Representando O Comportamento Individual Humano (Micro-Fundamentos e Padrões Macro I)

[Não há razão para nos vincularmos ao modelo padrão de comportamento hiper-racional adotado pelas teorias econômicas dominantes, que não descreve o comportamento real dos indivíduos e nem é útil como padrão normativo. As evidências históricas, empíricas e analíticas contra o comportamento hiper-racional e os agentes representativos são esmagadoras. Precisamos entender como os agentes individuais realmente se comportam, como eles realmente reagem às mudanças no ambiente macro e até que ponto, por sua vez, o ambiente é afetado de volta.]

por Anwar Shaikh, em Capitalismo: Competição, Conflitos e Crises

Comportamento individual

montagem baseada em colagem de jufos9 | flickr

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Não, Os Indivíduos Não São Máquinas de Cálculo Racional Egoísta

[Ao contrário das representações que as teorias econômicas dominantes fazem do comportamento individual humano e de sua maneira de tomar decisões, os indivíduos são seres altamente imperfeitos — com racionalidade limitada, motivos complexos e conflituosos, credulidade, condicionamento social e até mesmo contradições internas – e isso na verdade faz com que os indivíduos contem mais, e não menos.]

por Ha-Joon Chang

Kollage Kid | Flickr

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Von Mises e sua Praxeologia: Religião, Aristocracia, Racismo e Contradições

A tese defendida no artigo é de que o neoliberalismo de von Mises fundamenta-se em uma filosofia de inspiração religiosa e aristocrática. Defende-se que a teoria de von Mises contém um comprometimento com uma ontologia de dois mundos, inspirada pela filosofia de Tomás de Aquino. Tal ontologia de natureza religiosa ganha caráter secular com o argumento aristocrático, presente em sua teoria da história, sua visão da democracia e do funcionamento dos mercados. Conclui-se que o neoliberalismo de von Mises baseia-se em argumentos da reação feudal à ascensão do capitalismo, com o fim de preservar e justificar este último.

por André Guimarães Augusto, na Revista da SEP, 2016

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Não é Graças ao Capitalismo que Estamos Vivendo Mais, mas Graças a Políticas Progressistas

Ignore o conto de fadas habitual. Democracia, Sindicatos, Saúde e Educação: Essas são as forças que realmente importam.

por Jason Hickel, no The Guardian, em Novembro de 2019

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‘Em Manchester e Liverpool, as duas gigantes da industrialização capitalista, a expectativa de vida entrou em colapso.’ Crianças em Hulme, Manchester, 1954. Foto: Picture Post/Getty Images

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De Volta ao Debate Sobre o Planejamento Socialista II – Preços, Informação, Comunicação e Eficiência

[A análise dos aspectos econômicos da informação tem sido associada ao trabalho de Hayek, que enxerga o sistema de preços no mercado como um mecanismo de telecomunicação de informações e de adaptação a mudanças. As críticas de Hayek às possibilidades de um planejamento democrático da produção de bens e serviços, como apresentadas no artigo “O Uso do Conhecimento na Sociedade”, têm servido de base para enterrar qualquer forma de socialismo, mesmo para pessoas que resistem ao seu entusiasmo extremo por mercados irrestritos. Até que ponto as ideias de Hayek se sustentam, principalmente diante dos avanços posteriores na Teoria da Informação e na Ciência da Computação? Será que o sistema de mercado realmente é tão mais eficiente do que qualquer alternativa baseada no planejamento democrático socialista jamais poderia ser? Ou, pior, será que as ideias de Hayek realmente mostram que uma alternativa desse tipo não seria apenas menos eficiente, mas simplesmente impossível?]

Paul Cockshott e Allin Cottrell, 1994 (1997,2007, 2009)

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Montagem baseada em ilustração de C. Arrojo

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Educação, Empreendedorismo, e Produtividade Individuais de Um Povo Realmente Explicam o Desenvolvimento de Um País?

por Ha-Joon Chang

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colagem de Ruben Martinho

[Nota do Minhocário: Os artigos abaixo lidam com 3 dos mitos que mais ouvimos (principalmente nas últimas décadas) para justificar a situação de subdesenvolvimento dos países mais pobres e dependentes, e para justificar a razão pela qual os países mais ricos teriam alcançado o seu nível de desenvolvimento: o nível da educação, a cultura empreendedora e a produtividade individual dos cidadãos desses países.]

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A Mente Univariada do Bitolado de Direita

“A ‘mente univariada’ é a tendência para abstrair a dinâmica de fenômenos extremamente complexos, como economias inteiras, a desigualdade salarial de gênero, rituais de sedução, sub-representação de certas minorias sexuais e raciais na indústria, pobreza, etc. em modelos que usam uma ou pouquíssimas variáveis.”

por Amir Hernandez, em Cold and Dark Stars, Setembro de 2017

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colagem de Lewis Minor

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O Capitalismo Está Arruinando a Ciência

Os incentivos de mercado aplicados ao ambiente universitário, com exigências cada vez mais rigorosas em publicações, financiamento, patentes, etc, juntamente do crescimento da fragmentação do conhecimento em campos cada vez mais isolados entre si e com exigências crescentes de complexidade informacional e distância cada vez maior em relação à realidade concreta criam uma situação que ameaça sua imagem como espaço para a busca de respostas para nossos problemas como sociedade, a construção de conhecimento coletivo, a própria integridade do empreendimento científico. 

por Meagan Day e Amir Hernandez

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Elon Musk Não é O Futuro

Os dirigentes das grandes empresas de tecnologia estão nessa apenas por eles mesmos, não pelo bem público.

por Paris Marx, em seu Medium (como “As “Inovações” de Elon Musk Não São O Futuro – Elas Estão Nos Atrasando”),
e na Revista Jacobin, Janeiro de 2018

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Bill Gates Não Vai Nos Salvar [E Nem Elon Musk]

Quando se trata de tecnologia verde, apenas o Estado pode fazer o que o Vale do Silício não pode.

por Ben Tarnoff, na Revista Jacobin, Agosto de 2017

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O Vale do Silício [1] se orgulha de resolver problemas. Quer se trate de colonizar Marte ou encontrar uma vaga de estacionamento em São Francisco, a indústria da tecnologia promete lidar com os maiores desafios da humanidade. No entanto, no desafio mais urgente de todos – como parar as mudanças climáticas antes que elas tornem grandes porções do planeta inabitáveis – seus progressos têm sido quase invisíveis.

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