Bill Gates e os 4 Bilhões na Pobreza

A pobreza global está caindo ou crescendo? Sabe-se que a desigualdade global vem aumentando rapidamente nas últimas décadas, mas muitos defensores do capitalismo se apressam para nos afirmar que, apesar disso, nunca estivemos melhor. Será mesmo?

por Michael Roberts, em seu blog The Next Recession, Abril de 2017

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Crianças aguardam para receber comida em Mogadishu, Somalia, em 2011. (Farah Abdi Warsameh | Associated Press)

A pobreza global está caindo ou crescendo? Estimativas realistas calculam que há mais de 4 bilhões de pessoas na pobreza neste mundo, ou dois terços da população. No entanto, em sua “carta pública” mais recente, escrita no mês passado, Bill e Melinda Gates, a família mais rica do mundo, estavam entusiasmados para nos dizer que a batalha contra a pobreza global estava sendo vencida, pois desde 1990 caiu pela metade o número de pessoas que vivem com menos de US $ 1,25 por dia. Como conciliar essas duas estimativas?

Em 2013 o Banco Mundial divulgou um relatório apontando que havia 1,2 bilhões de pessoas vivendo com menos de US $ 1,25 por dia, um terço das quais eram crianças. Isso se compara com a linha de pobreza dos EUA de US $ 6 por dia para uma família de quatro pessoas. Mas, de acordo com o Banco Mundial, a situação está melhorando, com 720 milhões de pessoas a menos neste limiar muito baixo de pobreza em relação a 1981. E o vencedor do Prêmio Nobel Angus Deaton enfatizou [1] que a expectativa de vida global aumentou 50% desde 1900 e continua subindo. A proporção de pessoas que vivem com menos de US $ 1 por dia (em termos ajustados pela inflação) caiu para 14%, ante 42% em 1981. Um residente típico da Índia é tão rico quanto um típico britânico em 1860, por exemplo, mas tem uma expectativa de vida mais parecida com a de um europeu em meados do século XX. A disseminação de conhecimento sobre saúde pública, medicina e dieta explica a diferença.

No entanto, quando nos aprofundamos mais nos dados, há uma história menos otimista. Martin Kirk e Jason Hickel [2] foram rápidos em contra argumentar os dados da carta do casal bilionário. Os Gates “usam números baseados em uma linha de pobreza de US $ 1,25 por dia, mas há um forte consenso acadêmico [3] de que esta linha é baixa demais… Usando uma linha de pobreza de US $ 5 por dia, que até mesmo a Agência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento [4] sugere como o mínimo necessário para que as pessoas possam obter comida adequada e ter uma chance de alcançar a expectativa de vida normal, a pobreza global medida neste nível não tem caído. Na verdade, tem aumentado – dramaticamente – ao longo dos últimos 25 anos para mais de 4 bilhões de pessoas, ou quase dois terços da população mundial”.

Atualmente, o Banco Mundial já aumentou sua linha de pobreza oficial para US $ 1,90 por dia [5]. Mas isso simplesmente ajusta o antigo valor de US $ 1,25 para as mudanças no poder de compra do dólar dos EUA. Mas isso também significou que a pobreza global foi reduzida em 100 milhões de pessoas da noite para o dia.

E como Jason Hickel aponta [6], este $ 1.90 é ridiculamente baixo. Um limite mínimo seria de US $ 5 , como calculou o Departamento de Agricultura dos EUA como o mínimo necessário para comprar comida suficiente. E isso ainda não leva em conta outros requisitos para a sobrevivência, como moradia e roupas. Hickel mostra que na Índia, as crianças que vivem com US $ 1,90 por dia têm uma chance de 60% de estarem desnutridas. No Níger, as crianças que vivem com 1,90 dólares têm uma taxa de mortalidade três vezes superior à média global.

Em um artigo de 2006, Peter Edward, da Universidade de Newcastle, usa uma “linha de pobreza ética” [7] que calcula que, para atingir a expectativa de vida humana normal de pouco mais de 70 anos, as pessoas precisam de 2,7 a 3,9 vezes o valor da linha de pobreza existente, que no passado foi de US $ 5 por dia. Usando os novos cálculos do Banco Mundial, isto representaria US $ 7,40 por dia. O que representa uma cifra de cerca de 4,2 bilhões de pessoas vivendo na pobreza hoje; um acréscimo de até 1 bilhão de pessoas nos últimos 35 anos.

Agora, outros especialistas defendem que a razão pela qual há mais pessoas na pobreza é porque há mais pessoas! [8] A população mundial aumentou nos últimos 25 anos. Você precisa olhar para a proporção da população mundial na pobreza; e com um corte de US $ 1,90, a proporção abaixo da linha caiu de 35% para 11% entre 1990 e 2013. Então, os Gates estavam certos, afinal de contas, argumentam. Mas isso é malícia, para dizer o mínimo. O número de pessoas em situação de pobreza, mesmo no limiar ridiculamente baixo de US $ 1,25 por dia, aumentou, mesmo que não tanto quanto a população total nos últimos 25 anos. E mesmo assim, toda esta evidência otimista de especialistas está realmente baseada na melhoria dramática da renda média na China (e, em menor medida, na Índia).

Em seu artigo, Peter Edward descobriu que havia 1,139 bilhões de pessoas recebendo menos de US $ 1 por dia em 1993, e que esse número caiu para 1.093 bilhões em 2001, uma redução de 46 milhões. Mas a redução da China nesse período foi de 108 milhões (nenhuma mudança na Índia), de modo que toda a redução nos números de pobreza foi devida à China. Excluindo a China, a pobreza total permaneceu inalterada na maioria das regiões, aumentando significativamente na África subsaariana. E, de acordo com o Banco Mundial, a pessoa pobre “média” em um país de baixa renda vivia com 78 centavos de dólar por dia em 2010, em comparação com 74 centavos por dia em 1981, quase nenhuma mudança. Mas essa melhora foi toda na China. Na Índia, o rendimento médio dos pobres subiu para 96 centavos de dolar ao dia em 2010, comparado com 84 centavos em 1981, enquanto os rendimentos dos pobres médios da China subiram para 95 centavos, contra 67 centavos. A economia estatal da China, ainda na maior parte planejada, viu as pessoas mais pobres fazerem o maior progresso.

Os níveis de pobreza não devem ser confundidos com a desigualdade de renda [9] ou de riqueza. Sobre a segunda, a evidência da crescente desigualdade de riqueza globalmente está bem registrada [10] e é a mesma história. Se você tirar a China dos números, a desigualdade global vem crescendo nos últimos 30 anos. O gráfico em formato de “elefante” da desigualdade global, apresentado por Branco Milanovic [11], constatou que os cerca de 60 milhões de pessoas que constituem o 1% de maior rendimento no mundo viram seus rendimentos crescerem 60% desde 1988. Cerca de metade deles são os 12% de estadunidenses mais ricos. O restante do 1% do topo é composto pelos 3 a 6% no topo dos britânicos, japoneses, franceses e alemães, e o 1% superior de vários outros países, incluindo Rússia, Brasil e África do Sul. Estas pessoas integram a classe capitalista mundial – os proprietários e controladores do sistema capitalista e os estrategistas e criadores de políticas do imperialismo.

Mas Milanovic também descobriu que aqueles que ganharam ainda mais renda nos últimos 20 anos são aqueles na “classe média global”. Estas pessoas não são capitalistas. Trata-se principalmente de pessoas na Índia e na China, anteriormente camponeses ou trabalhadores rurais que migraram para as cidades para trabalhar em sweatshops e nas fábricas da globalização: suas rendas reais saltaram de uma base muito baixa, mesmo que suas condições e direitos não tenham acompanhado. Os maiores perdedores são os mais pobres ainda (principalmente os agricultores africanos) que não ganharam nada em 20 anos.

A evidência empírica apoia a visão de Marx de que, sob o capitalismo, haveria uma “imiseração da classe operária” (empobrecimento) [12] e refuta a Carta de Gates de que as coisas estão melhorando. Qualquer melhoria nos níveis de pobreza, não importa como seja medida, vem do aumento da renda na China controlada pelo Estado e qualquer melhoria na qualidade e na duração da vida provém da aplicação da ciência e do conhecimento através do gasto público na educação, no saneamento básico, prevenção e proteção contra doenças, hospitais e melhor desenvolvimento infantil. São coisas que não vêm do capitalismo, mas da preocupação com o bem comum.

Tradução: AEPET | revisão e pequenos ajustes: Everton Lourenço


Notas

[1] https://thenextrecession.wordpress.com/2015/10/13/weve-never-had-it-so-good/
[2] http://www.humanosphere.org/opinion/2017/03/gates-foundations-rose-colored-world-view-not-supported-by-evidence/

[3] http://courses.arch.vt.edu/courses/wdunaway/gia5524/edward06.pdf

[4] http://unctad.org/en/PublicationsLibrary/presspb2013d4_en.pdf

[5] http://www.worldbank.org/en/topic/poverty/overview

[6] https://www.theguardian.com/global-development-professionals-network/2015/nov/01/global-poverty-is-worse-than-you-think-could-you-live-on-190-a-day

[7] http://courses.arch.vt.edu/courses/wdunaway/gia5524/edward06.pdf

[8] https://www.cgdev.org/blog/really-global-poverty-falling-honest

[9] https://thenextrecession.wordpress.com/2017/02/19/inequality-after-150-years-of-capital/

[10] https://thenextrecession.wordpress.com/2016/01/19/the-62-billionaires-and-the-truth-about-inequality/

[11] https://thenextrecession.wordpress.com/2016/09/14/globalisation-and-milanovics-elephant/

[12] https://en.wikipedia.org/wiki/Immiseration_thesis


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    • Sua Majestade, a Teoria Econômica “Aqui temos a crise econômica e financeira mais espetacular em décadas e o grupo que passa a maior parte de suas horas ativas analisando a economia basicamente não a enxergou.”
    • Nem Sempre Foi Assim [Frederico Mazzucchelli] – “O caótico período que vai do início do século 20, passando pelas duas Guerras Mundiais e a crise de 29, certamente foram tempos muito piores do que o que vivemos hoje, tempos de crise, desemprego e violência em massa. Entretanto, daqueles tempos emergiu também, após a Segunda Guerra Mundial, a necessidade de regular o sistema econômico de modo a atenuar as mazelas gestadas pelo mercado autorregulado. As respostas keynesianas à incerteza e à catástrofe promoveram um longo período de crescimento com ganhos salariais e redução das desigualdades, algo também sem paralelo na história do capitalismo.”
    • Nossa Obsoleta Mentalidade de Mercado [Karl Polanyi] – “O capitalismo liberal foi com efeito a resposta inicial do homem ao desafio da Revolução Industrial. De modo a gerarmos o escopo necessário para o uso de máquinas poderosas e elaboradas, transformamos a economia humana em um sistema auto-regulado de mercados, e direcionamos nosso pensamentos e valores para os moldes dessa única inovação. Hoje, começamos a duvidar da verdade de alguns desses pensamentos e da validade de alguns desses valores.”
  • Sobre como com a tecnologia já acumulada pela humanidade, e com relações de produção mais igualitárias, poderíamos criar uma alternativa muito mais interessante, justa, racional, humana e sustentável:
    • ABCs do Socialismo
    • O Marxismo Está Ultrapassado? Ele Só Tinha Algo a Dizer Sobre a Inglaterra do Século XIX, e Olhe Lá?
    • O Marxismo é Uma Ideologia Assassina, Que Só Pode Gerar Miséria? – “O Marxismo é uma ideologia sanguinária e assassina, que só pode gerar miséria compartilhada? Socialismo significa falta de liberdade e uma economia falida?”
    • O Comunismo Não Passa de Um Sonho de Utopia? Só Funcionaria Com Pessoas Perfeitas?“O Comunismo é apenas um sonho de ingenuidade, utopia e perfeição? Ele ign0ra a maldade e o egoísmo que estariam na essência da natureza humana? Um tal sistema precisaria que todos pensassem e agissem de uma única maneira, só poderia funcionar com pessoas perfeitas e harmoniosas como peças de relógio, nunca com os seres humanos diversos e falhos que realmente existem?”
    • Quatro Futuros – Uma coisa de que podemos ter certeza é que o Capitalismo vai acabar; a questão, então, é o que virá depois.
    • Tecnologia e Ecologia Como Apocalipse e Utopia“Muito se tem falado sobre os impactos da Crise Climática e de novas tecnologias de Automação de postos de trabalho para o nosso futuro em comum. Como as relações de propriedade e produção capitalistas e a Política, especificamente a Luta de Classes, se encaixam neste quadro? Será que a possibilidade de automação quase generalizada seria o bastante para garantir que ela ocorrerá? Qual seria o impacto dela sobre as condições de vida das pessoas? Com base nesses elementos, que tipo de cenários podemos esperar à partir do fim do Capitalismo?”
    • Comunismo Como Futuro Automatizado de Igualdade e Abundância“Um mundo em que a tecnologia tenha superado ou reduzido a um mínimo (e de forma sustentável) a necessidade de trabalho humano; em que esse potencial seja compartilhado com todos, eliminando a exploração e a alienação das relações de trabalho assalariado; onde as hierarquias derivadas do Capital tenham sido suplantadas por um modelo mais igualitário, agora capaz não só de sanar as necessidades de todos, mas de permitir o livre desenvolvimento de cada um, parece para muitos como um sonho de utopia inalcançável e ingênuo, onde não existiriam quaisquer conflitos ou hierarquias. Será mesmo?
    • Inovação Vermelha – “Longe de sufocar a inovação, uma sociedade Socialista colocaria o progresso tecnológico a serviço das pessoas comuns.”
    • Precisamos Dominá-la – “Nosso desafio é ver na tecnologia tanto os atuais instrumentos de controle dos empregadores quanto as precondições para uma sociedade pós-escassez.
    • Tecnologia e Estratégia Socialista – Com poderosos movimentos de classe em sua retaguarda, a tecnologia pode prometer a emancipação do trabalho, ao invés de mais miséria.
    • Lingirie Egípcia e o Futuro Robô – O pânico sobre automação erra o alvo – o verdadeiro problema é que os próprios trabalhadores são tratados feito máquinas.”
    • Políticas Para Se ‘Arranjar Uma Vida’ – “O trabalho em uma sociedade capitalista é um fenômeno conflituoso e contraditório. Uma política para a classe trabalhadora tem de ser contra o trabalho, apelando para o prazer e o desejo, ao invés de sacrifício e auto-negação.
    • Vivo Sob o Sol“Não há caminho rumo a um futuro sustentável sem lidar com as velhas pedras no caminho do ambientalismo: consumo e empregos. E a maneira de fazer isso é através de uma Renda Básica Universal. “
    • Rumo a um Socialismo Ciborgue “A Esquerda precisa de mais vozes e de críticas mais afiadas que coloquem nossa análise do poder e de justiça no centro das discussões ambientais, onde elas devem estar.”
    • Todo Poder aos “Espaços de Fazedores” – “A impressão 3-D em sua forma atual pode ser um retorno às obrigações enfadonhas do movimento “pequeno é belo”, mas tem o potencial para fazer muito mais.
    • Socialismo, Mercado, Planejamento e Democracia“O socialismo promete a emancipação humana, com o alargamento da democracia e da racionalidade para a produção e distribuição de bens e serviços e o uso da tecnologia acumulada pela humanidade para a redução a um mínimo do trabalho necessário por cada pessoa, liberando seu tempo para o seu livre desenvolvimento. Como organizar uma economia socialista para realizar essas promessas?”
    • Votando Sob o SocialismoVai ser mais significativo – mas esperamos que não envolva assembleias sem-fim.
    • Robôs e Inteligência Artificial: Utopia ou Distopia? – “Diz muito sobre o momento atual que enquanto encaramos um futuro que pode se assemelhar ou com uma distopia hiper-capitalista ou com um paraíso socialista, a segunda opção não seja nem mencionada.”
    • Robôs, Crescimento e Desigualdade “Mesmo uma instituição como o FMI vem notando as tendências que a automação de empregos devem gerar nas próximas décadas, incluindo um crescimento vertiginoso da desigualdade social, e a necessidade de compartilhar a abundância prometida por essas inovações.”
    • Automação e o ‘Fim do Trabalho’ na Mídia Internacional Dominante 
    • Um Mundo Socialista Não Significaria Só Uma Crise Ambiental Maior Ainda? – “Sob o Socialismo, nós tomaríamos decisões sobre o uso de recursos democraticamente, levando em consideração necessidades e valores humanos, ao invés da maximização dos lucros.
    • O Socialismo Vai Ser Chato? – “O Socialismo não é sobre induzir uma branda mediocridade. É sobre libertar o potencial criativo de todos.
    • O Socialismo Não Termina Sempre em Ditadura? – O Socialismo é muitas vezes misturado com autoritarismo. Mas historicamente, Socialistas tem estado entre os defensores mais convictos da Democracia.
    • O Socialismo Soa Bem na Teoria, Mas a Natureza Humana Não o Torna Impossível de Se Realizar? – “Nossa natureza compartilhada na verdade nos ajuda a construir e definir os valores de uma sociedade mais justa.”
    • Os Socialistas Querem Tornar Todos Iguais? Querem Acabar Com a Nossa Individualidade?

 

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Um pensamento sobre “Bill Gates e os 4 Bilhões na Pobreza

  1. Nos países centrais, vc tem 20% da população vivendo vidas inimaginavelmente abastadas, 30% vivendo bem e o restante na merda.
    Nos EUA, 20% da população concentra a quase totalidade da riqueza financeira e tem uma renda percapta de 240 mil dólares. Já os 50% mais pobres não vivem melhor do que latinos americanos. O mesmo fenômeno pode ser visto na Europa do Norte.

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