berg – Vice-Director do Instituto Para Desenvolvimento da Capacidade no FMI;

Edward F. Buffie – Professor de Economia na  Universidade Bloomington em Indiana;

Luis-Felipe Zanna – Economista-Sênior no Departmento de Pesquisa do FMI;

Tradução: Everton Lourenço


Leituras Relacionadas

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  • O Mito do Antropoceno – Culpar toda a Humanidade pela mudança climática deixa o Capitalismo sair ileso.

Notas

[1] http://secondmachineage.com/

[2] A “aprendizagem produnda” é um ramo do Aprendizado de Máquina que trabalha com abstrações mais complexas – http://deeplearning.net/ [N.M.]

[3] Čapek, Karel, 1921, R.U.R. (Rossum’s Universal Robots) (New York: Penguin).

[4] Gordon, Robert, 2016, The Rise and Fall of American Growth: The U.S. Standard of Living since the Civil War (Princeton, New Jersey: Princeton University Press).

[5] FMI – June 2016 F&D

[6] Autor, David, 2014, “Why Are There Still So Many Jobs? The History and Future of Workplace Automation,” Journal of Economic Perspectives, Vol. 29, No. 3, pp. 3–30.

[7] Sachs, Jeffrey D., and Laurence Kotlikoff, 2012, “Smart Machines and Long-Term Misery,” NBER Working Paper 18629 (Cambridge, Massachusetts: National Bureau of Economic Research). – http://www.nber.org/papers/w18629.pdf

[8] Ford, Martin, 2015, The Rise of the Robots (New York: Basic Books).

[9] Freeman, Richard B., 2015, “Who Owns the Robots Rules the World,” IZA World of Labor, May. – http://wol.iza.org/articles/who-owns-the-robots-rules-the-world/long

[10] Kurzweil, Raymond, 2005, The Singularity Is Near: When Humans Transcend Biology(New York: Viking).

[11] Claro que a visão de educação dos autores é completamente positivista, baseada apenas na “passagem de conhecimento – mas não podemos esquecer que um dos projetos do maior acionista do Netflix é justamente substituir os professores por plataformas online. [N.M.]

[12] No original, “skilled” e “unskilled”; [N.M.]

[13] Frey, Carl Benedikt, and Michael A. Osborne, 2013, “The Future of Employment: How Susceptible Are Jobs to Computerisation?” Oxford University paper (Oxford, United Kingdom). – http://www.oxfordmartin.ox.ac.uk/downloads/academic/The_Future_of_Employment.pdf

[14] A Nike, por exemplo, pretende reduzir o número de tênis fabricados na China, substituindo tal produção por fábricas muito mais automatizadas/robotizadas na Alemanha: http://fortune.com/2016/05/25/adidas-robot-speedfactories/ [N.M.]

[15] http://dowbor.org/2014/07/ladislau-dowbor-pikettismos-relexoes-sobre-o-capital-no-seculo-xxi-julho-2014-17p.html/ [N.M.]

[16] Freeman, Richard B., 2015, “Who Owns the Robots Rules the World,” IZA World of Labor, May. – http://wol.iza.org/articles/who-owns-the-robots-rules-the-world/long

[17] https://pt.wikipedia.org/wiki/Leis_da_Rob%C3%B3tica [N.M.]

[18] Talvez pudesse, mas os autores do artigo, como bons defensores do status quo capitalista, não assumem que mesmo que essa educação fizesse com que todos os trabalhadores tivessem as habilidades não substituíveis, isso não necessariamente levaria a uma melhora generalizada das condições de vida – na verdade, mantendo a lógica de um “mercado de trabalho” nesse cenário, é provável que, pelo contrário, o excesso de trabalhadores qualificados para trabalhar em complementaridade com os robôs inteligentes derrubaria os salários para essas atividades e geraria uma nova versão, de alta qualificação, do exército de reserva capitalista representado pelos desempregados/subempregados e desesperados. [N.M.]

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